Eu entendo que eram absolutamente necessárias medidas de emergência perante um cenário de catástrofe financeira como o que o anterior governo nos deixou. Mas entendo, também, que medidas de emergência não podem ser mais do que medidas de recurso que, o mais rapidamente possível, devem ser substituídas por medidas mais pensadas e com visão de futuro. O défice de Portugal ficará, este ano, abaixo dos 5,9% imposto pela Troika. O primeiro ministro afirma que se ficará pelos 4,5%. Mas a dívida continuará elevada.
O défice pode ser corrigido com medidas de emergência mas a dívida não. E é por isso que se tornam urgentes medidas de desenvolvimento económico que contrariem o efeito recessivo das medidas de austeridade que as circunstâncias nos impõem e das quais, infelizmente, não há como nos livrarmos.
Já me insurgi contra as portagens excessivas na A23 – outras haverá que se possam queixar pelas mesmas razões – que vão no sentido inverso do que seria o do desenvolvimento do atrofiado Interior de Portugal! Não me parece uma medida certa nem justa. Deveria poder enquadrar-se nas que promovem o desenvolvimento e não nas que o espartilham.
Deste modo a situação das deslocações dentro do país fica assim: ao longo do litoral, as alternativas são diversas quer em auto estradas quer em estradas nacionais não portajadas mas, para o Interior, a alternativas são poucas, más e, por vezes, nenhumas e terá de se pagar mais caro!
Parabens ao inteligente que tomou esta decisão! Creio que merece, como nos meus tempos de instrução primária, umas orelhas de burro e ficar virado para o canto durante toda a aula!
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ACORDO ORTOGRÁFICO
O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
A PROPÓSITO DA A23
Falar de interioridade é, em Portugal, falar do fim do mundo ou de um Portugal de segunda que outro proveito não tem para além dos impostos em cujo pagamento não tem distinção.
Como se pensará fazer o seu desenvolvimento sem condições como as que foram dadas aos Açores e à Madeira por conta da sua insularidade?
É um Portugal perdido que se despovoa dia a dia porque não oferece condições de vida nem segurança adequadas. É, por isso, um Portugal cada vez menos produtivo, com recursos inaproveitados.
Agora, com as condições de acessibilidade agravadas de um modo nitidamente excessivo que faz da A23 a auto estrada mais cara do país, as condições vão, por certo, piorar porque as pesadas portagens agravarão os custos do que no Interior se produza, bem como tornarão mais caros os bens ao Interior destinados!
Mesmo em tempo de crise ou sobretudo em tempo de grandes dificuldades, os fatores de desenvolvimento não podem ser esquecidos e muito menos podem ser acrescidas dificuldades ao que já é difícil.
Não foram dadas ao Interior as condições para defesa dos seus interesses como as que aos Açores e à Madeira foram concedidas. Os seus deputados não são, de facto, quem os defende e, muitas vezes, nem sequer sabem quais sejam os seus interesses ou os seus valores.
Sempre entendi as SCUT como um erro que se viria a pagar muito caro, mas nunca esperei que a “solidariedade nacional” que tanto tem explorado o Interior viesse algum dia a tomar a forma de uma agressão tão dura como o são os valores cobrados para viajar na A23!
Um erro gravíssimpo do governo de Passos Coelho.
Como se pensará fazer o seu desenvolvimento sem condições como as que foram dadas aos Açores e à Madeira por conta da sua insularidade?
É um Portugal perdido que se despovoa dia a dia porque não oferece condições de vida nem segurança adequadas. É, por isso, um Portugal cada vez menos produtivo, com recursos inaproveitados.
Agora, com as condições de acessibilidade agravadas de um modo nitidamente excessivo que faz da A23 a auto estrada mais cara do país, as condições vão, por certo, piorar porque as pesadas portagens agravarão os custos do que no Interior se produza, bem como tornarão mais caros os bens ao Interior destinados!
Mesmo em tempo de crise ou sobretudo em tempo de grandes dificuldades, os fatores de desenvolvimento não podem ser esquecidos e muito menos podem ser acrescidas dificuldades ao que já é difícil.
