ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

domingo, 20 de maio de 2012

OS PASTEIS DE NATA…

O Ministro da Economia falou neles e foi motivo de chacota. Dinamizar a economia com pasteis de nata? Que ideia mais maluca… Num ápice, o Álvaro passou de incompetente a idiota sem capacidade para fazer parte do governo e muito menos para recuperar a economia nacional.
O Primeiro Ministro falou do desemprego como podendo ser uma oportunidade para iniciativas próprias e foi muito criticado. Diria, mesmo, que foi achincalhado. Mas num cenário de forte desemprego que, desde há anos, o desgoverno vem engrandecendo, as iniciativas sucedem-se e felizmente que é assim. Poderá acontecer, até, que o bem conhecido “desenrascanço” português esteja à altura das necessidades e mostre como, quando é preciso, pode gerar a inovação que nos livre de desgraças maiores. Já noutros tempos se impôs aos “velhos do Restêlo” que só previam desgraças.
A Oposição portuguesa nunca deu mostras de sentido de humor, menos ainda de capacidade para entender as subtilezas de certos discursos que pensadores eméritos traduziram em frases marcantes e o povo regista nos seus sábios ditados! Prefere dar mostras da sua veia revisteira quando brinca com coisas sérias ou fala em “coisar o coiso” em vez de ter um discurso político produtivo.
Infelizmente, as oposições fracas não tornam mais fortes os governos.
Valham-nos os portugueses que não baixam os braços nem se deixam levar nas cantigas brejeiras de quem deles apenas espera que lhe entreguem o poder.
No Fundão, na Escola de Hotelaria local, foi inventado o “pastel de nata de cereja” que, segundo parece, pela delícia que aparenta ser, poderá constituir uma excelente oportunidade de negócio. Ainda não tive a oportunidade de provar mas, a julgar pelo aspeto e pelos encómios que vi serem-lhe tecidos, parece uma boa solução para acrescentar valor a um produto típico da terra que, antes, apenas se vendia a granel. Parece ser um exemplo a seguir.
Para além disto, num concurso de oportunidades para novos negócios apareceram muitos concorrentes, alguns dos quais apresentaram ideias muito aproveitáveis!
A comunicação social vai-nos dando conta de iniciativas diversas e de resultados notáveis de portugueses nos mais diversos domínios da actividade, o que, sem dúvida, mitiga este tempo de crise que a “mania das grandezas” nos faz sofrer mas que a criatividade com que a Natureza nos dotou poderá ajudar a vencer.
Afinal, os pasteis de nata, a imaginação e o aproveitamento das oportunidades, por mais pequenas que pareçam, são ou não são importantes na economia?

A HORA DOS INDIGNADOS!

