ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 26 de outubro de 2013

EUREKA!


Jamais me havia passado pela cabeça a hipótese de poder, alguma vez, estar de acordo com Louçã, o ex líder do Bloco de Esquerda!
Bem nos ensinou Cristo que nunca disséssemos “desta água não beberei”, mas esta parece ser uma lição nunca aprendida. 
Mas como poderia eu não concordar com Francisco Louçã quando diz que a “esquerda” precisa de “propostas concretas” para resolver a actual crise? E concordo porque não vejo como poderia um político, economista e professor universitário não saber o que diz a tal respeito.
Finalmente, alguém da dita esquerda compreendeu que esta nada mais tem feito do que protestar, de estar no contra apenas por ser essa a atitude própria dos que se julgam donos da verdade e dos bons princípios sem, para isso, terem de dar qualquer explicação, o que a História e a realidade actual claramente desmentem.
É esse o problema desta “crise” que ninguém resolve porque não parece haver quem tenha propostas concretas para a resolver.
Para quem prefira esta persistente separação tonta entre bons e maus, entre exploradores e explorados, eu direi que a mesma pecha afecta a esquerda e a direita, precisamente porque se recusam a ver a realidade por inteiro, exactamente o que esta “crise” necessita para ser ultrapassada, porque a solução que procuram para regressar ao passado de esbanjamento e dos direitos conquistados, essa não há!
Depois desta descoberta de Louçã, fico a aguardar as consequências deste discernimento tardio, porque alguma vez alguém haveria de entender não ser possível continuar com a mentira da abastança que não existe senão para alguns, enquanto se defende o socialismo que, facilmente, é fonte de ilusões para todos os demais.
Quando será que, em vez de uns que peroram, outros que contestam e outros mais que apenas vivem dos direitos que julgam ter, todos tomamos consciência da realidade e trabalhamos? 


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

SÓCRATES, LULA E O ESTADO!


Acabo de ouvir Sócrates no discurso que fez na apresentação de um livro que lançou e, naturalmente, fiquei perplexo! É preciso ter “cara de pau” para reaparecer, tão descontraído e dando conselhos aos portugueses, depois do que fez a este país que lançou nas ruas da amargura pela gestão que fez daquilo que é, ou era de todos nós.
Depois daquelas cenas pouco edificantes do “curso de engenharia” que “tirou” mas lhe não lhe deu direito a ser engenheiro, Sócrates filosofa agora. Mas Lula da Silva, o democrata que tantos brasileiros contestam juntamente com a sua delfim Vilma, agora presidente, entende que ele não deve filosofar mas voltar a “politicar” porque o acha em muito boa forma. Politicar…
Sócrates aproveitou a presença de tão ilustre figura para apresentar a revolta dos brasileiros como um exemplo a seguir pelos portugueses pois enquanto eles reclamam mais Estado, é menos Estado que nós reclamamos. Foi isso que Lula, o presidente dos tempos do “mensalão”, lhe fez notar!
Porém, pelo que posso saber através do que leio em notícias, vejo em peças de televisão e, sobretudo, no que, na net, publicam alguns amigos brasileiros, o que eles pretendem é o fim de uma enorme e descarada corrupção que, com Lula, se instalou ou continuou, que as riquezas imensas daquele enorme Brasil beneficiem todos e não apenas alguns que em pouco tempo se tornaram multi-milionários…
A mim parece-me que, uma vez mais, Sócrates quer fazer de todos nós parvos impingindo-nos as tretas que é tão hábil em impingir.
Para além deste número de ilusionismo corriqueiro, a verdade é que, digam Lula e Sócrates o que disserem, os brasileiros querem OUTRO ESTADO e parecem ter todas as razões do mundo para o exigir!

QUE SE LIXE A TROIKA!

Quando o meu terceiro filho nasceu, no caso uma menina que veio ao mundo cerca das onze horas da manhã, entrou na clínica, nessa tarde, uma senhora jovem com uma gravidez notoriamente em fim de tempo que, descontroladamente, gritava “eu desisto, eu desisto, que se lixe esta...”
Pensei, então, que a senhora se devia ter lembrado disto uns meses antes porque, agora, de nada adiantava.
Por certo, não vale a pena desenvolver mais esta ideia...
Pois é o que me faz pensar esta sucessão de manifestações “que se lixe a Troika” que nada adiantarão ou, se adiantarem, apenas será o tempo em que, todos, ficarão a saber, com maiores dores ainda, que teria sido mais eficaz ter pensado nisto muito antes.

