ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

ESPANHA OU REINO DE CASTELA?



O Discurso do Rei de Espanha, acusando os responsáveis catalães de desobediência constitucional e de perturbação da unidade nacional, fez-me lembrar aquele que seria o de um chefe daqueles gangues de onde, uma vez entrado, não há como sair senão morto!
De que unidade nacional falaria Filipe, um nome de má memória para Portugal porque, de Castela, um Filipe também quis anexar Portugal a essa amálgama de nacionalidades em que apenas não entrou porque o povo português não quis e lutou bravamente pela liberdade que não quis perder e pela nacionalidade que não quis trocar por outra.
A Espanha é um Estado, sem dúvida, no qual a nação catalã, tal como outras, foi integrada contra sua vontade, o que, nestes tempos tão “compreensivos” para certos tipos de liberdade, parece não existir modo de a fazer valer quando se trata de uma nação querer ser livre e ter a sua própria personalidade que lhe foi negada pela força.
Ainda ninguém se apercebeu de que a Espanha é uma invenção de Castela que subjugou nações vizinhas das quais quis apagar a História e fazer esquecer a própria língua?
Há quem diga que a ditadura em Espanha acabou com a morte de Franco, mas a verdade é que ela se prolonga nestes aspectos das nacionalidades que continuam a ser reprimidas com a mesma violência com que foram conquistados territórios e subjugados povos.
Por que se não dispõe a Espanha a dialogar? Por que razão não deixa o Governo espanhol que sejam os catalães a decidir livremente o futuro que, em maioria, desejarem?
Por causa do já tão falado artº 155 da sua Constituição, o tal que parece a porta de uma cela?
A União Europeia condenou a violência como forma de resolver os problemas, mas acrescentou que deveriam ser resolvidos internamente de acordo com a Constituição, o que significa não serem resolvidos os problemas que já duram há séculos, primeiro porque a força o não consentiu e, agora, porque a tal constituição o não consente! Então o que haverá para resolver?
Eu continuo a pensar que os catalães têm o direito a escolher e em democracia escolhe-se através de votação cujos resultados devem ser acatados. Como tiveram os escocesses, como querem ter os curdos e outros povos que a força bruta desbaratou.

A PROPÓSITO DO PRÉMIO NOBEL DA FÍSICA



Ao contrário de Stephen Hawking, eu não digo que já não precisamos de Deus para explicar seja o que for porque a física é capaz de o fazer, dispensando esse “conceito” adicional.
Ainda que os avanços do conhecimento científico que as tecnologias cada vez mais sofisticadas vão facilitando, possam dar a sensação de um poder que permite, mais cedo ou mais tarde, explicar seja o que for, a verdade é que ainda não explicámos nada. Apenas vamos descobrindo mais da “aventura” da Criação ou, quem sabe, da entidade que é, como no dizer de S Tomaz no seu “caminho para Deus”, a razão de ser de todas as coisas, uma descoberta que, porventura, apenas se completará em outra dimensão.
Já vão longe as descobertas que a muitos de nós podem agora parecer simplórias, tão vulgares elas são, como a descoberta da gravidade por Newton, por exemplo, que levou Einstein a meditar sobre o modo como se propagaria essa força que faz com que dois corpos próximos se atraiam com uma intensidade directamente proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa.
Dessa reflexão e não só, resultou a teoria das “ondas gravitacionais”, ondulações que se propagam a partir da fonte, transportando a energia sob a forma de radiação gravitacional.
Einstein estabeleceu esta teoria, com base na sua intuição científica, em 1915, mas nunca conseguiu verifica-la, chegando mesmo a pensar que tal seria impossível.
Não fazia ideia de que cem anos depois, em 2015, graças à evolução da tecnologia, três cientistas americanos, Rainer Weiss, Barry Barish e Kip Thorne, a comprovassem através da observação, sendo, por isso, galardoados com o Prémio Nobel da Física 2017.
Ao estabelecimento intuitivo de uma teoria segue-se a sua comprovação pela observação. Não me parece haver qualquer tipo de explicação nesta descoberta que, por certo, está já a dar origem a novas teorias e projectos de observação que levarão mais longe o nosso conhecimento sobre o Universo e seus mistérios.
Na Física, a confirmação da existência das ondas gravitacionais é, porventura, o feito mais sonante depois da experiência que permitiu confirmar a existência do “bosão”, através do qual a energia se transforma em matéria em conformidade com a fórmula universal E=Mc2, também de Einstein, que a intuição de Higgs há muito havia detectado.
Então, logo surgiram variadas hipóteses que servem de base a novas teorias, entre as quais a possibilidade da existência de mundos paralelos já que a maior parte da massa formada a partir do Big Bang, não é visível nem, por enquanto, detectável.
E assim, de observação em observação vão-se colocando hipóteses, estabelecendo teorias que ficarão aguardando que, um dia, alguém as confirme ou não, também pela observação a partir da qual um novo ciclo começará.
É por isso que a Ciência terá de se conformar com algo que lhe é superior, uma vontade maior que deu origem ao universo e ditou as suas leis, o que me parece mais conforme com a inteligência do Homem que, decerto, não existe por acaso!
Chamem-lhe Deus ou o que quiserem, mas existe!
Descobrir os seus desígnios é que é mais difícil.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A REVOLTA DE UM POVO



