ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

AS TROI…KISSES E O BEIJO DE JUDAS!

Há já três anos que o salário mínimo em Portugal não era ajustado e se mantinha inferior a 500 euros mensais, pelo que o aumento agora decidido me parece mais do que justificado.
Trabalhar um mês inteiro para receber tão pouco, parece-me uma afronta à dignidade de quem se esforça cumprindo os seus deveres para se manter e manter a sua família.
Alguns haverá, quantos não sei, que pela sua falta de empenhamento nem aquele salário merecem. Tenho a certeza que sim, mas essa é outra questão a resolver de um outro modo porque haverá, entre os que não têm emprego, quem se disponha a merecer o que esses outros não só não merecem como impedem que os demais possam ganhar melhor pelo seu trabalho.
Mas parece-me que os sindicatos ainda não perceberam isso!
Perante as dificuldades e as carências que sentimos, é mais do que hora para olhar para estas coisas com frontalidade, substituindo os “direitos” por oportunidades para que os interessados e competentes possam dar o seu contributo ao desenvolvimento da nossa economia.
Apesar do valor reduzido do aumento, uns simples vinte euros, a Troika mostrou-se desagradada e deseja mesmo, na próxima vinda a Portugal, discutir o assunto com o Governo.
Obviamente, nunca gostei da Troika e senti-me humilhado pela intervenção daquelas “inteligências” canhestras que a estupidez do governo de Sócrates, infelizmente, justificou.
Mas é hora de nos guiarmos pela nossa cabeça e, assim, juntos fazermos frente aos problemas que temos e afastar, de vez, as corujas agoirentas que nos sufocam, limitando-os à verificação do cumprimento das metas com que nos comprometemos, sem intervir no modo como o fazemos.
Mas tal não bastará porque outras iniciativas são necessárias para por fim às disparidades que existem nesta Europa onde a solidariedade continua a ser uma distante miragem.
Jamais numa Europa solidária as diferenças seriam aquelas que existem e são bem visíveis na figura que mostra que, com excepção de alguns países do Leste da Europa recém chegados à UE, Portugal tem o salário mínimo mais baixo, com um valor ridículo quando comparado com os dos “tubarões” a quem me parece que tais diferenças interessam.
Mas para ultrapassarmos isto seria necessário por de lado as estúpidas competições em que estamos mais empenhados do que na recuperação do país que, a continuar assim, legaremos esfarrapado aos nossos filhos e netos. Esta é a mais reprovável e nojenta falta de solidariedade que se possa conceber


domingo, 5 de outubro de 2014

E QUEM VIER ATRÁS…

Quem tenha os pés bem assentes no chão e, desse modo, entender que para ultrapassar a situação crítica em que Portugal caiu é necessário rigor e trabalho, ao que o voluntarismo das promessas eleitorais sobrepõe a ilusão de garantir o que quase todos reclamam, não pode deixar de concordar com Passos Coelho quando diz que é preciso, “para internacionalizar a economia portuguesa, ter primeiro uma economia interna aberta assente na concorrência e não nos favores políticos”.
De tal afirmação deduzo que Passos se refere ao esforço continuado que a concorrência exige, em vez dos “paninhos quentes” com que os favores políticos aliviam a dor do trabalho duro que ela impõe.
E logo tenho de me lembrar de como os “favores políticos” têm sido o grande drama neste país de compadres e de “boys” que caro cobram, aos partidos que fazem vitoriosos, os “serviços” prestados e logo se conluiam para conseguir, com procedimentos truculentos, o que de outro modo jamais alcançariam. Tal como não poderei esquecer, porque a realidade o mostra, que por detrás de um sucesso financeiro retumbante quase sempre está uma enorme trafulhice que todos acabaremos por pagar!
Mas acabar com os favores políticos será assim tão fácil? Não o creio, sobretudo agora que vejo refazer-se o grupo que levou Portugal à insolvência, onde até o próprio Sócrates está presente e sem o qual António Costa jamais conseguiria destronar o ingénuo e desajeitado Seguro da liderança do PS.
Não vejo como determinadas mentalidades poderão fazer diferente daquilo que, com tão maus resultados, antes já fizeram, tal como não vejo como Costa se livrará da rapaziada que o envolve e caro lhe cobrará o “sucesso” pírrico que foi a vitória que conseguiu.
Sinceramente, não vejo que existam condições para acreditar em promessas eleitorais deslumbrantes por parte de qualquer oposição, como as não vejo para atitudes do Governo que lhe possam granjear os votos que a austeridade com que teve de governar naturalmente lhe retirou.
Infelizmente, não espero do povo que se deixa embriagar pelas críticas mordazes e pelas frases sonantes que os tempos de maior austeridade facilmente inspiram, o entendimento de uma realidade dura que lhe exige esforço, porque é mais próprio de si o tão característico “enquanto o pau vai no ar…” que permite desfrutar mais algum tempo de euforia, pensando que mais tarde haverá aquele que vem atrás e fecha a porta.
Só que quem vem atrás são os nossos filhos e os nossos netos a quem legaremos um país desfeito em cacos!



