Há ainda gente indecisa, gente que não sabe em quem votar.
É natural porque sempre haverá indecisos até à última hora. Mas haver quem pergunte em quem votará se não votar em Sócrates, é pergunta estranha de se ouvir.
Faz-me lembrar os macaquinhos que tapam os olhos para não ver, os ouvidos para não ouvir e a boca para não falar, a avestruz que tenta ignorar o perigo enterrando a cabeça na areia ou, melhor talvez, alguém para quem a sorte não foi benevolente na hora de escolher alguns predicados.
Depois de tudo o que já se passou neste país, das tropelias em que a imaginação de Sócrates é fértil, do seu diz e desdiz constante com que consegue desnortear os menos avisados, a questão deveria ser outra: ainda não sei em quem votar, mas sei que em Sócrates é que não votarei.
De facto, perante a situação de catástrofe a que o nosso país foi levado, só me vem à cabeça o apelo do Tiririca, o palhaço brasileiro que foi eleito senador: “se está mal, pior não fica”!
Mas melhor será ter esperança e votar depois de uma reflexão sobre as alternativas que temos.
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ACORDO ORTOGRÁFICO
O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.
terça-feira, 31 de maio de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
“ESCREVER JULHO OU SEGUNDA VERSÃO”!!!
Não sei se alguém ainda consegue admirar-se com as tropelias que Sócrates faz a toda a hora!
Desta vez a coisa foi, como ele diz, um “simples ajustamento” que faz passar obrigações difíceis de cumprir adiantarem-se no calendário que fazia parte do acordo que o seu governo assinou com a “troika” e que PSD e CDS se comprometeram a respeitar.
Isto significa que, depois de assinado o acordo para a ajuda a Portugal, Sócrates renegociou, desnecessariamente, com os seus “amigos” da União Europeia aumentar as dificuldades que ele já continha.
Se pensarmos que as eleições serão a 5 de Junho e que a tomada de posse de um eventual novo governo será lá mais para o final do mesmo mês, adiantar para Julho uma série de obrigações que não são fáceis de cumprir é passar uma grande rasteira ao país, como que uma vingança por não o reeleger para um cargo no qual mostrou ser mentiroso e incompetente.
Para este Sócrates que deveria emigrar para o Tibet, não existe uma segunda versão do acordo porque se limitou a escrever “Julho”!!!!
E se fosse para o Diabo?
Desta vez a coisa foi, como ele diz, um “simples ajustamento” que faz passar obrigações difíceis de cumprir adiantarem-se no calendário que fazia parte do acordo que o seu governo assinou com a “troika” e que PSD e CDS se comprometeram a respeitar.
Isto significa que, depois de assinado o acordo para a ajuda a Portugal, Sócrates renegociou, desnecessariamente, com os seus “amigos” da União Europeia aumentar as dificuldades que ele já continha.
Se pensarmos que as eleições serão a 5 de Junho e que a tomada de posse de um eventual novo governo será lá mais para o final do mesmo mês, adiantar para Julho uma série de obrigações que não são fáceis de cumprir é passar uma grande rasteira ao país, como que uma vingança por não o reeleger para um cargo no qual mostrou ser mentiroso e incompetente.
Para este Sócrates que deveria emigrar para o Tibet, não existe uma segunda versão do acordo porque se limitou a escrever “Julho”!!!!
E se fosse para o Diabo?
sexta-feira, 27 de maio de 2011
INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ OU ABORTO LIVRE?
A interrupção voluntária da gravidez que não esperaria ver referida nesta campanha, acabou por fazer o seu aparecimento. Inoportuno quanto a mim, mas nem por isso sem importância.
Bem pelo contrário, é um tema importante, como o serão outros de natureza social e moral que já foram decididos pelos governos de José Sócrates que, pela a legalização do aborto, dos casamentos homossexuais e mais tudo o que estes possam acarretar, considerou Portugal na vanguarda dos países mais evoluídos do mundo!
Mal sabíamos nós, então, a evolução real que teríamos, desde um país que se julgava rico e estável, até à situação de penúria humilhante que vivemos.
Andámos distraídos com tantas coisas que nos colocavam no tecto do mundo, leis vanguardistas, auto-estradas, automóveis, telemóveis e tantos outros excessos, que nem demos conta do abismo que se aproximava.
