ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

terça-feira, 14 de março de 2017

COMENTÁRIOS



Criei este “jornal” para nele registar sensações sentimentos, reacções, indignações e outros estados de espírito em que a dúvida está, de um modo geral, sempre presente, como acontece nas preocupações que manifesto quer em relação ao futuro do meu país quer da Humanidade que a degradação ambiental causada por um modo de viver excessivamente predador e continuado põe mais em risco cada vez que, supostamente, se ultrapassa uma crise!
Dizem-me as estatísticas que o blogue me fornece, que cada vez mais leitores me seguem, decerto porque, de algum modo, o que escrevo lhes pode interessar e, quem sabe, comunguem das mesmas preocupações que me afligem.
O que raramente ou quase nunca acontece é que alguém comente as ideias que expresso ou os factos que comento.
Tenho pena que seja assim porque gostaria de conhecer o que pensam os meus leitores que não têm de estar, necessariamente, de acordo comigo.
Ficaria contente se algumas vezes se pudesse como que estabelecer um diálogo sincero e esclarecedor com quem me leia e que possa gerar novas ideias ou me leve a corrigir as que tenho.
Para todos os que me lêem, daqui envio um abraço.
Rui de Carvalho

OLHO POR OLHO? MAS QUE OLHO?



(Não consigo descortinar em que um espermatozoide se parece com isto...)
 
Uma notícia de hoje diz-me que Jessica Farrar, uma política do Estado norte-americano do Texas, propôs uma lei para que sejam multados os homens apanhados a masturbarem-se fora de vaginas ou de unidades de saúde, como hospitais ou clínicas. Com esta proposta, Jessica farrar pretende chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas por muitas mulheres que pretendem abortar.
Na opinião da política, os homens devem também eles ser multados pois a ejaculação fora de uma vagina ou destes estabelecimentos de saúde constitui “um atentado contra as crianças que não nascem e um ato de desrespeito perante a preservação da vida”.
Diz Jessica que pelo longo tempo que as mulheres têm de esperar por um aborto, também uma vasectomia ou o acesso ao Viagra deveriam ser precedidos de um longo processo burocrático!
Eu li e reli a notícia, confirmei que o Carnaval já tinha passado e que hoje não era o dia das mentiras e, confirmei a minha velha conclusão de que há estupidez a mais na política ou então, terei de reconhecer que as minhas capacidades intelectuais estão demasiado enfraquecidas e deveria eu sofrer uma coima também, por me rir, como se de uma anedota parva se tratasse, quando um político diz coisas “tão sérias!” como estas.
Não sei como é difícil ou fácil abortar lá pelo Texas, mas se há motivos sérios para considerar que a lei existente não presta, melhor seria propor uma outra que a corrigisse em vez de expor ao ridículo pela proposta que fez, porque não vejo como a “bota bate com a perdigota” nas razões que apresenta.
Mas deve a senhora prosseguir a sua carreira política que esta proposta permite antever brilhante e, quem sabe até, se um dia lhe poderá proporcionar o mesmo sucesso de Trump!

