Todos, alguma vez, já tivemos daqueles dias em que, mesmo sem razão aparente, acordamos a sorrir e a felicidade está por todo o lado. Cantamos ópera no duche, vestimo-nos a assobiar, e na rua, a cantarolar, dizemos a toda a gente: bom dia, tenha um bom dia!
E não entendemos muito bem como alguns continuam carrancudos como se levassem o mundo às costas.
No café, aquele de todos os dias, todos são nossos amigos e apetece gritar: uma rodada por minha conta!
Pois é, há dias assim.
Outros dias há, porém, em que amanhecemos cinzentões, tanto que nem o sol mais radioso nos consegue iluminar. Tudo nos parece negro e nada vai correr bem. À mente acodem-nos coisas, as mais tristes que já vivemos. É a dor por todo o lado, é o fado que nos pega no lado frio da vida. Parece que sentimos prazer no sofrimento…
Envolvem-nos sensações de dramas nunca vividos. Ou será que, mesmo sem o saber, já os vivemos algum dia?
Fui deitar-me com a tristeza,
Torpe, vadia, cruel,
Na cama que abandonaste,
Desfeita e fria deixaste,
Com amargo sabor a fel,
Nem o perfume ficou,
Desse corpo que foi meu,
Saudades tantas deixou,
Num coração ainda teu.
Destroçado, ficou só
Neste ninho abandonado,
Triste, vazio, gelado...
Sem sussurros de desejos,
Sem beijos
E sem calor…
Sem os corpos bem marcados,
Nos lençóis amarrotados
Por uma noite de amor…
Deitei-me com a tristeza,
Levantei-me com a dor!
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ACORDO ORTOGRÁFICO
O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.
terça-feira, 10 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
A CONFUSÃO CASA PIA
Há quanto tempo se sabia que meninos da Casa Pia andariam ali pelo Parque Eduardo VII e, à boca pequena, se falava de certas individualidades que os procurariam? Há quantos anos um professor daquela instituição clamava contra o que se passava e denunciava situações graves e impróprias de uma instituição estatal? Há quanto tempo os responsáveis governativos disporiam de informações a que não prestaram a devida atenção?
Foi necessário que, um dia, o chamado jornalismo de investigação denunciasse a questão para que todos arrebitassem as orelhas! Isto faz-me crer que o princípio bem pode ser que enquanto a opinião pública o não tiver de saber, melhor será que o não saiba.
Então todos acordaram e saltaram de todos os lados os defensores das vítimas, aos quais apetece perguntar: por onde andaram? O que andaram a fazer?
Quanto às responsabilidades do Estado, quem as reclamou? O Estado é ou não responsável pelo que se passa numa sua instituição à guarda da qual se encontravam as vítimas dos abusos denunciados? Não é possível deixar de reconhecer que o é, tanto como qualquer dos responsáveis pelo que se tenha passado. Mas qual tribunal o vai julgar?
Depois, foi o terrível espectáculo de um julgamento que não pode deixar de extravasar as paredes da sala de audiências e, através de uma cobertura total do que ali se passava, fez de todos nós um público atento que, por vezes, tinha muita dificuldade em compreender o que se passava.
Passaram-se coisas quase inexplicáveis e muitos temos, ainda, sérias dúvidas quanto a decisões tomadas sobre a forma como alguns indiciados foram deixados à margem de uma investigação mais profunda, à conta de estranhas razões difíceis de aceitar.
Para “compor o ramo”, aparecem “vítimas” a afirmar que disseram mentiras pagas por dinheiro e drogas!
Para além de coisas mal explicadas, há agora uma questão de credibilidade de testemunhas que nos pode levar a questionar o que, afinal, se passou.
Não me parece que alguma vez esta questão venha a ter um desfecho que possa deixar em paz as consciências e sempre deixará no ar a pergunta: quem foi mais culpado, os “porcos” que, eventualmente, tenham abusado de rapazinhos, os que se aproveitaram deles em negócios ilícitos ou os “cínicos” que permitiram que tal acontecesse?
Foi necessário que, um dia, o chamado jornalismo de investigação denunciasse a questão para que todos arrebitassem as orelhas! Isto faz-me crer que o princípio bem pode ser que enquanto a opinião pública o não tiver de saber, melhor será que o não saiba.
