ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

ENTÃO, QUAL É A SOLUÇÃO?



Jerónimo de Sousa, líder do PCP , afirma que os últimos anos de Portugal confirmam que "o capitalismo não tem soluções para os problemas do mundo contemporâneo".
É óbvio que S Exa não lê o meu “jornal” senão saberia quantas vezes eu já nele escrevi que o capitalismo não é solução para coisa nenhuma, afirmação ainda mais abrangente do que a sua.
Aliás, a limitação temporária que põe na sua afirmação faz-me pensar que Jerónimo nunca terá lido Marx, pelo que o aconselho a ler. Porque vale a pena ler “O Capital” com muita atenção, tendo em conta a altura em que foi escrito e dando de barato os artifícios de que Marx se serviu em algumas das demonstrações que fez.
Por vezes quase é preciso ler ao contrário, mas o homem sabia o que dizia.
Seja como for, sobre os defeitos do capitalismo estamos de acordo Marx, Jerónimo e eu. Apenas nenhum de nós resolveu o problema ou os problemas que o capitalismo cria.
A solução de Marx, mostrou a História que não serve, a de Jerónimo não sei qual seja e talvez nem ele a saiba e a minha solução não passa de uma miragem que tem por base uma realidade porventura impossível, porque o Homem é como é e… pronto!
Mas há uma coisa que sempre me espantou que é a de me parecer que os anti-capitalistas não passam de capitalistas envergonhados porque nem imagino o que seriam sem o capitalismo.
Dei-me ao cuidado de dar uma vista de olhos em muitas das publicações do pós 25 de Abril que ainda conservo, para recordar o que então escreveram os que tanto se queixaram das preciosidades que a falta de liberdade fazia apodrecer no fundo de gavetas.
E, tal como ainda me parecia, não encontrei essas maravilhas nem as soluções alternativas para este capitalismo que não presta.
Mas encontrei um jornaleco que os anarquistas publicavam, creio que da iniciativa de José de Brito, ao qual chamaram “merda” e apregoavam assim na baixa de Lisboa “compre a merda da política… a política é só merda”.
Porventura é, se não consegue resolver os problemas graves que a Humanidade enfrenta por causa dos efeitos desse capitalismo que Jerónimo diz não ser capaz de resolver os problemas contemporâneos.
Preparei-me para escrever um livro, “as doenças da civilização”, no qual faria algumas sugestões a que ninguém ligaria. Mas poderia o Jerónimo escrever o seu que teria garantidas muitas leituras…
A propósito, eu não sou mesmo anarquista! Mas por este andar...


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

EUROPA, O DIA D



A ninguém passa despercebido o desejo da Rússia em reconstruir o espaço da antiga União Soviética.
Para além de pequenas coisas em micro-repúblicas do Cáucaso, a Ucrânia foi a primeira experiência da sua aventura expansionista, perante as reclamações passivas do mundo livre que, como sempre, colabora mas não entra!
As Repúblicas do Báltico, constantemente ameaçadas pelo seu valor estratégico para acesso da Rússia ao mar, esconderam-se sob o manto protector da Europa e na Polónia as coisas também não parecem melhores.
Não sei se o manto da Europa se não romperá na tramóia que Trump e Putin parecem urdir contra uma Europa que nunca conseguiu estar unida nos seus propósitos e, por isso, não tem uma política comum seja lá para o que for, de exterior, de defesa e em outros aspectos que façam dela um todo que não trema ao primeiro abanão.
Parece que não conseguiu ir além da CEE. Apenas mudou de nome.
É evidente, como tanta gente diz, que talvez seja a altura de a Europa compreender o que é uma união e que é já mais do que tempo de a garantir se, porventura, não tiver passado o tempo de a fazer.
A menos que muita coisa mude na política que Trump anunciou, não será esta Europa que conseguirá aguentar-se no furacão que se aproxima e, mesmo se Trump mudar, se conseguirá manter-se nesta mentira de uma união que o não é.
E temo que assim seja porque não vejo políticos capazes de uma proeza tamanha como a de fazer da Europa um bloco forte e unido contra os monstros que querem dominá-la.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A PROPÓSITO DO ACORDO ORTOGRÁFICO 90