Chegados à beira de um precipício enorme, apenas nos ficam as hipóteses de, sensatamente, recuarmos ou de nele nos lançarmos deixando ao acaso o que possa acontecer. Quem sabe um “anjo” nos tome em seus braços…
Nas transformações que consentiu, Portugal não se deu conta de que, a par da identidade muito própria que perdia, igualmente enfraquecia a personalidade que o distinguiu ao longo de séculos e o respeito que tinha por si próprio e, assim, ia iniciar o caminho que o pode levar ao seu fim.
De tal modo as coisas se modificaram que da família pouco resta (será para esconder como Sócrates faz com a sua), do respeito nada resta e somos cada vez menos.
O censo populacional cujos resultados estão em elaboração, dirá que somos, os residentes em Portugal, um pouco mais de dez milhões. Estudiosos dizem que, à taxa de evolução demográfica que temos, não seremos mais de seis milhões lá para o final do século.
Se a esta percepção aliarmos todas as consequências que terá, acabaremos por ter a noção de um país enfraquecido, envelhecido, empobrecido e sem possibilidades de sustentação!
Seriam, quanto a mim, estas perspectivas dramáticas que deveriam preocupar os políticos que, assim, deveriam estabelecer políticas e metas de desenvolvimento que evitassem este desastre!
Se o tema do aborto foi reencontrado nesta campanha e revelada a preocupação de analisar a lei que o rege para que a interrupção voluntária da gravidez não seja o aborto livre, significa que quem o fez se preocupa com tão importante problema social tal como, decerto, se preocupará com outros que, ao contrário de nos tornarem um país evoluído, fazem de nós um povo em extinção!
Bem pelo contrário, é um tema importante, como o serão outros de natureza social e moral que já foram decididos pelos governos de José Sócrates que, pela a legalização do aborto, dos casamentos homossexuais e mais tudo o que estes possam acarretar, considerou Portugal na vanguarda dos países mais evoluídos do mundo!
Mal sabíamos nós, então, a evolução real que teríamos, desde um país que se julgava rico e estável, até à situação de penúria humilhante que vivemos.
Andámos distraídos com tantas coisas que nos colocavam no tecto do mundo, leis vanguardistas, auto-estradas, automóveis, telemóveis e tantos outros excessos, que nem demos conta do abismo que se aproximava.
Chegados à beira de um precipício enorme, apenas nos ficam as hipóteses de, sensatamente, recuarmos ou de nele nos lançarmos deixando ao acaso o que possa acontecer. Quem sabe um “anjo” nos tome em seus braços…
Nas transformações que consentiu, Portugal não se deu conta de que, a par da identidade muito própria que perdia, igualmente enfraquecia a personalidade que o distinguiu ao longo de séculos e o respeito que tinha por si próprio e, assim, ia iniciar o caminho que o pode levar ao seu fim.
De tal modo as coisas se modificaram que da família pouco resta (será para esconder como Sócrates faz com a sua), do respeito nada resta e somos cada vez menos.
O censo populacional cujos resultados estão em elaboração, dirá que somos, os residentes em Portugal, um pouco mais de dez milhões. Estudiosos dizem que, à taxa de evolução demográfica que temos, não seremos mais de seis milhões lá para o final do século.
Se a esta percepção aliarmos todas as consequências que terá, acabaremos por ter a noção de um país enfraquecido, envelhecido, empobrecido e sem possibilidades de sustentação!
Seriam, quanto a mim, estas perspectivas dramáticas que deveriam preocupar os políticos que, assim, deveriam estabelecer políticas e metas de desenvolvimento que evitassem este desastre!
Se o tema do aborto foi reencontrado nesta campanha e revelada a preocupação de analisar a lei que o rege para que a interrupção voluntária da gravidez não seja o aborto livre, significa que quem o fez se preocupa com tão importante problema social tal como, decerto, se preocupará com outros que, ao contrário de nos tornarem um país evoluído, fazem de nós um povo em extinção!
quarta-feira, 25 de maio de 2011
AS NOMEAÇÕES DE “BOYS” E AS SONDAGENS
Será um modo de por um travão nas nomeações de “boys” o cumprimento da promessa de Passos Coelho de criar um site público “onde será publicado todos os dias o que, porquê e para quê foi nomeado, seja para onde for”.
O líder do PSD afirmou, ainda, que “nomearemos com transparência aqueles que por mérito e competência merecerem ser nomeados”.
