ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

FUI O PRIMEIRO, GRITA SEGURO!

Custa-me ver o líder do maior partido da Oposição a fazer tristes figuras, em vez de cooperar nos valores de Estado que Portugal necessita urgentemente reforçar para poder livrar-se da cadeias que o prendem e obrigam os portugueses a esta penúria em que estão a viver.
É triste ver Seguro por-se em bicos de pés a gritar: eu disse, eu disse, fui o primeiro a dizer que era necessário renegociar a dívida, apenas porque teve conhecimento de um episódio em que o ministro das finanças alemão terá dito ao português que a Alemanha estaria disponível para suavizar o acordo com a Troika, o que tornaria menos dura a austeridade.
Pensará Seguro que o povo português ainda não abriu os olhos e que o pode continuar a comer por parvo?
Pense um pouco Sr Seguro e diga-nos lá porque será que o ministro alemão manifestou tal abertura?
Reflita um pouco e demonstre-nos que se reclamássemos a renegociação antes de mostrar capacidade para cumprir o acordo feito pelo seu Partido com a Troika se obteria a mesma disponibilidade.
Diga-nos por fim, Sr Seguro se acha bem que as estratégias dos negócios, neste caso os nacionais, devem ser gritadas aos quatro ventos quando sempre se disse e se sabe que “o segredo é a alma do negócio”!
Depois, essa conversa pateta da pieguice que não tem pés nem cabeça.
Será que Seguro não tem mais em que pensar, não encontra melhores argumentos para se afirmar ou será que a colaboração que pode dar para que Portugal supere a sua crise é arranjar diversões que possam lançar o descrédito sobre o Primeiro-Ministro?
Esta é a tática dos fracos e incapazes, dizer mal dos outros para que se notem menos os seus defeitos.
Não está fácil esta questão da crise portuguesa que a crise europeia mais complica porque, diz-se, a Europa está sem líderes à altura da suas tradições. É uma verdade. Mas o partido Socialista tem um líder à altura das suas. Tenho pena.

HOJE FOI DIA DE LIXAR O AUTOMOBILISTA...

Quando compramos um carro pagamos, para além do seu preço, o IVA e mais outro e outro imposto e sei lá o que mais, o que faz com que o estado arrecade uma parte muito significativa do que pagamos. Depois temos de, a cada ano, pagar o Imposto Anual. Ao comprar o combustível sem o qual o carro não anda, quase metade do que pagamos vai para o Estado... É só pagar, pagar...
Mas que contrapartidas dá o Estado a quem paga tanto? Parece-me que nenhumas. Nas auto-estradas pagamos portagens e na cidade pagamos o estacionamento e as MULTAS DE ESTACIONAMENTO...
Hoje parece-me que foi um dia desses em que os polícias resolveram fazer a vida ainda mais difícil aos automobilistas.
Todos os dias me deparo com atitudes de condutores que deveriam ser punidas e não são, talvez porque daria muito trabalho. Todos os dias vejo carros estacionados de modo que, sem a menor dúvida, prejudicam a circulação de outros automóveis e ninguém os chateia, mas também vejo carros estacionados onde não incomodam ninguém nem estorvam o trânsito, porque a cidade não oferece condições para estacionar devidamente os carros pelos quais ao Estado tanto se pagou.
Hoje foi uma barrigada de multas, de fitas a envolver os carros e bloqueios de rodas!
Bem sei que àquele imposto anual se chama, também, Imposto de Circulação e não de Estacionamento. Mais que raio, francamente, achei demais, perfeitamente descabido!

VAMOS OU NÃO BRINCAR AO CARNAVAL?

