ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

SEMPRE A CARROÇA À FRENTE DOS BOIS…

É estranho o modo como certas coisas acontecem neste país de distraídos, coisas que se revelam por acaso sem que, antes, alguém dê por elas, mesmo aqueles a quem não deveriam passar despercebidas.
Ao fim de mais de 800 anos de nacionalidade, as obras para construção de uma barragem no Rio Coa fizeram descobrir umas pinturas rupestres nas quais, até então, ninguém havia reparado! Foi como se tivesse saído a sorte grande aos arqueólogos deste país que jamais as tinham olhado, apesar de bem à vista! E tudo começou a girar à volta dessas pinturas que passaram a comandar decisões importantes. As obras foram paradas e a Região pensou que seria o seu momento de progresso, porque romarias de interessados ali se deslocariam para ver tais maravilhas. Mas, afinal, o alvoroço não deu em nada, a antiguidade de tais pinturas foi posta em causa e não me consta que a Região tenha saído do marasmo em que se encontrava! Quem fala a gora das pinturas rupestres do Coa?
Um outro dia, quando decorriam as obras para abertura de uma estrada, alguém reparou numa marca que bem poderia ter sido ali deixada por uma pata de dinossauro! Outro acaso feliz que fez o Professor Galopim de Carvalho dar pulos de contente e pedir que dali se afastassem outras ideias que não fossem a sua total preservação. E outro remédio não houve senão alargar os cordões á bolsa para parar umas obras e faze-las de outro jeito.
Foi ali na zona Oeste onde, agora, se descobrem marcas desses enormes animais desparecidos há mais de sessenta milhões de anos, quase a cada passo que se dá, talvez por obra e graça de um primeiro acaso.
Outras histórias idênticas poderia contar de coisas que, neste país, parecem cair do céu, já que ninguém se antecipa a procura-las. 
Mas vou de caminho para a mais recente de todas, as pinturas de Miró, um pintor surrealista catalão que terminou a sua carreira simplificando sinais gráficos e cores até as reduzir a pontos e a preto e branco, descobertas após a nacionalização do BPN, atitude com que o governo de então salvou da ruína muitos oportunistas financeiros e passou para a responsabilidade do povo os custos de tamanha generosidade.
A entidade encarregada da liquidação dos bens de tal bomba financeira que encheu os bolsos de muitos enquanto ajudou a esvaziar os nossos, encontrou diversos objectos de arte, entre os quais umas dezenas de quadros de Miró que, dentro das suas competências, decidiu incluir na operação de recuperação financeira a que era de sua conta proceder.
E assim começa uma confusão estranha e pouco dignificante para o país, com um leilão muito badalado internacionalmente cancelado à última hora pela “batalha” legal que um bem, até aqui totalmente desconhecido, acaba por gerar, dando de Portugal, uma vez mais, a imagem de uma terra de loucos!
E parece que nada mais tem qualquer interesse senão mais este “desmando” de um Governo que outros, porventura já engendrados, mal podem esperar para lhe ocupar o lugar, enquanto os enormes e graves problemas deste país continuam por resolver.
Por mim, de bom grado trocaria esses Miró pelo restauro de tanto património por aí ao abandono e que, esse sim, faz parte da autêntica cultura portuguesa.

Quando será que, em Portugal, deixa de andar a carroça à frente dos bois e as coisas acontecem como é natural que aconteçam?


“A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA” (Fernando Pessoa)

