ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 5 de março de 2014

SAÍDA À IRLANDESA?

O modo de sair deste processo de tutela financeira que está a ser o “resgate” a que os excessos do passado nos conduziram, tem sido motivo de confronto no combate ridículo e prejudicial para todos nós, em que o PS enfrenta o Governo. Se este diz assim logo o outro diz assado, como se as difíceis decisões que numa situação complicada como a que vivemos há que tomar, o pudessem ser pelo processo de moeda ao ar ou em jeito de birra!
Mas, sobretudo agora, quando o Governo afirma que uma decisão apenas será tomada mais tarde e, nem sequer, descarta a possibilidade de um programa cautelar, o PS que antes defendera tal programa, diz, agora, que uma saída não “limpa” será a prova definitiva do falhanço das políticas adoptadas.
Isto eu não considero discussão política séria. Tampouco a considero discussão porque não passa de oportunismo político que vai tomando a forma que, nas circunstâncias, mais convier.
É esta falta de rigor do PS que me faz recear o futuro que ele, muito provavelmente, vai gerir se ganhar as próximas eleições legislativas, sem cuidar de olhar em volta para compreender as cambiantes que devem condicionar as decisões que, a não ser assim, serão fatalmente erradas.
A propósito da “saída à irlandesa” que, para o PS, é prova inequívoca de sucesso, achei muito interessante registar aqui o que o Jornal de Notícias dá hoje conta sobre o que se passa com as economias europeias. A notícia publicada começa assim “A Comissão Europeia colocou, esta quarta-feira, a Irlanda sob vigilância reforçada devido a desequilíbrios macroeconómicos excessivos verificados no país que acabou de sair do programa de assistência da troika”.
Mais adianta a notícia que “A CE apontou esta quarta-feira, no âmbito do "mecanismo de alerta de desequilíbrios macroeconómicos", 17 Estados-membros cuja situação merece "análise aprofundada": Alemanha, Bélgica, Bulgária, Croácia, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Hungria, Itália, Irlanda, Luxemburgo, Malta, Suécia e Reino Unido”.
Isto, a par do que diz o FMI que não exclui a necessidade de novas medidas de austeridade porque “a crise ainda não terminou”, leva a crer que têm razão os que dizem não se tratar de uma crise mas de um fim de ciclo na economia mundial, o que, naturalmente, exigirá outros tipos de atitudes e de intervenções.
Além do mais, começa a quebrar-se o frágil verniz com que têm tentado fazer-nos crer que a paz no mundo seria duradoura!


O ISOLAMENTO TEIMOSO DE SEGURO

Causa-me tristeza, mas não admiração, que Seguro ande por essa Europa fora numa autêntica cruzada de procura de parceiros de desgraça, junto dos quais coloca Portugal nas ruas da amargura, dando dele a imagem de um país vencido e do qual só ele pode ser o salvador!
Fizera o mesmo quando Hollande fez vencer “novas” ideias para mudar a França e a Europa também, ideias que Seguro dizia serem aquelas com que queria mudar Portugal, fazendo do sucesso do seu amigo socialista francês a garantia do que, em Portugal, em breve, iria acontecer. É pena que a desgraça do seu mentor o não tenha feito reflectir melhor…
Agora, limitado às ideias cujo alcance não ultrapassa o reduzido mundo das suas ambições políticas pessoais, Seguro continua a procurar, fora do seu país e longe da sua gente, os apoios de que necessita para as concretizar, em vez de se unir aos que, com o seu partido, fariam o país mais forte, capaz de encontrar o seu caminho, tarefa que requer o esforço de todos nós.  
Seguro e o “seu PS” excluem-se, reiteradamente, do seu dever de ajudar a pensar Portugal nesta hora de viragem que não pode ser perdida porque é a hora de fazer de Portugal um lugar privilegiado na ligação da Europa com o Novo Mundo que ajudou a descobrir.
Se Portugal foi a porta para ligar o Velho ao Novo Mundo, deverá continuar a sê-lo na hora de retomar e robustecer uma ligação indispensável para a Europa, porque tem todas as condições para o ser, incluindo o apoio financeiro da UE que uma “maioria política alargada” poderia tornar maior.
Em vez disso, Seguro prefere o isolamento interno e foi, desta vez, mais claro ainda, definitivamente claro na declaração das suas ambições, falando dos “novos actores” de que o país precisa para por em prática novas políticas. Mas quais?
São a visão míope do curto prazo a que o insustentável princípio da obrigatoriedade da alternância democrática obriga, porque não permite o planeamento do futuro, e a ignorância da realidade de um mundo diferente, as causas da visão romântica do passado em que Seguro baseia o seu projecto que, de modo algum, se encaixa no presente e, menos ainda, no futuro que o passar do tempo fez exigentes de procedimentos realistas.
Não é, pois, o futuro de Portugal o que preocupa Seguro. É o seu futuro político o que o faz excluir-se de um processo histórico que, com ele ou sem ele, bom seria que se não perdesse.