Então todos acordaram e saltaram de todos os lados os defensores das vítimas, aos quais apetece perguntar: por onde andaram? O que andaram a fazer?
Quanto às responsabilidades do Estado, quem as reclamou? O Estado é ou não responsável pelo que se passa numa sua instituição à guarda da qual se encontravam as vítimas dos abusos denunciados? Não é possível deixar de reconhecer que o é, tanto como qualquer dos responsáveis pelo que se tenha passado. Mas qual tribunal o vai julgar?
Depois, foi o terrível espectáculo de um julgamento que não pode deixar de extravasar as paredes da sala de audiências e, através de uma cobertura total do que ali se passava, fez de todos nós um público atento que, por vezes, tinha muita dificuldade em compreender o que se passava.
Passaram-se coisas quase inexplicáveis e muitos temos, ainda, sérias dúvidas quanto a decisões tomadas sobre a forma como alguns indiciados foram deixados à margem de uma investigação mais profunda, à conta de estranhas razões difíceis de aceitar.
Para “compor o ramo”, aparecem “vítimas” a afirmar que disseram mentiras pagas por dinheiro e drogas!
Para além de coisas mal explicadas, há agora uma questão de credibilidade de testemunhas que nos pode levar a questionar o que, afinal, se passou.
Não me parece que alguma vez esta questão venha a ter um desfecho que possa deixar em paz as consciências e sempre deixará no ar a pergunta: quem foi mais culpado, os “porcos” que, eventualmente, tenham abusado de rapazinhos, os que se aproveitaram deles em negócios ilícitos ou os “cínicos” que permitiram que tal acontecesse?
O SUPER MINISTÉRIO DE ASSUNÇÃO CRISTAS
Este governo tem uma ministra que gere as pastas da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território! Grande mulher esta que, pelos vistos, é capaz de fazer o que nem o Super-Homem seria.
Somos demasiadamente dependentes de bens alimentares porque nem um terço do que comemos nós produzimos. É certo que, pelas suas características territoriais, Portugal não é um país agrícola. Mas pode produzir muito mais do que produz porque já o produziu.
Não seremos o grande produtor de cereais que julgámos poder ser no Alentejo e, nem sequer, poderemos ser grandes produtores de muita coisa. Porém, ainda temos um clima que nos permite produzir tanto que no Resto da Europa se não produz e em épocas que nos permitem sermos bem sucedidos nas “primícias” agrícolas e em outras coisas de que até já somos exportadores mas que teríamos de produzir ainda muito mais. Sei muito pouco de agricultura, mas sinto que está a faltar um trabalho de fundo para que se aproveitem todas as potencialidades agrícolas do país e, mais do que isso, se atenda ás necessidades alimentares dos portugueses.
Quanto ao Mar, Portugal tem, apenas, a maior Zona Económica Exclusiva da Europa, com uma área de mais de 1.700.000 Km2! A importância do Mar é enorme porque nele se situam recursos incalculáveis, importantes para o futuro do mundo. O estudo e o aproveitamento de tais recursos exigem um trabalho enorme de pesquiza que não vejo que esteja a ser feito. Permitirá a Comunidade Internacional o “abandono” de tal riqueza?
Sobre o Ambiente será necessário dizer mais do que referir a sua importância para a vida? Alguma coisa, até bastante, se fez nas últimas décadas em Portugal, num grande esforço que, porém, não esgotou tudo o que há para fazer. Não poderemos descansar neste domínio de tamanha importância. Além de que exige conhecimentos científicos e técnicos alargados e pouco abundantes.
Finalmente o Ordenamento do Território, uma tarefa sempre adiada e mal compreendida neste país desequilibrado! Por ela se ficarão a conhecer “os cantos da casa” e tudo quanto neles possa haver, para depois limpar, decidir como arrumar e como aproveitar tudo aquilo de que se dispõe.
Esta será a diferença entre a vida e a morte de um país que é o mais antigo da Europa!
Será possível sair da crise com um superministério destes? Eu creio que, para coisas tão importantes e decisivas nestas áreas, seriam preferíveis quatro superministros!
