ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 11 de março de 2015

NAQUELE 11 DE MARÇO…


Pela proximidade do aeroporto de Lisboa do local onde então trabalhava e, por isso, pela normalidade do ruído aviões, não me apercebi imediatamente do “ataque aéreo” ao RALIS, o quartel que, da janela do meu gabinete, eu podia ver do outro lado da estrada.
Mas, depois, vi um avião em voo picado a lançar uns “rokets” sobre os pavilhões onde eram guardados equipamentos e viaturas.
Era notável a facilidade com que aqueles obuses atravessavam paredes e as placas de fibrocimento dos telhados sem nada estilhaçar mas que, depois, não explodiam! 
Nenhuma outra parte do quartel vi ser atingida. Nem um homem, de camisola encarnada, que manuseava um carrinho de mão do outro lado do terreiro que ficava em frente dos pavilhões atingidos, me pareceu preocupado com o que se passava, pois nem sequer interrompeu o que fazia!
Depois, já no terraço do edifício, de onde, com os meus colegas, apreciei melhor a “guerra”, dei conta de uns quantos soldados que tomavam posições no parque de estacionamento em frente do edifício, sem cuidados pelos canteiros de flores que eram o ai Jesus de um colega que deles cuidava carinhosamente. Irritado gritou para o guerreiro “ó amigo, não vê que me está a estragar as roseiras?”.
O homem olhou para cima e a falar baixinho perguntou “isso é comigo”?
Temi o pior mas, após a confirmação de que era mesmo com ele, o guerreiro pediu desculpa e mudou de lugar!!!
O pior foi no dia seguinte quando vi o modo como foi abatido a tiro o condutor de uma pequena viatura que, em marcha normal, se dirigia para as portagens da auto-estrada. Seria um mini sobre o qual, sem qualquer motivo aparente, para além de uns quantos gritos indecifráveis que soltavam uns "revolucionários" desde um distante viaduto, dispararam uns “valentes” que, exteriormente, patrulhavam o quartel. Decerto sem fazerem ideia do que faziam…
Sobre o volante caiu o corpo inanimado do condutor e do carro vi sair, amparada, uma mulher loira. O caso ficou conhecido como “a morte do filho da Antónia”.


O ACORDO DA VERGONHA!


É muito difícil entender as razões dos que nos pretendem impor um acordo ortográfico com o qual apenas eles concordam!
Não sentirão o ridículo de estarem sós numa batalha em que apenas o poder que detêm lhes permite vencer?
Tal como Pessoa, estou certo de que todos sentimos, na língua que falamos, a pátria de que somos parte, o orgulho do passado que a levou por todo o mundo e, assim, a tornou a língua de tantos que, parece que melhor do que os próprios portugueses, a não querem mutilar de forma grosseira.
Por isso, uma vez mais, perante a agressão violenta à pátria de todos nós, me revolto contra a decisão ignóbil de tornar obrigatório um “acordo ortográfico” com o qual mais ninguém concordou.



POLÍTICA OU REALIDADE?


Quando tal se proporciona, presto atenção àqueles programas das Comissões Especializadas da Assembleia da República quando interrogam personalidades das quais desejam explicações.
Hoje foi o dia de ouvir o que tinham a perguntar ao Ministro da Saúde e as respostas que ele daria, o que me pareceu que seria muito interessante pelo que, sobre a saúde, ultimamente se tem dito.
Naturalmente, ia o ministro preparado com a informação necessária para as perguntas previsíveis. Valores, números, estatísticas que mostravam a evolução no domínio da saúde ao longo dos últimos anos.
Do outro lado estavam as críticas dos que dizem ter este governo destruído os Serviços de Saúde, nas quais esquecem, naturalmente, as dívidas monstras antes acumuladas, a corrupção e os roubos numa área tão sensível que não poderia deixar de se ressentir com tudo isso. Dívidas que estão a ser reduzidas com o dinheiro que todos temos de pagar e crimes cuja investigação e julgamento nos custam bem caro, também.
Curioso foi o que disse uma deputada, daquelas para quem apenas o dizer mal conta: ó senhor ministro, deixe-se de explicações com números e questões técnicas e vamos é discutir politicamente este assunto, pois toda a gente sabe que… e desfiou os chavões das suas “verdades”, aquelas que a oposição radical propala sem a menor intenção de analisar seriamente seja o que for, porque considera que “estar contra” é a sua mais autêntica função!
Bem diferente do que eu penso, pois esperaria, daqueles a quem também pago, trabalho, seriedade e soluções para os problemas, em vez das discussões em que se perdem.
Assim, entre as explicações que o ministro deu e as críticas em que a oposição insistiu, ficou uma frustrante sensação de inutilidade ou, mais até, de uma inconsciência profunda da urgência de resolver os problemas que sentimos, utilizando os meios que temos.
E ficou perfeitamente claro o que é uma discussão política, um entendimento que dá razão ao que tantas vezes tenho dito: política é a arte de fazer crer que é o que daria jeito que fosse.


terça-feira, 10 de março de 2015

AFINAL, A TROIKA EXISTE!


