ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

QUE SAÍDA PODEREMOS TER?


Já é mais do que evidente que não pode o Estado resolver os seus problemas financeiros a menos que harmonize as despesas e as receitas que tem. Continuar a gastar mais do que se amealha é, sempre foi, o caminho da falência, habitualmente o caminho dos descuidados que julgam que o dinheiro cai do céu.
Recordo-me bem de quando Sócrates afirmou, quando eram já muitas as vozes que clamavam contra as despesas excessivas que fazia, que “tivemos a coragem de aumentar a nossa dívida”, talvez a inspiração para os seus camaradas que, agora, dizem que Portugal apenas sairá da crise se o voltar a fazer.
É mais do que óbvio que há despesas que o Estado terá de cortar, tal como haverá receitas que terá de garantir para atingir o equilíbrio indispensável a uma vida mais tranquila.
Apesar de tudo isto compreendo as queixas dos que são atingidos pelas medidas de contenção que vão desequilibrar toda uma vida entretanto baseada em rendimentos que, de repente, desaparecem.
O que poderá fazer alguém de um momento para o outro, para evitar a hecatombe a que o condenam?
Mesmo sendo indispensável que o Estado se redimensione, depois de tantos e tantos anos em os seus meios humanos cresceram desmesuradamente, não será possível à sociedade reabsorver, num repente, os que o Estado dispensa, pelo que se manifestarão desequilíbrios que, progressivamente, se agravarão, sabe Deus até que ponto.
Como em tudo, haverá um ritmo certo para o fazer, será necessária uma formação adequada quanto ao modo de o fazer e competirá ao Estado garantir que seja assim.
De nada valerão as guerras dos sindicatos nem os escrúpulos constitucionais quando a questão é a de uma exiguidade óbvia de meios para continuar a fazer como se fazia. Mais até, este será o caminho da desgraça que não tarda a cair sobre quem não procurar, por outras vias, a forma de sair deste impasse em que caímos.
Não tenho formação de banqueiro, de jurista ou de financeiro que me permita entrar nestes despiques idiotas em que todos se estão a derrotar mutuamente, a enterrar mais no buraco que o seu esbracejar afunda. 
A minha formação é mais realista, serve-se de outros engenhos que sabem lidar com a “realidade real” que cada vez mais se afasta do irrealismo que o capitalismo criou, desse mundo virtual cujo coração bate nas “bolsas” e não na realidade da vida cujos ciclos re renovação são os ditados pela Natureza e não por monstros como a Goldman Sachs e outros que manobram os mercados a seu bel prazer como se nada mais houvesse para além dos meios financeiros que controlam.
Podem os bancos centrais emitir "moeda" a toda a hora porque, mesmo assim, não crescerão os recursos indispensáveis à vida e com os quais deveriam ter uma correspondência.
Há cada vez mais dinheiro, mas há cada vez menos bens naturais. Ao "boom" disto e daquilo que o capitalismo tem feito acontecer, não se seguirá o "boom" da "moeda" quando já nada lhe corresponder?
Porque não, em vez destes artifícios, aproveitar melhor os recursos naturais abandonados e desprezados num país onde a desertificação cresce a um ritmo assustador e atinge já dois terços do território?
Aproveitá-los não seria um melhor conselho do que emigrar? Ou será que pensam que, por outras bandas, o mundo é outro e o futuro será melhor?
Sem um novo modo de viver, em muitos lugares do mundo nunca o subdesenvolvimento desaparecerá, nós não conseguiremos viver melhor do que o mal que vivemos e os que ainda se sentem felizes em breve sentirão as agruras de uma realidade a que não vão conseguir fugir.

sábado, 5 de outubro de 2013

AS LOUCURAS QUE O PAÍS NÃO CONSENTE!