Depois do que a comunicação social nos trouxe ao conhecimento sobre carreiras fulgurantes e notório enriquecimento de algumas personalidades sobre as quais existem suspeitas de práticas dolosas, além de comportamentos de detentores de cargos que mostram excesso de zelo que condiz com incondicional lealdade ao “regime”, a promessa de Passos Coelho poderá ser um meio de contrariar uma prática que permite a suspeita de contrapartidas socialmente reprováveis, infelizmente muito frequentes.
Este seria mais um contributo importante nas mudanças de que Portugal carece para poder ser, de novo, um país bem sucedido.
Chocou-me, ou talvez não, um comentário que ontem escutei num canal televisivo, no qual se dizia que o PS havia criado uma enorme rede controladora que chegaria às próprias sondagens. Não tomo esta declaração como explicação para tanta coisa esquisita que sucede, mas bem poderia sê-lo!
A verdade, porém, é que as sondagens continuam estranhas e sempre que alguma dá vantagem significativa ao PSD, logo outra se segue a colocá-lo a par do PS.
Igualmente estranho continua a ser o apoio que, aparentemente, Sócrates ainda consegue, ao invés do que em outros países aconteceria, nos quais os insucessos governativos são duramente punidos porque os cidadãos, em vez de preconceitos partidários, têm em conta os verdadeiros valores e interesses que a democracia permite e deve salvaguardar.
Também em Portugal, normalmente, seria assim mas… serão assim tantos os que, se o PS perder as eleições, ficarão sem tacho?
O líder do PSD afirmou, ainda, que “nomearemos com transparência aqueles que por mérito e competência merecerem ser nomeados”.
Depois do que a comunicação social nos trouxe ao conhecimento sobre carreiras fulgurantes e notório enriquecimento de algumas personalidades sobre as quais existem suspeitas de práticas dolosas, além de comportamentos de detentores de cargos que mostram excesso de zelo que condiz com incondicional lealdade ao “regime”, a promessa de Passos Coelho poderá ser um meio de contrariar uma prática que permite a suspeita de contrapartidas socialmente reprováveis, infelizmente muito frequentes.
Este seria mais um contributo importante nas mudanças de que Portugal carece para poder ser, de novo, um país bem sucedido.
Chocou-me, ou talvez não, um comentário que ontem escutei num canal televisivo, no qual se dizia que o PS havia criado uma enorme rede controladora que chegaria às próprias sondagens. Não tomo esta declaração como explicação para tanta coisa esquisita que sucede, mas bem poderia sê-lo!
A verdade, porém, é que as sondagens continuam estranhas e sempre que alguma dá vantagem significativa ao PSD, logo outra se segue a colocá-lo a par do PS.
Igualmente estranho continua a ser o apoio que, aparentemente, Sócrates ainda consegue, ao invés do que em outros países aconteceria, nos quais os insucessos governativos são duramente punidos porque os cidadãos, em vez de preconceitos partidários, têm em conta os verdadeiros valores e interesses que a democracia permite e deve salvaguardar.
Também em Portugal, normalmente, seria assim mas… serão assim tantos os que, se o PS perder as eleições, ficarão sem tacho?
terça-feira, 24 de maio de 2011
MENTIRAS QUE RENDEM
Depois do que se soube em relação a nomeações encapotadas, a despesas sonegadas na contabilidade pública para favorecer o “desempenho do défice”, aos apoiantes arregimentados entre emigrantes necessitados a quem dá transporte e comida, além de outras “espertezas saloias” em que o PS de Sócrates se especializou, nenhum país minimamente civilizado confiaria nele nem no seu governo que, por incompetência, o arruinou.
A verdade, porém, é que o descaramento de Sócrates que faz de nós patetas ignorantes a quem um desmentido inflamado convence, gera dividendos políticos que apenas um país politicamente impreparado está disposto a pagar.
Mesmo perante as evidências que provas irrefutáveis não permitem desmentir, o líder socialista acusa o seu mais directo adversário de estar a fazer uma “campanha de incidentes”, de dizer mentiras e que melhor faria se, antes de falar, se informasse. Um Secretário de Estado permite-se, mesmo, falar de irresponsabilidade e de desonestidade da parte de quem denuncia o que é verdade, o que é, no mínimo, estranho e só aceitável em repúblicas de bananas.