Somos demasiadamente dependentes de bens alimentares porque nem um terço do que comemos nós produzimos. É certo que, pelas suas características territoriais, Portugal não é um país agrícola. Mas pode produzir muito mais do que produz porque já o produziu.
Não seremos o grande produtor de cereais que julgámos poder ser no Alentejo e, nem sequer, poderemos ser grandes produtores de muita coisa. Porém, ainda temos um clima que nos permite produzir tanto que no Resto da Europa se não produz e em épocas que nos permitem sermos bem sucedidos nas “primícias” agrícolas e em outras coisas de que até já somos exportadores mas que teríamos de produzir ainda muito mais. Sei muito pouco de agricultura, mas sinto que está a faltar um trabalho de fundo para que se aproveitem todas as potencialidades agrícolas do país e, mais do que isso, se atenda ás necessidades alimentares dos portugueses.
Quanto ao Mar, Portugal tem, apenas, a maior Zona Económica Exclusiva da Europa, com uma área de mais de 1.700.000 Km2! A importância do Mar é enorme porque nele se situam recursos incalculáveis, importantes para o futuro do mundo. O estudo e o aproveitamento de tais recursos exigem um trabalho enorme de pesquiza que não vejo que esteja a ser feito. Permitirá a Comunidade Internacional o “abandono” de tal riqueza?
Sobre o Ambiente será necessário dizer mais do que referir a sua importância para a vida? Alguma coisa, até bastante, se fez nas últimas décadas em Portugal, num grande esforço que, porém, não esgotou tudo o que há para fazer. Não poderemos descansar neste domínio de tamanha importância. Além de que exige conhecimentos científicos e técnicos alargados e pouco abundantes.
Finalmente o Ordenamento do Território, uma tarefa sempre adiada e mal compreendida neste país desequilibrado! Por ela se ficarão a conhecer “os cantos da casa” e tudo quanto neles possa haver, para depois limpar, decidir como arrumar e como aproveitar tudo aquilo de que se dispõe.
Esta será a diferença entre a vida e a morte de um país que é o mais antigo da Europa!
Será possível sair da crise com um superministério destes? Eu creio que, para coisas tão importantes e decisivas nestas áreas, seriam preferíveis quatro superministros!
sexta-feira, 6 de abril de 2012
AS EX-SCUT E O FUTURO DO ZÉ
Ainda não tinha viajado numa ex-SCUT desde que foram introduzidas portagens.
Desta vez percorri cerca de um terço da A1 e a maior parte da A23 numa ida e volta à Serra da Estrela que, mesmo sem ainda ter feito as contas, só de portagens foi bem dispendiosa.
Na A23 ouvi soar dezenas de apitos no aparelho da Via Rápida que corresponderam, talvez, a 1,25 euro por apito! Nesta via, os custos para o utilizador passaram de nulos a muito elevados.
Dei-me conta de bastante menos tráfego na A1 e de pouquíssimo na A23. Nesta, cruzei-me com poucas viaturas e nem uma só vez fui ultrapassado, apesar de ser daqueles condutores que pouco ultrapassam as velocidades máximas. Quero dizer que, quando reparo que as ultrapassei, me apresso a retomar a velocidade consentida. Antes era bem diferente. Era ultrapassado por centenas de viaturas ao longo do percurso que fiz.
Dei comigo a pensar qual seria a necessidade de uma via assim para tão reduzida utilização.
Para quem não vai fazer turismo de estrada, havia vantagem na utilização de auto-estradas onde, para além de mais segurança, se poderá fazer uma marcha mais adequada e gastar menos combustível. Porém, com as elevadas portagens que são cobradas, não haverá vantagem que resista e que leve os condutores a preferi-las. Aliás, também o custo crescente dos combustíveis se tornou numa razão para que se evite utilizar viatura própria. São duas ordens de razões para esta redução drástica de tráfego nas auto-estradas que se nota, também, no número de viaturas nas áreas de serviço que quase encontrei “às moscas”.
Não será possível ao Estado, deste modo, evitar enormes prejuízos que se somam aos que os contratos feitos nas PPP já acarretavam e eram proibitivos.