Quando o telhado mete água, ou o consertamos ou vamos colocando bacias aqui e ali onde a água cai, até que começa a ficar difícil aquela gincana por entre os aparadores de pingos que, entretanto, se foram acumulando. A partir de certa altura já não haverá reparo que valha e só um telhado novo resolverá a situação. Todos sabemos que é assim que, tantas vezes, acontece. O que uma pequena reparação poderia remediar sem grandes custos, acaba por tornar-se um problema sério cuja reparação custará bem caro. Também podemos deixar que o telhado desabe e, depois, queixamo-nos do azar, da pouca sorte ou da incompetência de quem o construiu.
A culpa nunca pode ser nossa. Por isso, temos de a deixar para outros e depois, cheios de razão, reclamar que alguém nos resolva o problema! E se ninguém atender a nossa reclamação, indignemo-nos! As coisas são mesmo assim, Sempre haveremos de encontrar motivos, como sempre arranjaremos argumentos que a sustentem. E sempre haverá, também, quem com eles concorde, seja por fidelidades que lho impõem, seja porque lhe convém, se não for, até, porque não conseguem entender mais do que isso. E quem não concordar, pode escolher entre estúpido, fascista, explorador, inimigo dos trabalhadores, conservador, liberal, burguês ou eu sei lá, o epíteto que julgar lhe seja mais adequado.
Acabo de ler que “Mais de 20 mil pessoas manifestaram-se hoje contra a austeridade e contra o capitalismo em Frankfurt (Alemanha), a culminar uma semana de ações do movimento Blockupy (bloquear e ocupar), mais conhecido por movimento dos indignados.” Por qual razão se indignam, não fiquei a saber bem.
Seja pelo que for mas, sobretudo, quando as coisas nos não corram de feição, quando nos não derem aquilo a que nos julguemos com direito, indignemo-nos! Mas se, porventura, não for esse o caso e, simplesmente, não tivermos mais em que pensar, acordarmos mal dispostos ou um calo nos incomodar, indignemo-nos também!
E quando a simples indignação não for bastante, façamos greve!
Fazem greve os que podem fazê-la, porque da sua greve resultam danos suficientemente avultados para que possa ser notada. Fazem-na os pilotos, os condutores, os controladores, os revisores e os de outras profissões cuja recusa cause bastantes transtornos seja a quem for, até mesmo aos outros trabalhadores a quem negam ou fazem difícil o direito de trabalhar! Mas também fazem greve os que, mesmo sem tais condições se deixam empolgar por palavras de ordem que, apesar de estafadas, sempre aliciam descontentes ou alienados.
Não posso deixar de ser a favor dos direitos do trabalho e, por isso, do direito à sua defesa. Mas isso não me leva a concordar com as greves políticas ou oportunistas que, em tempo de dificuldades, mais difícil fazem a vida àqueles para quem esta já não está fácil.
Sempre me pareceu excessivo o direito incondicional à greve. Impróprio, até, de sociedades civilizadas. Mais excessivo me parece quando as condições justificariam a sua contenção, tal como certas ocasiões ou circunstâncias justificam medidas de exceção.  
Julgo-o, mesmo, o principal inimigo da concertação social onde interesses comuns deveriam encontrar as soluções que façam a sociedade mais próspera e melhor, sobretudo quando a escassez se tornou tão evidente.
Habituámo-nos a crer que a Terra é imensa e os seus recursos infinitos, a pensar que sempre serão encontradas soluções para os problemas que surjam e, consequentemente, a entender que se o Estado ou o governo nos não dão mais é, simplesmente, porque não querem! O que, de todo, não é verdade.
É pena que tenhamos de o entender da maneira mais difícil!
Por agora limito-me a perguntar: quantas daquelas famílias que o desemprego lançou na pobreza poderiam ter as suas condições de vida melhoradas se lhes fossem oferecidos os prejuízos de uma greve?
Pensar nisto, indigna-me mesmo.

sábado, 19 de maio de 2012

CIMEIRA RIO+20, UM ESCÁRNIO OU UMA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO?



Tal como esta estúpida vida que vivemos, também os comentários que sobre a situação se façam são repetitivamente idiotas! Há já vários dias em que as únicas novidades são pegar em pequenas coisas que alguém possa dizer, separá-las do contexto em que foram ditas e fazer disso um “bicho de sete cabeças”. E, com isso, se perdem horas preciosas numa Assembleia da República que todos pagamos e cujos custos não são pequenos. Funciona assim aquela Assembleia da República à qual competiria controlar o governo em continuidade, impedindo-o de seguir por maus caminhos mas que, em vez disso, apenas reage quando o caldo já está entornado!
Por sua vez, os “inteligentes” comentadores já não conseguem ir para além de lugares comuns que esbarram nas cada vez mais estreitas fronteiras dos domínios da análise em que se inserem, perdendo de vista o todo do qual fazem parte. Entre não ver mais do que a pedra que lhes barra o caminho e “ver mosquitos na outra banda”, de tudo nos damos conta, exceto daquilo que mais sentido faria.
A limitada capacidade da mente humana fez da análise que divide a realidade em pedaços menores o seu refúgio, direi que vários refúgios onde os “especialistas” criam os seus próprios mundos com uma “realidade” que não consegue ser maior do que a estreiteza das suas próprias vistas consente. Por isso o mundo se confronta com demasiadas realidades que pouco ou nada tem a ver com a realidade do mundo!
Esquecem-se os “especialistas” da síntese que poderia conciliar as várias ideias ou formas de ver, como forma de sair deste diálogo de surdos em que as discussões infrutíferas se tornaram.
Por exemplo, vai acontecer um Junho próximo a Cimeira Rio+20 porque 20 anos depois da que, pela sua dimensão e importância ficou conhecida pela Cimeira da Terra e onde uma Carta da Terra enumerou os problemas graves que a Humanidade enfrentava em consequência do “crescimento” insustentável que promovia, a situação do nosso Planeta piorou!
Apesar de tudo o que, na sequência daquela Cimeira se disse e acordou (mas não se fez), o Fundo Mundial da Natureza (WWF), no seu recentíssimo relatório “Planeta Vivo 2012”, conclui que o mundo está gravemente enfermo e que serão muito sérias as consequências se a Humanidade não inflectir rapidamente o caminho perigoso que percorre.
Cerca de um terço da Biodiversidade foi perdido nas últimas décadas, o que diz bem da situação perigosa que vivemos, ao mesmo tempo que são mais intensos os fenómenos de desertificação e de alterações climáticas, no que a exploração excessiva dos recursos naturais que o crescimento económico continuado exige é corresponsável.
E quando, para tentar ultrapassar uma crise que parece que quase ninguém ainda compreendeu, o crescimento económico continua a ser a única solução apontada e discutida, há responsáveis cientistas que propõem uma unidade de medida do “bem estar” que considere, também, a protecção do Ambiente e dos Recursos Naturais no desenvolvimento dos países, substituindo o tradicional PIB que, perante a realidade deste Planeta que tão mal tratamos, não é, de todo, a medida apropriada. Assim o mostra a Ciência! Isso ignoram os economistas.
Nas circunstâncias em que vivemos, com as ideias que os “responsáveis” revelam, que sentido fará a Cimeira Rio+20? Serão vozes a pregar no deserto ou uma grandiosa manifestação de cinismo, ainda maior do que outras que, no passado, tiveram lugar?

