ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

UM PAÍS DE SÁBIOS OU DE ESPERTALHÕES?


Nunca, como agora, houve tantos programas de opinião e de antena aberta, onde cada um vai mostrar a sua sabedoria sobre as mais variadas questões. Há, mesmo, quem perceba de tudo, de economia, de sociologia, de futebol e sei lá mais do que. São gente sem dúvidas, profundamente conhecedores daquilo de que falam. E falam de tudo.
Novos canais nasceram como cogumelos no ambiente bafiento e quase ridículo em que a política portuguesa se tornou. Mas os programas, uns com cariz de sérios e outros de brincalhões, estão a tornar-se uma maçada repetitiva e sem graça, com humor rasteiro e ordinário por vezes, com as mesmas caras a aparecer em toda a parte.
É difícil encontrar algo de sério e com qualidade para ler na comunicação social escrita e ver em programas de televisão que vão um pouco além de improvisados e de produção baratinha. Enfim, é a crise!
Mas quem estiver atento, semana após semana, facilmente perceberá que dizem e desdizem, sempre numa linguagem que se presta a interpretações dúbias, o melhor sintoma de ignorância que alguém pode revelar.
Possuem grande quantidade de informação, sobretudo daquela que resulta de leituras apressadas em que baseiam afirmações categóricas que não dão aso à contradição e à afirmação da existência de “estudos” que não identificam nem provam a existência, mas que concluem isto ou aquilo, o que bastará como garantia das verdades anunciadas ou como prova das demonstrações feitas. O mais contrário ao cuidado e à seriedade com que deveriam ser tratados os problemas graves de um país com muita gente em sérias dificuldades.
Bem vistas as coisas, sustentam discursos longos e labirínticos onde o ouvinte ou o leitor facilmente se perde e,assim, não é difícil trocar-lhe as voltas, o que lhes consente uma posterior afirmação de “como eu já disse...”.
Francamente, parece-me conversa a mais para tão repisados temas dos quais não conseguem sair. Nem saem, enquanto não encontrarem caminhos novos para um futuro que não seja a monotonia da desgraça deste que construímos.
Opinar é uma moda que, para uns, será a oportunidade de ganhar uns cobres que a “crise” torna apetecíveis e, para outros, poupar umas lecas nos custos da programação ou no preenchimento de espaço que se tornou excessivo para a falta de qualidade, de saber e de imaginação que faz parecer de sábios um país de espertalhões.
Poucas, mas há excepções, como sempre. Mas, mesmo assim, a inovação é pouca.


terça-feira, 5 de novembro de 2013

PODE UMA LEI LEGISLAR O IMPREVISTO?

Acabo de ler um trabalho que procura responder à pergunta se o Orçamento do Estado apresentado pelo Governo é ou não é constitucional.
Diversos “especialistas” dão a sua opinião àcerca de variados temas, como a semana de 40 horas, os cortes nas pensões e outros, verificando-se que as respostas são dadas em função de anteriores decisões do Tribunal Constitucional e não da análise directa da própria Constituição.
Aliás, já no passado, as decisões do TC, não tão raramente assim, diferiram bastante de opiniões dos que, habitualmente, opinam sobre estas questões.
As respostas são, pois, imprecisas, não sendo, por isso, as respostas que se esperam quando as perguntas são concretas!
Em conclusão, quanto a o orçamento ser constitucional ou não, ficaremos na dúvida porque depende do que o TC pensar de uma lei que aos próprios constitucionalistas sugere diferentes respostas.
Quando, pela força das circunstâncias, se governa nos limites da constitucionalidade, o resultado pode não ser o que o bom senso aconselharia mas o que resulta da interpretação, pelos vistos subjectiva, de uma lei que não previu tal situação.
A imprevisibilidade agudiza-se à medida que a situação mais se afaste das condições que sugeriram a lei, como vem sucessivamente acontecendo, tornando muito crítica, porventura até impossível de gerir, a governação de um país transformado em protectorado das entidades que lhe proporcionam os meios financeiros sem os quais não teria sequer economia.
É muito séria a situação que, contudo, a uns inspira afirmações patetas e a outros gargalhadas alvares.


