ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

terça-feira, 6 de junho de 2017

DESCENTRALIAZÃO



Passou há muito o ridículo referendo sobre a Regionalização, uma verdadeira comédia que, para além dos disparates que foram ditos e das perguntas tolas que foram feitas para o eleitor decidir, para as quais nunca encontrei maneira de, em consciência, responder, incluía uma proposta territorial que o autor fez questão de informar que o obrigou a uma noite em claro para a poder apresentar!!!
Logo por aqui se vê que se não sabe o que seja regionalizar porque a regionalização não é, de todo, uma divisão.
Para além destes pormenores, o referendo foi, em si mesmo, uma aberração política porque referendou o que a Constituição impunha!
No início, era o PSD o campeão da Regionalização, na qual encontrava as mais variadas vantagens que hoje repudia. Foi, então, o PS quem tomou a iniciativa do referendo
Os resultados do referendo levaram a um inequívoco "não à regionalização" e só não percebi se ele não terá sido proposto para que acontecesse isso mesmo, acabando, de vez, com aquela chata imposição constitucional que retirava poder e capacidade de iniciativa aos senhores do poder central.
Assim, não sei se os proponentes foram desastrados, incompetentes e revelaram nem saber muito bem o que queriam com a proposta que faziam e com a solução que apresentaram para a qual não apresentaram justificação ou se foram, simplesmente, manhosos.
Do outro lado foi Paulo Portas o mais inspirado opositor que, mesmo sem fazer contas e demonstrando a mesma ignorância (ou não) sobre o que seja regionalizar e as suas vantagens, afirmou que o custo elevado da regionalização, pelo elevado número de novos políticos que apareceriam, daria para baixar significativamente os impostos. Outro disparate para estúpido ouvir.
Fosse por que fosse, nem aquela Regionalização se fez, felizmente, nem os impostos baixaram, como seria de esperar.
Desde então passou tanto tempo que julguei que a regionalização fosse já preceito para sempre esquecido. Mas nem tanto porque a Descentralização aparece como que para a substituir, para o que serão feitas umas regras para a sua aplicação.
Porém, enquanto a regionalização visa a criação de instituições regionais com capacidade de decisão autónoma, o que aproxima o poder de decisão dos cidadãos e tem, por isso, uma dimensão política, a descentralização não vai além da distribuição de competências em projectos e matérias em cuja definição não participa, por isso sem qualquer capacidade de autonomia.
Ainda que a descentralização não implique a criação de entidades regionais, exige mais meios humanos e financeiros para realizar localmente o que o poder central decidiu.
Não creio que os desequilíbrios regionais profundos existentes em Portugal que, deste modo, rapidamente se desertifica em quase dois terços do seu território, sejam corrigidos com uma simples descentralização.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

DIA MUNDIAL DO AMBIENTE



Desde 5 de Junho de 1972, quando teve início a Conferências das Nações Unidas sobre o meio Ambiente, que, nesta data, se celebra o DIA MUNDIAL DO AMBIENTE.
E se alguma vez fez sentido celebrá-la, esta é a vez, porque pela estupidez desmedida de alguém, a quem um grande país conferiu o poder de ser seu presidente, a transição para as energias limpas que nos poderia proteger das bruscas alterações climáticas que já estão a começar a fazer a nossa vida muito difícil, pode estar comprometida pela recuperação intensiva que se propõe fazer da utilização das energias fósseis, em particular daquela a que teve o despudor de chamar “o carvão limpo”.
Felizmente, as reacções a tão inusitada decisão não tardaram e a inteligência deste mundo depressa se mostrou indignada e disposta a levar por diante as alterações que, cremos, nos poderão ainda salvar dos enormes riscos que corremos pelas alterações físicas e biológicas que um tão rápido aumento da temperatura média vai causar.
Não precisamos de saber mais do que o que já sabemos nem de mais sinais do que aqueles que se nos revelam neste tempo em que vivemos, para não duvidarmos de que sem uma alteração decidida do nosso comportamento em relação ao Ambiente o futuro da Humanidade está comprometido.
A atitude de Trump revela total falta de consciência quanto ao futuro da Humanidade a que pertencem os seus próprios filhos, pelas consequências a que os expõe com a decisão inconsciente que tomou.
É por isso que hoje recordo aqui um velho ditado índio:
“PEDIMOS A TERRA EMPRESTADA AOS NOSSOS FILHOS, A QUEM DEVEMOS DEVOLVE-LA, EM BOAS CONDIÇÕES PARA NELA VIVEREM”
Será que vamos deixar que nossos filhos e netos vivam os horrores a que as bruscas alterações climáticas os deixarão expostos?
Que este dia se torne de meditação sobre este dito antigo que nos legaram Homens que respeitavam a Natureza, a si próprios e aos seus filhos!
De que servirá, pois, a celebração do dia da criança, como no passado dia 1 de Junho se fez, se as colocamos num mundo sem futuro que as possa fazer felizes?