Pelo que me tenho dado conta, são cada vez mais os que acabaram por entender o erro enorme que foi a precipitação do governo português ao fazer entrar em vigor, na Administração Pública e no sistema de ensino, um Acordo Ortográfico muito e seriamente contestado, cujo período de transição ainda nem acabou. Fê-lo sem que qualquer dos demais países signatários o tenha feito, nos quais, aliás, muitas dúvidas e contestações se levantam, tal como acontece entre nós.
A antecipação precipitada que corresponde a quatro anos e nove meses para a Administração Pública e a cinco anos para o sistema de ensino, relativamente ao prazo estabelecido para transição, poderá corresponder a custos inúteis e a custos ainda maiores de alteração do erro cometido, para além da enorme confusão gerada, se, como esperamos, o acordo vier a ser revogado ou, pelo menos, ajustado numa nova proposta que mereça a aceitação que este não mereceu.
A atitude incompreensível e precipitada do Governo deu a ideia errada de ser obrigatório o uso do AO, pelo que, nesta altura, em Portugal existem duas ortografias que dão aso à ridícula situação de que cada escolher a que prefere ou entenda dever usar!
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO) foi assinado em 1990, por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal e S Tomé e Príncipe, mas não foi ractificado por todos os países, o que impediu a sua entrada em vigor.
Foi já em 2004, depois da sua independência que Timor Leste aderiu, ao que já era o segundo Protocolo Modificativo do Acordo assinado, além da Galiza, como observadora.
A natureza do acordo celebrado desde sempre gerou fortes e fundadas oposições de linguistas, filólogos, professores, escritores, jornalistas e, de um modo geral, de todos aqueles que preferem o português bem escrito àquele que razões escusas possam ditar, porventura políticas até (!) ou outras, qual delas a mais ridícula, como ouvi algumas pessoas defender.
Conceituados especialistas e muito mais gente preocupada com o que considera ser um atropelo sem nome à Língua Portuguesa, mantêm as suas críticas, apontando defeitos diversos, ambiguidades, inutilidades, decisões sem sentido, razões técnicas e jurídicas às quais acrescentam, mesmo, questões de inconstitucionalidade.
Uma “Petição para desvinculação de Portugal ao Acordo Ortográfico” fez voltar a questão à Assembleia da República onde fora aprovado em 2008, sendo agendada a sua discussão para Dezembro de 2013, a qual foi, contudo, adiada em consequência da apresentação de um “projecto de resolução”, nos termos da Lei do Direito de Petição.
Será, porventura, nos primeiros meses de 2014 que a discussão acontecerá, tendo os partidos representados na AR já dado conta de intensões diversas que vão desde a revogação simples ao estudo de um novo acordo.
Apraz-me aqui realçar o trabalho incansável de tanta gente que tem lutado para evitar que um disparate sem nome perdure, em particular e por exemplo, os trabalhos e as intervenções dos docentes de Direito, Drs Ivo Miguel Cardoso e Rui Miguel Duarte, a quem agradeço em nome dos leitores deste “jornal de gaveta”.
Espero que, na Assembleia da República, com bom senso e, num raro momento de total clarividência de que não tem mostrado ser capaz em diversas situações do mais elevado interesse nacional, sejam tomadas as decisões adequadas à resolução de um problema grave, inutilmente criado.



domingo, 2 de fevereiro de 2014

UM FRACASSO CHAMADO SÓCRATES

Por vezes não consigo deixar de ouvir Sócrates naquelas arengas que faz na TV pública cujos custos todos ajudamos a pagar, onde lhe dão a oportunidade de, semanalmente, tentar limpar-se das porcarias que fez nos seus governos, sobre as quais não restam quaisquer dúvidas.  Raramente Sócrates tem algo mais para dizer do que arranjar explicações ou desculpas para aquilo de que, com toda a justiça, o acusam, sobretudo a gestão despesista que fez e a série de casos obscuros que gerou, assim como tentar reabilitar o decadente socialismo que de socialismo, afinal, já nem a aparência tem.
Aliás, diz-nos uma visão geral do que se passa na Europa, onde os partidos socialistas não estão a passar um bom momento, porque cada vez menos gente lhes reconhece as virtudes que dizem ter, que é outro o tipo de gestão de que uma sociedade mais justa e equilibrada tem necessidade.
Hoje, Sócrates falou da despesa que foi a compra dos submarinos e das vezes que, ao longo dos seus governos, ouviu Paulo Portas exigir mais despesa, como se uma coisa ou a outra pudessem constituir razão para o aumento enorme de dívida pública que provocou, em consequência de despesas das quais tanto se gabou!
A nossa dívida pública estava, no início dos seus governos, em cerca de 60% do PIB, por isso ao nível do que se considera razoável e, por isso, não criava problemas de crédito nos mercados, o que passou a acontecer desde quando o excesso dos seus gastos a fez ultrapassar os 100%.

Ainda não entendi, pois, o interesse da direcção da RTP em prolongar o fracasso que a realidade já mostrou serem os comentários de José Sócrates, incluindo os decréscimos das audiências que, com ele, esperavam aumentar.


