ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

E A RÚSSIA ALI TÃO PERTO

Embora seja, ainda, demasiado cedo para tirar conclusões sobre o sucesso ou o fracasso do novo governo grego, a verdade é que as “entradas de leão” que Tsipras e Varoufakis adoptaram para alcançar os objectivos a que se propunham, não estão a ser, no seu balanço global, muito bem sucedidas.
Se em Inglaterra os gregos pareciam ter encontrado eco para as suas reivindicações, o que não surpreendeu ninguém porque o euro é uma espinha cravada na garganta da City, se em França soou o “nim” que o governo de Hollande constantemente faz soar, se em Espanha o Podemos se manifestou nas ruas e em Portugal Catarina Martins e António Costa embandeiraram em arco, a festa acabou pouco depois no BCE onde as decisões têm de ser mais cuidadas porque dívidas perpétuas não passam de perdões de que os gregos já mostraram não saber fazer bom uso, e os demais cidadãos europeus não se sentem disponíveis para financiar os desgovernos da economia grega e os hábitos de um povo que pouco cumpre regras.
E como se tudo isto não bastasse, o encontro de Varoufakis com Wolfgang Schaüble foi a machadada nas hipóteses de uma solução rápida para a crise grega. Foi o acordo da discordância que não parece ter outra saída senão a insistência da Alemanha nos seus propósitos de obrigar os gregos a cumprir as suas obrigações.
Por cá, a recusa de Passos Coelho em participar nos delírios gregos tornará impossível o apoio imediato de Portugal ao modo “syrísico” de conduzir a realização da miragem grega, mas quem sabe se o “ex-socialista” António Costa a não virá a apoiar se, por ventura, a miragem não tiver antes morrido.
Espero que a miragem sim mas não o sonho de fazer voltar a Grécia à realidade, em condições de uma ajuda séria que possa melhorar a sua vida e a de todos os europeus que talvez reparem ser a hora de abrir os olhos para uma realidade que terá de ser vista de um modo diferente, mais natural e mais humano. Nunca, porém, leviano perante uma realidade que se tornou diferente!
Além de tudo isto, não podem passar despercebidos os olhares oportunistas e gulosos da Rússia que, mesmo numa crise financeira aguda que a queda dos preços do petróleo tornam ainda maior, sempre pode fazer como se fazia na União Soviética onde o pão do povo construía as armas com que fazia a guerra fria.
Mas quando a necessidade aperta e o frio do desespero se torna insuportável, até o calor do inferno se torna acolhedor.
Eu ainda alimento a esperança de que a Grécia honre os pergaminhos de berço da democracia que outros “Sócrates” criaram e, em vez de se meter em aventuras exóticas nada próprias de si, decida percorrer um caminho de rigor que justifique a solidariedade de que tem absoluta necessidade. 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

QUEM CHANTAGEIA QUEM?

Cada um de nós tem capacidade bastante para tirar conclusões dos títulos das notícias do dia, entre as quais seleccionei estas:
- A propósito da reunião que teve com Varoufakis, Schauble, ministro das finanças alemão diz que “concordámos em não concordar”!
- BCE aumenta pressão sobre a Grécia ao cortar crédito aos bancos gregos.
- Atenas acusa BCE de pressão política dizendo “não vamos deixar que nos chantageiem”
- ... uma visita a Portugal por parte de membros do governo grego deverá realizar-se "assim que for possível" já que Varoufakis atribui grande importância à relação entre dois países que estão no mesmo barco!
- Putin convidou Tsipras a visitar Moscovo em Maio. Antes Tsipras afirmou que a Grécia não iria aceitar dinheiro de Moscovo, por agora!
- Costa afirma que sempre disse que “sempre recusei que a renegociação da dívida fosse a única solução”.
Há montes de entrelinhas nestas frases que me parecem caracterizar bem os tempos que vão correndo e os perigos que nos podem trazer.
E são boas de ler… ou será melhor esperar pela interpretação de Catarina Martins?