Ao invés do que sucederia e está a suceder em outros países, Sócrates pensa, talvez com alguma razão, estar ao seu alcance uma nova vitória que lhe permita continuar a fazer de Portugal o bobo da Europa, o país que é governado por alguém que o Mundo tem já em muito pouco apreço.
Não posso ter qualquer certeza sobre o sucesso da governação que se seguirá a Sócrates mas, por certo, os portugueses haverão de querer outro governo no qual possam depositar alguma esperança porque não desejarão continuar do mesmo modo, num rumo de governação que, de PEC em PEC, nos arruína. Esta seria a solução que só um país masoquista escolheria!
segunda-feira, 23 de maio de 2011
UM PS “UNIVERSAL” QUE FALA MAL PORTUGUÊS E NÃO VOTA, MAS SE DEIXA TRANSPORTAR ATÉ À FESTA E COME DE BORLA!
Num daqueles programas de “opinião pública” em que cada um diz o que quer, seja um lugar comum, a repetição da “voz do dono”, qualquer coisa que inventa ou convém à causa que defende, mas raramente algo que valha a pena escutar, ouvi uma participante criticar Passos Coelho pelos jantares que as Juntas de Freguesia pagam aos convidados que o apoiam, acabando a dizer que, no dia 5 de Junho, não vai votar.
Fiquei surpreso por não ver os responsáveis pelo programa corrigir o erro porque uma reportagem da mesma estação mostrou ser o PS o partido que recorre a esses expedientes de transportar e alimentar “apoiantes” que mal falam português e não podem votar, bem como porque a “convidada” se esforçou por justificar e, até, generalizar a atitude absentista pela falta de confiança nos políticos que, alguém que revelou não ter conhecimento de causa nem cultura política, ali apresentou como razão para não votar!
Pobre país onde tão facilmente se dá voz ao disparate, onde quase se cultiva o ódio aos políticos e nada se faz para esclarecer as atitudes que são próprias da democracia e a podem justificar ou desqualificar. Estas, desqualificam-na, certamente.
Neste país que se está a revelar estranhamente permeável à ignorância, ao obscurantismo e ao oportunismo político, sobejam estes programas de má qualidade que nada mais fazem do que baralhar os que já tenham poucas ideias, com “convidados especialistas” que, não raro, são bem piores do que os políticos que criticam.
A “classe política” é uma emergência da “classe intelectual” que por aí pulula e age como se tudo soubesse, até mesmo o que se deveria fazer para tornar o país melhor. Porém, nada faz nem se arrisca a fazer porque maldizer é bem mais fácil.
Como poderão, lá por fora, pensar bem de nós os que não conseguem entender estas atitudes, os que estranham a interpretação que gente demais ainda faz da situação grave que enfrentamos e as suas propostas para a resolver, os que não compreendem o modo como tantos enjeitam as suas responsabilidades de escolha e, sobretudo, o mundo que não entende como não somos capazes de responsabilizar os incapazes que conduziram o nosso país à situação humilhante em que se encontra.
Talvez seja este contra-ciclo com o que noutras paragens se passa que nos faz andar para trás enquanto outros avançam!
Fiquei surpreso por não ver os responsáveis pelo programa corrigir o erro porque uma reportagem da mesma estação mostrou ser o PS o partido que recorre a esses expedientes de transportar e alimentar “apoiantes” que mal falam português e não podem votar, bem como porque a “convidada” se esforçou por justificar e, até, generalizar a atitude absentista pela falta de confiança nos políticos que, alguém que revelou não ter conhecimento de causa nem cultura política, ali apresentou como razão para não votar!
Pobre país onde tão facilmente se dá voz ao disparate, onde quase se cultiva o ódio aos políticos e nada se faz para esclarecer as atitudes que são próprias da democracia e a podem justificar ou desqualificar. Estas, desqualificam-na, certamente.
Neste país que se está a revelar estranhamente permeável à ignorância, ao obscurantismo e ao oportunismo político, sobejam estes programas de má qualidade que nada mais fazem do que baralhar os que já tenham poucas ideias, com “convidados especialistas” que, não raro, são bem piores do que os políticos que criticam.
A “classe política” é uma emergência da “classe intelectual” que por aí pulula e age como se tudo soubesse, até mesmo o que se deveria fazer para tornar o país melhor. Porém, nada faz nem se arrisca a fazer porque maldizer é bem mais fácil.
