ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

MMA, O ANTI-DESPORTO



Ver alguém já em evidente e avançada decadência física e imobilizado no chão, ser socado com excessiva violência na cabeça por um outro que apenas se detém ao nono golpe por imposição do árbitro, é assistir a um massacre necessariamente mortal numa luta que há quem insista ser um desporto!
Terminado o combate que deixa um homem totalmente prostrado, afasta-se o “herói” da sua vítima para festejar junto a uma horda de desumanos que, em delírio, o aclamam.
Barbárie da mais pura que a TV mostrou a todo o mundo que, com excepção de uma minoria de acéfalos, sem a menor hesitação a condenou.
O próprio campeão mundial da modalidade terá afirmado, perante o que viu, que o árbitro permitiu o assassinato de um homem.
Pelo que eu vi, qualquer um daqueles 8 ou 9 golpes seria bastante para ter consequências muitíssimo graves na saúde de qualquer pessoa. Porventura até matá-la.
Trata-se do MMA, "desporto" que ontem ficou tristemente célebre entre nós em consequência da morte de um português num torneio realizado na Irlanda, o qual resulta do “selvagem” VALE-TUDO, mas, em consequência de algumas regras que ninguém explica, ao certo, quais sejam para além de se não poder meter o dedo no olho ou arrancar cabelos, foi oficialmente reconhecido como desporto e autorizado.
Ridículo!
Por isso, nos breves 14 anos que leva de história, são já 8 as mortes causadas por esta arte selvagem praticada por indivíduos que se julgam super-homens.
E se estas mortes aconteceram, quantas mais consequências nefastas e irreversíveis, daquelas que reduzem drasticamente a qualidade de vida terão acontecido e quantas mais, ainda, tornarão os finais de vida destes “heróis” e de quem deles tenha de cuidar, um verdadeiro martírio.
Poderá continuar o MMA a ser um desporto oficialmente reconhecido e cuja prática se autoriza?
É que, por mais que os que o praticam se considerem super-homens, os super-homens não existem!
Felizmente, o caso é tão repugnante, que a polícia irlandesa está a investigar as condições em que esta morte aconteceu.

domingo, 10 de abril de 2016

O CIRCO DO DEUS DINHEIRO



Ainda não percebi a euforia do “jornalismo de investigação” nesta questão dos “papeis do Panamá”, uma lista que alguém lhes fez chegar e na qual me parece que tudo é confundido porque mistura factos naturais de quem, no sistema capitalista que vivemos, procura melhor rendimento para o seu dinheiro, com lavagem de dinheiro proveniente das mais diversas más práticas como fuga aos impostos, traficância, negócios ilegais e corrupções diversas.
Na análise que dizem vir a fazer de há um ano até agora, não me parece haver mais do que uma listagem de quem tenha dinheiro em off-shores o que, só por si, pode nem ser um crime.
Para além disso, se crimes existem, e existirão com certeza e não serão poucos, competirá à polícia de investigação tratar disso pois jamais serão os jornalistas quem pode ilibar ou condenar seja quem for pelas práticas que tenha.
De resto, que investiga o famoso “consórcio jornalístico mundial”? Nomes, apenas nomes com que vão enchendo páginas de jornal e horas de televisão, com tal pompa e circunstância que até parece terem descoberto a pólvora.
Se o pai do primeiro ministro inglês investiu, há muito tempo, umas quantas libras através de um off-shore e com isso ganhou algum dinheiro que, por morte, deixou ao filho, por que será isto, só por si, notícia? Porque se trata de um primeiro-ministro?
Obviamente porque interessa à comunicação social que assim vende mexericos ao preço de informação.
Se um industrial de não sei de onde fez o mesmo… o que é que tem se o tiver feito sem desrespeitar os seus deveres fiscais? Mas dele se fala uma vez e pronto porque, publicamente, não passa de um Zé Ninguém a que ninguém presta importância.
Ora, se eu não tenho visto mais do que citar uns quantos nomes, umas poucas dezenas que dizem ser o princípio de uma longa lista, o que terão andado a investigar ao longo de um ano inteiro?
Parecem miúdos deslumbrados com o seu brinquedo novo.
Melhor seria, creio eu, avaliar os impactes de tais práticas, mesmo se legais, nas economias e na situação crítica em que se encontra o mundo e disso tirar conclusões que permitam analisar o presente que vivemos para melhor prepararmos o futuro que aí vem.
Mas o que vejo é que ainda não entenderam a realidade de um mundo que deixou de permitir, sem consequências graves, a bagunça de atitudes que fizeram o sucesso de uma economia de mentira que os explorados aplaudem porque, assim, julgam viver melhor.
A economia só pode “crescer” se comprarmos o que não precisamos, bens supérfluos e de ostentação, se deitarmos fora o que ainda pode ter préstimo e o substituirmos por algo que apenas é mais recente, o que tantas vezes fazemos assumindo   compromissos financeiros excessivos, incompatíveis até com as nossas potencialidades. O que, curiosamente, faz crescer a economia!
São os que com isso lucram muito dinheiro que colocam fortunas em off-shores que o utilizam para constituir os “mercados” que exploram os países que pagam essa exploração com os impostos cada vez mais elevados que cobram aos cidadãos que, deste modo, são duplamente explorados.
Afinal, é o dinheiro de todos nós que por ali anda nos “papeis do Panamá” ou de outros off-shores quaisquer, dos muitos que há pelo mundo.
É o dinheiro com que comprámos o que nem nos fazia falta, aquilo com que substituímos o que ainda prestava, a droga com que nos matamos, o dinheiro que os poderosos nos roubam em esquemas de corrupção sofisticados, mas a quem continuamos a prestar vassalagem pelo dinheiro que têm.
Por fim resta-me uma pergunta: por que será que aquela lista imensa de supostas infracções foi enviada a um jornal e não a uma polícia que a pudesse, de facto, investigar?