O CICLO DEMAGÓGICO E A MALDIÇÃO DOS MERCADOS

A realidade mostra que, na História do socialismo e do seu modo próprio de manipular paixões, os gastos excessivos necessários para dar ou consentir o que a realidade não consente, sempre acabam por ter de ser compensados por uma austeridade qualquer cujos duros e nefastos efeitos são, depois, atribuídos aos que têm a ingrata missão de os controlar. É a velha questão que a História regista como a “morte do mensageiro” que não altera a realidade da notícia que, simplesmente, trouxe.
É assim que acontece com tanta gente que com a realidade nada aprende, mas da qual tiram partido os que, de novo com promessas que não podem cumprir, voltam à disputa do poder que facilmente podem conquistar com os votos dos que já esqueceram as razões pelas quais sofrem.
A História do mundo e, mais de perto, o que sucedeu já por três vezes em Portugal após o 25 de Abril, com resgates financeiros a que devaneios socialistas obrigaram, dá razão à ex-primeira ministra israelita Golda Meir quando afirma que “o socialismo existe enquanto dura o dinheiro dos outros”. É uma verdade que a História não desmentiu ainda.
O que se passa em Portugal é a prova de duas coisas que, de tão repetidas, todos deveríamos ter sempre bem presentes. Uma delas tem a ver com a memória curta que temos do que acontece e nos leva a procurar no presente as causas que, inevitavelmente, se encontram no passado. A outra é uma tendência que, qual tentação do abismo, nos leva a acreditar nas falinhas mansas que já nos enganaram mas têm o poder de abafar a voz da razão que jamais deveríamos calar.
Prometem-nos o Céu sem penitência e, naturalmente, é esse o céu que desejamos, porque as penitências são duras de pagar, tornando-se, por isso, mais forte a tentação. É deste modo que o inferno se insinua e, descuidados, nele caímos sem qualquer forma de redenção que não seja um duro sofrimento.
O arrebatante discurso dos profetas da abastança soa bem a qualquer um que tenha dificuldades e pouca força para as vencer. Por isso, quando eles falam das suas promessas de nos darem um futuro melhor, mesmo sem jamais tornarem compreensível o modo como farão acontecer as coisas boas que prometem, são tidos pelos salvadores das próprias desgraças que causaram, em vez de os charlatães que já, por outras vezes, nos enganaram. Esconjuram os “discurso da tanga” dos que aconselham a prudência de que o socialismo não é capaz e arrebatam os ambiciosos e os desprevenidos que, enganados, vão nas suas cantigas. E o ciclo repete-se, voltando, mais cedo ou mais tarde, o momento em que alguém haverá de limpar a “porcaria” que fizeram.
Mas, nesta altura, a questão coloca-se com muito mais gravidade, com consequências inevitavelmente mais trágicas, porque o dinheiro dos outros deixará de existir bem mais rapidamente do que por outras vezes já aconteceu.

É a maldição dos mercados.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O FUTURO DA RTP