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O INEVITÁVEL ENCONTRO COM O FUTURO

O dono de uma loja de óculos iniciava o seu novo funcionário no negócio e explicava-lhe: quando te perguntarem o preço de uns óculos tu dizes o seu valor e reparas na cara do cliente. Se ele se mantiver calmo acrescentas, só as armações. O cliente vai perguntar o preço das lentes e tu dizes qual é. Do mesmo modo, se ele nem pestanejar acrescentas, cada lente…
É assim que me parece que o novo governo grego está a tentar negociar a sua dívida para a qual, afinal, já não pede um perdão mas que seja paga em função do PIB! Depois, vão ver no que dá e, muito provavelmente, adoçarão a nova proposta…
Não vou aprofundar os pormenores desta proposta que, sem condições muito cuidadas, me parece que seria uma recompensa para o prevaricador.
Mas não me espanta que assim procedam em face da situação a que chegaram, pois não tenho dúvidas de que, sem uma ajuda, se afundarão na tormenta que a sua desorganização causou.
Mas nada poderá ser feito de um modo precipitado e, muito menos, em jeito de conspiração montada em conversações a dois e dois quando o relacionamento em causa é com a Europa.
Não me parece, pois, bem que, depois da conversa com o ministro da economia grego, o Reino Unido invoque os prejuízos que terá para apoiar os interesses gregos, como tal me não parece o desejo grego de que os juros de Portugal aumentem significativamente para nele poderem ter mais um apoiante da sua causa.
Também uma vez mais me parece precipitada a opinião do “Nobel” Paul Krugman que tantas opiniões já deu para acabar com uma crise que nunca mais acaba e agora aconselha a Europa a aceitar as propostas gregas!
Se é certo que temos de respeitar a escolha que os gregos fizeram, é igualmente certo que terão os gregos de respeitar as escolhas dos outros bem como os interesses alheios aos quais não podem sobrepor os seus.
Não me restam dúvidas de que alguma solução terá de ser encontrada depois desta “investida” grega que, na melhor das hipóteses, pode ter a enorme virtude de acelerar um encontro com o futuro, desde há muito já marcado mas que não creio vá ser muito pacífico. 


O BALÃO ESVAZIADO!


No Expresso digital de hoje encontrei uma peça de Duarte Marques da qual recolhi o pedaço que adiante transcrevo e me parece dever ser reflectido por quem, como eleitor, tem o dever de se esclarecer para tomar uma decisão que será da maior importância para o futuro de todos nós.
É particularmente oportuno recordar certas coisas no momento em que Costa e o “seu” PS tentam branquear propostas antigas que em afirmações recentes renegam, como naquela em que afirmou ter sido a diferença entre o PS e o PASOK a conclusão mais evidente da vitória do Syrisa na Grécia.
“SOLUÇÃO DO PS FOI A QUE FALHOU NA GRÉCIA
Apesar do PS não ser Syriza desde o berço, a verdade é que se Portugal está hoje numa posição completamente diferente da Grécia, é porque não seguimos o caminho defendido por Seguro, e também por Costa, que não era muito diferente do que defende o BE e o PCP em Portugal, mas que corresponde ao que foi feito na Grécia e que levou à vitória do Syriza. Ao longo destes três anos Portugal fez tudo diferente da Grécia, que por seu lado fez tudo o que o Partido Socialista defendeu em Portugal: reestruturaram a dívida, tiveram um perdão de dívida, não combateram a evasão fiscal, não cumpriram o memorando acordado e não fizeram reformas estruturais. Lembram-se?”.
Aliás, está conforme com muitas coisas que tenho dito sobre o “voluntarismo” que nada resolve nestas circunstâncias, porque será o bom senso que deverá comandar as soluções a adoptar numa Europa global que, sem dúvida, precisa de ser repensada em muitos aspectos mas que, jamais, poderá esquecer a personalidade própria dos que a constituem, moldada ao longo de muitos séculos.
Mas será difícil, sem dar um fim às disputas excessivas de poder em que os partidos tradicionais se envolveram, porque é indispensável encontrar uma solução que deve ser de todos para ter futuro. De outro modo não será solução.
Será por isso que António Costa não consegue passar da retórica redonda e requentada, dos lugares comuns estafados acerca do que tem de ser feito para as propostas concretas de como se propõe faze-lo?
Não me parece, infelizmente, que tenha valido a pena a “revolução” que Costa fez no PS, um balão que parecia querer subir tão alto mas que esvaziou tão depressa!
Duarte Marques termina dizendo que “modelo do PS para Portugal foi testado na Grécia (pelo PASOK) mas, pelos vistos, falhou”.
Veremos agora o que resulta do teste dos modelos do BE e do PCP.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A HISTÓRIA DA MACHADINHA