Não foram dadas ao Interior as condições para defesa dos seus interesses como as que aos Açores e à Madeira foram concedidas. Os seus deputados não são, de facto, quem os defende e, muitas vezes, nem sequer sabem quais sejam os seus interesses ou os seus valores.
Sempre entendi as SCUT como um erro que se viria a pagar muito caro, mas nunca esperei que a “solidariedade nacional” que tanto tem explorado o Interior viesse algum dia a tomar a forma de uma agressão tão dura como o são os valores cobrados para viajar na A23!
Um erro gravíssimpo do governo de Passos Coelho.
O BRAÇO DE FERRO ENTRE A ECONOMIA E O AMBIENTE
Em Durban, estiveram reunidos representantes de 195 países numa conferência, a COP-17, para discutir as medidas necessárias para controlar as alterações climáticas cada vez mais evidentes.
Depois do que parecia ser um total fracasso, lá se entenderam os 195 para, altas horas da noite, assinarem numa resolução que, quanto a mim, o não é, pois não passa de um acordo para iniciarem negociações, tendo como objectivo definir medidas a por em prática até 2020.
Recorde-se que o Acordo de Quioto foi assinado em 1997, depois de uma série de conferências iniciadas em 1988, em Toronto, no Canadá. Começou por ser ratificado por apenas cinquente e cinco países, com adesão tardia de mais alguns. Os maiores poluidores, porém, ficaram de fora.
Andamos a “encanar a perna à rã” há mais de vinte anos e entendemos que podemos esperar mais dez até definirmos, finalmente, o que fazer para evitar uma tragédia à escala planetária, se é que algum acordo é alcançado e se, sendo-o, contém as medidas que o problema requer.
Imagine-se o que poderia ter sido feito durante todo este tempo.
Quanto ao que se passou em Durben, começa por dar ideia de que, depois de se não entenderem, os intervenientes acabaram por render-se à inevitabilidade de produzir um documento qualquer e esse apenas decide o início de negociações! Depois, negociar não significa chegar a acordo, apesar de os renitentes e menos cumpridores terem assinado tal documento final.
É caso para perguntar: o que estiveram a fazer ali durante o tempo que durou a conferência? Turismo? Talvez, porque o Drakensberg é uma cordilheira belíssima, digna de ser apreciada, e as compras no Jhon Orr talvez continuem a ser uma tentação.
Há muito que este confronto entre a economia e o ambiente se mantém e, apesar das evidências de que algumas das práticas em que assenta o seu crescimento são visivelmente prejudiciais, sempre os interesses económicos têm levado a melhor, seja pelas tímidas atitudes de uns seja pela recusa de outros em fazerem qualquer coisa em prol do ambiente.
Ali, na Costa do Natal, onde a mais evidente menção à passagem de Vasco da Gama salta aos olhos de quem sai do porto desta cidade da costa oriental de África, eu gostaria que tivesse acontecido qualquer coisa que não aconteceu, tivesse nascido uma consciência global que ainda não nasceu, o que demonstra a cegueira dos economistas no último momento de que dispõem para alterar o comportamento de uma Humanidade tão cega como eles.
Depois do que parecia ser um total fracasso, lá se entenderam os 195 para, altas horas da noite, assinarem numa resolução que, quanto a mim, o não é, pois não passa de um acordo para iniciarem negociações, tendo como objectivo definir medidas a por em prática até 2020.
Recorde-se que o Acordo de Quioto foi assinado em 1997, depois de uma série de conferências iniciadas em 1988, em Toronto, no Canadá. Começou por ser ratificado por apenas cinquente e cinco países, com adesão tardia de mais alguns. Os maiores poluidores, porém, ficaram de fora.
Andamos a “encanar a perna à rã” há mais de vinte anos e entendemos que podemos esperar mais dez até definirmos, finalmente, o que fazer para evitar uma tragédia à escala planetária, se é que algum acordo é alcançado e se, sendo-o, contém as medidas que o problema requer.
Imagine-se o que poderia ter sido feito durante todo este tempo.
Quanto ao que se passou em Durben, começa por dar ideia de que, depois de se não entenderem, os intervenientes acabaram por render-se à inevitabilidade de produzir um documento qualquer e esse apenas decide o início de negociações! Depois, negociar não significa chegar a acordo, apesar de os renitentes e menos cumpridores terem assinado tal documento final.