LISBOA E O RESTO

Ouvi o discurso de Rui Moreira na sua tomada de posse como presidente da Câmara do Porto e não fiquei muito surpreendido, tal como me não surpreendera, antes, a sua eleição independente, fora de partidos políticos.
Depois dos efeitos desta democracia mal assimilada que fez nascer em Portugal uma classe de autênticos oportunistas que se agrupam para melhor defenderem os seus interesses e das razões que já nos deu para sentirmos que muita coisa precisa de mudanças urgentes, o discurso do novo presidente da Câmara do Porto pareceu-me um grito de revolta contra o centralismo de Lisboa que os profissionais da política desejam preservar a todo o custo.
Não pude deixar de recordar a autêntica vergonha que foi o referendo que se realizou sobre a regionalização administrativa que a Constituição impunha que se fizesse num prazo que ninguém cumpriu nem o Tribunal Constitucional impôs que fosse cumprido. Foi, para mim e, decerto para muita gente, a prova mais evidente do cinismo político em Portugal, porque não posso acreditar que tanto os propositores da regionalização como os que contra ela se manifestaram sejam tão ignorantes como tudo quanto disseram fez crer que fossem. Foi um referendo ridiculamente patético em que o Zé Povinho, infantilmente, se deixou levar porque se uns propuzeram uma regionalização sem pés nem cabeça, os outros a combateram com argumentos que pressupunham alternativas de benefícios que nunca aconteceram.
As consequências são um país cada vez mais desorganizado, mais desequilibrado e menos preparado para aproveitar os seus recursos, um país que ficou sem as condições mínimas necessárias para reagir contra esta crise final de uma economia manipuladora sem mais condições para se manter por muito mais tempo.
Mas ningém disso reclama porque todas as cúpulas de partidos, de sindicatos ou seja do que for, já consideram o país pequeno demais para que, com a regionalização, as suas influências possam ser limitadas.
Rui Moreira, na sua proposta de uma Liga de Cidades “passando, entre outras, por Viana do Castelo, por Braga e Guimarães, por Chaves e Vila Real, num traço contínuo que nos une como norte”, mais não propõe do que a constituição de uma região com o “pêso” bastante para se impor ao centralismo que tem sido a causa real da estagnação da maior parte do país.
Mas também me não parece ser esta a via certa para regionalizar porque a “região” não é um aglomerado de autarquias porque é, ela própria, uma autarquia de outro nível, com competências próprias.
Mas, seja como for, fica o aviso que espero não acabe no discurso que ouvi se, de facto, pretende conseguir alguns efeitos de que o país tanto carece, não apenas naquele "norte" que Rui Moreira refere mas em todo o país para além da influência próxima de Lisboa.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

AFINAL, QUEM É QUEM?


Ainda que levantar a voz, insultar, lançar boatos, tentar desacreditar e outras idênticas atitudes sejam recursos habituais quando a razão escasseia, nunca foi prática eficaz proceder assim, porque sempre a realidade acaba por impor-se à fantasia. Por isso é difícil levar a sério certas coisas que se dizem, sobretudo quando não devidamente justificadas.
Por exemplo, dei conta de um suposto “currículo” pessoal e profissional de Pedro Passos Coelho que corre na internet, segundo o qual exerceu brutais agressões contra a sua ex-mulher e outras coisas mais que, sem que sejam devidamente autenticadas, não passarão de uma agressão, essa sim brutal, contra a honra e o bom nome de alguém.
Não sei de nada nem tenho provas que me permitam corroborar ou desmentir o que vi escrito, o que, para começar, me deixa a dúvida. Depois, sem qualquer autenticação que o comprove, assim como a sua divulgação num momento de forte contestação por causa do Orçamento de Estado, tal currículo terá de ser tomado, em princípio, como uma falsidade.
Mas acharia eu bem, contudo, que fosse prática corrente entre nós a análise cuidada do passado dos que se propõem pertencer a qualquer órgão de soberania, para que não sejam apenas as suas palavras, as suas promessas que ditam a nossa escolha mas para que fossem, sobretudo, as suas práticas comprovadas o que, no momento de tomarmos a decisão de lhes entregar a parte do poder que, democraticamente, nos pertence, nos permitiria uma decisão consciente.
Mas é sempre tempo para começar com esta prática séria que a maledicência não pode substituir. Por isso acho bem que se comprove se tal currículo corresponde à realidade, assim como entenderia oportuno e indispensável, também neste momento, que o mesmo se fizesse em relação a Sócrates e a Seguro, porque um já foi um governante contestado e o outro se propõe sê-lo.
De futuro, o mesmo seria feito para todos os que pertençam a órgãos de soberania, Presidente da República, deputados, magistrados e autarcas, para que, de um escrutínio severo, não restem dúvidas de serem moral, social e profissionalmente competentes para as responsabilidades que lhes competem.

