ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

OS PRECIOSOS ANDRADES!

Ontem à noite, num programa de TV dedicado a questões de futebol, vi abordar uma questão que me parece das mais importantes no futebol português, a postura do Futebol Clube do Porto, sobretudo dos seus dirigentes que não toleram qualquer estorvo ou sombra à hegemonia que reclamam.
E lá foi referido o episódio lamentável ocotrido no Algarve quando o vice portista Adelino Caldeira insulta o presidente do Sporting que, educadamente, lhe não retribui, mas se vê forçado a colocar o FCP entre um pedido de desculpas e o corte de relações institucionais.
E foi o corte que aconteceu porque desculpas não sabem os portistas o que sejam nem vêem razões para as pedir, o que os comentadores consideraram um enorme disparate do Sporting que, deste modo se expôs às investidas do clube nortenho que jamais deixa sem resposta “adequada” as ofensas que lhe façam.
Será isto natural como alguns comentadores afirmam? Serão estas atitudes de gente de bem?
Não creio que o futebol português possa ir por aí, reconhecendo aos dirigentes do FCP o direito às “pilhagens” e grosserias em que são mestres, para além do “apito dourado” e de outras benesses que também lhes são concedidas.
O resultado é que, perante tal compreensão, lá vão os “andrades” fazendo das suas da forma como lhes apetecer, como vão acontecendo as suas atitude de gente arreeira, como sucedeu ontem no Estoril onde o Porto empatou.
Leio num jornal que: “O presidente da Associação de Futebol de Lisboa, Nuno Lobo, acusou domingo o dirigente do FC Porto Adelino Caldeira de o ter agredido no Estádio da Amoreira e o presidente portista Pinto da Costa de o ter injuriado.
Na altura do primeiro golo do Estoril, levei um murro, uma palmada forte nas costas que me projectou para a frente, até me amparar no muro da tribuna presidencial. Foi uma agressão do senhor Adelino Caldeira, não sei se com a mão fechada ou aberta”, contou à Agência Lusa o presidente da Associação de Futebol de Lisboa (AFL), Nuno Lobo, que assistiu à partida Estoril-FC Porto na tribuna presidencial do estádio da Amoreira.”
Faz isto algum sentido?

E DEPOIS DAS TÃO ESPERADAS ELEIÇÕES?



Como era de esperar, Angela Merkl dominou as eleições na Alemanha que venceu com mais de 41%, contra os 25,7% do seu adversário mais directo, o candidato do SPD. Este, por certo, andará um tempo de mãos nos bolsos para ver se esquece aquele dedo idiota a que que uma revista deu tanto destaque como os votos que perdeu.
Merkl, por pouco não consegue a maioria absoluta, mas os votos alcançados permitir-lhe-ão uma governação sem problemas.
A Senhora da Alemanha e da Europa a quem os jornais alemães chamam a “queridinha da Alemanha”, poderá, agora, governar sem os problemas que pudesse ter antes das eleições, como alguns analistas políticos diziam.
Tivesse ou não, andou a Europa "pendurada" dos resultados que Merkl conseguisse alcançar, para agora se interrogar sobre o que Merkl irá fazer.
Merkl terá de coligar-se com um outro partido para formar governo, o que fará sem problemas e, depois, ninguém contestará o governo que constituir, ao contrário do que aqui é costume acontecer, porque os alemães muito prezam a estabilidade governamental da qual, sabem-no bem, depende o seu bem estar.
Entre nós, pelo contrário, são os interesses partidários os que mais parecem dominar-nos, pelo que as consequências só podem ser os acréscimos de problemas com que nos deparamos e vão colocando em causa o nosso futuro e, com isso, a nossa libertação da tutela financeira que nos sufoca!
Eu não acredito muito em alterações muito sensíveis na política alemã depois destas eleições, depois das quais tantos esperavam ver amaciadas as duras medidas de convergência que nos são impostas.
Merkl disse aos seus eleitores, na sua campanha eleitoral, que os alemães tinham sido enganados pelos países intervencionados, o que, decerto, não fez para lhes dizer que iria ser muito simpática para com eles nem para pedir a compreensão dos alemães para os problemas que as suas populações têm vivido pela política de dureza que lhes foi imposta!
Decerto para levantar, um pouco, o véu deste pseudo-mistério, alguém entrevistou o embaixador da Alemanha em Lisboa, Helmut Elfenkämper que “reconhece que a "estratégia de consolidação orçamental" em Portugal teve "efeitos colaterais não previstos", como o desemprego, mas considera que a situação é "acompanhada com simpatia" por Berlim. 
Nem a mais optimista leitura poderá ver no que o Embaixador disse, as palavras de esperança que gostaríamos de ouvir, tanto mais que alguma imprensa alemã atribui a vitória de Merkl “à sua política europeia”.
Nada me convence de que Merkl tenha agora, como se disse, melhores condições para ajudar melhor Portugal porque não parece estar nos seus planos faze-lo para além do que sejam os interesses alemães.
Ficamos agora "pendurados" dos resultados das eleições autárquicas em Portugal que Seguro pretende transformar em legislativas, porque desses resultados dependerá a atitude dos mercados que, definitivamente, nos vai permitir sair do programa de resgate ou ter de pedir um novo que, inevitavelmente, nos vai trazer mais austeridade. Entretanto, as consequências das atitudes de Seguro e do PS são más pela falta de cooperação que revelam, estando os juros da dívida a atingir valores com os quais o regresso aos mercados não será possível.
Se assim continuar, será um novo resgate a preciosa contribuição de Seguro e do PS para o bem-estar dos portugueses.

