ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A CAIXA VAZIA OU UMA MÃO LAVA A OUTRA...



O potentado que todos sentíamos que a Caixa era, passou a ser uma preocupação pelo que a Caixa agora seja. Seja o que for que não parece ser grande coisa.
Era evidente que, depois daquele “fartar vilanagem” nos tempos de Sócrates, quando, segundo leio, foram concedidos financiamentos vultuosos mas pouco seguros que amizades e interesses ditaram, a teta, antes cheia, acabaria murcha.
E o grande esteio da banca nacional viu-se em dificuldades que, seja por isto ou por aquilo, estão difíceis de ultrapassar, chegando ao ponto de o maior banco português não ter presidente do conselho de administração, pois um demite-se e ao que se seguiria apontam-se, agora, atitudes daquelas que um governante não deve ter.
Será mesmo nomeado alguém suspeito de tráfico de influências como a Comunicação Social faz saber?
E, por isso, me pergunto, seguirá mesmo ou continuará a Caixa em autogestão?
E tudo isto me faz lembrar outras coisas que, de disparate em disparate, foram colocando o sistema bancário português de pantanas, tal como se encontra, exaurido depois das transfusões para uns quantos bolsos.
São recordações cada vez mais longínquas uma Caixa forte, de um BCP pujante, de um BES cuja grandeza parecia não parar de crescer, para além de um BPN que, como que aparecido do nada, chegou a dar a ideia de que poderia vir a ser o novo colosso da banca nacional.
As histórias rocambolescas da história recente de todos eles, aquelas poucas que oiço contar, são daquelas coisas que me tiram a confiança nas pessoas, mesmo em algumas cujas seriedade eu julgava intocável e, com isso, me tiram a confiança neste mundo de tios Patinhas para quem ter dinheiro sobretudo serve para se rebolar sobre ele, pois não vejo as necessidades reais cuja satisfação necessite de tanto. É este o grande objectivo de uns tantos, enquanto o de mais de meio mundo é tentar não morrer de fome.
E, sendo assim, os “donos disto tudo” para mim não passam de sacanas despudorados para quem o seu semelhante (eu disse semelhante?) não passa daquele pedaço de asno cujo sangue chupam sempre que podem.
Afinal, cheios de buracos, mais do que um queijo gruyère, deles pouco ou nada restou depois dos “repastos” em que foram a peça de resistência, são hoje a mão cheia de nada que os contribuintes vão pagando a peso de oiro, um “roubo” escondido pelas manigâncias habilidosas dos que nos deslumbram com um “maravilhoso” défice, daqueles de que a Europa gosta, num país onde a dívida que temos de pagar continua a crescer, a balança de pagamentos que o nosso terrível hábito de gastar sem senso faz ficar cada vez mais desequilibrada e tem de pagar juros cada vez mais elevados pelos empréstimos que não pode deixar de pedir.
Entretanto, num esquema cada vez mais evidente que destrói, ainda mais, o que já foi a chamada “classe média” de um país, as tão apregoadas benesses com que a Geringonça diz acabar com a austeridade são compensadas com milhares de pequenos “impostos disfarçados” que tornam mais caro o que, por ser essencial, todos os dias temos de comprar para viver.
Acabo de ler que "tal como acontece no IRS anual, as retenções vão ser alvo de uma revisão de 0,8% em todos os escalões, para além das mudanças já aplicadas nas taxas na proposta de Orçamento do Estado para 2017". 
E o Anísio diria "estão mexendo no meu bolso! 
Não acredito nestes milagres de quem, começo a pensar, nos pode conduzir a outra quase bancarrota como aquela da qual saímos com grande sofrimento.
Não vejo é quem seja capaz de o evitar!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