E aconteceu o que não devia ter acontecido na Catalunha que, tão simplesmente, quer ser o que é, em vez do que lhes impõem que seja!
Aconteceu porque os catalães foram corajosos contra a ditadura feroz do galego Rajoy que se juntou aos castelhanos para continuar a oprimir os que não o sendo, não desejam continuar a fingir que o são.
Os catalães são uma nação com História e com língua próprias que os reis castelhanos e o franquismo quiseram destruir.
O povo catalão responde-lhes agora e não encontrará Rajoy maneira de apagar o crime que cometeu, nem creio que a Catalunha, sejam as condições quais forem, continue a ser Espanha como pareceu ser até aqui.
No mais puro e criminoso desprezo pelos mais elementares princípios democráticos, da liberdade de expressão e do direito a ser livre, o criminoso Rajoy culpou os catalães pelo banho de sangue que lhes infligiu através dos muitos milhares de capangas que enviou para os massacrar, afirmando, despudoradamente, que tal apenas aconteceu porque desrespeitaram a lei.
Esta é a mentalidade do assassino e não de quem pretende viver de bem com os demais, encontrar com eles as melhores condições de convivência.
Para Rajoy não há discurso, não há conversações. Há uma lei que quer impor a todo o custo com um autêntico acto de guerra contra um povo que apenas exige o direito de continuar a sê-lo.
Mas qual lei que vai contra todos os princípios que devem reger um mundo em paz? A lei que resulta de uma Constituição anti-democrática que aprisiona nações, povos que se recusam a deixar de o ser?
Passaram séculos e a Catalunha continua a existir e não me parece que possa Rajoy algum matá-la alguma vez.
Na realidade, foi Rajoy quem morreu, porque não acredito que se possa ter respeito por quem procede como ele que demonstrou ser a Espanha uma ditadura castrante!
Quase um milhar de feridos, dezenas dos quais com gravidade, cargas policiais em que a raiva dos castelhanos enviados para fazer cumprir a ignominiosa lei foi desmedida, fazem o "quadro" para o qual o mundo olha estarrecido com os métodos de Idade Média utilizados.
Imagens que correm o mundo que não pode deixar de indignar-se com o que vê.
E a União Europeia o que fará? Nada decerto. Coça-se para dentro porque não há políticos de facto, mas ocupadores de lugares que lhes permitem mandar, oprimir, matar até!
Já ouvi o que Marcelo disse e foi assim, fazendo-me lembrar aquela velha máxima “entre marido e mulher não metas a colher”. E muitas mulheres morreram e continuam a morrer quando assim se pensa.
Mesmo assim, a Catalunha votou!