CERTEZAS INCERTAS OU… RIR PARA NÃO CHORAR


Portugal terá saído, de novo, do Clube da Bancarrota! Assim o rezam as notícias que colocam o nosso país fora do conjunto daqueles com risco de incumprimento financeiro nos próximos cinco anos.
É um clube que Portugal conhece bem e do qual, a menos estas entradas por saídas, parece ser membro vitalício desde que Sócrates lá nos inscreveu. É isso, estou a falar daquele Sócrates que, coitado, não entende por que nos irritamos com ele que é o líder desejado pelas direitas, mas não é, e começou a campanha para afastar Seguro das suas esperanças de maiores voos.
Foi o “próspero” El Salvador, um daqueles países a que é hábito chamar das bananas, quem, desta vez, nos pôs de lá para fora. E até a Grécia se aproximou da porta da saída!
Mas Bruxelas duvida da fartura porque não acredita na sustentabilidade do crescimento do PIB português nem na baixa do desemprego continuada de que o nosso Governo faz alarde. Mesmo assim, quem sabe se por uma questão de cortesia, aceita registar, num relatório, que o PIB português crescerá 0,8% no próximo ano, depois de já havermos saído da recessão técnica.
Obviamente que tudo isto são as incertezas das certezas que gostaríamos de ter, por critérios que facilmente se aplicam à maioria da Europa onde nem a França, a segunda maior economia do Euro, escapa à incerteza, ou certeza de não conseguir cumprir a meta de um défice inferior a 3% até 2015. É outra notícia do dia que dá conta da cada vez maior impopularidade do Hollande que já foi, um dia, o ídolo de Seguro e a tábua de salvação do socialismo europeu.
E assim, de certeza a incerteza, vamos julgando sair da crise em que, em vez disso, afinal nos afundamos, como me parece natural que suceda até que se encarem os problemas como, de facto, são. Problemas culturais muito graves de uma Humanidade que não consegue compreender o seu lugar no mundo.
Mas há, no meio de tudo isto, coisas que me confundem.
Por que será que não permitem aos Estados Unidos ou ao Japão, países com dívidas públicas monstruosas cujos limites constantemente dilatam, pertencer ao distinto clube de onde nos escorraçaram?
Até lhes forravam as paredes com os dólares e iens que fabricam aos milhares de milhões em cada dia…


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

ASSUMIMOS A REALIDADE OU SEREMOS EXPULSOS DO “PARAÍSO”?


Poucas ou nenhumas novidades nos trará esta política que continua a não fazer da realidade das coisas o objecto das suas preocupações nem procura nela as explicações para os múltiplos problemas que enfrenta. Pelo contrário, fixa a sua atenção na pseudo-realidade que criou e insiste em gerir o mundo real segundo as leis que, para o seu mundo irreal, inventou.
Há tanto tempo que é assim que se esqueceu completamente do mundo real, aquele onde as coisas importantes para a Humanidade acontecem porque, embora persistindo em viver num mundo de fantasia, jamais o Homem deixará de ser um Ser da Natureza, em vez do senhor que dela julgou ser.
Basta reparar nas “novidades requentadas” que são as grandes notícias do dia a dia, nas quais sempre se fala da mesma coisa por mais que se tente alterar-lhe o aspecto, prestar atenção aos problemas que se tenta resolver mas sempre defrontam as mesmas dificuldades inultrapassáveis todas as vezes que se pensa ter encontrado uma solução, atentar na crise que deixou de ser um período de correcção dos problemas económico-financeiros que se vão acumulando entre períodos de sucesso e se tornou num longo período de problemas não resolvidos que breves momentos de ilusória esperança não conseguem fazer acabar.
Sucederam-se as propostas e os falhanços dos sábios que procuraram e julgaram encontrar, em situações do passado, semelhanças que os inspirassem na solução dos problemas do presente que, infelizmente, extravasaram já o âmbito do domínio em que estão habituados a mover-se e apenas no qual as suas teorias têm relativa validade.
Até os Prémios Nobel da Economia continuam a ser atribuídos a trabalhos que não ultrapassam os limites da fantasia que a realidade já ultrapassou, continuando a ignorar a fronteira com o mundo em que se insere, aquele do qual provêm os recursos escassos que têm alimentado a fogueira em que, segundo as teorias da abundância em que persistem, excessivamente os queimaram.
Não é, pois, de um problema de teoria que se trata, mas de uma questão do meio e das condições em que se aplica.
Está a “economia de sucesso” que, arduamente, tentamos recuperar, rodeada pelos graves problemas que, levianamente, criou e, agora, lhe cortam as vias para um novo fôlego de expansão de que necessitaria para se continuar. Refiro-me às questões, numerosas e insuperáveis a curto prazo, que tornam o nosso Ambiente cada vez mais hostil ao modo de vida que adoptámos.
Seria bom que as levássemos em conta e perdêssemos, de vez, a petulância do que se julga permanentemente dominador, para assumir, em vez dela, a humildade de admitir a insignificância que somos perante um poder maior, o da Natureza que nos rege e, bem ao contrário do que pretendemos, não regemos.

domingo, 3 de novembro de 2013

UMA REVOLUÇÃO OU O QUE?


