ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

MAIS UM GRANDE PASSO PARA A HUMANIDADE


Depois de, ao longo de 10 anos, percorrer 500 milhões de quilómetros ao longo de uma trajectória que deu 3 voltas ao Sol, a sonda Rosetta lançou a módulo Phillae sobre a cabeça do cometa Tchouri onde, depois de alguns estremeções parece ter-se estabilizado.
As fixações previstas para a ligar ao cometa não funcionaram e, por isso, o módulo está simplesmente poisado, graças a uma pequeníssima força de gravidade que transforma os seus cerca de 100 kg em Terra em apenas cerca de 3 gramas. Espera-se que assim se possa manter e cumprir a tarefa de fornecer informação que permita avançar no conhecimento de como se formou a Terra.
O cometa foi descoberto em Setembro de 1961 pelos astrólogos Tchourioumov-Guérassimenko, tem uma forma oblonga cuja maior dimensão pouco ultrapassa 4 quilómetros e uma massa volúmica de 400Kg/m3 o que é menos de metade da massa volúmica da água.
Tem uma trajectória muito extensa, tendo-se verificado que seria impossível a sua observação antes de 1840 em consequência da distância excessiva a que, antes, se encontrava.
A Agência Espacial Europeia já divulgou as primeiras fotografias enviadas pelo módulo a partir do cometa, como pode ser visto em http://www.esa.int/ESA.
Se o primeiro passo na Lua foi, para Armstrong, "um pequeno passo para o Homem mas um passo gigantesco para a Humanidade", este foi um passo ainda maior, ainda que muito pequeno perante a imensidão do Universo do qual continuamos ainda a conhecer quase nada.
A ida do Homem à Lua aconteceu em 1969, oito anos depois de descoberto o cometa onde agora, 45 anos depois, aterrou o módulo Phillae.
É lenta, muito lenta, a conquista do Espaço no qual, apesar de todos os êxitos já conseguidos, ainda não percorremos mais do que uma pequeníssima distância.

Nota: A Agência Espacial Europeia é uma organização intergovernamental para exploração do espaço, da qual fazem parte Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Polónia, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suiça.
 A base de lançamento de foguetes da Agência é o Centro Espacial de Kourou na Guiana Francesa.


AS INCERTEZAS DO ORÇAMENTO


Falar no orçamento do Estado está na ordem do dia. Acerca dele se dizem as coisas mais díspares. Que é bom e que é mau, que é de execução impossível e, para lá de tudo isto, que está contra todos, até o FMI, a Comissão Europeia, a OCDE e eu sei lá mais quem que têm outras ideias acerca do que venham a ser o crescimento económico, as receitas dos impostos e outros parâmetros que são os que permitem fazer uma previsão do que possa acontecer.
E pelo que vejo nas redes sociais e oiço nos comentários que se fazem seja onde for, todos têm as suas ideias, menos eu que nenhuma faço do que, brevemente, possa acontecer.
Creio que nunca um orçamento terá sido tão difícil de fazer como este que em quase tudo depende de coisas que aconteçam e sobre as quais não temos qualquer controlo.
Aliás, temos controlo sobre o que? Temos a certeza de que?
Saberemos nós se na próxima semana se iniciará uma guerra violenta na Ucrânia que os tanques de Putin mais uma vez terão invadido?
Sabemos nós se em Portugal ou em outro país qualquer um outro BES surgirá?
Eu não tenho a mínima certeza.
Acusam muitos de que os últimos orçamentos têm sofrido correcções constantes, assacando ao Governo as responsabilidades de tal por simples incompetência.
E eu fico a pensar qual será o comandante que, no meio de uma tempestade utiliza o “piloto automático” em vez de proceder, ele próprio, às manobras oportunas que as circunstâncias lhe façam ver serem necessárias, para se manter em segurança.
Há muito que me não dou conta de orçamentos que, pela força das circunstâncias, não precisem de ser ajustados, tal como este que vai ser aprovado, mais do que certamente, vai precisar.
Então, por que andarão certos políticos a querer-nos fazer crer que podia não ser assim, se eles próprios irão fazer o mesmo?
Ou será que nos querem deixar entregues à sorte que nos pode afundar de vez?