terça-feira, 4 de março de 2014

O 25 DE ABRIL, SOARES E A DEMOCRACIA ANQUILOSADA

Ainda o tempo não passou o bastante para que a História tenha uma visão clara e desapaixonada do 25 de Abril. Um dia a sua história será contada e ficarão claros os motivos, os objectivos e os meandros de uma “revolução” que, tenham sido eles quais forem, teve o mérito de destituir um regime opressivo.
Em História, quarenta anos é um pequeno instante durante o qual não esfriaram, de todo, as paixões que distorcem a realidade. Daí a História precisar de distância e tempo para ver melhor. Decerto por isso, a juventude que não viveu o 25 de Abril o resume a umas poucas ideias feitas e a chavões herdados do PREC que não explicam claramente o que se passou e os seus porques.
Mas, apesar disso, quarenta anos são tempo bastante para que a Democracia valha por si própria e se faça aceitar pela sociedade, sem necessitar de muletas nem de padrinhos que a imponham. Apenas deste modo a Democracia será uma realidade que o tempo aperfeiçoa e mantém.
É altura de a Democracia valer por si e ter forças para se libertar das amarras dos que a aprisionaram e, deste modo, pretendem ser seus donos e seus mentores. Esta apropriação é uma consequência normal das revoluções que, quando se não livram do cordão umbilical, acabam por ser mal sucedidas.
Como, por vezes aqui já escrevi, a Democracia em Portugal continua refém de preconceitos que a impedem de olhar com mais clareza a realidade que é, hoje, bem diferente da de há quarenta anos. Por isso continua eivada de conceitos já impróprios da realidade que vivemos e, por isso, causadores de muitos dos dissabores de que nos queixamos.
A Democracia terá de ser, sempre, a garantia dos direitos humanos, a resistência incansável às opressões que contra eles se possam levantar, o que só  é possível se as suas regras se ajustarem à realidade em vez de serem impostas por preconceitos ou princípios requentados que, com o tempo, deixaram de fazer sentido.
Por tudo isto, sem sentido me parecem as críticas de Mário Soares, para quem o programa das comemorações do 25 de Abril “…. Nunca se refere aos militares do MFA, nunca os cita, apesar de terem sido eles – e mais ninguém – quem nos deu o 25 de Abril. (…) É tudo e parece não ser nada. Mas é. É tudo contra o 25 de Abril”.
É, quanto a mim, um mau entendimento destas coisas ter mais em conta como começaram do que como prosseguem e se ajustam à realidade para que, em cada momento, sejam alcançados os objectivos propostos.
Esta Democracia, tal como a concebe Soares é, simplesmente, uma democracia anquilosada, desajustada dos tempos que vivemos e das soluções capazes de resolverem os problemas que enfrentamos.
Os regimes que a Democracia destronou apenas esperam que ela adormeça para a destronarem, também.