sábado, 4 de outubro de 2014

UM SONHO DE INDEPENDÊNCIA

(Zona velha de Tossa de Mar, um quadro que religiosamente guardo comigo)

Esta batalha entre o governo central espanhol e o governo catalão que insiste num referendo em que os catalães se manifestem sobre se desejam ou não a independência de Espanha, faz-me lembrar as únicas férias que passei na Costa Brava, em Tossa de Mar, uma povoação encantadora, de gente simpática e acolhedora.
Não sei no que dará esta “guerra” que não é de hoje porque já a senti bem quando, há quase 20 anos por ali andei e me fez crer que, algum dia, os catalães reivindicariam o que sentiam ter-lhes sido roubado, o direito de serem um país como já foram no tempo de velho Reino de Aragão.
É por isso que não resisto a registar aqui algo que aconteceu na minha primeira noite em Tossa de Mar.
Depois de instalados, de um banho reparador da fadiga de um voo que fora um tanto conturbado e de um rápido passeio de reconhecimento pelas redondezas, chegou a hora de jantar.
Um dos empregados indicou-nos uma mesa sobre a qual, sorridente, colocou uma bandeira inglesa.
Sem nada dizer, fiz um esgar que ele interpretou como um reparo pelo erro que cometera. E, sempre sorridente, apressou-se a trocar a bandeira, escolhendo, desta vez, uma italiana.
Repetiu-se a cena e, rapidamente, sobre a mesa apareceu uma bandeira francesa que, do mesmo modo, recusei.
O homem arregalou os olhos de espanto e, finalmente, falou: então?
A revelação da nossa nacionalidade portuguesa deixou-o confundido e preocupado porque teve de me dizer que, infelizmente, não tinham uma bandeira portuguesa porque era raro algum português passar por ali, na zona de Mar Menuda.
Disse-me do seu desgosto por não poder colocar na mesa a nossa bandeira, o que lhe daria um enorme prazer porque, afinal, os portugueses eram os melhores aliados dos catalães!
Foi a vez de me mostrar surpreendido, estupidamente surpreendido porque ele acabou por me dizer o que eu já devia saber e, de facto, até sabia mas de que me não lembrara. Não só tinha sido Raínha de Portugal uma aragonesa, a Raínha Santa Isabel, como eram os portugueses quem aliviava os aragoneses na sua luta dura com Castela quando, por estas bandas, os combatíamos também.
Mas estava por resolver a questão da bandeira na mesa para o que sugeri que lá colocasse a da Catalunha.
Entristecido, declarou que também não tinha uma. Mas manifestou a esperança de ali a poder colocar quando, de outra vez que ali voltássemos, a Catalunha já fosse um país livre.
Não sei se voltarei a Tossa de Mar nem se a Catalunha se tornará independente, mas que sinto saudades daquele lugar maravilhoso não posso negar!


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

AFINAL, DEUS EXISTE?

Tempos houve em que Stephen Hawking, o brilhante físico inglês a quem a tetraplegia não limitou as capacidades intelectuais, fazia de Deus uma referência da qual hoje, pelos vistos, já não sente necessidade para explicar o fenómeno da criação do Universo, dizendo que “a ideia de um criador divino já não é necessária”.
Numa grande entrevista que concedeu ao “el Mundo”, à margem de uma conferência de astrofísicos em Tenerife, Hawking afirma que "no passado, antes de entendermos a Ciência, era lógico acreditar que Deus criou o Universo. Mas agora a Ciência oferece uma explicação mais convincente".
Penso que conheço as razões pelas quais Hawking assim fala mas, ao contrário dele, vejo nas respostas que a Ciência já foi capaz de dar, razões para mil perguntas sobre o que ainda nos não revelou e continuamos a sentir necessidade de saber.
Para justificar anteriores afirmações em que considerava que “se conseguíssemos elaborar uma Teoria de Tudo, conheceríamos a mente de Deus”, Hawking acrescenta agora, “se existisse”. Por isso, confessa-se ateu porque “a religião crê em milagres, mas estes não são compatíveis com a Ciência".
E penso ser aqui que que a grande questão se coloca, porque os milagres, mesmo que raros, acontecem e não são mais do que a prova de estarmos ainda longe de ter respostas para tudo. Por isso, admitir que algo para além do que conhecemos existe é a conclusão mais lógica da nossa ignorância e é, por certo, uma explicação mais convincente do que a pretensão de ser capaz de compreender tudo.
Parece-me a prova de uma mente que se fecha, incapaz de enfrentar os desafios que os novos conhecimentos nos trazem ou convencida de nada haver que não compreenda já, o que seria a estultícia suprema que a Ciência não aceita!
Podemos não ter uma resposta para a pergunta “quem é Deus?”, talvez até nunca a tenhamos, mas que existe algum ser que nos transcende e cuja “mente” é a razão de ser da nossa própria inteligência, é uma verdade que a Ciência também não pode negar. Porque negar essa “mente” seria como que um certificado de óbito à própria Ciência que perderia a sua razão de ser por já não haver mistérios para desvendar.


