ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

SERÁ A ATITUDE DO PS A QUE O PAÍS NECESSITA?

Um artigo num jornal luso-brasileiro do Rio de Janeiro, no qual uma senhora apela ao voto neste momento difícil da vida de Portugal, dá azo a um protesto do PS que, embora se sabendo que será de efeito nulo, poderá atrasar o processo de recuperação do país e dar o primeiro sinal de incapacidade do indispensável empenhamento de TODOS nós na exigente tarefa de reerguer o país.
Sem provas de ter acontecido qualquer ilegalidade, o Partido Socialista, ou aquela parte dele que apenas olha para o seu umbigo, põe em causa o esforço de constituir rapidamente um governo cujo Primeiro-Ministro possa estar presente na reunião do próximo dia 23 em Bruxelas e, dessa forma, dar uma nota positiva da nossa capacidade de enfrentar e de resolver os problemas.
Falando a várias vozes, o PS cria uma situação que pode levar ao ridículo de ser um Sócrates derrotado e sem poder quem lá estará! Para quê? Para dificultar a tarefa do novo governo e comprometer o futuro próximo de todos nós? Para uma vingançazinha ridícula da pesada derrota que nada já poderá alterar? Eles lá saberão.
Quando se esperaria um PS responsável e colaborante nas indispensáveis tarefas de reconstrução de Portugal, eis que ele se mostra como tem sido nos últimos anos, autista e revanchista.
Esperemos que tudo não passe de uma atitude ridícula e transitória dos que fizeram do PS o partido em que se tornou, para que volte a ser o partido responsável que participe na solução dos problemas que criou.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

PODEM OU NÃO JULGAR-SE TITULARES DE CARGOS PÚBLICOS?

Na discussão sobre se, em Portugal, é ou não possível julgar titulares de cargos públicos, os “especialistas” não estão de acordo. Dizem uns que é possível e que até haverá disposições legais que o permitam, como na Lei 34/87. Outros dizem que não, por vezes com argumentos de não ser a incompetência um crime nem se poder julgar alguém pelas más decisões que tome!
Fico, pois, sem saber porque se julga alguém que faça seja o que for que sempre resulta de uma decisão que tomou!
Sempre achei estranhos certos “caminhos” da Justiça, bem como injusta terei de a julgar não apenas pelas dúvidas que gera como por saber como depende das possibilidades financeiras e do "estatuto" de quem acusa ou se defende o sucesso que alcança no “processo” judicial que o absolva ou condene.
Estranho é que se fale em Estado Social que defenda os mais necessitados quando são estes mesmos os que a Justiça mais condena por falta de meios para se defenderem.
Estranho é que se fale de Estado de Direito quando, como não há muito tempo se viu a propósito de certos casos em que titulares de cargos públicos foram envolvidos, alguns têm privilégios que não condizem com os princípios que à maioria se aplicam.
Não, não é Estado Social o que não preveja igualdade também na Justiça.
Não, não é Estado de Direito o que não julga todos pela mesma bitola, porque concede a uns o direito de errar e de serem incompetentes sem que por isso se lhes possam ser pedidas satisfações.
Parecem preconceituosas algumas das opiniões expressas que, vindas de quem vêm, têm o odor de defesa de teorias que falharam ou de queixas que não foram atendidas.
É isto a Justiça, afinal: ser difícil entender a Justiça!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O RIDÍCULO A QUE CHEGÁMOS

A Ryanair, uma empresa irlandesa de aviação, enviou um ramo de 10 rosas aos trabalhadores da TAP, uma por cada dia de greve que anunciaram fazer.
Mais terão dito aos clientes da TAP que não prejudiquem as suas férias porque a Ryanair poderá transportá-los!
Quando as coisas chegam ao ponto de darem lugar a este tipo de piadas é porque se tornaram ridículas e valerá a pena repensá-las.
A situação financeira da TAP, sujeita às regras definidas para as empresas públicas no que respeita à contratação de pessoal, não lhe permitirá, neste momento de grandes dificuldades e como diz o seu responsável, suportar os danos que a greve irá causar.
Em consequência, se persistirem nos seus propósitos, em vez da redução de um tripulante por equipa, será toda a equipa que ficará demais…
Como pode ainda haver quem não tenha entendido que o mau tempo chegou para todos?
Mal de verdade estão aqueles que não têm trabalho algum.
Além disto, estas atitudes e as suas consequências passaram a ser do interesse de todos nós que teremos de superar uma crise de dimensões imensas, um problema que, com radicalismos, se não resolverá. Seria altura de uma arbitragem séria que limitasse alguns excessos que a lei não permite controlar.