sábado, 9 de abril de 2016

MARCELO E A MAIORIA QUANTITATIVA DE ESQUERDA, SEGUNDO ALFREDO BARROSO



Alfredo Barroso considera que, com o convite feito a Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu, para participar numa reunião do Conselho de Estado, Marcelo deu o seu “primeiro grande golpe” de uma estratégia que tem por objectivo “desfazer a maioria de Esquerda”, assim como renova o seu alerta sobre o erro que os portugueses terão cometido ao eleger como Presidente da República “um velho admirador de Salazar”, o que, por isso, poder ser “dramátic(o) para a nossa democracia”.
Os elogios de Draghi aos resultados alcançados pelo anterior governo, a necessidade de os preservar e reforçar, bem como as sugestões que fez para que sejam tomadas mais medidas de controlo financeiro, se revejam a Constituição e a Lei Eleitoral não foram, com certeza, simpáticas a Barroso que as considerará afrontas à maioria quantitativa de esquerda cuja natureza será o maior obstáculo ao seu futuro.
Não me parece que seja deste modo que a participação do presidente do Banco Central Europeu neste Conselho de Estado deve ser avaliada, mas sim pela oportunidade que foi para os “conselheiros” conhecerem e esclarecerem o modo como Portugal é visto numa das mais importantes instituições europeias, porventura a que mais o pode ajudar enquanto a situação financeira portuguesa se não regularizar. O que estamos muito longe de conseguir.
A teoria da conspiração na qual Barroso faz deste convite a Draghi o primeiro grande golpe contra a maioria de esquerda, não faz, quanto a mim, qualquer sentido, sobretudo porque se baseia na afirmação de ser Marcelo que os portugueses, em maioria, elegeram seu Presidente, um velho admirador de Salazar.
É de razões como esta, sem qualquer razão, que se fazem os preconceitos que jamais podem sustentar uma teoria.
Não entendo que democracia Barroso vê ameaçada se não aceita uma decisão da maioria do povo como aquela que deve respeitar!
Por certo não será pelos “golpes de Marcelo” que a “maioria” não conseguirá resistir às dificuldades que a si mesma vai criar, para além de outras razões que impedem a solução de idênticos problemas que se propagam, qual praga, pelo mundo inteiro.
Penso, até, que o que disse Draghi não seria muito diferente se, em vez deste, o governo fosse aquele que os resultados eleitorais sugeriram.
As contas far-se-ão quando a realidade falar mais alto.