MAS QUE MINISTÉRIO É ESTE?

Já me havia impressionado demais o caso de um professor colocado numa escola a 350 quilómetros de sua casa, aquela onde vivia com a sua família!
Agora, por certo, terá alugado um quartinho lá na terra onde dá aulas, toma as refeições sozinho e a correr e telefona, de vez em quando, para a família que poucas vezes irá visitar porque não creio que o que ganha dê para muito mais.
Se esta pessoa está a cumprir algum castigo por qualquer coisa que tenha feito e nem imagino o que de tão grave possa ser para lhe impor este degredo que castiga, também, mulher e filhos, não pode ser alguém a quem o ministério da educação deva atribuir a tarefa de ensinar e educar jovens!
Mas deixando para trás a ironia, pergunto se fará algum sentido que aconteçam coisas destas, sobretudo numa sociedade que tem absoluta e urgente necessidade de reconstituir e fortalecer a sua célula nuclear que é família, a qual tem desprezado com os efeitos nefastos que bem conhecemos. Decerto que não faz qualquer sentido e só os “burocratas inteligentes” que andam por este mundo para complicar a vida às pessoas são capazes de tamanhas insensibilidades!
Mas como se tal não bastasse, tive agora conhecimento de uma professora que, amputada dos dois pés e ainda mal adaptada às próteses que usa para caminhar, deixou de ter lugar na escola onde leccionava, a dois passos de sua casa, para ser colocada numa outra a quarenta quilómetros de distância!!!
É-lhe muito penoso conduzir, como facilmente compreenderemos pelos condicionamentos físicos que tem. Mas deve ser outra a quem os burocratas do ministério entenderam dever, também, atribuir uma pena. Por qual razão? Do alto da sua sapiência, inacessível a comuns mortais, eles saberão o que fazem!
Diz a professora que tem feito tudo o que lhe é possível para remediar esta situação demasiadamente penosa que lhe impuseram, mas tem esbarrado naquelas burocracias desumanas e parvas do “está para despacho”, “falta uma assinatura” e sei lá que mais que vai adiando a solução de um erro que nem deveria ter acontecido e causa desnecessária dor a quem dores demais já sofreu!
Eu sei que cada um que leia o que acabo de escrever conhece mais algumas histórias igualmente sórdidas que mereciam ser reveladas. Estas de que falei não são, por certo, as únicas que levaram o Ministro a pedir desculpas. São apenas duas das muitas que resultam do intenso movimento da multidão que entope os corredores do ministério. 
Não poderia ser mais escorreito este ministério que, ainda que dito da educação, constantemente comete erros de palmatória ou será apenas mais um depósito de “boys” que mostram, nas coisas patéticas que imaginam e nas coisas parvas que fazem, toda a sua dispensável inutilidade?