É caso para perguntar: o que estiveram a fazer ali durante o tempo que durou a conferência? Turismo? Talvez, porque o Drakensberg é uma cordilheira belíssima, digna de ser apreciada, e as compras no Jhon Orr talvez continuem a ser uma tentação.
Há muito que este confronto entre a economia e o ambiente se mantém e, apesar das evidências de que algumas das práticas em que assenta o seu crescimento são visivelmente prejudiciais, sempre os interesses económicos têm levado a melhor, seja pelas tímidas atitudes de uns seja pela recusa de outros em fazerem qualquer coisa em prol do ambiente.
Ali, na Costa do Natal, onde a mais evidente menção à passagem de Vasco da Gama salta aos olhos de quem sai do porto desta cidade da costa oriental de África, eu gostaria que tivesse acontecido qualquer coisa que não aconteceu, tivesse nascido uma consciência global que ainda não nasceu, o que demonstra a cegueira dos economistas no último momento de que dispõem para alterar o comportamento de uma Humanidade tão cega como eles.
sábado, 10 de dezembro de 2011
O FUTURO E A POLÍTICA
É cada vez mais evidente que os partidos políticos clássicos se encontram em fase de profunda agitação, com divergências profundas e com interesses díspares em evidente oposição.
O que se passa ou passou no PSD, onde uma corrente mais moderna continua a ser mal vista e criticada pelos “barões” que ela “desinstalou”, incluindo Rui Rio que, por vezes, toma atitudes que levam a pensar que já entendeu que a sua oportunidade passou, mostra bem como este partido está em transformação, passando de um conceito social-democrata que nunca foi capaz de materializar para uma posição neo-liberal que a situação do país e do mundo pode levar a ser repensada.
O PS ainda não entendeu que o socialismo é uma miragem e que até, na era de Sócrates, não passou de uma ideia bizarra que julgou poder praticar um “capital-socialismo” que quase levou o país à bancarrota. Hoje é um partido dirigido por um Secretário Geral carente de ideias, sem força e sem carisma que, tenta, a todo o custo, ter um lugar próprio, mas a quem os “socratistas” tornam a vida difícil.
O CDS adopta uma atitude dúbia que pretende abranger todas as áreas “nobres” do espetro político, enquanto os outros desperdiçam energias a tentar controlar os seus problemas. Porém, a indefinição não se pode manter eternamente...
Lá para os lados da auto denominada esquerda, o PCP vai estiolando, afundando-se numa ideologia caduca e já proscrita pela História, com ideias que a mais singela provação desmonta, enquanto o BE se desentende e divide numa via rápida para a desintegração que o cada vez mais diminuto apoio popular justifica.
Além de tudo isto, já não há ideologia que responda às necessidades de uma nova realidade que cada vez menos permite as loucuras de que a imaginação é capaz e os espetáculos políticos exigem.
A realidade exige a passagem para um patamar superior da política onde o faz-de-conta não tem lugar, onde não adianta fingir que as coisas são como desejamos e não como são, onde não adianta ignorar que o ambiente necessário à vida e muito sensível e que os recursos de que necessitamos para viver são escassos e cada vez menos abundantes.
Há teorias a abandonar, conceitos a rever e, sobretudo, um ambiente a preservar para que a Humanidade possa sobreviver.
Os resultados esperados da Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, a decorrer em Durban, não serão animadores, continuando o Protocolo de Quioto a ser desrespeitado por quem mais polui para não prejudicar o crescimento da sua economia. Mas como poderá ter futuro uma economia que faz do ambiente o seu caixote do lixo?
O que se passa ou passou no PSD, onde uma corrente mais moderna continua a ser mal vista e criticada pelos “barões” que ela “desinstalou”, incluindo Rui Rio que, por vezes, toma atitudes que levam a pensar que já entendeu que a sua oportunidade passou, mostra bem como este partido está em transformação, passando de um conceito social-democrata que nunca foi capaz de materializar para uma posição neo-liberal que a situação do país e do mundo pode levar a ser repensada.