Conta-se que, vendo a mulher sempre muito preocupada, o homem decidiu perguntar-lhe qual a razão de tamanha preocupação que manifestava. Ela, choramingando, respondeu-lhe: sabes aquela machadinha que tens pendurada na adega? Eu estou sempre a pensar que, com o tempo, aquele cordel vai envelhecer, ficar quebradiço e, um dia, a machadinha pode cair na cabeça do nosso menino quando, por ali, for a passar!
É o que me faz lembrar o estado em que se encontra o mundo, onde todos esperam que aconteçam desgraças sem que alguém se lembre de tirar dali a “machadinha”, colocando-a a bom recato.
Pelo contrário, perante a possível queda da "machadinha" que pode ser um grande perigo, cada qual parece apenas querer afastar-se apenas dela para não ser atingido.
A Grécia, no desespero natural de quem se sente a cair no abismo, cortou o cordel que segurava a machadinha que, desamparada, vai cair. Veremos a moça que fará no chão ou nas cabeças sobre as quais se despenhar.
É certo que a Grécia fez uma dívida imensa que não consegue suportar, muito menos se os mercados continuarem a cobrar-lhe os altos juros a que lhe emprestam o dinheiro de que necessita, diz-se que a Grécia não foi transparente nas contas que apresentou a quando da sua candidatura para a entrada no euro, fala-se na corrupção que, na Grécia, encontra uma terra fértil para crescer e pouca gente acreditará que os gregos sejam capazes de, por si, resolver a gravíssima crise em que caíram.
Tomar uma atitude desesperada e drástica seria o corolário lógico da situação criada, como o faria qualquer náufrago que, com medo de se afogar, se agarra a outro que arrasta consigo para o fundo. Como natural me parece que, mesmo sem saber como a aguentar, o governo grego toma a decisão de aumentar o salário mínimo, as pensões e reintegrar funcionários dispensados, sem o que cairia ao fim de poucos dias. Seja o que Deus quiser...
O grave é que me parece que este náufrago, a Grécia, não encontrará bóias a que se agarrar na sua intenção é regressar ao crescimento económico que se vê decrescer por toda a parte.
A Reserva Federal Americana lançou biliões e biliões de dólares no mercado que fizeram aumentar a procura interna e fez "mexer" a economia mas não aumentou significativamente as suas exportações. Aliás, para quem exportaria?
O BCE vai fazer o mesmo na Europa e talvez os resultados não passem de ser os mesmos.
As ditas economias emergentes que iriam mexer com os mercados mundiais não crescem como se esperava. Pelo contrário, decrescem.
E, para baralhar mais as contas, acontece uma crise do petróleo atípica, diferente das que antes já tivemos, que faz um bem cada vez mais escasso baixar de preço!
E não me vou esquecer do alerta lançado por um economista que afirma ter a “poderosa” Alemanha uma dívida encoberta de 5 biliões (milhões de milhões) de euros, como não esqueço as circunstâncias difíceis da Rússia que pode ser causa de alguma atitude desesperada também e a forte desaceleração significativa da economia chinesa em relação à pujança que mostrava há poucos anos atrás.
Afinal, tornou-se iminente o choque com o futuro, aquele que nos fará acordar deste sonho de vida fácil que nada me faz crer que possamos recuperar.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

QUALIDADE OU AUDIÊNCIAS?