segunda-feira, 3 de março de 2014

O MUNDO ÀS AVESSAS

É inútil tentar disfarçar a total incapacidade para consertar esta economia degradada. Passou tempo demais sem melhoras significativas e estáveis. As que se sentem não vão além do alívio temporário que uma aspirina pode dar, enquanto o mundo continua a ser consumido pelo mal de que sofre, porque as suas reduzidas reservas de anticorpos já não conseguem conter a progressão de uma doença que disparates consecutivos parecem piorar.
Pode o desespero levar alguns a acreditar que as facilidades de outros tempos poderão acontecer de novo, que, uma vez mais, será o Homem capaz de encontrar alternativas àquilo que vai exaurindo ou, como dizem os que tudo perderão com o colapso que se esforçam por disfarçar, que a “economia” já está a responder, a tirar-nos do buraco em que caímos. É mentira porque esta “economia” não passa de uma distorção grosseira daquele conceito simples do aproveitamento e da gestão do que, pelo trabalho, deveria estar ao alcance de todos, mas que o amor ao dinheiro perverteu.
Este mundo em que as impressoras de papel moeda produzem mais “riqueza” do que o arado que revolve a terra, as mãos que nela lançam as sementes, que controlam máquinas nas fábricas ou manejam as redes de pesca no mar, pode ter inspirado o criador do Tio Patinhas mas não deve inspirar a Humanidade que se destrói com a pilhagem que faz da Natureza da qual, em vez de dono, não passa de uma pequena parte. Não passa, assim, de uma via de autodestruição aquela pela qual a “economia” falida procura a sua recuperação.
O nervosismo alastra e, um pouco por toda a parte, revoltam-se  e reclamam os seus direitos os que mais carências sentem e desesperam dos “milagres” prometidos que, pelos vistos, já não há “socialismo” que consiga fazer, como os não farão os nacionalismos exarcebados que uma solidariedade global enganosa parece fortalecer.
Não se encontra a solução nesta “civilização” condenada pelos resultados que alcançou e podem lançar o mundo numa confusão como, há muito, não estamos habituados.


COMO VAI SER O FUTURO MUITO PRÓXIMO?

Quando, há alguns dias, aqui escrevia perguntando se “a nova guerra vai ser fria ou quente”, naturalmente pensava na situação que, então, se vivia na Ucrânia, a qual, como seria de esperar, reavivou o confronto de interesses que, afinal, nunca deixou de existir entre o Oriente e o Ocidente.
No ideal de muitos russos continua viva a União Soviética, a experiência comunista em que, como em qualquer regime, mas mais sentido nos mais dominadores, são uns servidos pelos demais que servem, acumulam uns o que a outros é explorado. E como não existem mordomias sem mordomos, o drama começa quando estes se querem tornar senhores também!
Não creio que continuem a existir as mesmas ânsias de domínio territorial de outrora. Na vez da subjugação física que, em nome da liberdade, se condena, surgiram outras formas sinistras de dominação que, iludindo as regras de convivência e de direito que normas internacionais impõem, subjugam ainda mais sem, contudo, parecer desrespeitá-las.
O que se passa na Ucrânia onde, na Crimeia, terra de tártaros que os russos deportaram e onde estabeleceram já uma “testa-de-ponte”, é um conflito que pode destruir o frágil equilíbrio que a ONU, a muito custo, foi conseguindo manter ao longo de anos, sempre na base de pressupostos como este que diz que na Ucrânia “manda” a Rússia.
Sem que qualquer tratado ou acordo o firmasse, a divisão territorial continua vigente, cada parte com a sua área natural de influência.
E vai ser muito complicada a saída para este conflito que opõe a vontade de libertação de um povo do domínio tradicional de outro, sem que dele possa alhear-se a parte que os ucranianos escolheram para nela se integrarem. 
É o acabar de uma lei invisível que, em nome da “paz”, tem sido aceite, mas que subjuga povos até aos limites da sua capacidade de sofrimento.
Nos casos indecisos, a regra costuma ser a de quem chega primeiro. E na Crimeia, os russos já lá estão!
Mas ainda a procissão vai no adro que, porém, começa a ser pequeno demais para tantos que querem pegar no “andor”!
As regras da permissividade estão postas em causa e penso que muita coisa vai mudar a partir de agora.


