ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

HÁ 3 ANOS QUE CAVACO SILVA FOI REELEITO

A propósito deste evento, ontem comemorado, diversas personalidades se pronunciaram sobre o desempenho de Cavaco Silva como Presidente da República. E como não podia deixar de ser, alguns reconheceram mérito na sua actuação outros não, assim como houve quem, simplesmente, reconhecesse a dificuldade de desempenho das funções de presidência da República em circunstâncias tão delicadas como as que acontecem. 
Houve, também, quem reconhecesse ser a sua actuação a que seria de esperar da sua obsessão pela estabilidade, o que contraria as reacções intempestivas que, na política, são mais habituais.
Foram recordadas algumas declarações menos felizes que teve ao longo dos seus mandatos, mas também foi realçada a sua insistência na “arrumação da casa”, o que parece importante nestes tempos de instabilidade e de tantas dúvidas quanto ao futuro.
Da minha parte tem o reconhecimento do mérito da insistência nos consensos indispensáveis ao sucesso numa situação como a que vivemos, bem como a sua iniciativa, também frustrada pela falta de entendimento dos políticos quanto à “crise” que se vive, de reflectir sobre o pós-Troika, sem dúvida a grande e fundamental questão que teremos para analisar e para resolver se é nosso propósito, esclarecer o futuro que podemos ter.
Mas o que mais despertou a minha atenção entre tantas declarações de que dei conta, foi esta expressão extraordinária de Freitas do Amaral: “Tenho pena que o Presidente da República se sinta obrigado a apoiar um governo que comete muitos erros, em vez de apoiar um governo que governe muito bem!”.
Se, em vez de insistir no pedido público para que o eleitorado “castigue duramente” estes governantes nas próximas eleições, ele dissesse qual é o tal governo que governaria muito bem…


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

HÁ NATURALIDADE NA COADOPÇÃO HOMOSSEXUAL?

Tal como quando se discutiu e decidiu a questão do casamento homossexual, também agora, a propósito da “coadopção”, voltam a ser discutidas questões que envolvem o conceito de “Família” e, até, de “Sociedade”.
Discutiu-se em Portugal, num passado recente, o significado de “casamento” que, tradicionalmente, significava a união legal entre um homem e uma mulher, condição indispensável para a continuação da espécie; discute-se, agora, se um par de homens ou par de mulheres pode ser a base de uma família e ter os filhos que, por uma intransponível razão natural, não podem ter.
Se, no caso do “casamento homossexual”, a questão pode ser colocada de um ponto de vista civilizacional, julgando-se como uma evolução positiva o reconhecimento legal de um “amor” que, naturalmente, exista, já no caso da coadopção se trata de uma questão de Natureza que uma disposição legal não pode, de modo algum, alterar.
Se a adopção por casais heterossexuais é um mal menor em certos casos em que crianças ficam sem o aconchego da sua família natural que é substituída por outra idêntica, já no caso de casais homossexuais a situação se altera, gerando uma situação que não reflecte a naturalidade da existência de uma espécie e a razão de ser da existência de uma família.
Assim sendo e para além das questões naturais que se colocam, parece-me tratar-se de alterar a realidade natural por via legal, afectando o conceito de família e, mesmo até, da sociedade como sempre a conhecemos.
Por isso, trata-se de uma alteração profunda sobre a qual a sociedade se deve pronunciar, até porque não dei conta de, em alguma eleição, ter sido votado qualquer programa que propusesse claramente tal alteração legal e, deste modo, transferisse para a competência da AR a decisão de aprovar ou reprovar a coadopção. Trata-se de uma alteração demasiadamente profunda sobre a qual a sociedade deve reflectir e, depois disso, tomar uma decisão.
Mas o problema existe e, mesmo sem coadopção, devem ser encontradas soluções para os problemas que colocam sem que seja pervertida a ordem natural que é a razão de ser da existência da Humanidade.


E SE O PS GANHAR AS ELEIÇÕES PARA O PARLAMENTO EUROPEU?

