ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O MUNDO FANTÁSTICO QUE SE GANHA POR UMA NOVA FORMA DE MORRER



Mais uma notícia que dá conta de mais um daqueles actos que passaram a ser cada vez mais frequentes e até já se tornaram vulgares nos tempos que correm. Um ataque a cidadãos que vivem o seu dia normal e são surpreendidos pela morte que surge do nada pelas mãos de alguém que neles viu o inimigo infiel que trás os males ao mundo, é um acto que se tornou banal.
Isto já não é notícia. Tornou-se uma vulgaridade. Notícia seria informar que “hoje não houve ataques do daesh”.
Segundo li no Expresso, “Homem de 19 anos foi detido no local pouco depois de esfaquear seis pessoas, provocando a morte de uma mulher de 60 anos. Polícia metropolitana diz que saúde mental do suspeito é "factor significativo" no ataque e não exclui possíveis ligações a terrorismo.
Uma pessoa morreu e outras cinco ficaram feridas num esfaqueamento em série na praça Russell, no centro de Londres, na quarta-feira à noite. A polícia foi chamada ao local, perto do Museu Britânico, pelas 22h30, após várias pessoas terem alertado as autoridades sobre um homem que estava a esfaquear pessoas aleatoriamente na rua”.
Sair para a rua com uma arma qualquer, de corte ou de fogo, para atacar gente que encontra em lugares públicos, tornou-se um acto frequente que, sem qualquer dúvida, o terrorismo islâmico tem inspirado aos que crêem encontrar no martírio a salvação do mundo cão onde detestam viver.
Sair para a rua para fazer compras do dia, fazer uma viagem em transportes públicos, ir ao cinema ou, simplesmente, tomar uma refeição ou um simples café, tornou-se uma atitude de risco, pois jamais se pode saber quando, do nada, sai o “iluminado” que quer salvar o mundo, regando-o com o nosso sangue.
Mas será o radicalismo islâmico tão convincente e apelativo que leve tanta gente a por fim à sua vida depois de, sem qualquer razão aparente, o ter posto à de muitos outros ou será, como creio que seja, uma razão desvairada para acabar com o desconforto que esta vida cada vez mais difícil provoca nos que não vêem, para o seu futuro, qualquer saída agradável?
A “crise eterna” do capitalismo a que a “esquerda” anticapitalista, por falta de ideais alternativos, se associou é, sem a menor dúvida, a situação ideal para gerar novos adeptos de um outro modo de viver que, purgado de todos os “infiéis”, dará lugar ao paraíso na Terra, onde todos terão o que desejam e viverão em paz.
Além disso, a passagem instantânea do inferno para o paraíso é, francamente, tentadora.
Por isso, aos excluídos deste sistema que os grandes poderes insistem na recusa de ter chegado ao fim, não será mais fácil acreditar nas vantagens prometidas pelo “martírio” que, no Além, garante uma recepção em glória e proporcionará a vida faustosa de herói?
Os grandes ataques terroristas de outrora, meticulosamente preparados e executados foram a grande chamada de atenção para um novo mundo que, instantaneamente, se ganha por uma nova forma de morrer.
Os actos isolados de gente de saúde mental abalada por uma vida que cada vez faz menos sentido, estão a substituir os actos de terror organizados que a investigação policial tonou cada vez mais difíceis de praticar.
E o "ideal" do daesh tornou-se uma virose que alastra, mortífera, sem ainda se vislumbrar a cura que dela nos possa salvar!
  

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

POIS É, O SOL JÁ NÃO É PARA TODOS!