Obviamente, mais cedo ou mais tarde a mudança tem de acontecer. Se a austeridade não resolve os problemas que temos, também o voluntarismo os não resolve porque, afinal, a Troika existe. Chame-se como se chamar àqueles “fiscais” que controlam como os devedores satisfazem os compromissos que lhes garantem o dinheiro de que necessitam.
O problema, porém, está em pretender que funcione uma “economia” que já não dispõe dos meios que lhe permitiram a ilusão de que pode crescer eternamente.
De imediato e como factos o comprovam, a “revolução” do Syrisa não serviu para grande coisa porque nada irá acontecer, na Grécia ou na Europa, diferente do que já acontecia antes. Mas poderá servir no futuro quando ficar definitivamente claro que, dêem-se as voltas que se derem, não será nenhum destes caminhos que nos afastarão da crise que teima em tomar conta desta economia em declínio.
Serão necessárias reformas autênticas e bem mais profundas que nos orientem para caminhos diferentes que nos levem a utilizar melhor os recursos naturais que são, afinal, tudo o que temos para sobreviver.
Não serão “revoluções semânticas” que salvarão a Grécia do caos em que se afoga, como não serão o que nos aliviará das dificuldades que sentimos.

Enfim, será quando aprendermos a gerir aquilo que temos e, com isso, garantir a dignidade de todos os seres humanos, que construiremos o socialismo que a mentira da falsa abundância não consegue criar.


domingo, 8 de março de 2015

AS CAUSAS E OS SEUS EFEITOS


O ilustre economista Daniel Bessa defende o bem conhecido princípio causa-efeito ao dizer que “as mesmas causas produzem as mesmas consequências. As causas que produziram o primeiro, o segundo e o terceiro resgate, em grande parte, continuam aí”.
Como todos deveríamos saber e a Comissão Europeia recentemente nos lembrou,  persistem “desequilíbrios macroeconómicos graves e excessivos” em Portugal, uma situação que faz com que o risco de o país voltar a precisar de ajuda externa seja, ainda, elevada. O que, aliás, o Governo sempre nos lembrou.
Daniel Bessa realça a dificuldade em levar a cabo reformas estruturais que, admite, só chegarão quando um novo resgate nos obrigar a tal.
E eu sei que o Governo sente muitas dificuldades para fazer certas reformas que vão contra interesses muito fortes e há muito instalados. Todos o sabemos. 
Felizmente, eles começam a dar mostras da fraqueza em que se encontram porque as carências a que os excessos nos levaram já não permitem as fantasias que deles faziam os “donos disto tudo”.
Mas o que serão essas reformas estruturais das quais Portugal tanto necessita para se livrar das consequências nefastas de um novo resgate, ao qual o menor deslize nos reconduzirá?
São aquelas que impõem as práticas que equilibrem o nosso orçamento, pautando os gastos pelos recursos que formos capazes de valorizar, sem esperar pela caridade de uma “Europa Social” ou outra qualquer em que as poupanças de uns paguem os excessos de outros.
É hora de sermos objectivos na análise da situação que vivemos que não deixa margem para esperar o milagre de voltar a viver os descuidos que já vivemos.
Acabou-se a “teta” que saciava os vícios que julgávamos poder sustentar para todo o sempre, não há como pagar a quem não produza ou não tenha produzido, nem há como sustentar os direitos que o “socialismo irreal” criou para se impor e, agora, volta a prometer para recuperar o poder sem o qual não conseguirá mais existir.
De facto, as mesmas causas produzem os mesmos efeitos e o de voltar a uma situação de pré-bancarrota é, pelas atitudes voluntaristas que o syrisismo fez recrudescer, o que mais corremos o risco de voltar a sentir. 
Mas, em vez de pensarmos nisso, nesse risco grave que corremos, perdemos o tempo com falsas questões que acabam em ataques pessoais que justificam que, quando não há ideias, é de tretas que se fala.


quinta-feira, 5 de março de 2015

A CAMPANHA DA TRAMPA!

