ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O NAIPE DE ESPADAS



O Conselho de Segurança da ONU reuniu de emergência após Kim Jong-un ter anunciado o sucesso com a experiência de uma bomba de hidrogénio que, segundo os especialistas, pode ser colocada num foguetão de longo alcance.
A Coreia do Norte dispõe, afinal, de capacidade para atacar com armas nucleares a longa distância, o que significa que existe uma potência nuclear fora do controlo a que as demais potências nucleares se propuseram para evitar a proliferação de tais armas.
Afinal, as ameaças do ditador coreano eram a sério, mas a sério não foram tomadas pelos que acreditavam estar a Coreia do Norte ainda longe de possuir tais meios.
Tocou a rebate e conclui-se que “chegou a hora de acabar com as meias medidas” porque há que concluir que as medidas das Nacões Unidas ao longo das últimas décadas não conseguiram mudar a atitude norte-coreana.
Lembro-me de ter escrito, não há muitos dias, que não seria com “paninhos quentes” diplomáticos que algum resultado se alcançaria, mas com medidas determinadas e globais que isolassem completamente aquele país ameaçador.
Além disso, creio ter o mundo acordado esta questão tarde demais para evitar soluções que não envolvam sérios problemas, incluindo a reacção desesperada ou loucamente premeditada ao longo de muito tempo.
Decerto por isso a ONU considera o ensaio realizado e a comunicação do ditador como uma “perigosa provocação” à qual deve corresponder uma “resposta completa” da comunidade internacional que evite a concretização das ameaças que lhe são inerentes e criam uma "forte instabilidade regional e internacional”.
Não creio, porém, que seja fácil mobilizar toda a comunidade internacional para garantir o isolamento necessário e, mais do que isso, receio que tal isolamento em vez da solução seja a causa de uma atitude do tipo “gato encurralado” que deita as unhas de fora e ataca desesperado.
Finalmente, não sei quantas mais surpresas Kim Jong-un nos reservará ainda, pois não creio que tenha já mostrado todas as cartas do seu baralho que creio ter apenas um naipe, o de espadas!
Pelo andamento que as coisas estão a ter, brevemente o saberemos.


domingo, 3 de setembro de 2017

QUANDO UM MENINO PEGA NUMA ARMA CARREGADA, ALGUÉM SE ALEIJA COM CERTEZA!



A grande notícia do dia, anunciada com pompa, circunstância e hora marcada, é a de que a Coreia do Norte já possui a bomba H!
Eu não sei se me hei-de preocupar mais com as alterações climáticas, se com a destruição da camada de ozono, se com a crise económica que vivemos, se com a pluição que destroi o Ambiente ou se com este menino desordeiro a quem não param de oferecer brinquedos letais. Mas que este pode ser o caminho mais curto para o fim da Humanidade, pode mesmo ser.
Este é um caso diferente de quantos aqueles com que o mundo já teve de lidar.
Um pequeno país que terá o maior exército do mundo, agora possui todos os meios para por o mundo a ferro e fogo, apesar de ter uma população que é das que com mais privações tem de viver.
Naturalmente não foi capaz de fazer tudo isto sem a ajuda do seu parceiro gigante que é a China cujo papel actual na cena internacional me continua a fazer muita confusão, apesar das preocupações que diz sentir perante as ameaças norte-coreanas que poderia anular sem grandes dificuldades.
Parece que o mundo deixou crescer o monstro sem se dar conta de tal e agora não sabe como lidar com ele. E não sabe porque ninguém sabe como lidar com um psicopata impossível de recuperar, sendo a única solução anulá-lo, o que, no caso de Kim Jong-un me não parece fácil.
Não me parece que haja solução pacífica para a situação criada, assim como não creio que outra qualquer não cause danos graves com os quais a Humanidade talvez não saiba lidar.
Não vejo como será possível dominar um ídolo sem lhe ferir a dignidade que julga ter e o levará, decerto, a cometer loucuras que poderão por em causa a segurança do mundo inteiro.
Faz-me lembrar a história do aprendiz de feiticeiro que não conseguia parar aquele processo de multiplicação que um “abracadabra” mal feito começou.
Os próximos tempos nos dirão o que daqui sairá, mas não creio que seja um rato desta vez!


