ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 6 de dezembro de 2014

CRISES BOLHOSAS


Não são os aspectos financeiros que mais me fazem temer pelo futuro, sobretudo pelo daqueles por cuja existência também sou responsável. E são muitos.
Há outras questões, outros aspectos, aos quais venho chamando “as doenças da civilização”, dos quais estas “crises bolhosas” não são mais do que sintomas cujo tratamento não cura a verdadeira maleita.
Os que costumam ler o que escrevo, ter-se-ão dado conta das muitas vezes em que, desde há vários anos, tenho contrariado esta esperança no regresso ao passado recente como solução para recuperar um modo de viver que o mais vulgar bom senso mostra não ser mais possível pelos males que causa.
São muitos os avisos que a gente de saber tem feito ao mundo e outras tantas as que o mundo lhes não presta atenção.
Porque me não conto entre os que sentem prazer na dor que possam sofrer, não é do meu agrado augurar o futuro doloroso que o desprezo pela realidade possa causar, julgando, como o saber milenar recomenda, ser bem melhor prevenir do que remediar.
Mas porque o perigo continua a ser, para mim, uma preocupação, não me deixam indiferente as notícias que, como esta que aqui fica reproduzida, fala das previsões fundamentadas de quem, também a tempo, avisou acerca da crise que, em 2008, se iniciou com o rebentar da “bolha” imobiliária nos Estados Unidos onde, tudo o faz crer, outra estará prestes a rebentar.
Não ficarei surpreendido se for mesmo assim, o que mais agudizará a verdadeira crise que, a prazo, põe em causa o futuro da própria Humanidade.

A RESTAURAÇÃO DA DEMOCRACIA AUTÊNTICA


Quando os compadrios entre os poderes financeiros, figuras e órgãos do Estado são por demais evidentes, aqui e em toda a parte, num processo em que os oportunistas e os interesses económicos conquistaram as rédeas do poder que exercem como lhes der na real gana, subornando ou controlando os que nominalmente o detêm, parece-me da maior importância uma declaração ouvida a Passos Coelho num jantar de Natal das concelhias do PSD do distrito de Santarém.
Afirmar que “os donos do país estão a desaparecerpara que passem a ser os portugueses os seus donos, só pode ser uma excelente notícia. Assim, tal como corresponde a uma ambição dos democratas autênticos, ela corresponda a uma realidade que, com esforço e bom senso, saibamos construir até ao fim e preservar, depois, por todo o sempre.
Que este seja um grito de revolta que, uma vez mais, nos dê a independência como a que, ainda há poucos dias, comemorámos. Que seja a revolução autêntica que o 25 de Abril ainda não havia conseguido realizar, a construção de uma democracia esclarecida, não subordinada a interesses que a transformam num regime explorador.
Os portugueses já sabem como as leviandades se pagam caro e, por certo, não será tão cedo que se esquecerão de quanto se sofre pelos erros que, por elas, se cometem.
Todos, agora, nos damos conta de como se criam impérios financeiros, individuais ou de grupo, que vão acumulando o produto do esforço dos que não fazem parte da “confraria”. E todos esperamos, finalmente, que o “monstro” vá mostrando os seus tentáculos até ficar completamente a nu, para que possa ser reduzido à insignificância que é a dos usurpadores, dos oportunistas e dos inúteis, muitos dos quais, curiosamente, se têm feito passar por esforçados democratas.
Quando nos lembramos de como o governo de Sócrates, na sua loucura incontrolada de afirmação, se excedeu na construção de infra-estruturas que aos grandes grupos económicos interessavam e, depois, instava a banca nacional a comprar uma boa parte da dívida enorme que ia criando, não podemos deixar de entender como, em troca, alguma coisa iria ser exigida e o Estado Português a pagaria com o esforço de nós todos. Foi o buraco em que caímos!
São esses laços, criados ao longo de dezenas de anos, que Passos Coelho diz que tem estado a cortar. Se assim é, acabarão por aparecer os seus efeitos que, por certo, não deixaremos de reconhecer no meio desta confusão absurda de culpas que fazem de uns ladrões e de outros vingadores e salvadores da pátria.
Mesmo que seja assim, haverá, decerto, ainda bastante para ser feito até nos sentirmos livres das grilhetas com que as dependências nos amarram e nos criam os enormes problemas como os que temos vivido e, com muito sacrifício vamos, aos poucos, resolvendo.
Quem me dera que seja a era da construção da democracia da cooperação em que cada um valha pela contribuição que der na restauração de um país que esteve quase vencido!