Ainda há pouco, comentava Marcelo Rebelo de Sousa o programa da nova Administração da RTP, com mais programas para crianças e para jovens, mais programas culturais, mais produção nacional, melhor informação, etc etc etc, o que levou Judite de Sousa a perguntar-lhe se achava que tal programa seria sustentável, porque uma coisa é a qualidade do que se apresenta e outra coisa são as audiências.
Percebi, finalmente, que os apresentadores dos programas que captam mais atenções sabem como, apesar disso, é muito baixa a sua qualidade.
Mas se é disso que a maioria gosta e tratando-se de canais privados, não se lhes pode negar o direito de apresentarem os programas que mais lhes rendam com a publicidade que as boas audiências granjeiam.
O que me não agrada nada é a conclusão directa que disto posso tirar, a qual revela o nível das audiências em Portugal cuja satisfação, pura e simples, o não fará melhorar.
Então para que elevar o nível de programação da RTP1 cujos custos todos suportamos se, tal como diz a Judite, corre o risco de ser outra RTP2 quase sem audiência?
Não sei responder a esta pergunta que me sugere uma outra que é: para que serve um serviço público que tanta gente reclama mas que tão pouca gente vê?
Ou será que deveria a RTP adoptar também uma “casa de qualquer coisa”, mas de mau gosto com certeza, porque é disso que o povo gosta?

Complicada questão, não é?


PROVAS PROIBIDAS?


Como leigo numa matéria em que não é a inteligência que comanda, porque são as leis, boas ou más, que o fazem, sinto a maior dificuldade em entender o que sejam provas proibidas!
Provas são provas, são o que nos orienta no sentido da verdade que pretendemos descobrir, sem outras regras ou reservas de legalidades que a possam negar.
Assim é como eu penso e, estou certo, todos os que estejam de boa fé.
Apesar de todos os indícios que me fazem crer não ser Sócrates uma personalidade confiável, tenho evitado fazer juízos, como é próprio de alguém a quem não compete absolve-lo ou condená-lo.
Agora, os ditos e não ditos do próprio Sócrates, as oportunas falhas de memória, a questão da posse dos milhões que não eram seus mas que, afinal, parece que são mas uma qualquer lei de perdão fiscal ou outra coisa parecida poderia retirar das acusações que lhe sejam feitas, além de uma riqueza pessoal que nada justifica, não podem deixar de me fazer crer que haverá irregularidades graves no comportamento de alguém que já foi o maior responsável dos destinos deste país. Nunca votei nele, mas a maioria dos meus concidadãos já votou.
Deve ser trabalhoso este processo de esclarecer o que será o resultado de procedimentos perversos de alguém para quem tudo vale para alcançar os seus objectivos. Ou não será, quem sabe?
Mas não ficarei surpreendido se, no final, nos labirintos das leis que não foram feitas pensando em “esquemas” tão elaborados mas, tão só, para quem se descuide em coisas muito menos relevantes, tudo acabe em “águas de bacalhau”. Não seria coisa nunca vista neste país de corrupção que a Justiça não consegue condenar. Pelo contrário.
É por coisas assim que tanto bandido anda à solta e continua a ter as reverências daqueles para quem o dinheiro é a consciência.
Não sou advogado e muito menos juiz mas, definitivamente, e pelas confusões que Sócrates e a sua defesa já fizeram, já não é com dúvidas que faço o meu juízo deste ex-primeiro-ministro de Portugal.
Além de me parecer que anda muita gente receosa de para onde este processo possa, ainda, encaminhar-se...