NO DOMINGO, VAMOS VOTAR PORTUGAL!

Hoje é o último dia da campanha que antecede um dos actos eleitorais mais importantes ou, mesmo até, o mais importante de todos.
Dizem as sondagens que Passos Coelho – que conheci ainda rapazinho nos tempos da AD e voltei a conhecer mais tarde quando era presidente da JSD – será o vencedor. Penso que o será e, mais ainda, é minha crença que vencerá por margem bem mais folgada do que as sondagens sugerem.
Importante, porém, é o facto deste quase próximo Primeiro-ministro de Portugal ter tido uma caminhada difícil dentro do próprio partido que agora lidera.
Teve de contornar uma máquina que tentou exclui-lo, teve de formar um grupo ao qual alguns se furtaram e só pouco mais do que discretamente participaram nesta luta titânica que, tudo o indica, Passos Coelho vai vencer.
Não acredito que tenha unido o Partido. Penso, antes, que o está a renovar com pessoas e com ideias que pareciam perdidas desde há muito tempo, ainda que permitindo que os já poucos velhos “barões” e os novos “aprendizes de barões” possam corrigir procedimentos e acabar com as posturas nepotistas que os têm caracterizado.
Será uma dupla vitória a do Pedro, dentro e fora do Partido.
Vai ser surpreendido pelo que vai encontrar, com certeza que sim. Terá de ajustar algumas das ideias que tem e até alterar algumas das propostas que fez, como é inevitável. Mas penso que é homem capaz de vencer as dificuldades que vai encontrar, porque um homem inteligente e de mente limpa sabe reconhecer as dificuldades, sabe encontrar os caminhos certos e sabe, também, reconhecer os erros que faz!
Não me parece que o Pedro seja um casmurro que, por teimosia ou pretensiosismo persista nos erros, porque mais me parece possuir a inteligência dos que conseguem acertar o passo pela realidade.
Por tudo isto, Passos Coelho será um debutante na política ao mais alto nível com condições para vencer.
Por si e pelo nosso país, lhe desejo as maiores felicidades!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

SÓCRATES, O CAMALEÃO DA POLÍTICA

Parece não se dar bem com “estudos” o ainda Primeiro-Ministro José Sócrates. Afinal, o homem assinou com a troika um acordo que prevê uma “forte redução” da Taxa Social Única (tsu) que, na sua campanha eleitoral, desmentiu veementemente!
No frente-a-frente com Passos Coelho que, para cumprir as imposições da troika se compromete com uma redução de 4%, Sócrates disse que o governo ainda “estudaria” a redução a fazer que, contudo, nunca atingiria aquele valor. Mais tarde, disse mesmo que discordava frontalmente que fosse essa a via para aumentar a competitividade que poderia ser alcançada de outros modos.
Contra tudo e contra todos, Sócrates lá vai afirmando o que crê lhe dará mais votos, o mesmo é dizer que lá vai dizendo as mentiras que mais vantagens julga que lhe trarão.
Mesmo hoje, conhecidas finalmente todas as versões dos compromissos que assumiu com o FMI e a UE e que, tudo leva a crer, pretendeu fossem desconhecidas até às eleições, num “tempo de antena” do PS, Sócrates debitava as mentiras do costume que o acordo totalmente desmente.
É um jogo que Sócrates sabe jogar muito bem. Diria, mesmo, sabe jogar como ninguém. Seja como for, é um jogo sujo que desmente os protestos de patriotismo desta personalidade única que se transformou no carrasco de Portugal.
Esta habilidade ímpar será a única fraca desculpa que poderão ter os demasiados apoiantes deste “camaleão da política” que, se atingirem os cerca de 30% que as sondagens indicam, mostrarão ser Portugal um país que não sabe pensar por si, que para não enfrentar os problemas que se lhe deparam prefere acreditar nas fantasias de quem diz o que não é verdade e promete o que não pode dar, como ficou demonstrado nos dois governos que Sócrates dirigiu!
Faltam dois dias para que saibamos que país é este, para saber se Portugal se deixa ou não embalar pelo canto de uma perigosa sereia e se deixa ou não enganar pelos políticos menos credíveis que alguma vez teve teve!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