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

NO PAÍS DO VIRA


Dá para notar que, na comunicação social cá do sítio, não há mais do que três ou quatro acontecimentos que vão persistentemente marcando as notícias do dia-a-dia, aos quais se vão associando mais um ou outro facto que, de um modo mais evidente ou mais rebuscado, com eles se possa relacionar.
E já é muito para um público que pouco ou nada quer saber do que se passa no mundo em que, mesmo que o ignore, também vive.
São as declarações em que Costa não diz ao certo o que pretende fazer nem se vai juntar-se com a esquerda ou com a direita para formar o governo que, pretensamente, o fará. Numa coisa, porém, já foi muito claro: o 1º de Dezembro voltará a ser feriado! Já é qualquer coisa que eu acho bem.
Serão, também, as atitudes de Rui Rio e de Paulo Portas que, por isto ou por aquilo, permitem explorar a ideia de um piscar de olho ou de uma colagem ao que já é tido como o triunfador da próxima temporada. São os jogos de quem, entendendo que em vez de remediar mais vale prevenir, tanto faz fintas para entrar como para não sair.
Junte-se a prisão de Sócrates que veio lançar a confusão numa estratégia política que parecia ter tudo para ser bem sucedida mas que, em vez disso, pode tornar-se no pesadelo que tudo poderá mudar por mais que se “separem as águas”. Dá pano para mangas e nem imagino por quanto muito tempo mais, como naquelas telenovelas que, quando o enredo parece cair num beco sem saída, se faz da personagem tola ou do espectador estúpido para que tudo siga em frente.
Depois, o caso do BES que pode consentir a esperança de um outro sem número de episódios, dos quais possam brotar outras estórias porventura bem escandalosas, fruto desta louvável investida da Justiça para as desmascarar.
Curta deverá ser a discussão da reforma do IRS que mais parece um número circense de contorcionismo do que um esforço sério dos representantes do povo para, como é de seu dever, cuidar dos seus interesses. Do povo, evidentemente!
Não me parecem ser de juntar à lista dos acontecimentos notáveis o folclore “soaresco” que, já sem ser notícia, tanto jeito dá aos jornalistas e jornais e, muito menos, a enfadonha e brejeiríssima “casa dos segredos”, apesar das mais altas audiências que tem e é, por isso, a garantia do melhor “share” de um certo canal.
Por falta de assunto, as repetições sucedem-se, mal disfarçadas em novas formas de dizer ou em opiniões que, sabendo-se quem provêm, não é difícil de antecipar o que digam.
Os casos políticos que poderiam gerar novas ideias que prevenissem as amarguras de um futuro que, a curto prazo, muitos prevêem de um cinzento escuro, escasseiam. Por isso, escassas são, também, as ideias para evitar que assim seja.
Há muito tempo que aqui, como em muitos outros lugares, não pára de “chover no molhado” e de se travestir de novo o que é, inegavelmente, velho. É a modos que um caminhar sem sair do mesmo lugar, aquele onde as ideias estagnaram, onde as razões se acabaram e a visão do futuro se toldou não deixando à vista senão o caminho da volta para trás.
Onde estão as novidades ideológicas autênticas, aquelas a que deveriam dar lugar as que persistem em estiolar no tempo que, todos o sentimos, não pára de correr?
E, deste modo, se vai virando o disco para tocar o mesmo.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

SOZINHO CONTRA O MUNDO


Nem o corrupio constante de visitantes ilustres, como Évora porventura jamais viu, consola Sócrates. 
O ex-primeiro-ministro parece, mesmo assim, sentir-se sozinho contra o mundo que acusa numa frase que, por certo, se vai tornar lapidar: "O sistema vive da cobardia dos políticos, da cumplicidade de alguns jornalistas, do cinismo dos professores de Direito e do desprezo que as pessoas decentes têm por tudo isto".
Obviamente que só posso enquadrar-me no grupo das pessoas decentes porque, para além de o ser, não sou político, nem jornalista nem professor de direito. Somente não faço ideia do que seja o “tudo isto” que, pelos vistos, desprezo! Mas vou ficar atento, a ver se descubro o que será.
Os “políticos” que o vão confortar fazem questão de “separar as águas” que a sua aparente solidariedade para com o mais famoso recluso de um estabelecimento prisional que se tornou vedeta pode parecer querer juntar. Não desejam, obviamente, que a visita possa prestar-se a confusões que reavivem memórias dos tempos de uma governação descuidada ou de recentes projectos de uma “rentrée” política que poderia fazer do “parisiense” Pinto de Sousa um candidato a Belém.
Os “jornalistas” assentam arraiais nas redondezas para nada perder do reality show mais famoso do momento, com o qual preenchem toneladas de papel de jornal que fazem uma concorrência feroz às estórias de famosos que os cronistas sociais escarrapacham numa infinidade de revistas em papel couché. É assim que satisfazem a curiosidade dos que gostam de coscuvilhar vidas alheias.
Os “professores de Direito” dirão, por certo, coisas que ao detido não agradam, coisas que nem me atrevo a discutir porque vão para além do Direito corriqueiro que está ao meu alcance e se tornou parte de uma cultura geral rasteirinha que me não concede o direito de opinar porque, afinal, “ninguém é culpado antes de condenado”.
É nestas alturas que me apetece antecipar o tempo para saber do que me vou rir depois. Mas é bem melhor que corra mais pausadamente o tempo que, como ouvi um comerciante eborense dizer, fez nascer um “turismo” inesperado que traz alguma bem vinda amenidade à crise que por ali também se instalou. E quem haveria de dizer que seria Sócrates a amenizá-la?