Com o argumento de que não faz sentido manter a tolerância de ponto no Carnaval quando, para aumentar a produção, se anulam alguns feriados, a terça-feira gorda, assim se lhe chama também, será um dia como outro qualquer, sem o divertimento que, para muita gente, é quase uma razão de ser.
Nunca fui e continuo a não ser um amante do divertimento próprio do Carnaval, mas não acho mal que outros o sejam. Aliás, o Carnaval acabou por fazer parte das iniciativas turísticas mais importantes de muitos lugares, tornando-se famosos alguns deles que chamam muita gente que anima as economias locais e são o ganha-pão de muitas pessoas.
O Carnaval faz parte, também, da cultura popular e de uma sequência de emoções que, na Quarta-Feira de Cinzas, lembram ao homem a sua passagem breve por este mundo que, por vezes, se esquece das suas origens e do seu destino, do pó de que foi feito e no qual, de novo, se transformará.
Quanto aos feriados, a discussão que a anulação deste ou daquele possa gerar, não passa para mim de argumentação pouco interessante quando a maioria dos que os gozam apenas deles faz uso para passear, descansar ou se divertir como em qualquer fim de semana, quase sempre nem sabendo a razão pela qual têm esse dia livre para o fazer.
Há muito que o significado dos feriados foi varrido da memória da maioria do povo que cada vez menos tem noção da sua razão de ser. As escolas, os meios de comunicação social e o próprio Estado raramente os divulgam como o deveriam fazer e não têm os cuidados de pedagogia que a preservação da memória colectiva merece. Alguns feriados que eram profusamente comemorados, como acontecia, por exemplo, com o 1º de Dezembro na minha juventude, passam agora despercebidos, enquanto outros, como o 5 de Outubro mais me parecem festas de amigos que desejam manter vivo um acontecimento, a implantação da República que, para quase toda a gente, já pouco ou nada diz! Por outro lado, há datas importantíssimas do nosso passado das quais ninguém fala, algumas bem mais significativas e dignas de serem relembradas do que aquelas que, pretensamente, se comemoram.
Por tudo isto, soam-me ridículos os argumentos dos que dizem ser incompreensível acabar com este ou com aquele se a maioria das pessoas nem ideia faz do que se trata.
Mesmo assim, continuem os feriados que tanto gozo dão a tanta gente!
O que não me parece fazer sentido é que se tenha acabado com a tolerância de ponto no Carnaval deste modo tão abrupto, uma festa que o era para muita e muita gente, tal como o são, por exemplo, as festas dos Santos Populares e outras festas locais e regionais de grande expressão e significado popular.
Para ser diferente e os feriados voltarem a ter o significado que devem ter e a participação comemorativa que alguma vez tiveram, talvez fosse de rever os próprios eventos cuja memória, com eles, se pretende perpetuar, passando as comemorações a ser evocações autênticas e não apenas meros pretextos para não trabalhar!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

VETO DE DOIS MEMBROS PERMANENTES DA ONU MATA MILHARES NA SÍRIA

Depois das revoltas na Tunísia, na Líbia e no Egito que depuseram regimes ditatoriais, é a Síria que deseja ver-se livre de Al Assad o senhor que ali tudo pode e do qual todos os sírios há muito são vassalos.
Perante as evidências de um povo que não o deseja e do massacre com que responde aos que se lhe opõem, natural seria que o resto do mundo reagisse de modo a fazer uma prova inequívoca de repúdio pela atitude daquele “governo” desumano.
Todos esperaríamos que a ONU condenasse o governo sírio sem margem para dúvidas, mas a realidade é que não condenou porque a isso se opuseram dois países com direito a veto!
Não creio que possa haver argumentos válidos para não tentar por fim ao morticínio que artilharia pesada contra civis está a causar. Mas são estas as regras de um organismo em que os interesses dos maiores são privilegiados, mesmo quando valores como a vida humana estão em jogo.
Depois de tantos e tantos casos em que o mundo já consentiu e consente que povos ou etnias inteiras fossem vítimas de interesses particulares, preferiríamos que, desta vez, o mundo fosse firme no repúdio e no castigo de uma atitude bárbara que já matou muitos milhares de cidadãos sírios.
A minha atitude apenas poderá ser de desacordo com os que consentem que um morticínio nojento prossiga ou até, mais do que isso, se sinta legitimado para prosseguir.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A COMUNICAÇÃO SOCIAL E A MULHER DE CÉSAR

Dizia-se em Roma que à mulher de César não bastava ser séria porque também deveria parece-lo. Compreende-se que seja assim porque nada pior do que ditos malévolos ou inoportunos para desacreditar seja quem for.
Transpondo para o momento que vivemos, no qual, por falta de meios financeiros, dependemos de favores que nos impõem deveres, eu diria que para aliviar a “pressão dos mercados” que a isso nos obriga, não basta estarmos a cumprir o que esses deveres nos impõem, porque também é necessário que não haja a sensação de que não estamos ou de que disso não somos capazes.
Decerto, aos “mercados” pouco interessará que a CGTP participe ou não na concertação social. Todos sabem o que “a casa gasta”. Porém, não creio que lhes seja indiferente o que a nossa comunicação social possa dizer. É por isso que títulos espalhafatosos como os de que há risco de “incumprimento” ou de que existe um sério desentendimento entre o Governo e o Presidente da República, como outras coisas parecidas, nada mais fazem do que desacreditar e, por isso, contribuir para uma maior pressão que nada ajudará os propósitos que justificam a austeridade a que as circunstâncias obrigam.
É lamentável que numa profissão em que se distinguiram e distinguem pessoas de grandes méritos e merecem a nossa maior consideração pela informação que nos dão e por outros relevantes serviços prestados à comunidade, também haja quem, em condições tão dramáticas para todo um povo, se julgue dispensado de participar no esforço comum e lance achas para uma fogueira onde muita gente já se queima.
Simplesmente lamentável.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