Custa-me a compreender como, perante esta evidente redução de tráfego até valores que fazem as auto-estradas parecer desertas, se não estudam e fixam as portagens numa perspectiva de benefícios mútuos, para o utilizador e para o Estado. Mas, pensando bem, nem sei se haveria resposta para tal intenção quando a tendência é para que cada vez mais se torne proibitivo o uso do automóvel, um luxo a que nos podíamos dar no tempo das SCUT e da gasolina a pataco…
Numa economia em que os automóveis, pelos impostos que geram quer na sua comercialização quer na venda de combustíveis e, também, pelos postos de trabalho que geram tanto no circuito comercial como no da reparação e da manutenção, são um dos pilares, esta redução deve ser tomada como uma chamada de atenção para um futuro que, tudo o faz crer, será bem diferente e, por isso, pensado de outro modo.
O automóvel é de importância fundamental neste tipo de economia actual que, como muita gente já nem duvida, tens os seus dias contados. Geram impostos elevadíssimos, criam numerosíssimos postos de trabalho tanto no circuito comercial como no da reparação e da manutenção, são a razão de numerosas obras de construção e manutenção de vias de circulação, entre outras razões que os tornam num dos factores mais importantes.
Estará a economia preparada para este novo e inevitável comportamento das pessoas perante os custos que o automóvel acarreta?
Por fim, apetece-me perguntar: quem vai pagar as PPP rodoviárias que estas razões tornam cada vez menos utilizadas? Se cada vez menos será o utilizador... será o Zé!
Desta vez percorri cerca de um terço da A1 e a maior parte da A23 numa ida e volta à Serra da Estrela que, mesmo sem ainda ter feito as contas, só de portagens foi bem dispendiosa.
Na A23 ouvi soar dezenas de apitos no aparelho da Via Rápida que corresponderam, talvez, a 1,25 euro por apito! Nesta via, os custos para o utilizador passaram de nulos a muito elevados.
Dei-me conta de bastante menos tráfego na A1 e de pouquíssimo na A23. Nesta, cruzei-me com poucas viaturas e nem uma só vez fui ultrapassado, apesar de ser daqueles condutores que pouco ultrapassam as velocidades máximas. Quero dizer que, quando reparo que as ultrapassei, me apresso a retomar a velocidade consentida. Antes era bem diferente. Era ultrapassado por centenas de viaturas ao longo do percurso que fiz.
Dei comigo a pensar qual seria a necessidade de uma via assim para tão reduzida utilização.
Para quem não vai fazer turismo de estrada, havia vantagem na utilização de auto-estradas onde, para além de mais segurança, se poderá fazer uma marcha mais adequada e gastar menos combustível. Porém, com as elevadas portagens que são cobradas, não haverá vantagem que resista e que leve os condutores a preferi-las. Aliás, também o custo crescente dos combustíveis se tornou numa razão para que se evite utilizar viatura própria. São duas ordens de razões para esta redução drástica de tráfego nas auto-estradas que se nota, também, no número de viaturas nas áreas de serviço que quase encontrei “às moscas”.
Não será possível ao Estado, deste modo, evitar enormes prejuízos que se somam aos que os contratos feitos nas PPP já acarretavam e eram proibitivos.
Custa-me a compreender como, perante esta evidente redução de tráfego até valores que fazem as auto-estradas parecer desertas, se não estudam e fixam as portagens numa perspectiva de benefícios mútuos, para o utilizador e para o Estado. Mas, pensando bem, nem sei se haveria resposta para tal intenção quando a tendência é para que cada vez mais se torne proibitivo o uso do automóvel, um luxo a que nos podíamos dar no tempo das SCUT e da gasolina a pataco…
Numa economia em que os automóveis, pelos impostos que geram quer na sua comercialização quer na venda de combustíveis e, também, pelos postos de trabalho que geram tanto no circuito comercial como no da reparação e da manutenção, são um dos pilares, esta redução deve ser tomada como uma chamada de atenção para um futuro que, tudo o faz crer, será bem diferente e, por isso, pensado de outro modo.
O automóvel é de importância fundamental neste tipo de economia actual que, como muita gente já nem duvida, tens os seus dias contados. Geram impostos elevadíssimos, criam numerosíssimos postos de trabalho tanto no circuito comercial como no da reparação e da manutenção, são a razão de numerosas obras de construção e manutenção de vias de circulação, entre outras razões que os tornam num dos factores mais importantes.