INIMPUTABILIDADES ESTRANHAS



De Direito sei aquilo que os comuns mortais vão aprendendo nas suas vivências pessoais ou com o que cada vez mais ouvem dos especialistas que, em qualquer canal de TV, debitam a sua sabedoria acerca de tudo.
Ontem à noite, por exemplo, e a propósito de um foragido que, passando num carro conduzido por um outro, quase terá esvaziado o carregador de uma pistola sobre um segurança que se encontrava à porta de uma discoteca em Coimbra e, deste modo, quase deve ter transformado num peneiro, ouvi questionar a responsabilidade que o atirador teria pelo acto que praticou!
Num daqueles programas onde os tais especialistas espremem a sua douta sabedoria sobre a nossa ignorância, ouvi um deles dizer que se não pode, desde já, condenar o homem pois não sabemos se estaria sob o efeito de álcool ou de drogas, o que poderia fazer do seu acto um daqueles que se pratica quando não dominamos as nossas faculdades e, por isso, poderia ter uma pena reduzida ou, até, nem ser penalizado.
A minha cabeça começou a fervilhar com tamanho despropósito que até pode estar conforme com a lei mas que jamais entenderei, a menos que alguém tenha colocado um funil na boca do homem e por ele o fizesse beber álcool bastante para o embriagar ou alguém lhe injectasse alguma coisa que o drogasse.
A não ser assim, embebedar-se ou drogar-se é um acto consciente pelo qual quem o faça deve ser responsável pelas consequências que tiver. Se não for assim, a sociedade está louca.
Soube, depois que o “presumível” criminoso tinha cadastro e teria tomado tal atitude por vingança de qualquer coisa que antes acontecera com uma namorada ou amiga, porventura um acto próprio de um “segurança” que põe na rua da discoteca alguém cujo comportamento seja contrário às regras de convivência ou de comportamento estabelecidas.
Alguém me explica o que aquele sapiente quis dizer, de um bêbado ou de um drogado ser inimputável porque bebeu demais ou se drogou e, depois, sem ser afrontado, assassinou alguém?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

TRUMP SERÁ MESMO O NOVO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS?



À medida que se aproxima o dia da tomada de posse de Trump, o estranho ser que saiu do nada para ser Presidente dos Estados Unidos, as coisas parecem aquecer, a ponto de por em causa a sua nomeação definitiva.
O Departamento de Segurança norte-americano continua a afirmar a intereferência da Rússia nas eleições, o que Trump, naturalmente, desmente. Os argumentos envolvidos nesta questão não estão bem esclarecidos mas algumas revelações poderão acontecer entretanto.
A maioria dos americanos não votou Trump, havendo uns quantos milhões a mais que votaram noutro candidato, mas o Colégio Eleitoral foi determinante e, como já de outras vezes aconteceu, não foi a maioria dos eleitores quem escolheu.
E aqui se levanta uma das questões mais graves de momento que é a possibilidade de existirem irregularidades com, pelo menos, cinquenta membros do Colégio que não respeitarão os critérios exigidos para a ele pertencer.
Conforme noticia o Expresso, “Grupo de advogados apurou que pelo menos 50 dos 300 membros do Colégio Eleitoral desrespeitaram as regras e defende, por isso, que os seus votos devem ser anulados. Trump conseguiu bater Hillary Clinton nas presidenciais graças a uma margem de 37 grandes eleitores. Congresso dos EUA formaliza hoje a vitória eleitoral do empresário — a menos que haja objecções contra suficientes votos do Colégio”.
Mas outra grande questão se abate sobre Trump, a das suas dívidas que declarou como sendo de cerca de trezentos milhões de dólares quando, conforme apurou uma investigação do “Wall Street Journal”, o futuro líder norte-americano só declarou dívidas a entidades que controla totalmente, e não os milhares de milhões de dívida titularizada que contraiu junto de pelo menos 150 entidades financeiras, algumas das quais sob escrutínio de agências federais que Trump controlará como Presidente.
Segundo notícia do Expresso, uma delas, a Wells Fargo que emprestou novecentos milhões a Trump, “esta actualmente a enfrentar uma investigação dos reguladores federais por alegadas práticas de venda fraudulentas e outras questões”
Parece que muita água correrá, ainda, por debaixo da ponte, antes que todas estas questões fiquem esclarecidas e Trump tome, ou não, posse como Presidente dos estados Unidos.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

SERÁ POSSÍVEL ACABAR COM A POBREZA?