domingo, 22 de setembro de 2013

A PROPÓSITO DOS MANUAIS ESCOLARES E NÃO SÓ



Compreendo que os livreiros precisem de viver. Mas que o façam às custas dos que, todos os anos, têm de comprar livros para os seus filhos que estudam, colocando em risco a continuidade da sua educação pelas dificuldades financeiras que se sentem, é algo que não consigo entender!
Não esperaria eu, tal como em outros tempos acontecia, que os livros escolares se mantivessem iguais durante tanto tempo como os que me fizeram recordar os meus tempos de “instrução primária” quando o primeiro dos meus filhos entrou para a escola. Mas não vejo razões sustentáveis para as alterações que, ano a ano, são introduzidas.
Não reconheço razões científicas ou pedagógicas para tantas alterações que, não poderia deixar de ser assim, acabam em confusões como as que neste ano estão a acontecer com certos livros que, afinal, não correspondem aos programas o que, como não pode deixar de acontecer, deixam confundidos os alunos.
À redução de custos que, naturalmente, o Governo tem de fazer para equilibrar contas, não corresponde igual preocupação quanto à redução dos que as famílias fazem com a educação dos filhos. Já são muitos os que, por dificuldades financeiras, tiveram de interromper a sua formação académica mesmo sem alternativas porque o mercado lhas recusa.
Esta questão dos manuais, tal como a constante mudança de programas nas quais não encontro as vantagens que, para elas, se apregoam, não podem ficar de fora do lote de causas que levaram até aos resultados negativos na maioria das cadeiras, principalmente nas de português e de matemática, em que mais de metade das notas foram negativas!
Estas circunstâncias repetem-se há tempo demais, sobretudo durante aquele em que, das mudanças, seriam de esperar as melhorias que se não sentem.
Não me parece que tanto quem se ocupa de programas e de manuais como os professores possam eximir-se de responsabilidades nos maus resultados da educação portuguesa que mais me parece gerida por loucos exibicionistas do que por quem se preocupe, realmente, com a preparação dos alunos.

O MODO DE DIZER



Ainda que muito respeite a coragem de Passos Coelho para tentar fazer aquilo que não pode deixar de se feito, no que me parece estar sozinho ou mal acompanhado, desagrada-me o seu discurso frouxo e certinho demais, que coloca verdades indesmentíveis no contexto impróprio, utiliza palavras inadequadas para transmitir uma mensagem oportuna e apresenta propostas invitáveis fora dos momentos certos.
Parece que Passos não compreendeu ainda o que sensibiliza as pessoas a quem um Primeiro-Ministro necessariamente tem de se dirigir, o povo, para quem as palavras têm o significado mais básico que possam ter e não o que a ironia ou um entendimento mais evoluído lhe possam dar. Ainda não compreendeu que não se entusiasma o povo com aulas de economia nem com arrazoados complicados porque entende melhor os discursos simples, objectivos, confiantes e dinamizadores, no que os manobradores de multidões são hábeis como ele não consegue ser. Como ainda não compreendeu que a razão não é bastante para se opor às emoções que a demagogia sempre alimenta.
O discurso de Passos passa mal para a maioria dos cidadãos que não gostam de ouvir falar em “empobrecimento”, mesmo que tal seja a mais pura das verdades à luz de um modo de vida no qual todos se julgavam com direitos que, afinal, não tinham, entre os quais o ilusório direito ao “emprego com direitos” a que breves tempos de suposta abastança habituaram, em vez do “trabalho com riscos” pelo qual, durante milénios, sobreviveram.
Não se mobiliza um povo com a perspectiva de males que ainda estão para vir nem se motiva um país sem um projecto de qualidade de vida pelo qual valha a pena lutar.
Não é nada fácil, nesta sociedade que reclama dos governantes a abastança que recursos limitados não permitem sustentar, se agita e se revolta com a perspectiva da contenção a que a escassez vai obrigar, passar a ideia de felicidade numa vida mais contida, afirmar que a cooperação é indispensável para uma vida de paz e dizer que é necessário trabalhar mesmo para sobreviver. 
Por isso é mais ouvido o que promete a fartura que esbanjamentos passados já não permitem ter, mesmo sabendo que tal não é possível.
É neste domínio de oportunistas interesses restritos que a política se faz, os poderes se disputam e a Humanidade se perde por caminhos que jamais levarão ao futuro.

