ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 5 de dezembro de 2015

AFINAL, HAVERÁ ACUSAÇÃO!



Quando parecia que o Caso Marquês tinha caído no esquecimento porque a CMTV deixou de o poder acompanhar e os advogados de Sócrates já não falam tanto como falavam, sei lá se por já não terem as certezas que diziam ter de não haver provas e muito menos acusação, eis que surge a seguinte notícia (Expresso):
A procuradora-geral da República já escolheu o procurador do Ministério Público que vai acompanhar a investigação e fazer o julgamento de José Sócrates, o ex-primeiro-ministro suspeito de corrupção, branqueamento de capitais e evasão fiscal.”
Isto apenas pode significar que haverá julgamento e, logo, acusação, a tal para que não havia provas.
Não conheço Sócrates de lado algum e nem sequer alguma vez o vi de perto a não ser numa reunião de professores numa Universidade onde eu leccionava, na qual nem imagino o que estaria a fazer. Talvez por isso entrou mudo e saiu calado…
Não tenho, por isso, razões para preconceitos quanto à sua culpa ou inocência nos crimes pelos quais o fizeram suspeito.
Mas esta notícia atenuou um pouco a intranquilidade que sentia por causa de um processo cuja complexidade as notícias deixavam bem evidente e tantas explicações de tanta gente, sobretudo do advogado de Sócrates, mais não faziam do que baralhar.
Teria a Justiça portuguesa razões para o que fazia ou estaríamos na iminência de a ver enxovalhada?
Será Sócrates o “bandido” que a investigação conhecida faz crer que seja ou não passará de um pobre inocente a quem a maledicência estragou a vida?
Continuo sem saber o que ele seja, mas se vai haver um julgamento, ou vários até, fico tranquilo porque a Justiça estará a fazer o que lhe compete.
Nem quero imaginar o que seria se, num país onde tanta coisa esquisita tem acontecido no âmbito de outros poderes, a Justiça também ruísse.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

BREVES CONSIDERAÇÕES A PROPÓSITO DE CONFERÊNCIAS SOBRE O AMBIENTE E AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS (IV) (AS PREOCUPAÇÕES AMBIENTAIS NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA)

Na Assembleia da República Portuguesa, onde há deputados eleitos em nome de partidos que têm nos seus programas, como preocupações essenciais, a preservação do Ambiente (PEV) e o respeito pela Natureza de que as pessoas fazem parte (PAN), seria de esperar, em momento tão decisivo para o futuro da Humanidade das quais a Conferência de Paris sobre as alterações climáticas é prova, ouvir deles intervenções esclarecidas e determinadas sobre a necessidade de travar este processo de auto-destruição que, como é hoje generalizadamente entendido, o crescimento económico contínuo e excessivo, sustentado pelo consumismo, provocou.
Em vez disso, o PEV desde há muito que perdeu a sua identidade, se a teve alguma vez, para ser uma mera extensão do PCP que, deste modo, dissimula o seu nome em eleições, aumenta o número de deputados na AR e estende o tempo total de intervenção no parlamento.
Jamais me dei conta de este estranho partido fazer da defesa do Ambiente a sua preocupação maior e, nem sequer, conheço as suas propostas ou posições neste momento de decisões importantes e, porventura, definitivas para o futuro do mundo. Limita-se a seguir o “patrão” no seu esquerdismo tacanho e bolorento, por mais generoso que pretenda ser, sem fazer ideia de quais sejam os problemas que o desejado acréscimo de consumo que o programa de governo que apoia poderia gerar se fosse alcançado.
Quanto ao PAN que, no seu programa, chama a atenção para o lugar que o Homem não tem sabido ocupar na Natureza a que pertence, não deu, ainda, provas da sua capacidade de intervenção mas, por algumas posições que tem tomado e pela falta de afirmação dos seus princípios, não parece ser o partido esclarecido que, nas circunstâncias, seria bom que fosse.

BREVES CONSIDERAÇÕES A PROPÓSITO DE CONFERÊNCIAS SOBRE O AMBIENTE E AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS (III) (A “ESCURIDÃO” DE ÁFRICA)



(A iluminação no mundo)