DEFESA DE DIREITOS OU EXCESSOS?

Já dei conta de muitos milhares de trabalhadores ficarem sem o seu emprego em consequência de atitudes que, supostamente, tinham como propósito defendê-lo. Mas também já vi trabalhadores poderem conservá-lo porque à frente dos seus “direitos” colocaram os seus interesses e souberam negociar! E como não haverá emprego sem empresa, colocar a empresa em risco é por em risco o emprego também, sobretudo em situações como a que vivemos.
Sem prejuízo dos direitos que aos trabalhadores devem ser garantidos, a estabilidade da empresa deve ser preocupação deles também.
Por isso não entendo algumas das greves anunciadas em empresas que, todos sabemos, têm graves problemas financeiros que terão de ser resolvidos rapidamente, sem dúvida com alguns ou muitos sacrifícios.
Espanta-me a greve nos comboios e, mais ainda, a do pessoal de cabina da TAP que não aceita uma sobrecarga de esforço, como a que a todos os portugueses está a ser pedido, e marca greves que põem em causa a operacionalidade da empresa.
Estranho foi o sindicato reagir às declarações públicas do presidente da TAP criticando que tenha levado para a rua assuntos de conversas e não de negociações que nem ainda haviam começado!
Então porque estão já marcadas greves?
Estará tudo louco? Ainda não entenderam o perigo a que se expõem e expõem todos os demais trabalhadores da empresa?
Será que algum dia aprenderemos a viver em democracia, tirando partido das suas vantagens e evitando os seus excessos?

MUDAR DE VIDA!

Agradou-me ouvir Passos Coelho dizer que “o povo português aprendeu o quando lhe custou essa lição, o preço da incúria, da ilusão, do disfarce, do faz de conta", acrescentando que está convicto de que "o país sabe que vai ter de mudar de vida".
A primeira parte é a mais óbvia porque todos já sentimos na pele os efeitos de governações levianas que nos levaram às portas da bancarrota. Foram governações que não souberam gerir em conformidade com as potencialidades do país, que julgaram ser a União Europeia a solução para as suas fraquezas e os seus apoios financeiros um maná inesgotável que nos tornaria ricos.
Hoje sentimos o gosto amargo da “solidariedade” europeia que pagaremos sem poder reclamar, suportando toda a dor que os sacrifícios, impostos sem piedade, nos farão sentir.
Já não estou tão certo de saber o país que vai ter de mudar de vida porque nem sequer me parece saber qual a vida que pode ter com os recursos de que dispõe.
Não vale a pena pensar que poderemos regressar à vida descuidada que já vivemos e, por isso, melhor será ter por certo que só com muito trabalho poderemos sair do “castigo” que nos impuseram.
Resta-me esperar que Passos Coelho o saiba e que, com toda a clareza, o explique a este povo distraído que parece preferir acreditar nas balelas de quem promete o que o país não pode dar nem pode ter.
Em contrapartida, desagradaram-me os avisos de desgraça de Sócrates, pelos quais um governo de Passos Coelho só pode trazer maiores sacrifícios e dificuldades ao país! É a reles estratégia do medo que um país que necessita de ser heróico para se reerguer não pode ter.
Estamos a dois dias do acto eleitoral que marcará o rumo do futuro próximo de Portugal. Espero que a grande maioria de nós tenha a consciência do que deve ser feito para minorar a dor com que teremos de pagar os erros que, por mal avisados ou por incompetência, cometemos.