O MOTO-CONTÍNUO DA POLÍTICA


Num país de gente tão imaginativa como nós somos, é inevitável que surjam, a propósito do mesmo assunto, as mais variadas opiniões. O que, de todo, me não parece mal. Mal é que se faça a terrível confusão de tomar as opiniões por certezas que não são. E é neste ponto que paramos quando cada um fica na sua, sem aproveitar as hipóteses levantadas para um juízo final feito no confronto saudável dos que, invariavelmente, dizem querer a mesma coisa, o melhor para o país! Mas não me parece que o queiram antes conseguirem o melhor para si.
Assim, ao contrário do que um dito popular afirma, da discussão não nasce a luz mas a intolerância, esse “pecado mortal” que a civilização aprimorou e que divide os que elegemos, em vez os juntar na colaboração que garantiria ao país a melhor governação possível e a nós uma vida mais tranquila.
Por ser assim, a democracia inventou a alternância para que os “bons” possam substituir os “maus” na governação, o que, invariavelmente, acaba por originar outra alternância em que tudo se passa do mesmo modo mas com actores diferentes quando os “bons” voltam a ser os “maus” que, mais cedo ou mais tarde, de novo serão os “bons”. E, assim, a regra de ouro democrática vai satisfazendo uns e outros neste sobe e desce nos cargos que se ocupam e na euforia dos que alcançam a oportunidade de sair da cepa torta em que se encontravam para serem personalidades com poder.
Alguém, um dia, na euforia de uma vitória gritou “jobs for the boys”, num deslize a que o povo chama “fugir a boca para a verdade”, por ser um desabafo que traduz na perfeição a ansiedade dos que fazem fila à porta do poder, tal como aqueles que, na fila para um mictório muito concorrido, esperam que rapidamente chegue o momento do alívio que lhe permitirá não molhar as calças.
Aliás, é do saber público como melhoram as condições financeiras de tantos a quem a passagem por funções politicamente mais destacadas muito alterou profundamente as suas condições de vida.
Por isso, se acelerássemos o ritmo da alternância e fossemos mudando os “artistas” da comédia política, todos teríamos a oportunidade de ficar ricos quando a nossa vez chegasse.
Mas não recomendo esta receita que já teve melhores dias que a dureza da realidade há muito deixou para trás. Agora, o nosso caminho é outro. Apenas ainda nos não demos conta de que já o percorremos!


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A LEGIONELLA E O ESTADO


É notável o esforço feito pelo Ministério da Saúde para debelar este grave surto de legionella que, até hoje e segundo a últimas notícias, já fez sete mortes entre os quase rezentos doentes que provocou. A quantidade de doentes e de mortos faz deste acontecimento um dos mais graves de todos os conhecidos no mundo.
De um acontecimento muito grave que marcará negativamente Portugal ficará, também, a eficácia com que fomos capazes de o tratar. Mas deverá ficar por aqui o julgamento do Estado por este infeliz evento?
Agora que a desgraça aconteceu, tornou-se evidente ser aquela região de Vila Franca de Xira de elevado risco pela existência de numerosas instalações que, pelas suas características, são potenciais focos de disseminação da bactéria assassina.
São os ambientes muito húmidos, como os das torres de refrigeração, os mais favoráveis ao desenvolvimento de colónias de legionella, cuja dinâmica de funcionamento as expele para o exterior onde, depois, o vento as transporta até distâncias mais ou menos longas, dependendo da força com que se faça sentir. Por isso, o surto acontece numa região mais ou menos delimitada, como acontece, agora, em três freguesias.
É dever das empresas que operam estes equipamentos, manterem-nos em condições que não dêem azo a situações de perigo como a que se vive. Por isso o Ministro do Ambiente coloca a hipótese de existir um crime ambiental que terá de ser devidamente considerado. Não me parece, porém, que deva o ministério ser ilibado de culpas pelo descuido que os seus órgãos de inspecção revelaram e permitiu que fosse atingido um grau de contaminação excessivo, do qual resultou a situação que se vive. Porque a fiscalização que protege os cidadãos é um dever do qual o Estado não pode, por razão alguma, alhear-se.
Esta situação faz-me lembrar o infeliz caso da queda da Ponte Hintze Ribeiro, próximo de Entre-os-Rios, que causou a morte a dezenas de pessoas. A isso me referi mais detalhadamente numa mais antiga reflexão.
Naquela altura, não ficou provado que os areeiros tenham retirado do rio mais areia do que a que era autorizada. Mas as circunstâncias provaram, de um modo doloroso, que os responsáveis pela fixação das quantidades que podiam ser retiradas não procederam às verificações da segurança, nomeadamente os níveis de areia na zona da ponte, em função das quantidades que autorizaram que fossem retiradas mais a jusante.
Então, a ponte caiu, muita gente morreu, procuraram-se culpados alheios, mas ignorou-se o que, sem sombra de dúvida, foi o verdadeiro culpado. O Estado!
Ficará, desta vez também, de fora neste infeliz caso da legionella?
Um relatório de 2013 deu conta de que quase 15% das torres de refrigeração, analisadas, tinham legionella. Poderá, em face disso, ser surpreendente o que acabou por acontecer? 