Ontem assisti a uma Assembleia Geral do Clube Desportivo de que sou sócio, o Sporting, e deparei-me com uma coisa extraordinária.
Um dos pontos da Assembleia era a fixação o salário que o Presidente passaria a auferir.
Como já acontecera, anteriormente e em outros órgãos do Sporting, a SAD e o Conselho Leonino, cujas reuniões aconteceram antes desta AG, todos julgaram a proposta desajustada ao Clube e ao esforço que o Presidente tem feito para o recuperar de uma situação da qual muitos julgavam já que seria impossível ver-se livre. Mas, pelos vistos, o Sporting já não é o falido, o humilhado e o desqualificado Sporting porque é, já agora, um Clube com as suas contas praticamente em ordem e com uma estrutura que lhe poderá permitir que repita, no futuro, os grandes feitos do passado, se tiver o cuidado de não dar “o passo maior do que a perna”! É com muitos pequenos passos seguros que um grande futuro se contrói!
Julgavam muitos, mais adequados dez mil euros… por exemplo. E seria, mesmo assim, inferior ao que muitos auferiam e julgavam curto na fase de grandeza que colocou o Sporting nas ruas da amargura.
Depois de seis meses em que se recusou a receber qualquer salário porque, em seu entender, o Clube não tinha condições para lhos pagar, o Presidente aceita, agora, que lhe sejam atribuídos cinco mil euros brutos mensais, recusando todas as propostas mais elevadas que foram feitas.
É esta uma notícia hoje publicada no Diário de Notícias a propósito deste assunto e não resisto a transcrever: “Sobre o ordenado do presidente, aprovado por "unanimidade e aclamação", Jaime Soares revelou que ele, como muitos outros sócios, acharam "injusto" o valor, por considerar que era pouco para o que o Bruno de Carvalho "dá" ao Sporting. E confidenciou que ele e o presidente do Conselho Fiscal, Bacelar Gouveia, tinham em mente apresentar uma proposta para que esse valor fosse duplicado (ou seja 10 mil euros/mês). "Mas ele (Bruno de Carvalho) pediu ' por favor vocês não me façam isso'. Justificou que o estado do País e do clube não permitem loucuras", contou o líder da Mesa da AG.
Comparada esta atitude com as de tantas de tanta gente que por aí anda na constante e acelerada lufa-lufa de “sacar o seu”, em cargos públicos de cuja utilidade de pouco nos damos conta, se alguma, de outros que bem se cobram por funções que, por certo não têm a dificuldade das do Presidente do Sporting, além de comparados os resultados por eles conseguidos com os que o líder leonino alcançou em apenas eis meses que leva o seu mandato, é caso para perguntar o que poderá o Estado Português aprender com um simples presidente de um clube desportivo que tem as noções de amor e de dedicação ao seu clube e ao seu país que Bruno de Carvalho demonstra ter?
Não seria a hora de substituir os políticos de mentalidade deformada por gente de mente sã?

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

OS VENCEDORES RELATIVOS DA MINORIA



É bastante complicado, para alguém a quem a “reforma” retirou o estatuto de ser reconhecidamente sabedor nisto ou naquilo e se limita a ser, apenas, alguém que mantém a sua capacidade de pensar, dizer grande coisa sobre o que se passa no seu país ou, até, no mundo.
Eu bem tento encontrar qualquer coisa a que me agarrar para que o raciocínio discorra, mas não me apercebo de mais do que das tretas do costume, dos assuntos repescados em noticiários de há três ou quatro dias, das propostas recorrentes do PS que têm por base o eterno e insuperável “se”, das atitudes mais do que previsíveis e sem imaginação seja no que for, mas sempre lamentáveis quando pequenas coisas acontecem e, pela arte de quem se julga capaz de convencer papalvos, acaba por se transformar numa perda de tempo em reuniões e em plenários que não valem o dinheiro que todos pagamos aos deputados juntamente com aquelas iguarias que lhes servimos no seu restaurante privativo onde, com elas, podem enfartar-se ao preço da uva mijona que não seria assim tão má para enganar a fome de alguns dos que lhes pagam! Se a tivessem!
Depois das eleições autárquicas, de cujos resultados todos tiraram as “conclusões óbvias” que mais lhes interessavam, até eu tentei um simulacro de análise que, se bem interpretada, me diz que está na hora de os políticos tomarem juízo, tão grande é o número daqueles que, para eles, se “estão nas tintas”!
Poderá uma classe política sentir-se confortável quando, na melhor das hipóteses, é o vencedor relativo de uma minoria? Haverá razões para encher a cara com um sorriso de felicidade, encher o peito como se fosse fazer um longo mergulho em apneia ou abrir a boca para cantar vitória? Penso que não há e penso, até, que deveriam reflectir sobre o que se passa em vez de festejar, tentar entendê-lo, quem sabe se conversando com alguém a quem estes jogos de poder não afectam o discernimento…
Que voltem as “revistas” do Parque Mayer que tão bem sabiam fazer as caricaturas dos ridículos e pretensiosos que julgam ser alguém, que nos faziam rir à gargalhada e seriam, talvez, a forma mais eficaz de lhes mostrar as figuras tristes que fazem quando pensam que os não topamos. Porque televisões e jornais, esses também se enredam na mesma teia, se dividem pelas facções que se enfrentam e entram no jogo dos mesmos interesses.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

NA MINHA CASA MANDO EU?