domingo, 2 de março de 2014

A PROPÓSITO DA TÃO APREGOADA DESTRUIÇÃO DO SNS

No dia 2 de Julho de 2010, Governava o PS o país, eu escrevia assim, sobre o modo como via as coisas acontecerem e também via o país preocupado com o acabar de um tipo de vida que bem lhe soube mas que começava a ter por certo que teria de amargar muito em breve!
Nessa altura, não dizia o PS que estava a destruir os Serviço de Saúde onde fazia profundos cortes, enquanto, por outro lado, insistia em infra-estruturas para cuja construção o país não dispunha de meios financeiros bastantes e, por isso, aumentariam mais ainda a enorme dívida que o governo já havia cumulado.
“É notória a intenção do Ministério da Saúde para reduzir significativamente as despesas com a saúde. É pena que, em certos casos, o faça sem os cuidados necessários para não prejudicar os doentes, tomando atitudes à revelia dos profissionais de saúde e das situações dos doentes como acontece, por exemplo, ao alterar datas de consultas e de outros actos sem qualquer critério médico, numa atitude lesiva dos direitos dos cidadãos.
Falta o dinheiro em Portugal, circunstância que impõe critérios para reduzir gastos. Certamente! Mas, perante o descontrolo das despesas do Estado em muitos domínios como as que resultam de meios excessivos em certos Órgãos de Soberania, da existência de instituições dispensáveis ou susceptíveis de serem redimensionadas, de benefícios excessivos pelo desempenho de certas funções, entre outros, como justificar esta economia cega na saúde dos portugueses?
Neste confronto, é igualmente incompreensível a insistência no vultuoso endividamento a que algumas infra-estruturas por muito contestadas vão obrigar mas dos quais Sócrates e os seus ministros das Obras Públicas não prescindem, apesar do acréscimo sucessivo dos juros que lhe correspondem.
A dívida externa portuguesa atingiu valores excessivos que mais do que duplicaram nos últimos anos e levam as instituições financeiras a colocar reservas sobre a capacidade de Portugal para cumprir com os respectivos compromissos. Esta é, aliás, uma das principais razões da dimensão da crise financeira em Portugal.
Apenas para falar em coisas menores e até ridículas perante a dimensão dos problemas que se nos colocam, as despesas com arranjos florais nas instalações do Estado e muitas “despesas de representação” chegariam para satisfazer as necessidades básicas de muitos dos cada vez mais numerosos pobres, além de correspondem a um fausto incompatível com o baixo nível de vida no país!”

Esta é a memória que eu desejei preservar ao escrever este “jornal de gaveta” onde vou guardando factos e sensações que o tempo e os políticos nos vão querendo fazer esquecer mas que é bom ter bem presentes em hora de decidir, naqueles momentos em que o povo volta a pensar que tem o poder que entrega, "livremente", àquele que melhor o manobrou!




sábado, 1 de março de 2014

É SEMPRE BOM RECORDAR...

Em Junho de 2010, em pleno “consulado” de José Sócrates, eu escrevia nestas minhas reflexões: “Para além de um PEC – Plano de Estabilidade e Crescimento – que de estabilidade e crescimento nada tem porque não passa de um pacote de medidas que aumentam as contribuições dos cidadãos para fazer face a uma despesa pública que não pára de crescer, diversas medidas avulsas vão reforçando o controlo do Estado que, deste modo, se vai tornando num repugnante a fascizante “Big Brother”.
Em consequência, temos um país cada vez mais dividido entre o que os cidadãos sentem no seu dia a dia e as “convicções” do governo traduzidas em declarações falaciosas e sem confirmação que já passaram por sermos o país com melhores condições para resistir à crise, por sermos o campeão europeu do crescimento económico, por conseguirmos reduzir a pobreza e o desemprego, entre outras “patranhas” cada vez menos convincentes.
O pior é que a estas iniciativas do governo, cada vez mais incoerentes, não contrapõe a oposição atitudes firmes para as impedir.” 

É estranha a falta de memória de tanta gente que hoje critica o Governo PSD/CDS exactamente como, outrora, criticava o do PS, desejando voltar a um “antigamente” que agora julga de sucesso.
Mas esta história teve um final bem diferente, que foi a queda no abismo da quase bancarrota, bem diferente da estória que contam os socialistas que, em vez disso, culpam o governo de Passos Coelho pelo que teve de fazer para amenizar as desgraças que um governo PS provocou, para firmar as bases da construção de um futuro melhor.
Não acredito na falta de memória dos políticos, mas não posso deixar de notar a falta de memória dos que, enfraquecidos pela austeridade que foram obrigados a viver, caem no ardiloso engodo dos que apenas têm em vista conquistar o poder que, por incompetência, perderam.
Dizem as sondagens que o PS será o vencedor das próximas eleições legislativas e, em consequência, lhe competirá formar governo. Nestas condições, por que iria cooperar com o Governo no plano de recuperação pós-Troika? Obviamente, sistematicamente o recusa e, com isso, todos acabaremos por perder!
O pior destas mudanças que a democracia da mera alternância consente é que os disparates se repetem sucessivamente, sem que, com eles, alguém aprenda alguma coisa.
E, assim, só poderemos ir de mal a pior, fazendo e desfazendo e dando ao mundo uma ideia de inconstância que não nos favorece quando dele necessitamos.