terça-feira, 11 de novembro de 2014

TAXA MUNICIPAL SOBRE TURISTAS


Apesar daquela exibição de humor excessivo do ministro da economia para insinuar que Costa iria incluir, no seu orçamento municipal para 2015, taxas sobre os turistas que demandam Lisboa, elas acabaram mesmo por dele constarem.
Não que seja este o aspecto mais relevante de um orçamento que, naturalmente, não alivia os munícipes nas taxas que lhes cobra, antes pelo contrário, mas é o que mais está a dar que falar, talvez pelo princípio de tributação que revela.
É mais uma das quase duas centenas de taxas e taxinhas em vigor na Câmara Municipal de Lisboa, por certidões, atestados, reprodução de documentos, inspecções de diversos equipamentos de transporte de pessoas e bens, ocupação de espaço, conservação de esgotos, licenças de obras, níveis de ruído, incineração de animais e de pessoas, etc etc etc... 
Neste caso do turismo, um euro por pessoa, por desembarque ou por dormida, não é um valor que, por si, afecte excessivamente os gastos de quem faça uma visita turística a Lisboa. Decerto que não. Mas será irrelevante a apreciação negativa que os turistas façam desta taxação oportunista que parece contrária às preocupações mais básicas para captar turistas? 
Esta taxa turística tem um sabor a ridículo que, teremos de reconhecer, nada tem de simpático, além dos problemas que a sua cobrança levanta e da legalidade que muitos contestam.