sábado, 21 de setembro de 2013

A RENEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA E A CAMPANHA AUTÁRQUICA



Obviamente, um prazo mais longo e juros mais baixos seriam factores de algum alívio na austeridade que as circunstâncias nos impõem, o que pode resultar das negociações que o governo tenha com a Troika nesta avaliação periódica em curso.
Não vale a pena fazer disto “cavalo de batalha” eleitoral, com o têm feito Seguro e os demais, ainda que a estes últimos ninguém os oiça, porque tal afecta o clima calmo e discreto que as negociações requerem.
Não restam já quaisquer dúvidas de que a crise temporária que Portas abriu no Governo, bem como a guerrilha continuada de Seguro para quem nada mais conta para além das ambições políticas que tem, são as grandes causas da elevação dos juros que fazem subir as nossas responsabilidades, pela insegurança que transmitem aos “mercados”.
Não será razoável que os eleitores esqueçam tais coisas quando forem votar nas eleições que se aproximam.
Nouriel Roubini, o economista co-fundador da “Global Economics”, uma empresa de pesquisa e estratégia macroeconómica, além de professor na Universidade de NY e, também, conhecido por Sr catástrofe por ter previsto a crise que vivemos, disse ontem, em Lisboa, que Portugal tem sérias e fundadas razões para pedir a flexibilidade do pagamento da sua dívida, acrescentando que qualquer crise política que possa acontecer ou uma descontinuidade na governação saída das próximas eleições legislativas, poderão constituir um sério revés na recuperação da economia portuguesa.
Ainda que a partir de possíveis razões um tanto diferentes, tudo o que tenho pensado e escrito está em sintonia com estas preocupações de Roubini.
Temos absoluta necessidade da compreensão dos nossos credores que, por sua vez, precisam de provas claras de sermos um país capaz de honrar os seus compromissos quer pelo modo como façamos para os respeitar quer pela união de que nos mostremos capazes para fazer o esforço que ela implica. Apenas nestas condições nos facultarão, em boas condições, os meios financeiros de que necessitamos.
Muito mais dinheiro iremos ter de pagar por conta dos juros que esta campanha eleitoral em curso faz subir e, depois dela, veremos o que os resultados permitirão fazer aos que, disso já deram mostras que bastem, mais interessa a conquista do poder do que o bem-estar dos portugueses.
Em Lisboa, cidade onde moro, não votarei em candidatos que façam da conquista de poder nas eleições legislativas o tema da sua campanha porque, com muito cuidado vou ver quem se preocupa com os muitos problemas que tem esta cidade.
Quanto ao futuro, será o bom senso dos portugueses quem o vai ditar.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

PROMESSAS DE ILUSÃO



Cada vez mais as campanhas eleitorais me fazem descrer desta organização política que temos e coloca o “poder” nas mãos de quem melhor propaganda fizer do nada que tem para oferecer.
É lugar comum falar das promessas não cumpridas, com o que tentam desacreditar o poder instalado outros se propõem cumpri-las para além de umas quantas mais com que compõem um programa eleitoral apelativo que resolverá o problema do desemprego, reduzirá a austeridade em que vivemos, baixará os impostos e, mesmo assim, resolverá o sufoco da dívida que fizeram e este governo não conseguiu saldar. Não imagino como, mas é o que dizem que vão fazer.
Em tempos de dificuldades, não tem o “poder” como defender-se da tentação de uma mudança que promete o que ele não conseguiu, pelo que, por certo, não conseguirá manter-se.
Afinal, é nisto que se baseia a alternativa democrática primária que, por ser assim, acontece. Faz das promessas certezas que, muito não tardará, serão as desilusões que hão-de dar lugar a outra mudança que, por promessas não cumpridas, inevitavelmente acontecerá.
Não será este o caminho certo para um futuro melhor, porque o não será nem para um futuro sequer que sempre recomeça com cada novo “poder” que faz tábua rasa do que outro "poder" tenha feito, para poder afirmar-se no que, diferente, vai fazer. É a carência absoluta de saber e de imaginação que tanta "imaginação" não pode ter.
São assim as eleições em que os políticos se servem da curta memória dos que podem elegê-los, nas quais jamais me dei conta de ser a razão que dita a escolha que, por isso, nunca será duradoira.
Outras eleições virão que trarão novas promessas que nos levarão ao início de um novo caminho para a desilusão.
Não creio que a realidade se compadeça, por muito mais tempo, com os desperdícios causados por ambições de poder, porque é já curto o tempo para, com inteligência, preparar o futuro melhor que as promessas de ilusão não alcançam.
Campanhas inebriantes que sempre me fazem lembrar a velha estória dos ébrios da avenida. Lá iam dois que, de tropeção em tropeção, criticavam as más decisões do governo que deveria por o vinho a pataco. Um tropeção maior fê-los cair. Seguia-os um outro, muito interessado no que diziam e, pelo sucedido, comentou "agora que estava a formar-se um governo tão bom, já caiu!