terça-feira, 8 de maio de 2012

O EFEITO HOLLANDE

Por menos de três pontos percentuais, Hollande foi eleito o presidente da França que promete acabar com a austeridade! Estranho que, com tal proposta, não tenha conseguido uma vitória estrondosa, esmagadora até, à dimensão do desejo que todos, franceses incluídos, temos de acabar com esta situação difícil que vivemos. Uma promessa assim mereceria uma vitória inequívoca, uma vitória fácil à primeira volta em vez da que, com alguma dificuldade, apenas aconteceu à segunda.

Não acredito que quase metade dos franceses seja masoquista e prefira continuar no sofrimento que Hollande prometeu que iria acabar. Ou haverá razões para desconfiar da fartura? Por alguma razão os franceses descartaram os socialistas do poder há bastantes anos e nós, por aqui, ainda não esquecemos como a sua política nos endividou ao ponto de, para evitar a bancarrota, termos de pedir ajuda! E não foi a primeira vez que, por eles, tivemos de o fazer.
Temo bastante que, em consequência, o já chamado “efeito Hollande” não seja a “libertação” que muitos esperam mas, antes, um fracasso a que as circunstâncias possam obrigar. Como não sou masoquista também, quem me dera que Hollande tivesse razão e o Estado Social que nos satisfaz as necessidades mais prementes da vida passasse a ser um modo seguro e não artificial para viver o futuro. Mas também não credito em milagres destes que tudo me indica não serem possíveis neste mundo em que vivemos.
Seja como for, não será fácil prever o que nos trarão os próximos meses ainda que, a mais longo prazo, eu creia que as coisas não vão correr ao jeito que tanto capitalistas como socialistas esperam, porque o “crescimento económico” também não será o que, para isso, teria de ser.
Muitos esperam que a vitória de Hollande beneficie Portugal, coisa na qual não deposito quaisquer esperanças porque muito mais do que isso será necessário para colocar Portugal no rumo de um futuro diferente daquele que lhe imprimiram os que acreditaram no milagre da multiplicação dos pães em vez de fundarem o futuro nas bases sólidas do trabalho e do esforço próprios, atitudes que não há ajuda que possa dispensar.

sábado, 5 de maio de 2012

SINTO-ME PEQUENO NESTA SERRA ENORME...

A vista do Vale, a partir do Poio do Judeu é espantosa! Como me senti pequenino ali debaixo daquele rochedo enorme que, na sua deslocação, o glaciar ali deixou. Já lá vão cerva de 60 anos desde que a fotografia foi tirada e uns milhões desde que a pedra ali se quedou!
Obviamente, na segunda fotografia não estou eu. Apenas desejei marcar o ponto de vista!
Francamente, continuo a não entender aquele concurso que não fez do que aqui se pode ver a maior maravilha de Portugal! Acho que não deviam permitir-se concursos viciados!
(fotografias de Miguel Esteves G de Carvalho)


sexta-feira, 4 de maio de 2012

VAI GANHAR O PS!

Uma possível vitória eleitoral de Holland nas eleições presidenciais francesas, cujo mérito maior foi o demérito de Sarkozy, é festejada pelo PS português como se de uma vitória sua se tratasse.

