ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

DEMOCRACIA OU BARONATOS?


Uns dizem-se democratas mas, da democracia que defendem, não respeitam as leis. Os outros apenas se julgam melhores do que os demais e, tal como os primeiros, tramam manobras escusas para alterar o que as regras vigentes ditaram.
Uns querem derrubar o Governo. Os outros, a direcção do partido.
Parece que, afinal, a democracia e as suas regras já não servem para nada, pois até os “democratas” se servem de astúcias para a ludibriar, para alcançar por portas travessas o que não conseguiram através das portas certas.
É caso para perguntar se voltámos ao tempo dos barões, sejam eles os vetustos, os históricos ou os recém armados cavaleiros de uma coroa enferrujada, já só boa para deitar no lixo.
Uns na Aula Magna, outros em outro lugar qualquer, vão maquinando os seus esquemas de tomada de poder que, quem poderá sabê-lo, até podem surtir efeito, acabando, de vez, com o mito de todas as soluções que a democracia possui ou reconhecendo que, afinal, nem tudo a democracia anquilosada resolve, preferindo esquece-la quando tal mais convém, em vez de a modernizar como o bom senso ditaria.
Nem imagino no que tudo isto dará, ao que nos poderá conduzir a ganância de uns, a petulância de outros ou a deslealdade de outros ainda. Mas não nego as preocupações que sinto quando me deparo com um país que já não respeita regras, com políticos que têm a ganância como único propósito e uma História que, depois de conquistar todos os mares, parece agora querer morrer na praia!

OS ESTALEIROS NAVAIS DE VIANA DO CASTELO


Não sei grande coisa sobre os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, para além do estado calamitoso da sua situação económico-financeira desde há muitos anos a esta parte.
Nem sei, sequer, que trabalhos de qualidade especial ali terão sido executados alguma vez.
Recordo, vagamente, uns problemas que terão acontecido com uns navios que quem os encomendou não recepcionou por defeitos que teriam, assim como, num daqueles encontros entre Sócrates e Chavez, se ter ficado com a ideia de que a Venezuela, só por si, garantiria trabalho para os estaleiros, por muitos anos. Era o tempo que se esperava de vacas gordas lá por aquelas bandas.
O que aconteceu aos navios não recebidos, não sei. Que a Venezuela se debate com muito sérios problemas económicos e financeiros, é do conhecimento de toda a gente e, por isso, ser difícil que os tais negócios possam ser a salvação dos estaleiros, se não mesmo o seu enterro definitivo, não espantará a ninguém.
Se a solução encontrada pelo ministro da Defesa é uma boa solução ou não, também não sei. Fico-me por saber o mesmo que todos sabem e é que a situação dos estaleiros não poderia continuar como estava. Uma solução era, a cada dia, mais urgente.
Agora que foi arranjada uma, colocam-se questões e, até, suspeitas, sobre o valor e a clareza do negócio feito com a Martifer que se dispõe a revalorizar um negócio que estava mais do que falido.
Poderão, até, ser justas todas as dúvidas e manda a defesa dos interesses de todos nós que tudo seja esclarecido. Por isso eu espero que a Maioria no Parlamento esteja de acordo que um inquérito parlamentar seja feito.
O que não posso é concordar que se nomeiem suspeitas que manchem a honorabilidade de alguém sem que tal seja provado, como parece tê-lo feito a deputada Ana Gomes. E agora vamos ter um ministro e uma deputada europeia a enfrentar-se em tribunal. Deprimente!
Aliás, este país virou brejeiro e inconsequente nas suas atitudes e tornou-se corrente chamar-se gatuno, ladrão, mentiroso e sei lá mais o que seja a quem for, mesmo que sejam ministros ou o Presidente da República, bem como é certo e sabido que, em dados momentos, sempre uma "bronca" qualquer terá de estalar nesta guerra partidária que parece não ter fim.
Quando acabará este pandemónio? Não haverá quem ponha termo a isto, a este contra-vapor que certos políticos insistem em fazer?
Que volte o D Sebastião...


A OPOSIÇÃO QUE TEMOS


A troca de dívida que torna possível a Portugal o cumprimento mais fácil de compromissos acumulados por actos de gestão anteriores, mereceu das oposições as críticas mais disparatadas, com argumentos que, infelizmente, significam uma de duas coisas: ou são mesmo estúpidos ou pretendem que o sejam aqueles a quem impingem os seus argumentos. 
Nem uma só vez me apercebi que tenham falado das verdadeiras razões deste procedimento que evitou problemas de maiores dificuldades de solvência dos compromissos financeiros ao longo dos anos mais próximos.
A verdade é que também não ouvi, da parte do Governo, a explicação mais detalhada que poderia evitar aqueles comentários manhosos! Será que não o merecemos?
Mas será dever da oposição dizer sempre mal ou, como eu pensava que seria, também à oposição compete zelar pelos interesses do país que deveria colocar bem acima dos que sejam os seus interesses de poder?
Por exemplo, ouvi dizer, para justificar o péssimo negócio que o Governo fizera, que trocámos dívida com juros de 2% por dívida com juros mais elevados. Até talvez, não sei, porque de tanta dívida que há por aí, a maioria da qual vem do anterior governo de Sócrates que chegou a aceitou juros que ultrapassaram 7% (pelo menos foi o que, na altura, se noticiou…), não me deixa saber se foi esta ou outra a que entrou na estratégia da troca feita! Mas custa-me a crer que tenha sido aquela que resulta do dinheiro que a Troika nos emprestou. Esse assunto seria tratado com a própria Troika e não nos "mercados".
Então será de crer que seja essa que provocou aqueles “picos” que era preciso evitar? Será que o anterior governo PS, além de outros disparates grosseiros, nem soube prevenir esse pormenor ao assumir novas dívidas no processo de resgate que contratou? Ou, pelo contrário, terão sido aquelas que a sementeira de auto-estradas, por exemplo, fez crescer, os célebres SWAPS e outras que teriam sido bem evitadas, as que entraram no “negócio”?
Mas todas estas conjecturas pouco interessarão ao lado da guerrilha sem quartel que uma péssima, ambiciosa e incompetente oposição move a um Governo que também não é tão competente quanto o deveria ser para resolver os problemas de Portugal, em total prejuízo de todos nós.
Custa olhar esta guerrilha idiota, quando a força de todos seria o melhor para evitar aos portugueses tanta austeridade da qual, depois, todos se queixam. Contra o Governo, obviamente!
Parece-me, porém, que os maiores erros já foram feitos e que seria de, agora, evitar os que a oposição (e Mário Soares) lhe acrescenta e nos poderão trazer aborrecimentos muito maiores do que aqueles que já temos.
Mas se temos uma oposição que não vê senão o poder que ambiciona e não consegue dominar a ânsia de o assumir, como o poderemos esperar?
Resta-nos ir pagando os disparates que fazem os que se dizem preocupados connosco? Pelo menos enquanto pudermos ou formos, realmente, parvos.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