Como poderão, lá por fora, pensar bem de nós os que não conseguem entender estas atitudes, os que estranham a interpretação que gente demais ainda faz da situação grave que enfrentamos e as suas propostas para a resolver, os que não compreendem o modo como tantos enjeitam as suas responsabilidades de escolha e, sobretudo, o mundo que não entende como não somos capazes de responsabilizar os incapazes que conduziram o nosso país à situação humilhante em que se encontra.
Talvez seja este contra-ciclo com o que noutras paragens se passa que nos faz andar para trás enquanto outros avançam!
COMO PUDERAM FAZER ISTO AO PAÍS?
É o lamento patético de quem, em pouco mais de cinco anos, quase duplicou a dívida pública portuguesa até ao valor do que o país produz num ano inteiro, fez parcerias e realizou obras ruinosas para as finanças públicas ao ponto de minguar demais os meios disponíveis para as boas causas, urdiu intricadas confusões em que a política portuguesa se enredou, não teve noção do perigo para o qual os seus desvairos arrastavam Portugal e, mesmo assim, se sente injustiçado por lhe não terem consentido, de novo, limpar o mal que fez com mais suor de quem trabalha e maior sofrimento dos pensionistas e dos cada vez mais desempregados!
Estes são os “créditos” de quem conseguiu um excedente orçamental no primeiro trimestre de 2011 apenas pelo aumento de impostos, apesar do acréscimo das despesas correntes do Estado!
Os disparates estão feitos e as consequências terão de ser sofridas, mas consentir que prossiga uma governação que, de PEC em PEC, não conduziu por outro rumo senão o do endividamento sucessivo seria aceitar, passivamente, a ruína; permitir que se mantenham as desconfianças que a maioria dos portugueses têm de Sócrates e dos seus “amigos”, será consentir que a Justiça, indispensável à harmonia e evolução social, se continue a arrastar na lama das “ruas da amargura”; deixar que um país sem grandes recursos materiais continue a fazer vida de rico e a apostar em projectos excessivos é contribuir para uma dívida monstra que nem os mais insuportáveis sacrifícios poderão pagar!
Por isso, desta vez, a técnica da mistificação que procurará passar para outros ombros o peso das culpas que só ao governo de Sócrates pertencem, não poderá ser bem sucedida, porque já foi longe demais!
Ouvimos e ouviremos dizer que o PEC4 era necessário porque medidas ainda mais duras resultarão do pedido de ajuda que foi feito à “amiga” União Europeia e ao FMI; dizem e continuarão a dizer que a crise política que a não aprovação do PEC4 provocou é a causa de todas as desgraças que vivemos e por muito tempo ainda viveremos; proclamam e proclamarão a culpa de quem travou o “êxito” da governação socialista, apontando “factos” que, para o serem, carecem de provas que não há nem explicam porque, em 2012, Portugal será o único país do mundo em recessão.
Enfim, muito mais se diz e dirá, na tentativa de confundir quem terá de escolher os seus novos representantes democráticos porque, para além de acusações e de mentiras bem urdidas, pouco terão para dizer.
Estamos habituados a artimanhas nas quais a mentira e o engano se tornaram procedimentos comuns, mas não pode continuar a ser um pressuposto aceitável que em política se tolerem atitudes que socialmente se reprovam. A governação precisa de outro nível para ser respeitada e terá de comportar-se como exemplo de um país que precisa de todo o seu orgulho, de toda a força e dignidade para se reerguer. O confronto político terá de perder o jeito reguila e “malhador” que alguns personagens lhe conferem e voltar a ter a dignidade e a verdade própria dos que representam um povo que merece ser respeitado.
Não acredito em projectos para fazer voltar o país aos tempos do despesismo descuidado, do incentivo ao consumo do supérfluo que faz a “má economia” crescer e nem é isso que desejo de quem venha a governar Portugal. Apenas espero o bom senso e a contenção própria de quem bem lhe conheça as limitações e as potencialidades para escolher o rumo certo que até agora lhe não foi dado, sob pena de ainda mais graves consequências.
Para quem esteve atento e apesar dos protestos veementes de capacidade que Sócrates e o seu governo sempre clamaram, a verdade é que o “fim da linha” estava já diante dos nossos olhos e há muito tempo se deveria ter corrigido o percurso, pois nenhum PEC, o 4 e todos os que se lhe seguissem, o evitaria. Até a banca portuguesa, incluindo o banco do Estado, não poderia continuar a co-financiar uma dívida pública injustificadamente crescente que, deste modo, ficou à inteira mercê dos mercados gananciosos que sugam as suas presas até ao tutano.