Há quanto tempo se diz que a RTP precisa de mudar, pois não pode ser aquele sorvedouro de dinheiro que sobrecarrega os cidadãos deste país.
Muda isto e muda aquilo, mas nada consegue meter na ordem este gigante que, mesmo assim, não consegue, sequer, aproximar-se do líder de audiências que, valha-nos Deus, tem uma programação cada vez de mais baixo nível.
Por isso não fico admirado quando Alberto da Ponte, director da RTP, afirma, numa entrevista ao Diário de Notícias que “continuo a ver na RTP profissionais que trabalham 13 a 14 horas por dia e continuo a ver na RTP profissionais que não trabalham puto", acrescentando que "isso é uma situação que tem de ser corrigida e vai ser corrigida através de uma avaliação que vai ser feita".
Em quase todas, ou mesmo em todas as grandes empresas há quem se “esconda” do trabalho e, deste modo, nada ou muito pouco faz. É uma regra que não vale a pena negar. Todos sabem que é assim, mas todos julgam ser seu dever de camaradagem, fingir que é mentira!
Por isso, Alberto da Ponte “não descobriu a pólvora”, tal como não é nada de estranhar a reacção da Comissão de Trabalhadores que considera inéditas as declarações do presidente da estação” e vai reunir-se hoje para debater uma posição concertada. Vai, com certeza, ser uma posição diferente de todas as outras que, por mais novas formas de luta que sejam, sempre acabam na “inédita” greve!
Inédito seria que, reconhecendo a brutal disparidade entre os custos da empresa e o que ele produz, os trabalhadores reconhecessem que teriam de lutar por ela, de se esforçar mais para a tornar capaz de cumprir os seus propósitos, justificar as suas remunerações ou, até, mesmo, melhorá-las!
São as tretas do costume que me fazem descrer da seriedade com que certas coisas se fazem, sobretudo quando os trabalhadores lutam pelos seus direitos, por aqueles que, realmente, têm.
Mas que não se esqueçam das oportunidades perdiadas, dos muitos que ficaram sem trabalho em consequência destas fantasias revolucionárias que nunca dão bom resultado.
Melhor será olhar, mesmo, para a verdade.
Há quanto tempo se diz que a RTP precisa de mudar, pois não pode ser aquele sorvedouro de dinheiro que sobrecarrega os cidadãos deste país.
Muda isto e muda aquilo, mas nada consegue meter na ordem este gigante que, mesmo assim, não consegue, sequer, aproximar-se do líder de audiências que, valha-nos Deus, tem uma programação cada vez de mais baixo nível.
Por isso não fico admirado quando Alberto da Ponte, director da RTP, afirma, numa entrevista ao Diário de Notícias que “continuo a ver na RTP profissionais que trabalham 13 a 14 horas por dia e continuo a ver na RTP profissionais que não trabalham puto", acrescentando que "isso é uma situação que tem de ser corrigida e vai ser corrigida através de uma avaliação que vai ser feita".
Em quase todas, ou mesmo em todas as grandes empresas há quem se “esconda” do trabalho e, deste modo, nada ou muito pouco faz. É uma regra que não vale a pena negar. Todos sabem que é assim, mas todos julgam ser seu dever de camaradagem, fingir que é mentira!
Por isso, Alberto da Ponte “não descobriu a pólvora”, tal como não é nada de estranhar a reacção da Comissão de Trabalhadores que considera inéditas as declarações do presidente da estação” e vai reunir-se hoje para debater uma posição concertada. Vai, com certeza, ser uma posição diferente de todas as outras que, por mais novas formas de luta que sejam, sempre acabam na “inédita” greve!
Inédito seria que, reconhecendo a brutal disparidade entre os custos da empresa e o que ele produz, os trabalhadores reconhecessem que teriam de lutar por ela, de se esforçar mais para a tornar capaz de cumprir os seus propósitos, justificar as suas remunerações ou, até, mesmo, melhorá-las!
São as tretas do costume que me fazem descrer da seriedade com que certas coisas se fazem, sobretudo quando os trabalhadores lutam pelos seus direitos, por aqueles que, realmente, têm.
Mas que não se esqueçam das oportunidades perdiadas, dos muitos que ficaram sem trabalho em consequência destas fantasias revolucionárias que nunca dão bom resultado.

Melhor será olhar, mesmo, para a verdade, porque precisamos de uma RTP que cumpra os seus objectivos e dignifique Portugal. É no alcance destes propósitos que os trabalhadores são indispensáveis.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A MINHA EXPERIÊNCIA DE PRAXES