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A AVIDEZ REQUENTADA


Evidentemente, quando a biografia de Rui Rio estiver disponível eu a irei comprar e ler avidamente, porque estou ansioso por saber quais são as ideias que nela lança para voltar a fazer de Portugal o país com personalidade como já foi em vez deste país de ultra dependentes que agora é.
Um país amolecido pelas utopias que Abril definiu mas que não foi capaz de realizar. Primeiro, porque o Estado Novo havia deixado bastante para fazer a festa e, depois, porque julgou não ser necessário esforçar-se por realizá-las porque a Europa as realizaria por si.
Não estamos bem, como todos reconhecemos. Apesar disso, vejo mais gente à espera do que possa “cair” do Céu do que a tomar iniciativas para fazer qualquer coisa que afaste este mal que sentimos.
Continuo a ver mais de meio país desaproveitado, com interesses poderosos a dominar a política, talvez aqueles que conseguiram o milagre de fazer Passos Coelho tomar, um dia, a iniciativa de correr com um ministro, curiosamente aquele que mais incomodava os tubarões, conservando aqueles que, como as circunstâncias o mostram, não passam de incapazes.
E, como sempre, continua o governo refém de interesses bem diferentes daqueles que são os do povo que o elegeu! Tal como receio que continuará.
Depois da festa de entronização de António Costa cujo modo de realizar as promessas que faz continua a ser um segredo bem guardado, eu espero que a afirmação de Rio de que “os eleitores estão ávidos de algo novo” seja uma real novidade, diferente da mudança de actores que sempre foi porque uma peça má não se faz boa apenas porque os actores mudaram.
Espero que as reformas profundas, das quais desde o 25 de Abril oiço falar, sejam finalmente definidas, não em função de utopias irrealizáveis e das miragens que têm inspirado os políticos que tornaram, de novo, este país prisioneiro, mas da realidade dura que cada dia mais se revela!
Espero que Rui Rio consiga, no que tenha revelado ao seu biógrafo, ir muito além do que a notícia do lançamento do livro nos faz saber e não passa da vulgaridade de muitas coisas por aí já tão ouvidas.
Rio fará, assim o espero também, o enquadramento da situação de Portugal neste mundo confuso em que vivemos e do qual nos não podemos alhear.
Há problemas a resolver que não são só nossos. Há deliberações a tomar que necessitam da cooperação de todos. E há, sobretudo, a necessidade do entendimento de uma realidade nova que não consente as ilusões em que sonhámos poder viver.
Mais espero que Rio diga, com toda a clareza, sem os subterfúgios em que os políticos são mestres, o que há para fazer para além das reformas políticas que não passam das brincadeiras em que os políticos se envolvem para disputar o poder. Espero que diga, para além do que haverá para fazer, como se faz de modo a por um fim ao que tantas vezes se diz que "quem sabe faz, mas quem não sabe, ensina".
Finalmente espero, de Rui Rio, uma visão de futuro que não esqueça a realidade das diferenças profundas entre este planeta semidestruído por uma economia superconsumista que o foi conspurcando e exaurindo os seus recursos naturais que julgou infinitos, bastantes para alimentar todos os seus caprichos e, em consequência, defina um caminho diferente do “regresso ao passado” pelo qual os preguiçosos tanto anseiam.
Eu sei, também, que “os eleitores estão ávidos por algo de novo” tal como sempre estiveram em todas as eleições cujos resultados sempre acabam por desiludi-los e os fazer sentir, de novo, ávidos de uma outra mudança que, como as anteriores, sempre acaba a desaguar no mesmo charco que já se tornou fétido!
Estou muito curioso. Ansioso até por ler alguma coisa que me diga algo diferente. Se for a biografia de Rui Rio…