É uma autêntica novidade na política mundial ver tantos chefes de Estado verdadeiramente preocupados com o futuro da Humanidade, a ponto de descobrirem, finalmente, as desigualdades profundas que fazem de vastas áreas deste planeta os autênticos infernos em que a ganância de outros as transformou.
É paradigmático o caso de África, o Continente das mil desgraças onde, melhor do que em outro qualquer lugar da Terra, o célebre “em terra de cegos quem tem olho é rei”, se traduz nas diferenças abissais entre o muito que muito poucos possuem e o nada que a enorme maioria possui.
Acabou um tipo de colonização, implantou-se outro, porventura bem mais duro e desumano que faz de África o Continente mais pobre do mundo pela corrupção que a “liberdade” consente.
Que em cada três africanos, dois não têm acesso a electricidade, foi realçado na Conferência de Paris que, por essa razão, julga encontrar qualquer solução nos milhares de milhões que lhes darão para desenvolvimento de energias limpas para evitar que queimem os combustíveis fósseis que outros continuarão a queimar.
A verdadeira “escuridão” de África pode resultar desta estatística inimaginável mas que, apesar disso, não faz jus à realidade bem maia dura da maioria dos que ali vivem pela água imprópria que bebem, pelas fome e sede que sentem, pelas doenças de que são vítimas, pelas sub-humanas condições de vida a que os excessos poluentes de outros os obrigaram.
Eram previsíveis as consequências do estatuto de coutada de que África se não viu livre, de depósito de lixo em que se tornou, terra de doenças mortíferas cujos vectores ali se acumulam e dos quais uns quantos, com alma de missionário, tentam proteger os infelizes sem condições para sobreviver.
E que farão depois de melhor iluminados se, de facto, os milhares de milhões para isso servirem?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

NÃO ME INTERESSA O QUE OS POLÍTICOS ME PROMETAM. ESPERO PELO QUE O FUTURO ME DIRÁ



Depois do golpe constitucional que levou Costa ao poder, com promessas capazes de convencer até os menos distraídos, surpreende-me não encontrar agora muito quem louve as iniciativas que o novo governo se propõe tomar ou se manifeste esperançado no futuro feliz que elas proporcionarão.
Pelo contrário, são muitas as preocupações de muita gente que, porventura mais esclarecida agora, teme as consequências desta política anti-austeridade que seduziu tanta gente mas que agora os faz temer as consequências da política despesista que, na realidade, é.
Não creio que seja este o melhor momento para uma política de faz-de-conta porque há muito se acabaram os excedentes com que os erros eram tapados mas nunca resolvidos.
Ainda que, depois de acenar com elas, algumas das medidas mais significativas para aumentar as receitas das famílias tenham sido já retiradas e outras significativamente mitigadas, a verdade é que a lista das despesas que António Costa, mesmo assim, ainda mantém, parece um presente envenenado que apenas os mais inconscientes não receiam.
É que, se num orçamento, o que mais contam são as despesas e as receitas ou, melhor dizendo, o saldo que da comparação entre as duas resultar, naquele que a magia do PS vai apresentar, não parece haver como duvidar de que as primeiras excedem significativamente as segundas, o que, sem qualquer dúvida, apenas pode significar mais endividamento que, com juros, agora mais elevados, teremos de pagar.
Isto sem contar com os exageros nos crescimentos económicos previstos mas que não vejo como justificar. Pelo contrário, noto contracção nos investimentos, abrandamentos em projectos em curso, desconfianças quanto ao futuro das finanças públicas.
Parece-me que a situação financeira de Portugal não consente, ainda, estes devaneios de que que António Costa necessita para cumprir as suas pretensões de carreira política que, para já, o sentam na cadeira de primeiro-ministro.
E para mim que não sou nem político nem percebo de Economia, a ciência que, afinal, tem mais de engenharia do que a engenharia que eu conheço, se não for, mesmo, o maior manual de prestidigitação jamais escrito, os receios de um retrocesso profundo na evolução feita para equilibrar as contas, o que é indispensável antes de pensar em maiores voos, são cada vez maiores, porque não consigo descobrir, na complexidade dos artifícios usados para explicar o inexplicável, a simplicidade própria das coisas bem feitas e que todos compreendem.
Mas e como sempre, o futuro é o grande mestre e teremos de esperar pelo que nos vai dizer.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

BREVES CONSIDERAÇÕES A PROPÓSITO DE CONFERÊNCIAS SOBRE O AMBIENTE E AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS (II) (A POLÍTICA E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO)



Quando se analisa a parte sem levar em conta o todo a que pertence, são inevitáveis erros graves de apreciação, particularmente quanto à dimensão real do que é analisado.
É o que sucede quando focamos a nossa atenção em algo que nos atrai e desejamos possuir ou que aconteça, sem reflectir sobre as consequências que terá.
É o que mais frequentemente acontece, por incapacidade de abranger a dimensão do todo ou porque desejamos que se esqueça tudo o mais para além do que seja a causa do nosso maior interesse, como se ele fosse o próprio todo que se faz crer não ser função de coisa alguma.
É assim na Política que rejeita e dissimula as mudanças que possam afectar as suas empedernidas crenças, mas não o é na Ciência que sempre afere pelos novos conhecimentos que adquire os que, até aí, já alcançara.
É o desencontro entre o conhecimento que a Ciência vai revelando e as decisões políticas que o deveriam ter em conta. Em vez disso, a política tende a negá-lo e sistematicamente o faz quando não convém aos objectivos económicos que traça, mantendo a atitude de negação mesmo quando a realidade lhe mostra o contrário nas crises que lhe impõe.
Que sentido fará que apenas ao fim de quase setenta anos depois de começarem a ser discutidas, no âmbito político, os problemas ambientais e há já mais de quarenta as alterações climáticas que a actividade económica causa, se conclua não ser mais possível adiar as atitudes que evitem consequências desastrosas?
Por isso, infelizmente, não acredito que, depois da Conferência de Paris, aconteçam as mudanças que seriam necessárias, até porque são bem mais profundas do que a simples redução das emissões de gases de estufa as medidas que o reequilíbrio climático exige, entre as quais as que reponham a captação de dióxido de carbono pelos oceanos e pelas florestas, muito prejudicada pela excessiva redução das áreas de floresta húmida e pela intensa poluição oceânica.
Uma desflorestação intensa pelo consumo de madeira e pela recuperação de espaços para a criação de gado prejudica a sua função natural equilibradora e nos oceanos, para além de numerosos desastres ecológicos que já aconteceram, flutuam cerca de 300 mil toneladas de plásticos!
E para isso seria necessário um modo diferente de viver, mais em conformidade com os equilíbrios naturais que estamos a destruir, o que não se me afigura fácil.
Porque, como afirma um velhíssimo ditado oriental “se o teu projecto é para 100 anos, educa o povo”!