Começo por dizer que me repugnam os procedimentos praxistas exagerados que, mesmo distantes dos que já foram causa de dramáticas consequências, envolvem humilhações e outros abusos que, digam o que disserem, jamais podem ser indispensáveis à integração dos novos alunos nas comunidades académicas.
Obviamente, tive as minhas experiências de integração, a primeira das quais foi aos 10 anos, quando, pela primeira vez, me afastei dos meus pais e da minha casa para poder fazer o Liceu, na Guarda, uma cidade com fortes tradições académicas, inspiradas nas de Coimbra.
Os estudantes eram a animação daquela cidade com os seus procedimentos atrevidos e irreverentes mas alegres que, muito raramente, excederiam o que era socialmente aceitável, como me parece próprio de quem atinge um certo nível educacional.
A praxe de integração, para além das “reverências” a que os veteranos tinham direito e, consequentemente, os caloiros tinham de lhes prestar, não era mais do que o ali famoso “baptizado dos caloiros”.
Numa longa procissão de miúdos envolvidos em lençóis, dirigíamo-nos à “dorna”, onde tinha lugar a cerimónia que consistia em lançar água sobre o caloiro, mais ou menos intensamente consoante a apreciação que dele tivesse sido feita ou da protecção que o “padrinho”, um veterano, lhe pudesse dar. Em casos extremos, mas raros, poderia o caloiro, recalcitrante ou mais participante, ter direito a um banho por inteiro, o que não era muito agradável no tempo frio que, na altura, por lá fazia.
Toda a cidade apreciava esta prática e o dia era de festa.
Uma ou outra rapadela de cabelo, embora raramente, podia ser o castigo de um caloiro encontrado na rua fora de horas!
Vim, depois, para Lisboa onde, então, se não usavam trajes académicos e, com bastante pena, tive de arrumar a minha “capa e batina” de que tanto gostava. Mas ainda conservo, algures, a colher de pau que se usava naqueles dias especiais, engalanada com as fitas que eram oferecidas por pessoas especiais também.
Em Lisboa, a integração fazia-se nos famosos bailes de caloiros que sempre se realizavam, com alguma imponência, em lugares amplos e bem conhecidos. Eram muito concorridos e neles aconteciam encontros e se faziam amizades, algumas bem duradouras.
Lembro-me que foi num desses bailes que eu ouvi, pela primeira vez e na voz de Mário Fernando, a "canção do mar" que, muito tempo depois, Dulce Pontes fez renascer.
Depois, foi o final do curso com o famosíssimo Baile de Finalistas que, no Instituto Superior Técnico, assumia uma pompa que o tornava num acontecimento social relevante, porventura o mais famoso de Lisboa.
AS praxes de integração a que fui sujeito, nada tinham a ver com rituais secretos e abusivos e não creio que, por isso, não fossem adequadas a uma integração total na nova comunidade de que passava a ser membro.
Naturalmente, os procedimentos alteram-se, sofrem mudanças que temos de aceitar. Mas que vão ao ponto a que já chegam em alguns casos, que impliquem a possibilidade de ofensas graves à dignidade e á integridade física das pessoas que, por vezes, têm lugar, é que me parece não fazer qualquer sentido.
Não sei pormenores do que se terá passado na Praia do Meco e que, estupidamente, ceifou a vida a seis jovens. Mas tudo aquilo que já se conhece me faz pensar em coisas estranhas, em procedimentos macabros que nenhuma praxe deve comportar.

A vida académica é um período da vida muito especial, no qual me parece fazerem pouco sentido práticas que não correspondam à alegria de viver.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

GATO ESCONDIDO…

É evidente que os “cortes” a que a situação financeira de Estado Português chegou obriga, são difíceis de suportar nas reduções dos salários e das pensões e, por isso, é urgente reorganizar o país e trabalhar cada vez mais e melhor, tal como proceder às reformas necessárias que, o mais rapidamente possível, permitam suavizar a austeridade que os dita.
Repartir, equitativamente, por todos, o esforço necessário para superar esta situação é a solução a que ninguém se deve furtar, muito menos as entidades públicas que deveriam ser garante de uma política de repartição justa do esforço pedido a todos nós. Mas em vez disso, invocando esta ou aquela razão, há casos em que tal não acontece e, por vezes, de um modo surpreendente como me parece ser o caso, hoje noticiado, da compensação com um dia de folga por mês a todos os 571 funcionários da Câmara Municipal de Tomar.
Mas o que, à primeira vista, parece ser uma atitude louvável, não passa, porém, de uma demonstração da falta de planeamento e de organização de que resultam os gastos excessivos que, somados em milhares de organismos, são causa dos problemas que vivemos.
Senão vejamos: partindo do princípio que esta “compensação” não vai criar problemas nos serviços da autarquia que, assim, continuarão a funcionar normalmente, pois o contrário tornaria absurda a decisão de a conceder, só pode concluir-se que há, nesta estrutura municipal, 25 funcionários em excesso!

O que os políticos fazem para se tornarem populares e conquistarem a simpatia dos eleitores…