quarta-feira, 6 de abril de 2016

A GUERRA QUE NÃO PODE ACONTECER



(Notícias ao minuto)
A notícia de que, hoje, em Vila real foram detidos 12 indivíduos, entre os quais um sargento pára-quedista, por suspeita da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico e mediação de armas, faz-me trazer aqui, de novo, a questão da segurança dos povos que grupos terroristas por todo o mundo estão ameaçando.
Em especial o auto-proclamado estado islâmico que, como já se viu, recruta, por toda a parte, homens e mulheres que recebem treino no seu território de base no Médio Oriente que depois, estrategicamente, vai espalhando pela Europa, constituindo bases para as acções de terror que, oportunamente, se propõe levar a cabo.
Recorde-se, por exemplo, o caso do Bairro de Molenbeek, em Bruxelas, a partir do qual foram lançados os ataques terroristas em paris.
Por toda a parte o daesh procura e encontra gente que consegue converter aos seus propósitos ou, simplesmente, que a troco de dinheiro lhes fornecem tudo de quanto necessitam para os tentar realizar.
A quantidade de armas e de munições hoje apreendidas é tal que um responsável pela PJ de Vila Real afirmou “Isto dá para fazer uma guerra. Estamos a falar de munições só disponíveis para forças de segurança e militares e que estava disponível no mercado”.
Seria muito grave esta actividade de tráfico e mediação de armas mesmo naquelas condições consideradas normais mas, perante o que se passa no mundo, sobretudo as ameaças do daesh que se propõe retomar Portugal e Espanha, de onde os muçulmanos foram expulsos pelos anteriores habitantes, após um longo processo a que se chamou “reconquista”.
Os muçulmanos não passaram de um invasor de terras que muitos outros povos, ao longo de muitos séculos colonizaram, como foram os iberos, os celtas, os fenícios, os gregos, os cartagineses, os romanos, os vândalos, os suevos, os alanos e os visigodos que se foram misturando e formando comunidades com as quais os muçulmanos nunca quiseram relacionar-se, as quais se instalaram nos diversos locais da Península Ibérica, constituindo nações que, com excepção de Portugal, foram aglutinadas por Castela para constituir a Espanha que, por isso, enfrenta movimentos separatistas de povos que pretendem retomar a sua anterior nacionalidade.
A influência árabe é notória em muitos aspectos, sobretudo na língua e na arquitectura, em consequência do longo tempo em aqui se instalaram. Mas isso não significa que esta terra lhes pertença ou que, sobre ela, possam reclamar quaisquer direitos especiais.
Por isso, é deveras urgente uma atitude de vigilância que impeça o desenvolvimento de polos, como porventura pode ser o caso de Vila Real, a partir dos quais o terror possa alastrar ou onde se possa abastecer dos meios bélicos para fazer de todos nós as suas vítimas.

sábado, 2 de abril de 2016

OS CUIDADOS QUE FALTAM E A DOR QUE CAUSAM



A notícia de que “o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) considerou hoje que o último Relatório de Segurança Interna (RASI) confirma que Portugal "continua a ser um país seguro" comparado com outros países da Europa e do mundo” (Notícias ao Minuto), em vez de me sossegar deixa-me preocupado.
Todos sabemos como funciona o terrorismo que se esconde no meio de populações que usam como escudo para que possam preparar, sem levantar suspeitas, os seus actos de agressão, nos quais pessoas inocentes, precisamente as que sem se dar conta o encobrem, serão as principais vítimas.
Nos recentes atentados de Bruxelas que, conforme consta, a pouca atenção dada pelas autoridades belgas a avisos que lhe foram feitos não permitiu evitar, foi num apartamento alugado por alguém que deu um nome português que os explosivos usados nas bombas que mataram tanta gente inocente foram preparados.
Em primeiro lugar a falta de cuidado no acto de alugar, depois o facto de o vizinho do andar de baixo, esse português de facto, ter tentado saber o que se passava no andar de cima de onde escorreram líquidos que inundaram o seu, mas acabou por não se dar conta de nada e não estranhou os fortes cheiros impróprios de uma habitação nem o tempo excessivo para lhe abrirem a porta, só podem dar lugar uma enorme sensação de insegurança que a falta de atenção, de informação e descuidos sucessivos podem provocar!
Por isso jamais haverá segurança enquanto as populações forem o escudo inconsciente e descuidado que encobre o terrorismo, em vez de serem o vigilante atento que o desmascara.
A informação sobre a realidade e a preparação para reconhecer as situações de potencial perigo, deveria fazer parte das funções dos que têm a seu cargo a segurança do país contra o terrorismo que o pode atacar.
É por isso que ouvir afirmar a segurança de um país onde nenhum de nós faz ideia ou se preocupa com o que se passa à sua volta, apenas me pode deixar preocupado.
Mas quando algo acontecer, então todos ficaremos sabendo!