Desde que Centeno se meteu a fazer as contas que nos vão tirar do “atoleiro” que António Guterres previu que Portugal seria quando governado por socialistas, não paramos de ver como vão sendo arrebanhados todos os tostões que por aí ainda andam nos bolsos dos que os não colocaram, por enquanto, nos off shores abarrotados que existem por esse mundo.
Não sei para que servirão depois, mas essa é outra história.
De facto, não se pode ter qualquer coisinha que não faça logo a cobiça dos cobradores de impostos encapotados que, para além do IRS e do IVA, nos levam, até, o cotão dos bolsos.
E até já lá vai o tempo em que o Sol quando nascia era para todos que o aproveitavam como melhor lhes aprouvesse ou pudessem.
Pois o Sol vai pagar imposto!
Se a sua casa está mais exposta ao sol, o que o obriga a gastar mais energia para combater o calor que a torna num autêntico assador durante o Verão, sobretudo agora que as alterações climáticas o vão fazer muito mais quente, vai pagar, além da energia para a climatizar, mais IMI.
Um modo inteligente de cobrar mais imposto duas vezes.
E, por ser assim, também estará, no Inverno, mais exposta aos ventos frios que o obrigam a gastar mais energia para a aquecer. E continuam os impostos a pingar...
Foi este o modo que a esquerdina geringonça encontrou para nos levar mais uns bons tostões.
Inteligente e sorrateiro este modo de ir ao bolso de cada um.
Mais um depois de vários modos que este governo já imaginou e pôs em prática para nos levar o tal dinheiro a mais que ficaria nos nossos bolsos para dinamizar a economia, sem deixar de cumprir a promessa de não aumentar o IRS.
Mas, como todos os safados gostam de dizer, uma mão lava a outra…
E depois de todos os impostos e taxas que que já cobra, em materiais, mão de obra e sei lá que mais, o que torna muito caro, praticamente o dobro do custo base, o direito a uma habitação digna para cada um e para a para a sua família como a nossa generosa Constituição em belas parangonas consagra, aparece agora a ideia peregrina de taxar, no IMI, quem em sua casa apanha sol, tem melhor vista, de lá posa ver o mar e não sei que mais.
Não sei se a Serra de Monsanto que estou a ver daqui me irá, também, levar dinheiro. Ou o Palácio da Pena que, com binóculos potentes também serei capaz de ver…
Como não sei se este será o IMI de Verão e se descontarão os dias de chuva e de nevoeiro que tantos há ao longo do ano ou se, pela vista especial que, também, permitem, não serão novos motivos para nos levar mais dinheiro ainda.
Há por aí muita gente que, por não ter mais que fazer, por isso há tantos campos improdutivos, parece gastar o tempo em concursos de estupidez.


terça-feira, 2 de agosto de 2016

COISAS DE CORRUPÇÃO



Ontem li um texto que dizia ter um “estudo” revelado ser o governo português o quinto mais corrupto do mundo.
Tornou-se um hábito chamar “estudo” a qualquer coisa que se faz e permite chegar a uma conclusão. Seja ela qual for.
E, sendo um “estudo”, há que prestar-lhe toda a reverência devida às coisas sérias e, por isso, não se pode por em causa a sua credibilidade.
A maioria aceita o que qualquer “estudo” lhe impinja e até os meios de comunicação social os divulgam sem qualquer contestação.
O “estudo” banalizou-se de tal modo que se considera investigador o que diga que quando se dá um pontapé numa pedra fica a doer o pé ou que “fica surdo” o gafanhoto ao qual se cortaram todas as patas porque, cortando-as uma a uma até última, quando incitado a saltar, o não fez como antes fazia.
Um estudo exige uma preparação prévia muito cuidada, uma execução bem planeada e, por fim, que as conclusões sejam o resultado de uma análise cuidadosa e confirmada dos resultados obtidos.
Não me digam ser uma conclusão aceitável a que resulta de um simples inquérito ao povo de um país, a propósito da corrupção que possa haver no seu governo! Sobretudo nesta altura em que a incompetência política se tornou óbvia e as promessas de melhorias são, sistematicamente, um engano em que os eleitores sempre caem.
Sem que, com isto, pretenda passar ao nosso governo qualquer certidão de santidade, facilmente encontraria, por esse mundo fora, uma ou duas dúzias de outros governos onde a corrupção é, de longe, mais evidente.
Mas que a corrupção existe, não há a menor dúvida. Alastra e toma formas cada vez mais surpreendentes, sendo quase inevitável admitir que existe seja onde for, porque o “maldito dinheiro” exerce uma enorme atracção e possuí-lo foi-se tornando sinal de "sabedoria e de poder", o que atira os verdadeiros grandes homens sábios que o mundo teve e tem, para o monte dos imbecis indiferenciados!
***
Hoje leio que Figo, um jogador de futebol que ganhou uma bola de oiro havia dito, a propósito de uma candidatura à FIFA da qual desistiu depois, que “foi uma experiência enorme para mim. Dei o passo no momento certo da minha carreira. Avancei quando senti que o organismo mundial precisava da minha ajuda. Mas depois decidi recuar, porque percebi que nada poderia fazer para evitar a corrupção que denunciei”.
E mais uma vez, tratando-se de corrupção, esse hábito que parece ser o mais comum de todos quantos há, é difícil de entender o que se diz. Não seria a corrupção que havia denunciado um dos males pelos quais a FIFA necessitaria da ajuda que Figo se julgava capaz de dar-lhe e, por isso, a maior razão para concorrer?
Fiquei sem entender, pois, por que razão Figo entende que a FIFA precisava dele!
E aqui poderia começar uma divagação, a que poderia também, chamar "estudo" e sabe-se lá a que conclusões chegaria.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