Estará a economia preparada para este novo e inevitável comportamento das pessoas perante os custos que o automóvel acarreta?
Por fim, apetece-me perguntar: quem vai pagar as PPP rodoviárias que estas razões tornam cada vez menos utilizadas? Se cada vez menos será o utilizador... será o Zé!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
QUESTÕES DE CREDIBILIDADE
Foi um dia negro para o governo e para todos nós que esperávamos, depois de um governo que nos arruinou, um outro que nos salvasse.
Ninguém poderia esperar, pela situação de quase bancarrota criada, que a salvação fosse fácil ou sem dor, nem que o governo fosse fraco perante a necessidade de atitudes que exigissem determinação. Todas foram compreensíveis e nem as críticas dos partidos para os quais há alternativas que não dizem quais nem as do Partido Socialista ao qual, por óbvias razões, mais competiria cooperar com o governo do que o confrontar, foram capazes de por em causa a credibilidade de um governo que mostrava capacidade para recuperar a credibilidade do país. Mas foi o próprio governo quem o fez! Desacreditou-se a si próprio numa entrevista infeliz do seu Primeiro Ministro a quem uma defesa patética do Ministro das Finanças, na Assembleia da República, ainda mais desacreditou.
Depois de uma ou outra gafe de somenos importância que a inexperiência lhe não permitiu evitar, Passos Coelho cometeu um erro fatal que pode ter comprometido a confiança de que todos temos necessidade para suportar as duras medidas de austeridade.
Era claro que todos esperávamos que não fosse além de 2013 o golpe nos rendimentos que, sobretudo no caso dos reformados, não há como compensar! E não podiam, quer o Primeiro Ministro quer o Ministro das Finanças, deixar de ter conhecimento desta esperança que nos ajudava a aguentar. Todos diziam que seria assim e até houve ministros que, claramente, o afirmaram sem que o Primeiro Ministro ou o Ministro das Finanças os desmentissem.
É um duro golpe este de nos ser dado conhecimento de que não só o corte vai durar mais um ano, 2014, como, ainda por cima, não vai terminar em seguida. Os subsídios, assim erradamente chamados porque fazem parte da remuneração pelo trabalho prestado, serão repostos gradualmente…
Não considero isto uma gafe, mas um estilo de fazer as coisas que me não agrada!
Creio ter sido um rude golpe para nós e para este governo e, francamente, temo as consequências.
Ninguém poderia esperar, pela situação de quase bancarrota criada, que a salvação fosse fácil ou sem dor, nem que o governo fosse fraco perante a necessidade de atitudes que exigissem determinação. Todas foram compreensíveis e nem as críticas dos partidos para os quais há alternativas que não dizem quais nem as do Partido Socialista ao qual, por óbvias razões, mais competiria cooperar com o governo do que o confrontar, foram capazes de por em causa a credibilidade de um governo que mostrava capacidade para recuperar a credibilidade do país. Mas foi o próprio governo quem o fez! Desacreditou-se a si próprio numa entrevista infeliz do seu Primeiro Ministro a quem uma defesa patética do Ministro das Finanças, na Assembleia da República, ainda mais desacreditou.
Depois de uma ou outra gafe de somenos importância que a inexperiência lhe não permitiu evitar, Passos Coelho cometeu um erro fatal que pode ter comprometido a confiança de que todos temos necessidade para suportar as duras medidas de austeridade.
Era claro que todos esperávamos que não fosse além de 2013 o golpe nos rendimentos que, sobretudo no caso dos reformados, não há como compensar! E não podiam, quer o Primeiro Ministro quer o Ministro das Finanças, deixar de ter conhecimento desta esperança que nos ajudava a aguentar. Todos diziam que seria assim e até houve ministros que, claramente, o afirmaram sem que o Primeiro Ministro ou o Ministro das Finanças os desmentissem.
É um duro golpe este de nos ser dado conhecimento de que não só o corte vai durar mais um ano, 2014, como, ainda por cima, não vai terminar em seguida. Os subsídios, assim erradamente chamados porque fazem parte da remuneração pelo trabalho prestado, serão repostos gradualmente…
Não considero isto uma gafe, mas um estilo de fazer as coisas que me não agrada!