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

PORTUGUESES CELEBREMOS…


Vão longe os tempos em que acordava quando a banda, numa alvorada feliz, passava na rua e, seguindo-a, muito “povo” com ela celebrava o “DIA DA REDENÇÃO”.
Era o orgulho de uma nação que não quis vergar-se aos caprichos castelhanos de domínio absoluto da Península Ibérica. Era o Portugal que quis continuar a sê-lo, assumindo a responsabilidade de o ser.
Era uma celebração que ainda vivi no maior empenhamento por muitos anos mas que, ao longo dos últimos tempos, se foi perdendo. Era a alegria de podermos continuar a ser portugueses mas que foi esquecida, envolta na ignorância em que caiu o passado de um país cada vez mais mal amado.
E como se a independência fosse um valor perverso, até a sua celebração deixou de estar presente no calendário que regista os momentos mais importantes da nossa História!
Já não sabe a nossa juventude entoar os cânticos da celebração da liberdade porque parece preferir viver na dependência do que outros por si possam fazer.
Canta-se o Hino Nacional talvez apenas porque assim fica bonito de fazer no início dos jogos que a Selecção de futebol disputa aqui e ali!
Quanta da nossa juventude sabe o que sucedeu naquele Primeiro de Dezembro de 1640? Quem foram os 40 conjurados que D João Pinto Ribeiro comandou? Que fizeram eles ao Miguel de Vasconcelos, o reles secretário de estado da Duquesa de Mântua que mandaram de volta para a sua terra?
Não sou nem nunca fui fã de feriados por tudo e por nada, mas que o DIA DA INDEPENDÊNCIA o não seja, é coisa que me não cai bem.

Por isso no meu coração hoje o celebro com a mesma intensidade com que sempre o fiz! 


O BRINQUEDO PARTIDO. O QUE RESOLVERÁ MAIS UMA CIMEIRA?


Depois da fortíssima chamada de atenção das Nações Unidas, feita pelo próprio Secretário-Geral, segue-se, agora, um relatório da Royal Society britânica que realça os prejuízos materiais já causados pelas alterações climáticas extremas ao longo dos últimos 30 anos, os quais avalia serem da ordem de onze biliões de euros!
Porém, considera o relatório que nem serão os prejuízos materiais o mais importante, pois será a frequência cada vez mais elevada e a intensidade cada vez maior dos fenómenos climatéricos o que mais porá em risco as gerações futuras.
A prova destas alterações climáticas profundas está perante os nossos olhos que podem ver o que se passa, se torna mais sensível ano após ano e que até para os mais novos, com menos referenciais de comparação, é claramente evidente.
Sequências de condições climatéricas completamente diferentes das que nos permitiam definir as “estações do ano”, o “ciclo hidrológico”, fazer previsões de mais longo prazo, definir as regras da actividade agro-pecuária e determinavam os graus de risco a assumir na a construção de obras de segurança hidráulica, são agora vulgares, tornando frequentes intensidades que antes eram excepcionais e causam danos para cuja prevenção não estamos preparados.
Chuvas intensas que causam cheias destruidoras que fazem transbordar rios e muito frequentemente ultrapassam a capacidade das redes de drenagem das cidades, a subida do nível do mar que tornará mais graves os efeitos dos temporais sobre a costa e vagas de calor intenso, são algumas das consequências que não quisemos considerar como inevitáveis pela nossa insistência em não proteger o Ambiente contra os efeitos de um modo de vida danoso e perverso, de uma civilização focada no nível de vida em vez de na qualidade e nas condições de vida como o deveria estar.
Depois de longo tempo a “encomendar” estudos e relatórios que desmentissem os que alertavam para os perigos da continuação de um tipo de actividade económica que agravava o “efeito de estufa” de que resulta o sobreaquecimento global que está na origem destas alterações climáticas ou, pelo menos, da sua aceleração, os países mais evoluídos não têm, agora, como desmentir a realidade preocupante que, por sua causa, vivemos. E propõem-se tomar medidas que reponham “ordem” no clima, como se este se comportasse ao sabor dos seus caprichos!
Mas creio que não terão meios nem condições para consertar o "brinquedo" que partiram.
Depois de tantas “cimeiras” e “protocolos” dos quais resultaram tímidos compromissos, mesmo assim nunca devidamente cumpridos, será em Lima, capital do Perú que acolherá mais uma “conferência”, a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, para debater compromissos globais para travar a emissão de gazes de estufa!
Valerá a pena reflectir sobre o que poderão ser os resultados de mais esta conferência que me parece já vir tarde demais e num tempo em que o mundo está demasiadamente preocupado com as suas guerrinhas de estimação que lhe não deixam tempo para se prevenir contra este “castigo” terrível com que a Natureza responde às agressões que lhe fizeram e depois de tantos avisos que fez para acabarem com elas.

Uma reflexão que ficará para depois.