sábado, 2 de setembro de 2017

CRIMES AMBIENTAIS



Contam os Testamentos que, depois de um jejum de 30 dias no deserto, o diabo levou Cristo ao alto de um monte de onde se podia ver o mundo e o desafiou dizendo “tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”. Ao que Cristo respondeu “de que me serviria possuir tudo isso se perdesse a minha Alma?”
Não me canso de pensar no significado da resposta de quem, decerto cansado e faminto, resistiu à tentação de tudo ter em troca de um bem maior.
É esta passagem da Bíblia que me inspira nesta luta inglória que há dezenas de anos travo contra a enorme ambição de possuir que a nossa “civilização” criou em nós.
E, parafraseando Cristo, apetece-me dizer: de que me servirá ter tudo do que, da maior parte não tenho necessidade se, por isso, perder o Ambiente de que necessito para viver?
À medida que os anos passaram me dei conta de como estava certo nas preocupações que a crescente pilhagem da Natureza me trazia.
O Ambiente está seriamente ameaçado pelo modo de viver que escolhemos neste meio limitado em que vivemos, no qual não cabe o crescimento ilimitado que ambicionamos e, cada vez mais rapidamente destrói, em pouco tempo, os equilíbrios que levaram muitos milhões de anos a atingir para existir o Ambiente que nos consente viver.
Destruímos a camada do ozono, elevamos a temperatura média global, poluímos e contaminamos o meio em que vivemos e, apesar de todos os avisos sérios que a Ciência nos faz a cada dia, insistimos nos erros que pioram a nossa situação de seres efémeros, de mais uma espécie que, tal como a milhões de outras já aconteceu, um dia não será mais do que uma das que passaram pela Terra.
A destruição de equilíbrios é o grande erro do Homem.
Por isso me chocou tanto a decisão do Presidente do Brasil em consentir que na tão já escalavrada Amazónia, mais um desmantamento para constituir uma reserva cuja extensão corresponde a cerca de metade da nossa área nacional terrestre, destinada a constituir uma exploração mineral!
Felizmente, um juiz da 21ª Vara Federal de Brasília decidiu que não produzirá efeitos “todo e qualquer ato administrativo tendente a extinguir a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca)”.
A Renca que foi criada em 1984 pelo Presidente João Figueiredo, tem um estatuto que impõe que a exploração de cobre só poderia ser aí efetuada por uma companhia estatal. Entretanto, além de cobre, descobriram-se minerais como ouro, magnésio e outros para além co cobre, os quais, naturalmente, geraram cobiças a que Temer, actual e muito contestado Presidente brasileiro, não é, de todo, insensível aos proveitos de uma “nova corrida ao ouro”.
A desmatação da Amazónia, a área de floresta húmida maior do mundo, é um dos mais graves problemas ambientais que enfrentamos, pois extingue espécies animais e vegetais, com gravíssimas consequências no ecossistema amazónico, para além das que decorrem da destruição do grande pulmão do mundo.
A redução drástica das florestas húmidas do mundo, no Brasil, em África, na Indonésia, está a ter efeitos muito sensíveis nas alterações climáticas, assim se juntando a outras causas bem conhecidas.
A redução das áreas de florestas e a cada vez maior poluição dos oceanos, reduz a fixação de CO2 que se vai acumulando na atmosfera e, deste modo, aumenta o efeito de estufa que vai tornando mais quente a Terra!
Os incêndios florestais que destroem, a cada ano, dezenas e dezenas e milhares de hectares, contribuem, também, para a redução da fixação de CO2, sendo este aspecto mais um a juntar aos múltiplos crimes que se praticam no simples acto de atear um incêndio, a justificar uma nova atitude da Justiça perante quem os pratica.