OPERAÇÃO DE TROCA DE DÍVIDA


Hoje, o Governo procedeu a uma troca de dívida de curto prazo por dívida a mais longo prazo, com a intenção de reduzir “picos” de pagamentos que gerariam, naturalmente, dificuldades de gestão financeira mais difíceis de superar. Sem esta suavização dos pagamentos pelos quais somos responsáveis, aumentar a austeridade seria inevitável ou teria como consequência um possível incumprimento que nos dificultaria ou impediria o crédito indispensável em momentos futuros.
O que o Governo acaba de fazer é, de algum modo, uma reestruturação da dívida que não altera o seu valor total nem as fontes de financiamento, suavizando os planos de pagamento que, deste modo, ficam mais uniformes e, por isso, mais suportáveis. Enfim, uma operação naturalmente conveniente e compreensível perante a necessidade de reduzir os picos de encargos que anteriores gestões provocaram.
Ouvi esta manhã, num daqueles programas abertos aos ouvintes, uma explicação inicial tão clara e simples sobre esta operação que me pareceu impossível que qualquer pessoa, com capacidade média de entendimento, a não compreendesse. Aliás, trata-se de uma estratégia simples que muita gente já utilizou nos seus financiamentos pessoais como na compra de carro, de casa ou outras coisas até.
Apesar disso, quando a palavra foi dada ao primeiro dos ouvintes, o que escutei foi, em tudo, igual aos argumentos de Jerónimo de Sousa, o secretário geral do PCP, que mais não são do que o que dá pelo nome de contra-informação, na qual a “verdade” é adulterada ou apresentada de um modo que, sem ser uma mentira total, conduz a conclusões completamente diferentes e erradas. Uma técnica muito usada por quem não tem soluções melhores nem capacidade para criticar, de modo sério, as que forem adoptadas.
É óbvio que esta operação relega para momentos futuros pagamentos que deveríamos fazer agora. Mas a crítica ignora ou, melhor dizendo, esconde que se trata de pagamento de dívidas que um passado descuidado acumulou de um modo errático, sem o cuidado de compatibilização com as capacidades previsíveis do país em cada momento, de encargos que as nossas disponibilidades tornam muito difíceis de suportar do modo como estão escalonadas. Mais do que isto, são a reclamação do prosseguimento de uma política leviana de endividamento que, num futuro já bem próximo, se tornaria insuportável de honrar e, por isso, causador de uma austeridade impossível de suportar.

AFINAL AS EMPRESAS DE RATING…


Não me restam dúvidas sobre a absoluta necessidade de limpar todas as dúvidas ou certezas sobre certas instituições que dominam o mundo da finança, sobretudo os gigantescos bancos que dominam os mercados a ponto de os influenciar do modo que lhes convém, assim como sobre empresas que analisam as “economias” e as classificam de modo a influenciarem os “mercados” também.
Enfim, estará a “economia” mundial dominada por uns quantos “gigantes” que a manobram a seu bel prazer, porventura sem a lisura e os escrúpulos de ética que lhes seriam exigíveis.
Não será uma pequena “economia” como a portuguesa que conseguirá furtar-se aos caprichos de tais entidades.
Nem sempre me pareceram justas certas decisões das chamadas empresas de “rating”, mais me parecendo serem influenciadoras dos mercados do que analistas do que do seu funcionamento resultasse. As suas informações aos mercados serão, por isso, duvidosas porque falhas do rigor que deveriam garantir.
Também a União Europeia pareceu entendê-lo assim, pondo em causa o rigor das suas análises e das suas conclusões, por falta de rigor, de isenção e de meios adequados, das quais terão resultado prejuízos graves para algumas “economias” europeias. Por esta razão, poderão tais empresas estar sujeitas a multas que, mesmo a acontecerem, jamais ressarcirão dos danos aqueles que os sofreram.
É natural que tais atitudes façam parte das “manobras” ilusórias de que esta economia em dificuldades se serve para retardar o colapso que, sem os cuidados que os equilíbrios necessários de restaurar impõem, por certo acabará por acontecer.
É, pois, cada vez mais urgente repensar o futuro desta economia que parece não ser capaz de recuperar da “doença” que a atingiu e de que modo deverá ser reanimada para que seja sustentável, em conformidade com os ciclos naturais dos recursos que lhe são indispensáveis.