Sarkosy não soube ou não foi capaz de fazer melhor do que andar de braço dado com uma desajeitada e mal vestida Merkl que chefia o governo que domina a Europa. Duvido que Holland consiga melhor, apesar de uma certa mudança parecer estar a querer impor-se, mas não por qualquer mérito seu. Queira Deus não tenha de engolir certas coisas que já disse…
Seguro foi a França para assistir ao comício final e, no Rato, a noite eleitoral será seguida passo a passo, minuto a minuto!

Mas será que isto faz algum sentido? Faz sentido ou dá alguma segurança que aquele que caiu do combóio tente agora agarrar outro em andamento, mesmo sem saber para onde o leva? Ou, se preferirmos, o que terá a ver o PS francês com o PS português? A “amizade” de Soares com Miterrand já se foi há anos e, hoje, o socialismo já esgotou todas as artimanhas que acabaram por fazer a sua fraqueza que não consegue, senão no papel, que o Estado Social seja a realidade que a exiguidade de meios não consente. Infelizmente.
A dureza da vida não se compadece com lirismos constitucionais, nem com conquistas irreversíveis num mundo incapaz de permitir uma vida digna a mais de metade da sua população. Ou será que também há “socialismo privilegiado”, aquele que deixa a maioria de fora?

É bom que, depois do salsifré que nos consentimos viver no desrespeito mais absoluto dos cuidados que o futuro nos deveria merecer, comecemos a pensar melhor naquilo que nos espera se, de uma vez por todas, não arrepiarmos caminho nestes avanços para o abismo em que poderemos cair.
Eu, se fosse PS, não me sentiria assim tão feliz! Não, também não sou apaniguado de ninguém porque não passo de uma gota no tsunami que parece querer varrer da face da Terra toda a porcaria que nela se acumulou!

O PINGO QUE PARA ALGUNS FOI AMARGO!

Sem qualquer juízo político ou social, o que a cadeia Pingo Doce fez no passado dia 1 de Maio foi uma acção de marketing notável, das mais conseguidas de que já me dei conta.

Provam-no as fortes e prolongadas reclamações de todos quantos por ele se sentiram lesados e que foram, sobretudo, os promotores e apoiantes das manifestações do 1º de Maio e os pequenos comerciantes.
Uns não podem perdoar que o Pingo Doce lhes tenha tirado o protagonismo que, julgavam, só podia ser seu. De facto, o grande acontecimento não foi a celebração do Dia do Trabalhador mas a “promoção” daquela cadeia de supermercados. Não foi do Dia do Trabalhador que se falou, que os noticiários se ocuparam e que a maioria das pessoas quis saber, nem foram os discursos tradicionais aquilo a que a Comunicação Social prestou atenção! O que não faz grande diferença porque devem existir as cassetes que os reproduzem tal e qual.

Os pequenos comerciantes são, também, naturalmente prejudicados, sem que, contudo, me pareça que o tenham sido agora mais do ao longo de muito tempo, nesta luta desigual entre o David e o Golias. Outros tempos em que o pequeno comércio terá de arranjar outros argumentos para ser preferido.
Quem conseguiu, e muita gente foi capaz, aproveitou a oportunidade para poupar uns dinheiritos e fez umas compras por atacado que lhes vão aliviar as finanças durante um tempinho.

Dei conta do que estava a acontecer pela quantidade de carros e de gente à porta do Pingo Doce mais próximo de onde moro. Era um pandemónio, um aperto daqueles onde quem tenha calos se não mete. Já vi manifestações bem menos concorridas.
Depois destes dias já passados, ainda não se calou o falatório sobre o sucedido e na “antena aberta” que esta manhã escutei – um bocado apenas – era a ira dos sindicalistas a que mais se fazia ouvir em “discursos” que quase raiavam a idiotice, com argumentos estafados que a realidade não suporta.

Não quero tirar conclusões de qualquer natureza sobre o que sucedeu nem me interessa se houve “dumping” ou não, se o desconto praticado revela lucros normais excessivos, porque esta será a função de quem tenha de controlar estas coisas.
Quanto à afronta ao 1º de Maio, esta nada me diz porque, apesar de uma vida inteira como trabalhador por conta de outrem, nunca me sindicalizei nem nunca fiz outro contrato que não fosse “até eu ou o patrão querer”. Os meus direitos sempre foram os que o meu trabalho competente e empenhado me conferiu e fui eu quem os defendeu.

O trabalho é uma coisa demasiadamente importante e fundamental, cuja dignidade teremos de ser nós, cada um de nós a defender sem nunca entregar essa tarefa a “profissionais” a quem pagamos para, por nós, dizerem seja o que for ou para, por nós também, pugnarem por direitos que nos não esforçarmos por merecer.