A INVESTIGAÇÃO



Está na ordem do dia a questão da já longa duração da investigação no Caso Marquês que envolve, além de José Sócrates, outras individualidades, todas elas, simultaneamente em situações de muito poder e que são suspeitos de práticas dolosas muito graves para as finanças e para a economia do país. Quer dizer, para todos nós!
Há quem defenda, a começar pelo próprio ex-Primeiro Ministro, logicamente, que tal não faz sentido ou que é, mesmo, ilegal, prolongar tanto o prazo de investigação sem apresentar provas e, em consequência, deduzir uma acusação ou arquivar o processo.
Dentre os que opinam, parece mais frequente a ideia de que num caso tão complexo, as provas são mais difíceis de obter, sobretudo pela facilidade com que, nas práticas financeiras actuais, o dinheiro “viaja” rapidamente pelo mundo para se esconder em off-shores manhosos. Por isso a investigação necessita de muito tempo.
O “crime” dispõe, agora, de instrumentos sofisticados para iludir a investigação ou, pelo menos, para a tornar muito mais difícil e demorada.
No Caso Marquês, a evolução da investigação tem trazido à tona, sucessivamente, novos factos e novos actores, o que mostra como podem ser complexos e elaborados os procedimentos criminosos sob investigação.
Os suspeitos, alguns deles pessoas antes muito consideradas e que, pelos méritos que já lhes tinham sido publicamente reconhecidos, estariam para além de quaisquer suspeitas, são poderosos homens da Banca, gestores, empresários e homens de negócios e vão surgindo uns após outros. Com eles, novos factos vão aparecendo também, dando a ideia de que quanto mais se investigar mais se encontrará. Pode ser…
Então, é caso para perguntar se deve a investigação quedar-se em qualquer momento pré-definido, seja por qual razão for e sem ir até ao mais fundo da questão ou se, leve o tempo que levar e desde que as circunstâncias o justifiquem, deverá prosseguir até ao esclarecimento total ou bastante para que, sem peso na consciência nem dúvidas na sociedade, o caso possa ser arquivado ou haver uma acusação.
Não seria a primeira vez que, mesmo com a consciência formada de terem sido praticados crimes, se vê a Justiça patinar e, mesmo com provas diante de seus olhos, diante dos olhos de toda a gente, deixa livres os criminosos por esta razão ou por aquela.
É hora de acabar com a truculência que cerceia a Justiça. É hora de a Justiça se impor.
Por isso, não concordo que o polícia deixe de correr atrás do suspeito que persegue, porque lhe faltou o fôlego ou o mandaram parar!
E para terminar uma pergunta: não deve a acusação ser feita apenas depois de concluída a investigação? Então por que tantas lamentações por ainda não ter sido ainda feita?


terça-feira, 7 de março de 2017

A GERINGONÇA: CADA CABEÇA SUA SENTENÇA. MAS O MELHOR É ESTAR ATENTO



Cada um é aquilo que os outros pensam que seja. E de nada adiantará pensar que se é de outro modo, porque não é desse modo que é visto. Em suma, cada um é aquilo que parece e que é e … pronto!
Oiço todos os dias falar de Portugal. Uns falam da crise que continua a viver, outros dos progressos enormes que tem feito e alguns até o tomam como exemplo no esforço que fez para sair da situação muito complicada em que chegou a estar.
Chegou, está, esteve… sei lá, porque cada qual diz a sua coisa, vê Portugal a seu jeito.
O Primeiro Ministro e o Presidente da República, pareciam-me capões inchados quando anunciaram que conseguimos por o défice em 2,3 (dois vírgula três) por cento do PIB, até que o Ministro das Finanças, mais inchado ainda, anunciou o valor extraordinários de 2,1 (dois vírgula um) por cento de um PIB que praticamente não cresce há anos, ainda que continuem as exportações a crescer e o consumo interno a aumentar. Dizem! E a dívida continuou a aumentar assustadoramente.
Recuperam-se salários na Função Pública, reduzem-se horários de trabalho, baixam-se os combustíveis, sobem-se os combustíveis, reduz-se o IVA aqui mas sobe-se ali e acolá, inventam-se taxas para isto e para aquilo, dão-se explicações extensas que pretendem demonstrar como a nossa economia está pujante. A UTAU diz isto, o Governo diz aquilo, o Ministro das Finanças também tem o seu entendimento das coisas, Marques Mendes, Ferreira Leite e outros, dizem também, mas vem, agora, a Blomberg dizer que Portugal continuará a ser um dos 20 piores países do mundo quando se tem em conta o número de desempregados e o aumento generalizado dos preços, mesmo que a tendência não seja tão negativa como noutros territórios. Portugal até caiu três lugares em relação à projecção do ano passado, mas a alteração deveu-se ao agravamento da situação noutros países e não à melhoria no território nacional.
O Instituto Nacional de estatística, em 1995, primeiro ano para o qual são apresentados números, a carga fiscal representava 29% do Produto Interno Bruto (PIB): 13,2% diziam respeito aos impostos indirectos, 8,1% aos impostos directos e 7,7% às contribuições efetivas para a Segurança Social.
Em 2015, a carga fiscal representava 34,4% do PIB, mais 5,4 pontos percentuais do que há 20 anos: os impostos indirectos representavam 14,5% do PIB, os directos 10,8% e as contribuições sociais 10,8%.
Nesse ano, o peso dos impostos indirectos (como o IVA e os impostos especiais sobre o consumo, como o sobre os produtos petrolíferos ou sobre o tabaco) na economia é o maior desde 2006, quando representava 14,8% do PIB, o que me não soa a grandes melhorias.
O INE diz, também, que a taxa de risco de pobreza desceu em 2015 para 19% da população portuguesa com rendimentos mais baixos e que recebe prestações sociais, mas mantém-se acima dos valores registados no início da década, segundo dados divulgados hoje pelo INE.
E diz este e diz aquele. Todos dizem qualquer coisa.
Então porque não hei-de dizer eu o que sinto quando faço compras? Digo que cada vez trago menos pelo mesmo dinheiro!
Não é um bom indicador, como o não são os dos INE e outros que não utilizam, nas contas que fazem, e engenharia financeira, talvez a única que nunca entendi.
Afinal isto é mesmo uma geringonça.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A ENCRUZILHADA