Se eu mandasse na minha casa, não pagava IMI, não ma poderiam penhorar por dívidas que eu fizesse!
Mas como não vivo isolado no mundo e me integro numa comunidade que tem as suas regras, pago IMI, taxas de esgotos e coisas assim, enquanto se me endividar, terei de pagar, com dinheiro ou com bens, as dívidas que fiz! E terei de faze-lo segundo as leis dos meus credores, não importa as leis que eu tenha para a “minha” casa.
Pois também Portugal não vive isolado da comunidade mundial a que pertence, com a qual se relaciona, faz comércio e interage das mais variadas formas. Cujas regras tem de cumprir, quer isto dizer.
É por isto que eu não compreendo o argumento de que não podem os nossos credores, aqueles a quem a nossa estupidez levou a pedir demais, fazer exigências que contradigam o que a nossa Constituição define.
Eu penso que o melhor que podemos fazer é negociar o melhor de que formos capazes, evitando atitudes de arrogância que não nos valerão, de todo, a sua complacência.
E não vejo, também, como poderá Portugal sair do buraco em que o meteram, continuando a desculpar-se com as suas próprias leis para não cumprir as obrigações que, em relação a outros, assumimos.
Que o Governo apele aos demais órgãos de soberania para que ajam do modo mais conveniente para podermos ver-nos livres do sarilho em que nos metemos, não me parece uma forma de pressão mas, tão só, uma chamada de atenção para as consequências cada vez mais graves a que a nossa arrogância nos possa levar.
Não sei qual será o grau de compreensão do tribunal Constitucional para os prejuízos que a sua postura já causou e, sobretudo, como será julgado no futuro por aqueles sobre cuja cabeça vão cair as suas mais pesadas consequências.
Estamos a viver uma hora especialmente difícil que exige bom senso e inteligência que, infelizmente, não estou certo de que quem os deveria mais ter, os terá!

OS IDOSOS E O FUTURO


Ontem foi o Dia Internacional do Idoso.
Mais um de tantos dias internacionais disto e daquilo que não sei muito bem para que servem. Deveriam servir para reflectir sobre o que evocam, mas raramente me dou conta de que seja assim, pelo menos na medida, com o cuidado e com a intenção com que o deveriam ser.
Passei o dia à espera de que alguém pudesse aparecer, num órgão do comunicação social qualquer, a dizer coisas que valesse a pena ouvir, mostrando que há quem pense nesta questão que o número cada vez mais elevado de idosos coloca à sociedade.
Ouvi pouco ou nada para além de uma extrapolação que antecipa que o número de idosos em Portugal, agora de dois milhões, será o dobro em meados deste século! E pronto, foi o que ficámos a saber.
Mas quem, para além dessa informação, se der ao cuidado de fazer umas contas, verificará que os idosos que são, por esta altura, 20% da população total do país, passarão, então, a ser 40%! No mínimo, mas porventura mais porque a tendência actual da nossa população é para decrescer. Quem sabe se, por isso, em meados deste século os idosos não atingirão um número muito próximo de metade da população total? Há pouco tempo não seriam mais de uns 10%!
E tal como acontece em Portugal, acontece o mesmo por todo esse mundo que se diz evoluído, mas me parece não se dar conta da evolução que acontece e, por isso, dos problemas que os futuro lhe colocará.
Esperaria eu ouvir, talvez, do Primeiro-Ministro de Portugal, do Líder da Oposição ou de outros “sábios” quaisquer de tantos que há por aí, o que pensam deste assunto, das alterações a que dá aso, das consequências que terá e, sobretudo, de como as políticas sociais e económicas se deverão adaptar a um fenómeno que parece ser irreversível.
Mas não ouvi nada. E, tal como em outras questões a que o passar do tempo e as inevitáveis mudanças que trás dão lugar, parece-me que os políticos nada conseguem ver para além dos problemas financeiros que enfrentam e não conseguem resolver, precisamente porque não pensam em termos de futuro, tal como as suas funções de administrar fariam supor que pensassem.
Estão atarefados a tentar resolver problemas que não preveniram no passado. Por isso não têm tempo para prevenir os que serão do futuro, mesmo do mais próximo.
Não pensar o futuro é como perder o norte na caminhada que fazemos, não saber por onde vamos, onde chegaremos e nem o que, aí, iremos encontrar. É por isso que não só não resolvem os problemas do presente como não previnem os gravíssimos problemas que o futuro trará.
O problema etário é mais um dos muitos e graves problemas que os políticos ignoram, dos muitos que os “marcelos” deste mundo não sabem que existem e, consequentemente, não sabem como abordar
E se, como diz o povo, “olhos que não vêem, coração que não sente”, nada pensam os políticos sobre as questões que o futuro nos colocará, para as quais, por isso, não procurarão as soluções adequadas.
Temos políticos para que se não conseguem evitar que o futuro nos surpreenda com problemas cuja solução não preparámos a tempo?
Mas serão os idosos uns inúteis que para mais não servem do que para dar uso aos bancos dos jardins ou jogar à sueca nos parques das cidades?