Creio ter sido um rude golpe para nós e para este governo e, francamente, temo as consequências.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
DESCUIDO, CONFUSÃO, INCOMPETÊNCIA OU TRAIÇÃO?
Não me parece que uma entrevista de rádio, a que rádio for, fosse o modo como Passos Coelho deveria tratar de um assunto tão sensível e importante para muitos portugueses como é a reposição dos subsídios que retirou a funcionários públicos e a reformados. O que ouvi, onde “repor” e “devolver” foram palavras confusas porque, ainda que tendo significados diferentes, foram indistintamente utlizadas, não pode deixar sossegado ninguém e pode ser, até, motivo de grande indignação porque, o que o Primeiro Ministro pareceu dizer, não pode deixar de ser tomado como uma traição a quem confiou no que antes lhe fora dito.
A retirada temporária dos subsídios pode aceitar-se como uma medida de efeitos rápidos em situação de emergência, ao longo dos anos 2012 e 2013 como sempre foi dito, enquanto as medidas estruturais não tinham, ainda, tempo de produzir os seus efeitos. Agora parece que 2014 será, também, ano de privação e, depois disso, a situação não será regularizada de imediato.
Não me pareceu que o Primeiro Ministro tivesse explicado bem tudo isto e, sobretudo, não esclareceu porque o disse e porque escolheu uma entrevista de rádio para o dizer.
É confusão a mais, explicações a menos e razão para que lhe seja feita a pergunta: se tudo estava a correr tão bem, o que se alterou para vir agora com a desculpa, nada credível, de que a “intervenção” em Portugal ainda se prolonga por 2014, porque, a quando da suspensão dos pagamentos dos malfadados subsídios, foi o governo claro ao dizer que seria durante os dois anos referidos?
Não pode esquecer o Primeiro Ministro que esses subsídios fazem parte da retribuição de prestação de trabalho pelos atingidos pelos cortes e, em particular no caso dos reformados da actividade privada, resulta de dinheiro que as empresas entregaram ao Governo para o devolver sob a forma de reformas àqueles de cujos ordenados foi retirado!
Vitor Gaspar dissera que não via razões para aumentar ou prolongar a austeridade imposta aos portugueses e nada fazia crer que Passos Coelho dissesse, agora, o que disse. Ou será que não foi bem isso o que disse ou quis dizer?
A menos que uma explicação cabal e plausível seja dada para esta alteração e que significará, por certo, que o governo não foi capaz de levar a cabo a tarefa a que se propôs e nas condições em que garantiu que estaria a consegui-lo, sinto que muitos portugueses perderão a confiança num Primeiro Ministro que, até aqui, parecia merecê-la.
A retirada temporária dos subsídios pode aceitar-se como uma medida de efeitos rápidos em situação de emergência, ao longo dos anos 2012 e 2013 como sempre foi dito, enquanto as medidas estruturais não tinham, ainda, tempo de produzir os seus efeitos. Agora parece que 2014 será, também, ano de privação e, depois disso, a situação não será regularizada de imediato.
Não me pareceu que o Primeiro Ministro tivesse explicado bem tudo isto e, sobretudo, não esclareceu porque o disse e porque escolheu uma entrevista de rádio para o dizer.
É confusão a mais, explicações a menos e razão para que lhe seja feita a pergunta: se tudo estava a correr tão bem, o que se alterou para vir agora com a desculpa, nada credível, de que a “intervenção” em Portugal ainda se prolonga por 2014, porque, a quando da suspensão dos pagamentos dos malfadados subsídios, foi o governo claro ao dizer que seria durante os dois anos referidos?
Não pode esquecer o Primeiro Ministro que esses subsídios fazem parte da retribuição de prestação de trabalho pelos atingidos pelos cortes e, em particular no caso dos reformados da actividade privada, resulta de dinheiro que as empresas entregaram ao Governo para o devolver sob a forma de reformas àqueles de cujos ordenados foi retirado!
Vitor Gaspar dissera que não via razões para aumentar ou prolongar a austeridade imposta aos portugueses e nada fazia crer que Passos Coelho dissesse, agora, o que disse. Ou será que não foi bem isso o que disse ou quis dizer?