Deve “pedir, nessa mesma noite, eleições antecipadas”, diz Ferro Rodrigues, ex Secretário-Geral do Partido Socialista!
Não vejo o que uma coisa tenha a ver com a outra, tal como não teve nas eleições autárquicas por cuja vitória o PS clamou também, mas sem sucesso, pela antecipação de eleições para a Assembleia da República.
Aliás, quando o Governo em funções está a terminar, em conformidade com o que foi previsto no protocolo de resgate negociado pelo PS com a Troika, um programa de eliminação dos desequilíbrios financeiros acumulados ao longo de vários anos, mas profundamente agravados no anterior governo PS liderado por Sócrates, não faria sentido uma interrupção que colocasse em sério perigo a sua conclusão, sobretudo quando não há, em consequência da fragilidade financeira, alternativa à maioria das decisões tomadas para o conseguir.
É por isso que me parece mais do que razoável que o mandato deste governo seja cumprido até ao seu final, ainda que esteja convencido de que a actual maioria não conseguirá a vitória nas próximas eleições. E, sendo assim, será o PS a governar ou a dominar qualquer nova maioria que se forme, na qual, pelo que tem acontecido, não fará qualquer sentido que participem o PSD ou o CDS pois, tal como os socialistas proclamam, este governo deve acabar para que seja possível “inverter” as políticas de cortes e de austeridade que tem posto em prática.
De resto, que resultado seria o da “mistura” de dois programas antagónicos?
Por isso, estou convencido de que o PS, por ser o vencedor das próximas eleições, terá de governar sozinho ou coligado com forças ditas de extrema esquerda, o que teria o mesmo resultado da tentativa de misturar água com azeite, ou seja a desintegração do PS que tem, no seu seio, linhas de fractura que dificilmente resistirão às pressões de uma coligação entre sensibilidades antagónicas.
Além de tudo o mais, não me parece que os novos governantes possam vir a cumprir as promessas de reduzir a austeridade ou de reposição de situações que os “cortes” alteraram, com base nas quais vencerão as eleições, porque não será sustentável uma governação despesista própria de um programa de governo em tais propósitos inspirado.
Isto significa que não existem, no “xadrez” político actual, alternativas que garantam uma governação esclarecida e segura, tal como os portugueses necessitam para poderem viver um futuro melhor.

Mas serão os portugueses a decidir, porque serão eles a votar nas próximas eleições.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

QUESTÕES A QUE NÃO SEI RESPONDER…

          Há no mundo um pouco mais de sete mil milhões de habitantes, dos quais cerca de metade constituem a parte que não atinge ou pouco supera o limiar da pobreza.
É muita gente a que sente enormes dificuldades para enfrentar os problemas que a vida coloca, sendo que alguns nem o conseguem.
Quem não viu já muitas cenas de gente que apenas com muita dificuldade consegue o mínimo para sobreviver?
Quem não sabe que se morre de fome e de doenças facilmente tratáveis, em muitos locais do mundo?
Como explicar que haja países, como o Zimbabué por exemplo, cujo rendimento anual per capita seja da ordem dos 100 euros, a par de outros onde ultrapassa os 25.000?
Mais do que tudo isto, como explicar que e, apenas 85 fortunas pessoais haja tanto dinheiro como têm os três mil e quinhentos milhões de pessoas que são a tal metade da população mundial mais pobre?
Na figura, ainda que um pouco desactualizada, pode notar-se como os meios financeiros se distribuem no mundo, sendo os valores dos rendimentos per capita apresentados em dólares americanos.



           Quase sempre oiço o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa nos seus comentários dominicais e reconheço a sua grande capacidade de análise global e específica, mesmo que não concorde com ele bastantes vezes. É uma capacidade invulgar que já era evidente na página dois do Semanário Expresso, onde escreveu ao longo de muitos anos.
Contudo, não me pareceu brilhante a sua carreira política, na qual jamais atingiu o que as suas crónicas poderiam fazer esperar de alguém que parecia dominar todas as matérias e saber como actuar nas mais variadas circunstâncias.
Ontem surpreendeu-me ao considerar-se excluído da candidatura a futuro Presidente da República pelo “perfil” que Passos Coelho definiu como o seu preferido e assim vi reproduzido na Comunicação Social: “comportar-se mais como um árbitro ou moderador, movendo-se no respeito pelo papel dos partidos mas acima do plano dos partidos, evitando tornar-se numa espécie de protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou num catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político”.
E fiquei a pensar por qual daquelas características enunciadas se sentiu visado.
Não consegui ter a certeza de qual seria, mas há “carapuças” que apenas o próprio sabe que lhe assentam bem…


domingo, 19 de janeiro de 2014

QUAL REFORMA DO ESTADO?