Na defesa teimosa e ilusória de uma situação insustentável, o governo estava a arruinar o que de mais estável ainda existia nas finanças portuguesas, uma banca que não se havia deixado intoxicar excessivamente pelas loucuras que fizeram a crise financeira internacional. Será uma banca da qual as preconceituosas agências de notação financeira dão referências muito abaixo das excelentes que atribuíram ao gigantesco banco Lehman Brothers na véspera de falir e lançar o mundo na confusão em que se encontra, mas é a banca que temos e pode evitar que à falência de um Estado se junte a falência de um país.
Com ou sem PEC4, o pedido de ajuda externa há muito era inevitável, há muito que deveria ter sido feito, sendo patética a atitude de “fidalgo arruinado” que o governo adopta e injustificável a imagem de “vítimas” com que pretende que sejam olhados os incapazes que tomaram tantas decisões de consequências desastrosas.
Não é intenção destes meus desabafos influenciar seja quem for nas suas intenções de voto mas, tão só, pedir a todos a atitude responsável de uma decisão justa e fundamentada na escolha que, dentro de alguns dias, seremos chamados a fazer. A situação é extremamente grave. Não contribuir, conscientemente, para a sua resolução será pecado que a História não perdoará.
Não está em causa se Portugal foi ou não vítima da ganância dos “mercados” mas sim o facto de, por uma política de “novo-riquismo” leviano, caviloso e gastador ter dado lugar às condições propícias para tal. Por isso, todos deveremos exigir dos políticos a atitude que não têm tido no modo como cuidam do bem comum e o fim das palavras ocas e das promessas esquecidas depois de conquistados os votos; há que fazer-lhes sentir recriminação pela forma como deixam que interesses particulares sejam privilegiados em prejuízo dos de todos nós e dizer-lhes, também, que basta de afrontar a pobreza com situações de lautos privilégios que a classe política e dirigente deste país a si própria atribui. Num país pobre, onde não há condições para desperdícios, a justiça social é particularmente importante. Por isso deve exigir-se.
Porque sou parte conscientemente interessada no futuro deste nosso Portugal, não me coíbo de dizer o que penso nem de insistir no pedido para que todos se decidam na boa consciência que apenas a reflexão e o bom senso podem gerar, sem pressupostos de partidarismo cego, para depois não termos de dizer, à semelhança de uma cantiga muito em voga: que país tão parvo, onde para ser escravo é preciso votar.
Rui de Carvalho
Lisboa, 18 Abril 2011
(publicado no Notícias de Manteigas de Maio)
Estes são os “créditos” de quem conseguiu um excedente orçamental no primeiro trimestre de 2011 apenas pelo aumento de impostos, apesar do acréscimo das despesas correntes do Estado!
Os disparates estão feitos e as consequências terão de ser sofridas, mas consentir que prossiga uma governação que, de PEC em PEC, não conduziu por outro rumo senão o do endividamento sucessivo seria aceitar, passivamente, a ruína; permitir que se mantenham as desconfianças que a maioria dos portugueses têm de Sócrates e dos seus “amigos”, será consentir que a Justiça, indispensável à harmonia e evolução social, se continue a arrastar na lama das “ruas da amargura”; deixar que um país sem grandes recursos materiais continue a fazer vida de rico e a apostar em projectos excessivos é contribuir para uma dívida monstra que nem os mais insuportáveis sacrifícios poderão pagar!
Por isso, desta vez, a técnica da mistificação que procurará passar para outros ombros o peso das culpas que só ao governo de Sócrates pertencem, não poderá ser bem sucedida, porque já foi longe demais!
Ouvimos e ouviremos dizer que o PEC4 era necessário porque medidas ainda mais duras resultarão do pedido de ajuda que foi feito à “amiga” União Europeia e ao FMI; dizem e continuarão a dizer que a crise política que a não aprovação do PEC4 provocou é a causa de todas as desgraças que vivemos e por muito tempo ainda viveremos; proclamam e proclamarão a culpa de quem travou o “êxito” da governação socialista, apontando “factos” que, para o serem, carecem de provas que não há nem explicam porque, em 2012, Portugal será o único país do mundo em recessão.