sexta-feira, 2 de junho de 2017

KIM JONG DOIS



Obviamente que não esperava de Trump outra coisa senão o que,solenemente, declarou ontem  que iria fazer e na campanha eleitoral já tinha prometido que faria. Trump deseja, tal como já se esperava, abandonar o acordo de Paris sobre as “alterações climáticas”, com todo o despreso que um ignorante pode ter pela Ciência..
Se as razões que na campanha adiantou foram ridículas, baseadas na teoria da conspiração contra os Estados Unidos liderada pela China, ontem deixaram-me sem palavras as razões detalhadas e quantificadas que, podendo ser verdades algumas delas, porque até são as que provocaram a situação grave que vivemos mas que ninguém parece muito disposta a combater de verdade, cinicamente, encobriu as suas consequências para a vida humana e, também, como assim se sentirão mais rapidamente.
Tudo dito do modo como Trump o fez, parece o regresso ao Eldorado, aos dias de euforia que acabaram na grande e já esquecida crise, mais ainda com aqueles valores desproporcionados, de emprego e de benefícios financeiros que apresentou e deixam tanta gente desejosa de se envenenar!
Ao longo do tempo que está na Casa Branca, Trump e a sua equipa tem-me feito lembrar os tempos de Estaline na Rússia que mandava apagar, de textos e de fotografias, para desaparecerem da História, os que caiam em desgraça. Julga, como Estaline jugou, que a História se altera assim, agora com a novidade de, deliberadamente, sonegar as conclusões científicas e prejudicar a investigação, em particular a que a NASA tem vindo a desenvolver, cortando fortemente o investimento da investigação. Pudera, um "pato barvo" não sabe tudo?
É uma verdadeira campanha de desinformação a que Trump promove para ser apoiado pelos ignorantes que, como ele, pensam que os problemas se resolvem ignorando-os, à guisa daquele dito "olhos que não vêem não pecam. Então olha para o lado!
Tem-se apontado o ditador da Coreia do Norte como o grande agitador da paz mundial, como aquele que pode, com as armas nucleares que desenvolve e diz possuir, arrasar os seus inimigos, mas eu julgo bem mais perigosas as situações em que Trump, sem utilizar um só míssil, pode lançar a Humanidade, pois corresponderão a num longo período de agonia do qual talvez não sobreviva.
O dia de ontem deverá ficar marcado a letras bem negras porque, a menos que tais idiotices sejam travadas a tempo pelos homens inteligentes da América, também o nome Trump suplantará o de qualquer inimigo público número um que tenha havido.
Curioso é que, apesar de tudo, prometeu uma América ambientalmente limpa, o país mais amigo do Ambiente que possa no mundo existir.
Não sou dos que vêm no Acordo de Paris a melhor solução, nem sequer garantida, pois creio ser necessário fazer muito mais do que nele consta para evitar a tragédia anunciada. Para que, então, renegociá-lo para se fazer menos?
E lembrei-me de uma história de cow-boys que só naquela América se poderia passar. Uns bandidos entram na casa de uma senhora que lhes pede para sairem dali porque têm as botas sujas de lama, ao que responderam que não iriam sujar nada porque a lama estava bem limpa.