Volta a falar-se muito do Brexit, sobretudo porque um forte braço de ferro se aproxima, com as duas partes, a União Europeia e o Reino Unido, a dirimirem razões que, cada um, vai julgar serem mais fortes as suas, numa maratona que pode demorar muito tempo e sem resultados que deixem feliz qualquer das partes.
Os ilhéus desenvolveram, ao longo de séculos, um espírito que talvez não seja o mais adequado aos tempos de agora, quando o mundo se tornou mais pequeno e os grandes problemas que enfrenta são cada vez mais comuns porque, sem fronteiras, são de todos ao mesmo tempo.
Hoje, povo algum consegue resolver os problemas sozinho, ao contrário do que pensa Trump que quer o regresso da América à uma grandeza que ainda não explicou bem qual fosse, mas que incita a nacionalismos agressivos e destruidores.
Talvez pense o Reino Unido que, como alternativa à Europa, pode como que refazer um Império como aquele que, durante muito tempo, lhe permitiu ser um mundo dentro do mundo, mas que, creio, não passará de um sonho de que, em breve, acordará, como dos seus sonhos acordaram todos os grandes senhores de impérios.
O mundo está a organizar-se em grandes áreas, ou impérios, se preferirmos, cada qual sob o domínio de velhos gigantes que se tornaram os novos conquistadores, assim se formando monstros prontos para uma confrontação final, em vez de para a cooperação da qual a sobrevivência da Humanidade depende e, por isso, perante a degradação ambiental já causada, é absoluta e urgentemente necessária.
Ao mesmo tempo, antigas pequenas nacionalidades querem refazer-se, desligar-se dos impérios que as absorveram, como que num regresso às origens que os conquistadores tentaram apagar da memória dos seus povos para engrandecer o seu poder pessoal, o que, pelos vistos, não conseguiram e agora renascem e se tornam cada vez mais determinados.
Será como que o realizar do “small is beautifull” (o pequeno é belo), um estudo de economia em que as pessoas contam, da autoria do inglês Schumacher, o que jamais foi preocupação dos grandes “impérios”.
Não tenho dúvida de qual dos modêlos, se uma “sociedade de nações” se um mundo de potentados ambiciosos, seria melhor para o mundo para a recuperação das condições de vida de que os humanos necessitam, em vez de se perderem nos confrontos mortíferos e destruidores para os quais os cada vez maiores problemas que criam lhes darão fortes motivos!
Não será com o reforço de poderio militar, como o quer Trump, que se constrói a paz de que todos necessitamos, porque outros poderios estão prontos para suster os seus intentos.
Mas poucas dúvidas me restam, também e infelizmente, de que a força bruta vencerá o bom senso, fazendo com que a estupidez que lhe é própria se volte contra o mundo inteiro e contra a Humanidade que verá acabado o seu tempo de passagem pela Terra, tal como tantas outras espécies o viram, também, passar.