A notícia de que um representante da Fazenda Pública do Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto foi apanhado a pedir 100.000 euros a um empresário, sendo a contrapartida deixar o Estado perder processos, trouxe-me à ideia tantos casos que a Comunicação Social tem revelado de burlas com que aquilo que é de todos nós é defraudado por alguns.
São tantos que nem de todos me posso lembrar nem a eles me referir com algum pormenor. Mas quantos milhares de milhões terão sido, assim, subtraídos às contas do Estado e nos obrigam a sacrifícios que podiam ser bem mais leves?
O Serviço de Saúde, por exemplo, tem sido lesado pelos mais soezes assaltos, em dinheiro, em material e em tempo que alguns, mas bastantes, dos seus servidores dedicam à suas coisas pessoais, retirando-o ao que são os seus deveres, pelo que, juntamente com o “espírito socialista” de gastar enquanto houver, o levou ao ponto de parecer que está a ser destruído quando, apenas, está a ser arrumado. Mas parece que pouco mudou ainda para o muito de que necessita mudar, porque os roubos continuam a acontecer. Gente de todas as classes profissionais que nele trabalham têm dado o seu repugnante contributo para a roubalheira de que tem sido alvo.
Juntando ao que é roubado ao Estado aquilo que, por ele, é dado sem justa razão de ser, em suplementos, em subsídios e em mordomias, porventura encontraríamos dinheiro suficiente para sairmos desta austeridade brutal que nos corta nos bens, na carne e na alma!
Onde estará uma reforma que dificulte definitivamente os roubos e acabe com os privilégios que coabitam com a miséria elevada de tanta gente neste país? Por onde andam os princípios morais que agora se confundem com permissividade e a destruição daqueles que me ensinaram ser os certos e, para além disso, criam realidades que a Natureza recusa, chamando-lhe progresso civilizacional?
Nunca ninguém falará de uma reforma que clarifique as coisas e recupere os nobres valores sociais, porque outras vias preferem os políticos para resolver os problemas de finanças que nunca atingem os que, por eles, são os mais culpados e tornam intocáveis os rendimentos dos que se julgam diferentes e mais dignos de os ter e conservar!
Eu perguntaria até, por qual razão, existem tais privilégios com que, descaradamente, o Estado distingue os cidadãos nas classes dos que decidem e dos que se conformam, dos que são pagos pelos que têm de trabalhar e estes que pagam sem se dar conta de como lhes é subtraído o que outros faz ricos demais.
E lembro-me do velho ditado que diz “quem parte e reparte e não guarda para si a melhor parte… ou é burro ou não tem arte!”
E nesta mudança periódica, à qual chamam alternativa democrática, dos que partem e repartem, se vão escoando os poucos valores que ainda possuímos e fazem multimilionários alguns dos pelintras de outros tempos.

Preferia bem mais uma reforma que tivesse como objectivo acabar com estas manigâncias que criam tamanhas desigualdades, as quais, parece-me, a Constituição não condena, do que aquela que Portas disse que faria mas não faz nem fará!