Segundo o INE, “Os números da pobreza impressionam. Em Portugal, 2,6 milhões de pessoas estão em risco de pobreza ou exclusão social.”
Segundo o Expresso, numa peça em que pergunta se alguma vez deixaremos de ser pobres, “mais de 20% não tem dinheiro para aquecer a casa em condições. Mais de 40% não podem pagar uma despesa imediata sem recorrer ao crédito. Mais de metade dos portugueses não tem dinheiro para uma semana de férias”.
Depois é feita a pergunta: “Como se inverte isto? Com políticas e apoios sociais? Com sistemas fiscais mais controlados para evitar a fuga de capitais? Com crescimento económico?”
Em primeiro lugar, a questão da pobreza não se deve colocar assim, nem procurar, em soluções avulsas, a resolução para este problema que, nem sequer, se pode definir apenas em termos quantitativos.
Nem a pobreza é um problema que se reduza aos limites do nosso pequeno país, onde, como diz o INE, cerca de 25% da população corre o risco de pobreza.
Como serão as contas feitas para o mundo inteiro, onde há regiões em que os que vivem com menos de um dólar por dia ultrapassa os 75% da população total?
Não se trata de risco de pobreza como o que o INE contabiliza para Portugal, mas de miséria absoluta.
É assim em regiões extensas como a América do Sul, a África a sul do Sahara, o sul da Ásia e várias outras no mundo, onde os pobres de Portugal seriam quase ricos.
Haverá alguém que pense que o problema se resolve com medidas como aquelas acima referidas quando são, para além dos que morrem, centenas de milhões os que procuram sobreviver com “nada”?
A pobreza é um fenómeno global com o número dos que a sofrem a aumentar constantemente e só globalmente poderá ser minorada.
O problemas das migrações dos que procuram fugir da pobreza extrema em que vivem, está a tornar-se cada vez mais grave e não resulta, apenas, das guerras do Oriente Médio.
Todos já nos demos conta da gravidade de tal problema e de como a sua solução é difícil e geradora de problemas diversos, de chauvinismo e, até, de desumanidade.
Das hipóteses sugeridas para eliminar ou reduzir a pobreza, os apoios sociais não passam de soluções temporárias, a fuga de capitais é um problema de muito difícil solução e o crescimento económico é a causa de muitos problemas que nos vão fazer ainda mais pobres.
À pergunta se estamos condenados a ser pobres eu respondo que não, desde que sejamos capazes de viver em paz com a Natureza e a usufruir, com sobriedade, da riqueza que nos concede, num ambiente de solidariedade humana. 

DO LINCE IBÉRICO À EXTINÇÃO EM MASSA



Uma notícia que acabo de ler informa que um estudo, entre tantos que por aí se fazem, diz que o azeite poderá ser a causa da extinção do lince ibérico, em consequência do aumento da sua procura em Portugal e em Espanha. Diz a notícia que a construção de barragens para irrigar os terrenos seriam a causa próxima de tal “desastre”.
Apenas esta afirmação poderia dar aso a uma extensa reflexão sobre as causas que, há muitas dezenas de anos já, põe o lince ibérico em constante perigo de extinção. Mas passemos adiante…
Fala, depois, de outros casos que põem, também, em risco de extinção diversas outras espécies, afirmando estar em causa a biodiversidade, todas eles relacionados com o consumismo que a "economia" impõe, o que me parece não ser já novidade para qualquer de nós, colocando, mesmo, a hipótese de que uma nova “extinção em massa” de vida na Terra estaria em curso, como já acontecera por mais cinco vezes desde há cerca de 450 milhões de anos, a última das quais incluiu a extinção dos dinossauros, há cerca de 60 milhões de anos.
A Terra é um Planeta vivo, em mutações constantes que o Homem bem conhece, tal como conhece as suas consequências.
E foram alterações naturais, incluindo impactes de corpos exteriores que fazem parte do universo em que a Terra se integra, a causa de tais extinções que terão destruído mais de 85% da vida na Terra, porque alteraram profundamente as condições ambientais necessárias para existirem.
Esqueceu o estudo um pormenor importante que é a extinção da própria Humanidade, quer em consequência das alterações que, naturalmente, acontecem, quer porque a actividade do Homem as acelera e, como parece ser desejo de Trump, o “pato bravo” desconhecido que se tornou presidente dos estados Unidos, vão acelerar ainda mais para, como ele diz, fazer a América regressar à sua grandeza.
Eu duvido que a situação do lince ibérico seja pior do que a da Humanidade que causou tantas alterações no ambiente de que necessita que, muito em breve, poderão ser de tal modo que não serão mais as indispensáveis para viver.
Não vale a pena repetir aqui o que já por outras vezes escrevi e não é mais do que o eco de milhares de avisos da Ciência sobre os riscos a que certas atitudes e procedimentos nos expõem.
A verdade, por mais que a queiramos esquecer é que não se medirá já por milhões de anos, talvez até apenas por umas breves dezenas, o tempo que pode separar-nos do início da próxima extinção em massa, se é que não começou já, para a qual os danos intensos e constantes que a biodiversidade sofre nos chama a atenção.
É uma vida em decadência, caminhando para um destino trágico, o nosso maior legado para os nossos descendentes que continuarão a Humanidade enquanto puder existir.