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

DE GANDHI A COSTA

Não consigo entender as vantagens de uma economia “ligada à máquina” que a mantém a vegetar quando, ao fim de tanto tempo de tentativas falhadas para a recuperar, outra conclusão não será possível senão a de que são demasiadamente extensas e irrecuperáveis as lesões causadas por décadas e décadas de loucuras.
Dito assim, parecerá muito longo o tempo das loucuras praticadas que nos fizeram pensar serem inesgotáveis os recursos com que faríamos crescer indefinidamente este negócio de ilusões que preferimos à realidade do que um mundo limitado pode garantir-nos. Mas não passa de um breve instante em que quase já delapidámos o que a Natureza, em muitos milhões de anos, acumulou neste mundo único que é o nosso, sem outra despensa que satisfaça as necessidades que tenhamos.
A tão festejada vitória de Costa, o redentor escolhido por cento e tal mil dos cerca de seis milhões de eleitores portugueses, é bem mais uma prova da falta de entendimento do momento decisivo que vivemos, o qual a realidade nos mostra em factos a que vamos fazendo vista grossa, convencidos de que, como de outras vezes aconteceu, alguém haverá de resolver os problemas que causam porque o crescimento da economia não pode parar sob pena de morrer.
Mas não conseguem ver que a “esta” economia já está morta!
Li, algures, a notícia que os jornais indianos dedicaram grande atenção a este “costal” evento que em Portugal teve lugar, afirmando que aqui nasceu o novo Gandhi!
Eu até poderia entender a necessidade de alguém assim, com determinação e uma mente brilhante que nos livrasse do jugo de uma economia que nos suga o sangue porque, em vez de a todos proporcionar a satisfação das necessidades próprias da vida digna que qualquer ser humano merece viver, apenas a alguns alimenta pelos vícios que nos criam as inutilidades com que nos deslumbra. 
Não é a isto que “Gandhi” Costa se propõe, mas à recuperação da economia consumista e dos "direitos de conquista" que, desiludam-se os optimistas e os esperançados, jamais será o que era! Por impossibilidade física. Mas não apenas, porque outros obstáculos poderosos se levantam no caminho desta economia moribunda que os criou e vai fazendo cada vez mais difíceis de ultrapassar.
Parece que a um estado de negação outro se segue de delírio como o que faz os insolados sedentos ver lagos de fresca água cristalina onde apenas existe a areia tórrida do deserto em que perderam o norte.
Como vamos crescer dentro de uma Europa que decresce? Como iremos enriquecer num mundo cada vez mais pobre? A que pobres venderemos o produto dos grandes investimentos que, porventura, um “mercado” com cada vez menos perspectivas poderá decidir fazer em Portugal?
No final, restar-nos-á aquele espectáculo com o seu quê de degradante, semelhante ao de matilhas que, em círculos quase perfeitos, se regalam cheirando-se uns aos outros.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

EXPOSIÇÃO 100 ANOS DE PRESIDENTES, O FASCISMO E A DEMOCRACIA

Leio no Expresso uma notícia que me dá conta de que “indignação do PCP, do BE e do PS pela inclusão dos três Presidentes da República do Estado Novo numa exposição patente na Assembleia da República não se verificou quando, em Junho e Julho, o assunto foi tratado na comissão parlamentar de Educação. Segundo o relato feito pelo presidente da comissão, Abel Batista (CDS), a proposta de exposição, feita pela Câmara Municipal de Barcelos, foi discutida a 25 de Junho, numa reunião que contou, de acordo com as respectivas actas, com a presença dos representantes do PCP e do BE, os dois partidos que agora mais se insurgem contra os bustos de António Óscar Carmona, Américo Tomás e Craveiro Lopes”.
Nunca entenderei a razão pela qual se pretende branquear a História que, com fases melhores ou piores, é a realidade que já está escrita ou, mais cedo ou mais tarde, será escrita com a verdade das coisas.
Como seria fazer uma exposição sobre 100 anos de presidentes ignorando alguns deles? Como seria escrever uma História que ignorasse um qualquer período do seu tempo?
Na Assembleia da República, onde uma polémica sobre esta questão se gerou, é opinião do BCP, expressa pelo seu líder parlamentar, que "a defesa da democracia não é compatível com o branqueamento do fascismo e dos seus responsáveis políticos".
O português é, de facto, uma língua muito matreira que pode causar alguma confusão em espíritos desprevenidos ou menos informados, o que acontece relativamente a um qualquer “branqueamento” que, obviamente, seria a exclusão dos ditos presidentes e não a sua presença na exposição histórica a que pertencem.
Será que o fascismo ou seja o que for se combate pela omissão ou com a ignorância? Não é, porque não é com medos que se vencem batalhas ou se impõe a razão!
Mas talvez o PCP julgue que seja porque, por certo, não terá qualquer interesse em que se recordem os tempos ferozes da ditadura do proletariado que continua a defender.
Mas a História é implacável porque, mesmo que alguma vez seja adulterada, um dia virá em que será corrigida. Não adianta lutar contra ela nem ter a veleidade de razões que só a História acabará por avaliar. E não creio que a História venha a ser muito gentil para com quem, por ínvias razões ou com medo das razões que outros possam ter, pretende rasgar páginas que, queiram ou não, já foram ou serão escritas.