UMA PARTE DA MINHA VIDA


A vida passa a correr. Andamos sempre tão atarefados que mal damos por isso e, muitas vezes, nem nos lembramos de tantas coisas que, ao longo do tempo, fomos capazes de fazer.
Porque não me foi possível estar presente na Sessão Solene do Dia Nacional do Engenheiro 2011, apenas hoje recebi o Diploma que nessa ocasião me foi conferido pelos meus 50 anos de membro efetivo da Ordem dos Engenheiros.
Foi muito emocionado que olhei para este documento, do qual vos mostro uma cópia, e dei por mim a relembrar tantas coisas que fiz e quase se haviam apagado da minha memória.
Lembro-me, sobretudo, daquele começo difícil de quem julgava saber tudo e, afinal, tão pouco sabia, dos erros que cometi e de como ainda, por vezes, me sinto corar quando recordo alguns.
Mas tudo faz parte da vida, não apenas os momentos em que conseguimos fazer o que nem imaginávamos que fossemos capazes de fazer! Também isso me acontece por vezes e sinto orgulho em legar aos meus descendentes um currículo do qual se não envergonharão.
Mas foi tempo que passou, tempo que vivi intensamente e me proporcionou muito prazer.
Por isso partilho com os meus amigos esta efeméride tão importante da minha vida, sem esconder a vaidade que sinto por tê-la vivido.

domingo, 22 de janeiro de 2012

VAMOS EMPOBRECER OU VIVER EM FUNÇÃO DAS NOSSAS POSSES?

Quando Passos Coelho afirmou que íamos empobrecer, muitas críticas depreciativas lhe foram feitas.
Este Primeiro Ministro ainda não possui a matreirice de outros que o antecederam e nem sempre diz as coisas de modo a proteger-se das críticas maldosas que, inevitavelmente, se seguirão porque, em política, nunca ninguém procura o real sentido das coisas mas antes o modo de as explorar em seu proveito. Por isso, a interpretação apenas poderia ser que ele se propunha espoliar os trabalhadores para favorecer o capital, uma dicotomia inseparável porque não faz sentido que o não seja. É uma relação odienta, de confronto feroz como se qualquer deles pudesse viver sem o outro. Mas não pode! Por isso, mais vale que se entendam.
Creio que o que Passos Coelho quis dizer é que teremos de passar a viver com o nível de vida que as nossas potencialidades permitirem em vez daquele que nos fizeram crer que poderíamos ter. Não existem quaisquer dúvidas sobre as causas desta crise que apoquenta tudo e todos: o mundo gastou demais até os recursos naturais disponíveis deixarem de corresponder aos valores financeiros que criavam a ilusão de um crescimento económico que, por isso, não era real. Só pode ser este o significado das “bolhas” que, em vários sectores da economia, se foram criando e estoirando.
Este é, sem dúvida, o fim de uma economia que tem a pretensão de crescer indefinidamente mesmo com recursos finitos.
A ser assim, a afirmação de Passos Coelho nada mais é do que razoável, sendo um nível de vida mais em conformidade com aquilo de que dispomos aquele que nos espera.
Melhorá-lo apenas será possível com trabalho e critérios seguros de sustentabilidade em face do que a Terra nos permite utilizar.
Penso que este é o “drama da economia ocidental” que os especialistas dizem estar a perder no confronto com as “economias emergentes” mas que, pelos mesmos motivos que afetaram as primeiras, muito mais rapidamente vão entender o que é a escassez.
Por isso entendo que todo o futuro que é idealizado com base em crescimento económico que a Natureza não consente, não será mais do que uma ilusão.
Pelo muito que gastou, o mundo está condenado ao nível de vida que as circunstâncias consentem, o que, para os que se habituaram ao luxo do esbanjamento, será empobrecer! Para quem entenda que o equilíbrio é o que garante o ambiente indispensável à vida, acabar com o super consumismo será a reintegração do Homem na Natureza da qual, mostra-o a realidade, não é senhor.