Enfim, muito mais se diz e dirá, na tentativa de confundir quem terá de escolher os seus novos representantes democráticos porque, para além de acusações e de mentiras bem urdidas, pouco terão para dizer.
Estamos habituados a artimanhas nas quais a mentira e o engano se tornaram procedimentos comuns, mas não pode continuar a ser um pressuposto aceitável que em política se tolerem atitudes que socialmente se reprovam. A governação precisa de outro nível para ser respeitada e terá de comportar-se como exemplo de um país que precisa de todo o seu orgulho, de toda a força e dignidade para se reerguer. O confronto político terá de perder o jeito reguila e “malhador” que alguns personagens lhe conferem e voltar a ter a dignidade e a verdade própria dos que representam um povo que merece ser respeitado.
Não acredito em projectos para fazer voltar o país aos tempos do despesismo descuidado, do incentivo ao consumo do supérfluo que faz a “má economia” crescer e nem é isso que desejo de quem venha a governar Portugal. Apenas espero o bom senso e a contenção própria de quem bem lhe conheça as limitações e as potencialidades para escolher o rumo certo que até agora lhe não foi dado, sob pena de ainda mais graves consequências.
Para quem esteve atento e apesar dos protestos veementes de capacidade que Sócrates e o seu governo sempre clamaram, a verdade é que o “fim da linha” estava já diante dos nossos olhos e há muito tempo se deveria ter corrigido o percurso, pois nenhum PEC, o 4 e todos os que se lhe seguissem, o evitaria. Até a banca portuguesa, incluindo o banco do Estado, não poderia continuar a co-financiar uma dívida pública injustificadamente crescente que, deste modo, ficou à inteira mercê dos mercados gananciosos que sugam as suas presas até ao tutano.
Na defesa teimosa e ilusória de uma situação insustentável, o governo estava a arruinar o que de mais estável ainda existia nas finanças portuguesas, uma banca que não se havia deixado intoxicar excessivamente pelas loucuras que fizeram a crise financeira internacional. Será uma banca da qual as preconceituosas agências de notação financeira dão referências muito abaixo das excelentes que atribuíram ao gigantesco banco Lehman Brothers na véspera de falir e lançar o mundo na confusão em que se encontra, mas é a banca que temos e pode evitar que à falência de um Estado se junte a falência de um país.
Com ou sem PEC4, o pedido de ajuda externa há muito era inevitável, há muito que deveria ter sido feito, sendo patética a atitude de “fidalgo arruinado” que o governo adopta e injustificável a imagem de “vítimas” com que pretende que sejam olhados os incapazes que tomaram tantas decisões de consequências desastrosas.
Não é intenção destes meus desabafos influenciar seja quem for nas suas intenções de voto mas, tão só, pedir a todos a atitude responsável de uma decisão justa e fundamentada na escolha que, dentro de alguns dias, seremos chamados a fazer. A situação é extremamente grave. Não contribuir, conscientemente, para a sua resolução será pecado que a História não perdoará.
Não está em causa se Portugal foi ou não vítima da ganância dos “mercados” mas sim o facto de, por uma política de “novo-riquismo” leviano, caviloso e gastador ter dado lugar às condições propícias para tal. Por isso, todos deveremos exigir dos políticos a atitude que não têm tido no modo como cuidam do bem comum e o fim das palavras ocas e das promessas esquecidas depois de conquistados os votos; há que fazer-lhes sentir recriminação pela forma como deixam que interesses particulares sejam privilegiados em prejuízo dos de todos nós e dizer-lhes, também, que basta de afrontar a pobreza com situações de lautos privilégios que a classe política e dirigente deste país a si própria atribui. Num país pobre, onde não há condições para desperdícios, a justiça social é particularmente importante. Por isso deve exigir-se.
Porque sou parte conscientemente interessada no futuro deste nosso Portugal, não me coíbo de dizer o que penso nem de insistir no pedido para que todos se decidam na boa consciência que apenas a reflexão e o bom senso podem gerar, sem pressupostos de partidarismo cego, para depois não termos de dizer, à semelhança de uma cantiga muito em voga: que país tão parvo, onde para ser escravo é preciso votar.
Rui de Carvalho
Lisboa, 18 Abril 2011
(publicado no Notícias de Manteigas de Maio)
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