1º DE DEZEMBRO DE 1640



Em momento em que se esperam batalhas duras pelo futuro, para recuperar a vida perdida nos devaneios de um modo de viver leviano e perigoso, recordar os feitos heroicos dos nossos antepassados e o modo como superaram os problemas mais difíceis é, com certeza, a inspiração de que necessitamos e, também, a lição de que nada se consegue sem determinação e sem luta.
É por isso que este dia e o relembrar de factos infelizmente esquecidos por muitos de nós, me parece oportuno.

A morte, ainda sem descendência, do jovem D Sebastião em Alcácer Quibir, tornou Rei de Portugal o seu parente mais próximo, o Cardeal D Henrique que, pela sua idade avançada e situação eclesiástica não podia ter descendência e, por isso, pôs a questão da sua sucessão às Cortes de Lisboa de 1579.
Segundo as leis vigentes, sucederia ao Rei o seu parente mais próximo. Em caso de igual proximidade, seria escolhido um de sexo masculino, sendo preferido o mais velho.
O Cardeal foi escolhido segundo essa regra e, na lista, seguiam-se diversos outros, entre os quais Filipe II de Espanha, neto de D Manuel I, Rei de Portugal, e D João I, Duque de Bragança.
D António, Prior do Crato, neto ilegítimo de D Manuel I também se posicionou na sucessão porque não via com bons olhos a entrega da coroa a Filipe de Espanha que, talvez por este aliciados, alguns nobres apoiavam e o próprio Cardeal D Henrique havia indicado também, em condições que considerava favoráveis a Portugal!
D António chegou a ser coroado, reinou no Continente mas, depois de derrotado na Batalha de Alcântara, refugiou-se no Norte e acabou confinado aos Açores onde a derrota na Batalha Naval de Vila Franca, junto à ilha de S Miguel, pôs um fim às suas pretensões, exilando-se em França.
Filipe II de Espanha chegou a Lisboa e foi aceite como Filipe I de Portugal (1580-98) pelas Cortes de Tomar na condição de apenas indicar portugueses para a administração, ser seguido por Cortes frequentes em Portugal e um Conselho português em Madrid.
Assim se consumou a União Dinástica Ibérica que garantia a total autonomia de Portugal, à semelhança do que se passara com Aragão, a qual durou até ao dia 1º de Dezembro de 1640, quando era rei Filipe III de Portugal, IV de Espanha, e foi deposta pela revolta chefiada por D João Pinto Ribeiro que, invadindo o Cais da Ribeira, prendeu a Duquesa de Mântua e defenestraram secretário de estado Miguel de Vasconcelos.
Este golpe palaciano foi a consequência de muitas reuniões secretas para reabilitação da Monarquia Portuguesa, pela qual o povo cada vez mais reclamava em consequência da degradação das condições de vida que o rei espanhol tornava difícil com os constantes aumentos de impostos e pelo seu desrespeito pelas condições impostas nas Cortes de Tomar.
D João, Duque de Bragança e trineto de D Manuel I acedeu a encabeçar a causa da restauração, diz-se que incentivado por sua esposa Dª Luiza de Gusmão.
Depois do sucesso do 1º de Dezembro, no dia 15 do mesmo mês foi o Duque aclamado solenemente em Lisboa como D João IV, Rei de Portugal, o primeiro da Dinastia de Bragança.
Mas a independência de Portugal e a reintegração das suas partes que a União Dinástica Ibérica tinha descuidado e abandonado à voracidade dos piratas ingleses e holandeses, apoiados pelos respectivos governos, apenas foi garantida por acções de determinação e de coragem que, então, eram timbre dos portugueses.
Foi uma guerra que durou mais de 30 anos!
O Obelisco dos Restauradores, em Lisboa, relembra tais acontecimentos (ver publicação de 29 de Outubro).
Durante muitos anos, sempre o 1º de Dezembro foi a celebração patriótica em que se cantava “baqueou a tirania, nobre povo és vencedor…”.
Hoje, infelizmente, nem como feriado nacional se comemora!