Pronto! Já todos sabemos por que andaram a vasculhar os registos de Passos Coelho nas Finanças.
E Passos Coelho, como a maioria de nós, teve as suas falhas, os seus atrasos mas, ao que consta, não deixou de pagar como era seu dever e com os juros que os seus atrasos mereceram.
Estamos muito admirados de que? Que tal tenha acontecido ou que não tenham encontrado actos ilícitos semelhantes àqueles de que alguns já são suspeitos ou acusados e outros mais estão para ser?
Será esta a “miséria moral” que leva o país por maus caminhos e o colocou na bancarrota?
Não sei o que se pretende com todas estas manobras de diversão que em nada contribuem para a procura das soluções milagrosas que alguns dizem ter para melhorar o país mas que, por mais que esperemos, não aparecem.
Nesta pré-campanha eleitoral de tudo se fala menos do que seria bom que se falasse e que são os problemas do país e do mundo do qual faz parte.
Mas não creio que seja isso que vamos ter nesta campanha eleitoral que, a continuar assim, só pode ser a “campanha de trampa” porque é só disso que andam à procura!
Ideias? Não vale a pena procura-las porque não há nenhumas.
Deste modo vamos escolher quem nos possa bem governar ou quem menos trampas tenha feito?
Afinal, onde estão os estadistas deste país que nem os investigadores da vírgula conseguem encontrar?
Em lado algum, que me conste.
E enquanto vejo os poderosos, os “donos disto tudo” irem para o buraco e serem desfeitas, aos poucos, as teias mafiosas que a libertinagem construiu, só me resta a esperança de que os meus filhos e os meus netos possam viver uma democracia autêntica e um socialismo de verdade que estes que temos não são! Uma vaga esperança, infelizmente.
Senão digam-me: qual é o político a quem a crise afectou?
Mas começamos a saber para onde foi o nosso dinheiro, aquele que nem com multas alguém pagou ou devolveu…
Estou-me nas tintas para questões menores, para falsos moralismos, para civismos hipócritas, porque apenas queria, como um dia Diógenes também quis, encontrar um HOMEM com ideias. Porque politiqueiros há demais.

NOTA:
Dizem que Diógenes perambulava pelas ruas de Atenas conduzindo uma lanterna acesa em plena luz do dia. Indagado por populares sobre a lanterna, respondeu: “Procuro um homem honesto!” Se vivo fosse nos dias atuais, Diógenes teria que andar muito para conseguir o seu intento.

(A lanterna de Diógenes – Ailton Salviano, geólogo/jornalista (ailton@digi.com.br))



terça-feira, 3 de março de 2015

OS ATIRADORES DE PEDRAS

Sem que as irregularidades que se pratiquem sejam, de todo, para esquecer, pois, conforme a sua gravidade e intenção, devem ser julgadas e punidas conforme a lei, há uma coisa que esta campanha contra Passos Coelho por causa de uns pagamentos à Segurança Social me faz lembrar, a tradicional hipocrisia dos que resolvem os problemas atirando pedras, esquecendo as pedradas que eles próprios já mereceram ou teriam merecido.
É verdade que, durante muito tempo, as mais simples práticas de cidadania eram banalizadas ou até deliberadamente desrespeitadas e, por isso, passaram incólumes atitudes reprováveis contra o Estado que somos todos nós, algumas legalizadas até por decisões que aqueles a quem conferimos o poder para o fazer, tiveram o despudor de tomar. Como, aliás, continua a acontecer.
Mas, o mais relevante desta campanha que, de outros modos, parece não conseguir ser bem sucedida, é ser feita aos níveis rasteiros onde as questões que seria necessário e urgente discutir não têm importância, o entendimento correcto das coisas não existe, a vigarice intelectual é um dote muito apreciado e os procedimentos grosseiros são os mais louvados.
É tudo quanto é necessário para continuar o jogo do “agora tu, depois eu” que, de equívoco em equívoco, nos foi conduzindo à situação estúpida em que nos encontramos e que, infelizmente, ainda pode piorar. É um verdadeiro hino à estupidez que a curteza de vistas compõe. Abusando dos sustenidos, talvez!
É assim que queremos continuar? É pior ainda que desejamos ficar?
Os problemas sérios não se resolvem com campanhas estúpidas e menos, ainda, com vigílias à porta de uma cadeia!