O PS ainda não entendeu que o socialismo é uma miragem e que até, na era de Sócrates, não passou de uma ideia bizarra que julgou poder praticar um “capital-socialismo” que quase levou o país à bancarrota. Hoje é um partido dirigido por um Secretário Geral carente de ideias, sem força e sem carisma que, tenta, a todo o custo, ter um lugar próprio, mas a quem os “socratistas” tornam a vida difícil.
O CDS adopta uma atitude dúbia que pretende abranger todas as áreas “nobres” do espetro político, enquanto os outros desperdiçam energias a tentar controlar os seus problemas. Porém, a indefinição não se pode manter eternamente...
Lá para os lados da auto denominada esquerda, o PCP vai estiolando, afundando-se numa ideologia caduca e já proscrita pela História, com ideias que a mais singela provação desmonta, enquanto o BE se desentende e divide numa via rápida para a desintegração que o cada vez mais diminuto apoio popular justifica.
Além de tudo isto, já não há ideologia que responda às necessidades de uma nova realidade que cada vez menos permite as loucuras de que a imaginação é capaz e os espetáculos políticos exigem.
A realidade exige a passagem para um patamar superior da política onde o faz-de-conta não tem lugar, onde não adianta fingir que as coisas são como desejamos e não como são, onde não adianta ignorar que o ambiente necessário à vida e muito sensível e que os recursos de que necessitamos para viver são escassos e cada vez menos abundantes.
Há teorias a abandonar, conceitos a rever e, sobretudo, um ambiente a preservar para que a Humanidade possa sobreviver.
Os resultados esperados da Conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, a decorrer em Durban, não serão animadores, continuando o Protocolo de Quioto a ser desrespeitado por quem mais polui para não prejudicar o crescimento da sua economia. Mas como poderá ter futuro uma economia que faz do ambiente o seu caixote do lixo?
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
AGORA SÃO OS JUÍZES...
Eu gostaria de ver os homens das leis a preocuparem-se com as razões que levaram o país a esta crise que amargamos de forma tão dura. Gostava de vê-los discutir se há matéria para julgar os responsáveis por esta tragédia que nos obriga a medidas excecionais para a podermos ultrapassar.
Sempre ouvi dizer que em tempo de guerra não se limpam armas, o que me leva a crer que em tempo de emergência nacional também não!
Privilegiados, nada fizeram até que lhes doeu no bolso, como me doi a mim e a muita gente que terá cortados os subsídios de férias e de Natal nos próximos dois anos, mas que prefere que seja assim a andarmos permanentemente a perder o pouco que temos até não termos nada para além das leis!
De uma classe da qual esperaria uma visão das coisas acima da média, vem agora uma atitude que dizem ser de imperativo legal, a qual tem em vista impedir que o governo tome as medidas indispensáveis á recuperação da credibilidade do país perante os seus credores. Se lhes fosse dada atenção, Portugal não cumpriria os compromissos que assumiu e isso traduzir-se-ia em mais austeridade que, queira Deus que não, faria perigar o pagamento dos vencimentos e não apenas dos subsídios.
A Constituição é, sem a menor dúvida, muito importante, mas não é ela quem paga as dívidas que fizemos e teremos de pagar se desejarmos continuar a pertencer ao mundo dito evoluído.
Se o momento é de emergência, as medidas terão de o ser, também.
Sem me sentir responsável pela situação que vivemos, tanto porque me insurgi contra as loucuras de gastos do Estado como os incentivos despudorados a um consumo excessivo que já levou à falência milhares e milhares de famílias, sinto que terei de aceitar as medidas que visam combatê-la, sem pruridos de legitimidades que tanto poderiam ser estas como outras quaisquer.
Mas o Presidente da República deu o mote e agora vai ter de se haver com isso. Veremos.
Sempre ouvi dizer que em tempo de guerra não se limpam armas, o que me leva a crer que em tempo de emergência nacional também não!
Privilegiados, nada fizeram até que lhes doeu no bolso, como me doi a mim e a muita gente que terá cortados os subsídios de férias e de Natal nos próximos dois anos, mas que prefere que seja assim a andarmos permanentemente a perder o pouco que temos até não termos nada para além das leis!