Eu creio que se meteram num colete-de-forças todos os que resolveram tomar partido pelo acordo o contra ele, extremando posições e assumindo, até, atitudes agressivas quando uma discussão deve ser tranquila para ser sensata e frutífera.
Seja como for, já se perdeu tempo demais e, sejam quais forem as razões de uns e de outros para julgarem dever ser assim ou de outro modo, a discussão começa a perder sentido e a entrar na birra, uma atitude que faz parte da má educação e não é um procedimento científico. Costuma ser o que faz quem sente que a razão lhe foge.
Jamais fui contra a simplificação ou contra outras alterações que o passar do tempo justifique, o que me não parece que seja o que aconteceu no acordo ortográfico que tanta celeuma levanta, justificado por razões que me não parecem, de todo, as mais razoáveis.
Algumas das soluções encontradas quase me parecem ridículas, enquanto outras até me podem parecer aceitáveis.
Mas o português europeu e o brasileiro fizeram o seu caminho ao longo de muito tempo de modos diferentes, tendo os brasileiros adaptado a escrita à pronúncia que adoptaram e não me parece que haja acordo que desfaça as diferenças existentes, o que jamais tornará a escrita do português universal.
Depois de muita contestação que a precipitação da oficialização do acordo em Portugal acabou por causar, entra em cena a Academia de Ciências de Lisboa que faz algumas sugestões para o aperfeiçoamento do acordo ortográfico da língua portuguesa.
Não me parece que elas vão ao fundo da questão que o acordo levanta, mas são sugestões que deveriam ser consideradas numa análise definitiva que ponha termo a uma questão, evitando que o mau e tão contestado acordo acabe por se impor pelo tempo ou pelos custos financeiros que já teve e não pelas suas virtudes.
Vem isto a propósito de um texto que acabo de ler no Jornal de notícias, no qual algumas das sugestões da ACL são expostas.
Esta contribuição, melhor ou pior mas, para mim, sempre de louvar, mereceu de uma professora de português esta afirmação que me parece grosseira: “Quando a Academia refere que estas sugestões constituem «um contributo que resulta de aturada reflexão em torno da aplicação da nova ortografia e sobre algumas particularidades e subtilezas da língua portuguesa que não podem ser ignoradas em resultado de um excesso de simplificação», é altura de dizermos que preferimos reflectir sem brincar, porque há mais de duzentos e cinquenta milhões de utilizadores da Língua Portuguesa e existe um tratado internacional que devemos respeitar”.
Pior do que isso me parece esta intervenção de alguém nos comentários que são feitos ao texto, escreve “…Essas criaturas sinistras que andam a defender a velha grafia com unhas e dentes, como se a identidade portuguesa dependesse em exclusivo das consoantes mudas, precisam de arranjar algo onde possam descarregar as suas frustrações existenciais. Andam todos de cabeça perdida. Houve até um que comparou a prof. Lúcia Vaz Pedro a um traficante de crack. Esta gente está fora de controlo!”.
O que se ha-de pensar disto?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

UM MUNDO IGNORADO



Quando falamos dos nossos problemas, das dificuldades que sentimos, nem imaginamos que existe um mundo onde o problema maior é existir, porque nele é demasiado difícil sobreviver!
São milhares de milhões os marginalizados, os roubados do direito de viver num mundo que também é seu.
Não imaginam o que seja felicidade enquanto nós, preocupados, por vezes com pequenos nadas, nem sequer nos lembramos de que existem e que, tal como na lei que fizemos afirmamos, são nossos iguais nos direitos com que nascem, mas que nos apressamos a rouba-lhes ao nascer.
É natural que os que sobrevivam procurem melhor lugar para viver sem tanto sofrimento que o nosso egoísmo lhes impõe.
Fechamos-lhes as portas?

No ar o cheiro macabro da morte,
De um inocente que não sabe por que sofre,
Nem imagina o por que da sua sorte
De vir ao mundo sem mesmo ser alguém.
Abandonado no nada, sem ninguém
Que de si cuide, nem um beijo lhe dê,
Um gole de água para matar a sede,
De pão um naco para matar a fome,
De um verde qualquer uma só folha,
Antes que, bem depressa, se transforme
No festim do abutre que o olha…
RC

POUPAR NO PÓ



Acabo de ler um texto que me avisa, “atenção que Trump é popular”, tal como o dizem as sondagens e o mercado que, em Wall Street, parece encantado com as decisões que ele toma.
Não fico surpreendido. Antes pelo contrário!
Apesar de todas as críticas que tenho feito a alguém que pode perceber muito de construção mas que do mundo nada entende, nas quais nem uma vírgula altero, Trump apareceu no momento em que cada vez mais gente está a ficar farta do modo de fazer convencional, de uma democracia permissiva e descuidada, de uma alternância que serve “banquetes”, cada um aos seus, deixando todos os mais de fora, de corruptos que se servem do poder para enriquecer, de desigualdades cada vez maiores, de tal modo que atingem limites insuportáveis quando, para cumprir promessas eleitorais se dá uma migalha para, em troca, se exigir um pão!
Os políticos desenvolveram verdadeiras habilidades de prestidigitação com que nos seduzem e nos chegam a fazer crer nas suas boas intenções.
Sem dúvida que a mudança é necessária num mundo que já não suporta tanto equívoco e tanta mentira.
E, assim sendo, vai-se formando uma maioria ávida dos “messias” que irão salvar o mundo que, todos começam a entender, segue por maus caminhos e se encontra já próximo do precipício em que pode cair.
Somente, em vez da pausa reflexiva que nos pudesse mostrar os melhores caminhos a seguir e da cooperação que nos tornasse capazes de os trilhar, parece levar vantagem a aceleração dos erros maiores que já cometemos, os quais nos levarão ainda mais rapidamente ao desastre.
Entretanto a banha da cobra a que os pantomineiros vão atribuindo poderes milagrosos, vai vendendo bem…
Pena que o primeiro tenha sido o Trump que segue por caminhos errados!
Talvez já não valha a pena chorar porque desgraças podem estar a caminho e o falar em pantomineiros recordou-me uma anedota, daquelas que não precisa de palavrões para fazer rir.
O pantomineiro vendia uns frasquinhos com um pó que eliminava rapidamente as pulgas. Vendia dezenas deles. Mas uma senhora daquelas a que o tempo deu saber, perguntou: "olhe lá, como se usa o pó?
O pantomineiro explicou: "a pulga pica e, como de costume, coloca um pouco de saliva no dedo e apanha a pulga. Abre-lhe a boca e nela despeja o pó. A pulga morre".
- "Então, se agarro a pulga, mato-a como de costume"
- "Boa ideia e poupa o pó!"