HÁ LICENCIADOS A MAIS? DE MERKEL A SÓCRATES


Segundo o que leio, Merkel terá afirmado que em Portugal, devido à sua elevada taxa de desemprego, há licenciados a mais.
Não consegui ter acesso ao desenvolvimento das razões que levaram a Chanceler Alemã a dizer isto e até é bem possível que o não haja, que o que ela disse tenha sido apenas aquilo que mais não significa do que o reconhecimento de que Portugal tem demasiados licenciados desempregados. E isso é verdade!
Seja como for, é uma afirmação que, decerto, merece uma análise mais cuidada do que aquela feita por Sócrates na qual diz “Isto é completamente contrário a tudo aquilo que nos acreditamos na Europa. Está bom de ver que o que está implícito nisto é ‘para quem é, bacalhau basta’. O que está implícito nisto, é que lá no Sul para que é que precisam de estudar tanto se afinal de contas o vosso destino é servir à mesa?
Sócrates adianta, numa extrapolação ousada do que Merkel tenha dito, que “A ideia de que há uma desigualdade natural, que é o que se infere daqui. Desigualdade natural em relação aos países do Norte, que esses, sim, podem dedicar-se ao estudo e ao estudo avançado, à filosofia, às artes. Os do Sul, basta-lhes o 12º ano e alguns conhecimentos profissionais mais aplicados. Essa ideia é uma ideia horrível”.
Em vez destas explicações excessivamente popularuchas e ôcas de conteúdo que soam a grito de revolta sem consequências contra quem diz o que é uma verdade, pois até “exportamos” licenciados, um ex-primeiro-ministro deveria ter outra explicação para um fenómeno sério que é a enorme dificuldade que um licenciado jovem tem para encontrar emprego em Portugal. O que seria já meio caminho andado para encontrar uma solução.
Não vale a pena negar uma realidade que um simples olhar à volta nos revela. E se a sua denúncia, seja por quem for, tanto assim nos incomoda, a resposta não se encontra em palavras inflamadas de repúdio, como tantas que já ouvi, nem na negação do óbvio, mas em fazer aquilo que parece nunca mais será feito, a reforma estrutural e um cuidado ordenamento do território que nos permitirá um melhor aproveitamento de todos os nossos recursos e, em função disso, uma oferta de formação adequada às oportunidades que criemos.
Portugal é, naturalmente, um país diferente daqueles do Norte da Europa onde o sol nunca vai alto no firmamento, onde noites longas ou infindáveis dias de penumbra são bem diferentes do céu azul e do sol quente que, ao longo de meses, os seus naturais aqui procuram.
O mais natural será, pois, que a economia de uns e de outros tenha por base actividades diferentes, que em Portugal haja mais quem faça dos trabalhos próprios da hotelaria a sua ocupação em vez de serralheiros que trabalham na penumbra dos dias longos de Inverno. Será este um exemplo entre muitos.
Por tudo isto eu diria, ao contrário de Merkel, que Portugal prepara os seus jovens para tarefas diferentes das que a sua actividade económica própria do país justificaria. Por isso Portugal importa mão de obra pouco ou nada qualificada para as tarefas que dariam muito emprego a portugueses que, devidamente qualificados, garantissem elevada qualidade do trabalho realizado e, deste modo, o valorizassem.
Em Portugal há uma carência enorme de formação ao nível técnico-profissional, com excesso para a formação ao nível universitário, o que, deste modo, constitui um desperdício de meios financeiros e humanos que não condiz com a necessidade urgente de reorganizar a economia nem satisfaz, sequer, as suas necessidades actuais.
Talvez fosse de reformular a questão dizendo que Portugal tem muito desemprego qualificado porque tem uma política de formação errada.
Não podemos continuar a aplicar os nossos recursos financeiros escassos a formar licenciados que exportamos, sabe-se lá para fazerem o que, enquanto outras necessidades mais prementes e até primárias não estão sequer satisfeitas.
Quanto ao que diz Sócrates, cuja licenciatura continuo sem saber qual seja e cuja falta de argumentos é confrangedora, é apenas para esquecer porque nada diz que se aproveite!
A questão do desemprego, de licenciados ou de outros quaisquer, é uma questão muito mais complexa do que os palavreados de Sócrates podem fazer crer.
E termino com a mesma questão que me levou a começar: precisamos de muitos licenciados, seja no que for, ou de profissionais que façam, com competência, os trabalhos dos quais temos necessidade?




segunda-feira, 10 de novembro de 2014

VIROU-SE O FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO


O que será possível não ter visto e comparado ao longo dos últimos oitenta anos? Muito pouco porque ao longo deles tiveram lugar a maioria dos acontecimentos mais marcantes da Humanidade. E para quem tenha memória e não sofra das amnésias que a certas crendices ou ideologias são muito convenientes, há afirmações que só a fantasia, senão mesmo a má fé, podem explicar.
Por exemplo, do tenebroso “holocausto” que foi a obra-prima do nazismo germânico e aconteceu já eu andava por este mundo, vi escrito que foi uma invenção que não corresponde a qualquer realidade! Como se não bastassem as evidências que, sem razões para dúvidas, o revelam a quem dele directamente se não deu conta e, assim, perpetuarão a memória da monstruosa infâmia para todo o sempre.
Tal como agora leio, transcrito do órgão oficial do PCP e a propósito do “muro da vergonha” que o comunismo construiu em Berlim em 1961, depois da guerra que derrotou o nazismo mas dividiu o mundo, que “aquilo a que assistimos no território da ex-RDA foi à destruição forçada das realizações económicas, sociais e culturais de mais de quarenta anos de poder dos trabalhadores”.
É uma desfaçatez sem tamanho perante os factos que sobejamente mostram terem sido os próprios “trabalhadores” que, depois de pedirem a ajuda de Gorbachov em visita a Berlim Leste, forçaram a queda de Honecker e, em seguida, derrubaram o muro que, supostamente, os defendia.
Depois, foi impossível ocultar a realidade da fantasia das “realizações económicas” que o PCP invoca e das agressões ambientais que causaram, as quais, sem motivos para dúvidas, a queda do muro revelou.
Virou-se o feitiço contra o feiticeiro!
Caiu o muro, mas é notório que não caíram as máscaras que, durante quase trinta anos, o mantiveram em pé.
Mas tentar tirar partido da ignorância é tática que não dura para sempre porque a verdade que se diz ser como o azeite, sempre acabará por vir à tona.