De uma classe da qual esperaria uma visão das coisas acima da média, vem agora uma atitude que dizem ser de imperativo legal, a qual tem em vista impedir que o governo tome as medidas indispensáveis á recuperação da credibilidade do país perante os seus credores. Se lhes fosse dada atenção, Portugal não cumpriria os compromissos que assumiu e isso traduzir-se-ia em mais austeridade que, queira Deus que não, faria perigar o pagamento dos vencimentos e não apenas dos subsídios.
A Constituição é, sem a menor dúvida, muito importante, mas não é ela quem paga as dívidas que fizemos e teremos de pagar se desejarmos continuar a pertencer ao mundo dito evoluído.
Se o momento é de emergência, as medidas terão de o ser, também.
Sem me sentir responsável pela situação que vivemos, tanto porque me insurgi contra as loucuras de gastos do Estado como os incentivos despudorados a um consumo excessivo que já levou à falência milhares e milhares de famílias, sinto que terei de aceitar as medidas que visam combatê-la, sem pruridos de legitimidades que tanto poderiam ser estas como outras quaisquer.
Mas o Presidente da República deu o mote e agora vai ter de se haver com isso. Veremos.
domingo, 4 de dezembro de 2011
INDIGNAÇÃO, PARA QUE?
É desagradável, mesmo mais do que isso até, não receber os subsídios de férias e de Natal em 2012 e em 2013. E eu não vou receber!
É desagradável, diria até que frustrante ter reclamado tantas vezes pelas atitudes irrefletidas de um governo gastador e perdulário e agora, ao ser penalizado, de nada me valer reclamar de uma austeridade cuja alternativa seria não me pagarem a pensão que mais de quarenta e cinco anos de contribuições justificam.
Sinto-me indignado, pois claro! Mas de que me serviria reclamar se não há condições para ser de outra maneira?
Se me conformo? Claro que não! E ainda mais quando não tenho assim tanto tempo para esperar por uma recuperação económica que, por este andar, pode até nem chegar.
De que me adianta apelar à possível inconstitucionalidade da medida ou, como hoje li, algures no face book, que Sá Carneiro tenha dito que os subsídios de férias e de Natal eram impenhoráveis e inalienáveis? Será que o disse? Nem isso me interessa.
O país julgou que estava rico, o crédito fácil dava para tudo. Era uma grande farra e a quem chamasse a atenção para os riscos destas fantasias, logo alguém dizia “lá está este com o discurso da tanga”!
Tudo isto me faz lembrar uma anedota muito antiga, daqueles tempos em que a visita de marinheiros americanos era uma festa e uma oportunidade para alguns fazerem bons negócios. Foi o caso de um comerciante espertalhão que vendia leitões e conseguiu impingir, a dois marinheiros, um dos seus bichos por quinhentos escudos, um “monte” de dinheiro naqueles tempos e mais do que o triplo do preço justo. Fazendo aquela cena de estarem “desprevenidos” mas que iriam ao navio buscar o dinheiro e voltavam já, pegaram no leitão e lá convenceram o homem que, plantado no cais, ficou à espera do dinheiro. Mas em vez do regresso dos marujos, o homem viu o barco zarpar!!! Primeiro danou-se mas, depois, reconhecendo a inutilidade da sua indignação confortou-se pensando “não mo pagaram, mas vendi-o bem vendido!”
É desagradável, diria até que frustrante ter reclamado tantas vezes pelas atitudes irrefletidas de um governo gastador e perdulário e agora, ao ser penalizado, de nada me valer reclamar de uma austeridade cuja alternativa seria não me pagarem a pensão que mais de quarenta e cinco anos de contribuições justificam.
Sinto-me indignado, pois claro! Mas de que me serviria reclamar se não há condições para ser de outra maneira?
Se me conformo? Claro que não! E ainda mais quando não tenho assim tanto tempo para esperar por uma recuperação económica que, por este andar, pode até nem chegar.
De que me adianta apelar à possível inconstitucionalidade da medida ou, como hoje li, algures no face book, que Sá Carneiro tenha dito que os subsídios de férias e de Natal eram impenhoráveis e inalienáveis? Será que o disse? Nem isso me interessa.