Os sinais são cada vez mais fortes e fazem-me temer uma enorme convulsão política em tempos que já não tardam, com consequências das quais, se acontecerem, nem será difícil imaginar a gravidade.
Tudo isto porque nos recusamos a admitir uma verdade simples, a de que somos um país desde há muito mal gerido, que somos um povo que criou hábitos de um tipo de vida para o qual não possui meios bastantes e, para além de tudo isto, que não queremos olhar de frente para a realidade dura e proceder em conformidade com ela. Uma realidade que nos fará empobrecer ou, penso que será melhor dizer, nos fará viver com o que formos capazes de produzir com os recursos naturais que tivermos disponíveis e, com as iniciativas com que formos capazes, de mais disponibilizar para os valorizar da melhor forma. Mas tudo isto significa saber que não sei se existe e trabalho para o qual não vejo muita disponibilidade.
Mas se tanta gente enriqueceu sem trabalhar, por que não hão-de os demais pensar que podem fazer o mesmo? Vejo muitos que, de garganta, muito sabem, mas que quanto a fazer, fazem nada! Duvido, até, que para além dos seus cabalísticos “saberes”, imaginem que algo mais exista como, por exemplo, a realidade natural com a qual não contam nas “folhas de excel” em que fazem as suas contas.
Fizemos a Revolução de Abril para acabar com a guerra no Ultramar. Foi esse o propósito e ponto! Tudo o mais foram consequências naturais do derrube de um regime que já caía de podre, tanto enquanto um bando de ditadores de meia tijela dominava um homem já refém da ignorância que o isolamento prolongado provoca, como enquanto impunha a um fraco que fizesse figura de fantoche nas suas mãos.
Não me parece um grande feito derrubar o que mal se tinha em pé, nem creio que devesse ser esse o mais importante propósito de uma inevitável mudança que, se bem conduzida fosse, garantiria uma transição política esclarecida e controlada para a liberdade que confundimos com a permissividade que permitiu todos os excessos e descuidos. Esse, sim, seria o grande feito!
Deixámos que o país fosse assaltado por politiqueiros que se julgavam deuses sabedores de tudo e não garantimos a sanidade da liberdade devolvida ao povo porque a muitos conviria a confusão em que mais facilmente desenvolveriam os seus planos de conquista de poder.
Em vez de nos dizerem que seria a responsabilidade de todos e de cada um de nós o que nos poderia garantir uma vida melhor, impingiram-nos que a democracia, só por si, tinha remédios para todos os males, meios para suportar todas as loucuras, forma de resolver todos os problemas que dela resultassem! Mas uma democracia assim só poderia ser irresponsável, como os efeitos mostram que foi, porque abre caminho ao que cada um queira fazer em vez de levar a que todos façam o que o dever lhes impõe. Afinal, somos uma comunidade nacional ou agrupamentos de corporações que se esforçam por alcançar o que mais convém a cada qual?
Cometemos muitos erros que a alguns não convém que se emendem e outros, quiçá a maioria, sentem pruridos em denunciar e impor que se corrijam.
E assim chegámos a este país onde ninguém se sente feliz. Uns reclamam por aquilo que gostariam de ter sem se esforçar para o ter, outros sentem-se roubados nas “conquistas” que alcançaram em batalhas em que o trabalho e a dedicação não foram as armas da vitória, outros, pelas funções que desempenham, julgam-se dignos da excepção que os liberte do esforço que, apenas sendo de todos sem excepção, poderá conduzir aos resultados que desejamos, além de outros, ainda, para quem a agitação é o meio para alcançar o que de outro modo jamais alcançarão. Sempre os mesmos!
O resultado não poderá ser bom quando as coisas chegam a este ponto. Por isso algo terá de acontecer, fatalmente acontecerá, chamem-lhe o que lhe chamarem, uma revolução, um ponto de ordem, seja o que for.
Depois, tudo será diferente. Uma ditadura ou uma democracia esclarecida?
Uma barafunda como esta é que não poderá continuar a ser. Nem em Portugal, nem na Europa, nem no mundo inteiro!
Mas o tempo o dirá. Eu preferiria que fosse um ponto de ordem bem determinado!