A menos que uma explicação cabal e plausível seja dada para esta alteração e que significará, por certo, que o governo não foi capaz de levar a cabo a tarefa a que se propôs e nas condições em que garantiu que estaria a consegui-lo, sinto que muitos portugueses perderão a confiança num Primeiro Ministro que, até aqui, parecia merecê-la.
domingo, 1 de abril de 2012
A REFORMA ADMINISTRATIVA
É pena que em Portugal se não consiga fazer uma reforma administrativa com jeito!
Nesta altura, reclamam os autarcas contra a redução do número de freguesias no país, o que me leva a pensar que qualquer dia tenham de reclamar, de novo, porque não quererão ver reduzido o número de municípios.
Ninguém parece entender-se quanto ao modo de fazer e, muito menos, quanto à razão de ser desta decisão cuja bondade ainda ninguém demonstrou. Aliás, não parece que a redução de Freguesias seja uma medida razoável de contenção de despesas que a situação do país imponha, tanto pelos reduzidos custos que eliminará como pelos relevantes serviços de proximidade que serão deixados de prestar.
Vem de longe este mal que a actual divisão administrativa bem espelha e que, sem qualquer sentido, ainda é a que vigora. Para além dos Concelhos e das Freguesias que séculos de História já consagram, a divisão do país em Províncias e em Distritos que, administrativamente, não servem para coisa alguma, deveria ser motivo de análise e de um aprofundado estudo que conduzisse à “regionalização administrativa” que a Constitução prevê mas que, ao contrário de outros preceitos constitucionais, ninguém reclama.
Penso que em Portugal, onde fortes desequilíbrios regionais são evidentes e a desertificação do interior se acentua, seria favorável a existência de um nível autárquico regional com espaços definidos em função do reequilíbrio de factores sociais e económicos que permitissem um adequado aproveitamento dos recursos naturais do país.
Não será uma medida que, aparentemente, se conforme com as medidas de austeridade que a situação financeira do país impõe, mas seria uma atitude positiva nas reformas estruturais de que Portugal, urgentemente, necessita.
É a diferença entre economia e finanças de que poucos se dão conta. Deixar de gastar um euro será poupança ou desperdício conforme o que, em troca, se obtenha.
Numa regionalização bem realizada, os custos seriam irrisórios em face dos benefícios que, por ela, se alcançariam, sobretudo pela valorização dos mais importantes recursos que Portugal sempre mostrou possuir, os humanos.
Nesta altura, reclamam os autarcas contra a redução do número de freguesias no país, o que me leva a pensar que qualquer dia tenham de reclamar, de novo, porque não quererão ver reduzido o número de municípios.
Ninguém parece entender-se quanto ao modo de fazer e, muito menos, quanto à razão de ser desta decisão cuja bondade ainda ninguém demonstrou. Aliás, não parece que a redução de Freguesias seja uma medida razoável de contenção de despesas que a situação do país imponha, tanto pelos reduzidos custos que eliminará como pelos relevantes serviços de proximidade que serão deixados de prestar.
Vem de longe este mal que a actual divisão administrativa bem espelha e que, sem qualquer sentido, ainda é a que vigora. Para além dos Concelhos e das Freguesias que séculos de História já consagram, a divisão do país em Províncias e em Distritos que, administrativamente, não servem para coisa alguma, deveria ser motivo de análise e de um aprofundado estudo que conduzisse à “regionalização administrativa” que a Constitução prevê mas que, ao contrário de outros preceitos constitucionais, ninguém reclama.
Penso que em Portugal, onde fortes desequilíbrios regionais são evidentes e a desertificação do interior se acentua, seria favorável a existência de um nível autárquico regional com espaços definidos em função do reequilíbrio de factores sociais e económicos que permitissem um adequado aproveitamento dos recursos naturais do país.
Não será uma medida que, aparentemente, se conforme com as medidas de austeridade que a situação financeira do país impõe, mas seria uma atitude positiva nas reformas estruturais de que Portugal, urgentemente, necessita.
É a diferença entre economia e finanças de que poucos se dão conta. Deixar de gastar um euro será poupança ou desperdício conforme o que, em troca, se obtenha.
Numa regionalização bem realizada, os custos seriam irrisórios em face dos benefícios que, por ela, se alcançariam, sobretudo pela valorização dos mais importantes recursos que Portugal sempre mostrou possuir, os humanos.
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