AS NOVAS PROFECIAS DO BANDARRA



“Em dois sítios me achareis,
Por desgraça ou por ventura:
Os ossos na sepultura,
A alma, nestes papéis.”
Bandarra


 
Acabei de ler, no Público, um texto escrito por Francisco Louçã.
Li na edição electrónica, naquela que o Público me deixa ler de vez em quando, e, por isso não sei bem avaliar que espaço ocupará na edição em papel que por aí andará de mão em mão, porventura a fazer as delícias dos caçadores de anedotas que muito se rirão da meia dúzia que, sem demonstrar grande habilidade para a piada, o Francisco ali nos conta!
Espero que não seja muito espaço porque para consumir árvores que tanta falta fazem para que o desequilíbrio ambiental deste planeta se não descontrole ainda mais, bastam os incêndios florestais que, este ano, parecem estar activos como nunca!
Escreve ao jeito de peça de teatro de bairro que outra coisa não é esta política que em Portugal se faz.
Obviamente, elege como actor principal o Passos Coelho que, diz, Arnaldo de Matos, o grande educador da classe operária (ainda se lembram), inspira nas previsões que sempre faz para amanhã ou para depois ainda, falando do Armagedão que está para acontecer!
Marques Mendes será como que o “homem do ponto” que, escondido naquela caixinha que, nas minhas primeiras idas ao teatro, nem fazia ideia por que estava ali, vai ajudando os actores em cuja memória seria difícil guardar tantas artimanhas como as que o Louçã imginou.
Li do princípio ao fim, sempre à espera de algo que fizesse sentido, de alguma coisa que dissesse e valesse a pena ler e reflectir, que abordasse qualquer assunto dos muitos que nos trazem preocupados, das desgraças que se abatem sobre o mundo, àcerca do que, por certo, não tem opinião. Só faz previsões. E para amanhã… ou lá mais para Setembro, como diz que Passos também faz.
São assim os sabichões, os doutores que, parecendo saber tudo não sabem nada ou, mesmo sabendo alguma coisa, fazem de nós trouxas que se extasiam com o seu pouco saber, nos fazem perder tempo a ler anedotas que nem graça têm e, decerto, se fartam de rir da sua obra, imaginando o gozo com que tantos outros, como ele pouco dados à realidade das coisas, a lerão também.
Não me agrada acreditar que Louçã não seja capaz de melhor do que isto e, sobretudo, não faça ideia do Armagedão que preparam os idiotas que preferem as piadas de mau gosto à realidade que, não faltará muito já, lhes ensinará o que, de facto, é a hecatombe de que tanto se ri, por jamais ser a que diz que Passos ou Mendes anunciam.
Pois não será, porque será ainda pior com o mundo governado por humoristas assim!
E não passa Louçã de ser, ele também, um prestidigitador que, ao contrário de Bandarra, o famoso sapateiro de Trancoso, prevê um futuro de sucesso e de felicidade, porque não vão acontecer as desgraças que o artífice, iluminado por S Gabriel, anunciava.
Cá estaremos para ver o que nos calha, nesta compita de oráculos cegos a quem entregámos a sorte deste país.
São mais ou menos assim as crónicas que, por aí, se publicam…