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O SOCIALISMO NA GAVETA

Hollande foi a esperança da via socialista na superação da “crise” quendo, em 2012, derrotou Sarcozy nas eleições presidenciais francesas. Finalmente, com ele chegava a alternativa pela qual Seguro clamava, mesmo sem a saber definir.
Fê-lo Hollande num programa eleitoral e de governo que, finalmente, iria marcar a diferença entre o que o governo de Passos Coelho fazia e, segundo Seguro, apenas promovia a pobreza e a recessão económica, e a via que a França iria seguir para evitar a austeridade e defender o Estado Social.
A vitória de Hollande tornava-se na prova da razão do PS português quando afirma haver alternativa à política de “cortes” que a Troika nos impunha e Passos Coelho, submissamente, aceitava.
Porém, o tempo apressou-se a mostrar a fraqueza da alternativa de Hollande e, com isso, a frustrar as expectativas dos franceses que, em maioria, o apoiaram, assim como as de António José Seguro que dele esperava a demonstração da razão de ser das suas críticas ao Governo e da exigência de eleições antecipadas.
Com a popularidade agora completamente desfeita e muito contestado pelos resultados alcançados com a política que adoptou, o presidente francês acaba por render-se à austeridade que quis evitar, com um plano de corte na despesa de mais de 50 mil milhões de euros entre 2015 e 2017.
Mas, tenho-o por certo, ainda assim não resolverá os problemas que a crise sistematicamente agudiza nem satisfará os que, com mais veemência do que aquela com que o elegeram, agora pedem o seu rápido afastamento.
Estes acontecimentos são a prova da incompreensão deste fenómeno a que se insiste em chamar “crise” mas que, cada vez mais, se revela como o “canto do cisne" de um sistema económico esgotado, tanto nos meios como nos seus propósitos.
Demonstram-no tantas incertezas e “certezas” desfeitas como o são as do próprio Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia que, pouco depois de afirmar que estava superada a crise do euro, ontem afirmou, na cerimónia em que recebeu o Prémio Carlos V que o governo espanho lhe atribuiu, que “ainda não saímos do atoleiro”!
E volta a questão do “atoleiro” do qual Guterres já falou há tanto tempo, quando se demitiu da governação de um país onde sempre se espera mais do que outros possam fazer por nós do que no nosso próprio esforço para o fazer.
É mais do que altura de pensar na solidariedade sem a qual não haverá futuro mas que, diz-se num estudo divulgado, diminui à medida em que se eleva o nível literário na sociedade.
Parece termos entrado num período de contra-sensos, no qual a evolução a que se chama “progresso civilizacional” tem efeitos negativos, porventura em consequência da descaracterização que faz do que seja próprio da natureza humana.
Outro socialismo será necessário, o da solidariedade, em vez deste que as dificuldades sempre levam a meter na gaveta! 


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O BULLYING COBARDE

A GNR investiga e não encontra sinais de bullying que justifiquem o suicídio do Nelson, um miúdo de 15 anos que, como diz a notícia “um jovem suicidou-se sábado à noite. Colegas lembram que sexta-feira foi deixado em cuecas no recreio da escola. Responsáveis desvalorizam, mas pároco da aldeia diz que sinais foram ignorados”! É estranho, agora que todos já dizem que o bullying existia por parte de uns quantos colegas, o que, parece, apenas a direcção da escola desconhecia e pais desatentos não notaram.
A GNR fala de uma “bola” que foi crescendo e teve como resultado o suicídio, uma conclusão estranha e rápida para a investigação das razões que levam alguém tão jovem a acabar com a vida.
Desvalorizar actos como deixar alguém em cuecas no recreio da escola, é uma irresponsabilidade imperdoável, sobretudo quando se trata de alguém com características de personalidade para as quais tal situação pode ser insuportável.
O bullying é isto mesmo, a insistência em atitudes que desmoralizam o alvejado, causando-lhe uma situação de humilhação e de desconforto crescente que pode tornar-se insuportável.
Por ser um fenómeno comum e frequente cujas consequências menos graves podem ser traumatismos profundos e duradouros em quem é alvo de bullying, este “crime” é demasiadamente grave para não ser objecto de cuidados especiais que o evitem o mais possível, devendo ser da responsabilidade da escola detectá-los e tomar as providências necessárias para o anular.
Por mais introvertido que seja quem sofre tais maus tratos, é impossível não o detectar em consequência dos seus efeitos.
Não podem os autores destas picardias maldosas, tenham a idade que tiverem, deixar de ser devidamente responsabilizados, como espero que aconteça neste caso, apesar das conclusões a que chegou a GNR a quem não deve competir fazer a investigação profunda que tais casos requerem.

Será que, mais uma vez, as coisas vão ficar por uma ladainha de lamúrias sem que nada de importante se faça para evitar os elevados prejuízos de tais “brincadeiras” que sentimentos de cobardia e de inveja de alguns transformam na arrogância desumana do Bullying?