O país julgou que estava rico, o crédito fácil dava para tudo. Era uma grande farra e a quem chamasse a atenção para os riscos destas fantasias, logo alguém dizia “lá está este com o discurso da tanga”!
Tudo isto me faz lembrar uma anedota muito antiga, daqueles tempos em que a visita de marinheiros americanos era uma festa e uma oportunidade para alguns fazerem bons negócios. Foi o caso de um comerciante espertalhão que vendia leitões e conseguiu impingir, a dois marinheiros, um dos seus bichos por quinhentos escudos, um “monte” de dinheiro naqueles tempos e mais do que o triplo do preço justo. Fazendo aquela cena de estarem “desprevenidos” mas que iriam ao navio buscar o dinheiro e voltavam já, pegaram no leitão e lá convenceram o homem que, plantado no cais, ficou à espera do dinheiro. Mas em vez do regresso dos marujos, o homem viu o barco zarpar!!! Primeiro danou-se mas, depois, reconhecendo a inutilidade da sua indignação confortou-se pensando “não mo pagaram, mas vendi-o bem vendido!”
sábado, 3 de dezembro de 2011
A REMODELAÇÃO ADMINISTRATIVA
Continuo a ver no discurso do ministro da Presidência, Miguel Relvas, uma pobreza franciscana, uma ignorância pasmosa do que seja o problema da Administração Local no nosso país.
Um problema mal resolvido ou nem sequer resolvido há demasiado tempo, não pode ser encarado e tratado deste modo e com o simples propósito de reduzir custos.
O propósito da administração é criar condições de desenvolvimento, de prosperidade através da melhor gestão possível dos recursos locais, pelo que a organização administrativa do território deve ser motivo de estudos profundos que envolvem os mais variados aspetos e nunca o resultado de decisões avulsas tomadas por um governo ou de negociações com os autarcas.
Desde 1976 que a Constituição Portuguesa impõe a regionalização administrativa do país, sem que os diversos governos lhe tenham prestado a atenção que deveriam.
Aliás, um lamentável referendo que o Partido Socialista promoveu, mal preparado e mal discutido, provou a falta de visão dos nossos políticos neste domínio da administração territorial, do que resulta a desarticulação territorial que, cada vez mais, acentua desníveis económicos profundos.
Além disso, um inadequado plano rodoviário não favorecerá o desenvolvimento do interior, tendo em conta as elevadas portagens a que a falência do projecto vai obrigar.
Penso que neste aspeto da administração local, ao contrário de outros em que qualquer alternativa é má e os resultados são urgentes, as coisas se deveriam fazer com um pouco mais de tempo e, sobretudo, muita inteligência.
Nota: ver, neste blog, o texto “um concelho com futuro ou um trás-de-serra ignorado”.
Um problema mal resolvido ou nem sequer resolvido há demasiado tempo, não pode ser encarado e tratado deste modo e com o simples propósito de reduzir custos.
O propósito da administração é criar condições de desenvolvimento, de prosperidade através da melhor gestão possível dos recursos locais, pelo que a organização administrativa do território deve ser motivo de estudos profundos que envolvem os mais variados aspetos e nunca o resultado de decisões avulsas tomadas por um governo ou de negociações com os autarcas.
Desde 1976 que a Constituição Portuguesa impõe a regionalização administrativa do país, sem que os diversos governos lhe tenham prestado a atenção que deveriam.
Aliás, um lamentável referendo que o Partido Socialista promoveu, mal preparado e mal discutido, provou a falta de visão dos nossos políticos neste domínio da administração territorial, do que resulta a desarticulação territorial que, cada vez mais, acentua desníveis económicos profundos.
Além disso, um inadequado plano rodoviário não favorecerá o desenvolvimento do interior, tendo em conta as elevadas portagens a que a falência do projecto vai obrigar.
Penso que neste aspeto da administração local, ao contrário de outros em que qualquer alternativa é má e os resultados são urgentes, as coisas se deveriam fazer com um pouco mais de tempo e, sobretudo, muita inteligência.
Nota: ver, neste blog, o texto “um concelho com futuro ou um trás-de-serra ignorado”.
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