O FIM DA SUPERABUNDÂNCIA DO DESNECESSÁRIO

Tem sido a minha preocupação maior quanto ao futuro próximo do mundo, este aumento desmesurado da “bolha da moeda” com que se tem pretendido escamotear o crescente afastamento entre as finanças e a economia real, aquela que nos permitiria dispor do que é realmente necessário à vida e, por isso, nos permitira viver sem muitas das preocupações que esta crise de “superabundância do desnecessário” nos traz.
Escrevi um dia, num texto a que chamei “redução ao absurdo”, uma forma lícita de fazer certas demonstrações, que bastaria que todos nos comportássemos como seria próprio de gente “civilizada”, cuidadosos, trabalhadores, dedicados, respeitadores, comedidos… para que a “economia” que corresponde ao modo de viver esbanjador e descuidado que adoptámos, estoirasse!
Realmente, esta economia que precisa de crescer constantemente para sobreviver, teve efeitos perniciosos sobre tudo quanto era de mais importante para a vida. Transformou-a de autêntica em aparente, de social em competitiva e alimenta-se dos nossos piores vícios, destrói a família e o ambiente e apenas pode contar, como modo de poder continuar, com um milagre que não acontecerá porque os “estímulos financeiros” que mantêm a vida artificial desta economia moribunda chegarão, em breve, a um final dramático, quiçá o estoiro da “bolha da moeda”.
Por tudo isto me chamou a atenção um artigo do Expresso, assinado por Jorge Nascimento Rodrigues, citando Kaye, responsável pelo Greater Asian Hedge Fund quando afirma, numa entrevista a King World News e a propósito da inevitabilidade de acabar com os persistentes “estímulos” da reserva federal Americana à economia, "esse momento vai ser a sentença de morte na farsa em curso. Ou seja, essa fantasia vai entrar em colapso".


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

OITO E OITENTA!

Depois de uma manifestação de milhares ou, mesmo, dezenas de milhares contra a Troika, o Governo e o Presidente da República, fala-se, agora de uma outra. Esta, que dizem ser de apenas sete pessoas entre os 35 e 60 anos, fará uma arruada para se manifestar a favor da Troika, à qual agradece a intervenção sem a qual o país continuaria, por certo, no caminho do descalabro.
É habitual, em casos em que se confrontam ideias, interesses ou forças, as pessoas escolherem um lado para apoiar. Também há os que ficam indiferentes, deixando aos outros aquela maçada de ter opinião ou a coragem de lutar por ela.
Acontece assim no futebol, nas discussões do bairro, na política, eu sei lá. E se, em algumas circunstâncias, estar por este ou por aquele tem pouca importância ou até nenhuma, outros há em que os nossos próprios interesses vitais estão em causa, como acontece no caso da política, em que muita gente tem o mau hábito de deixar que outros decidam por si.
Mas, em qualquer caso, a tomada de posição tem consequências porque o nosso clube pode perder e os outros nos menosprezarão, podemos por em causa importantes relações sociais com aqueles com quem discordamos ou podemos ter influência no nosso futuro, para que seja melhor ou pior.
Tal como quando o médico nos diz que, pela nossa saúde, temos de evitar coisas das quais muito gostamos porque nos fazem mal, fazer tratamentos desagradáveis ou submetermo-nos a uma cirurgia que, durante algum tempo, nos trará sérias dores e outros incómodos, podemos decidir seguir ou não o seu conselho que, depois de uns tempos de dor, nos poderá devolver a vida melhor qua a doença nos não permitia.
Em qualquer caso, é sempre uma escolha que teremos de fazer, uma decisão que teremos de tomar, a qual, em certas circunstâncias, pode representar a diferença entre a solução do problemas que temos e o seu agravamento. Por isso teremos de ponderar os prós e os contras do que decidirmos, o que só poderemos fazer bem se bem os conhecermos.
Nesta caso das manifestações o que faria eu se tivesse de me manifestar? Participaria naquela que atravessou a ponte em autocarros para, na outra margem, ouvir o Arménio debitar as loas dos costume, vociferar os mesmos insultos, dizer os mesmos disparates porque nem faz ideia das causas profundas de tudo o que se passa?
Não, porque isso parece-me qualquer coisa como zangarmo-nos com a chaga que nos consome, preferir tentar as mesinhas do costume para aliviar a dor que nos causa, em vez de nos decidirmos pela intervenção profunda e séria que talvez nos livre dela. 
Porém, não posso deixar de estar com a razão de muitos dos que se queixam, pelos logros em que caíram, da vida difícil que têm, do modo quase desumano como terão de sobreviver. Mas foram vítimas de logros que não conseguiram evitar porque não estavam preparados para contra eles se prevenirem, tal como o não estão agora em relação aos novos em que poderão cair, à maior desgraça em que cairão ou à ambição que sentem e da qual julgam poder livrar-se com aquelas artes mágicas com que lhes acenam.
Por outro lado, a Troika teve, de facto, a vantagem de evitar que continuássemos na senda do disparate incontido de que a governação de Sócrates foi a cereja no topo do bolo. Mas por aqui se ficou se o governo não soube como o fazer da melhor maneira e o povo não entende o que, para o seu futuro, melhor convem. Simplesmente louvar a Troika não seria, pois, propósito que me fizesse sair de casa.
Entre muitos milhares e sete se situa uma diferença imensa a que a matemática pode chamar de quase infinitamente grande, mas que eu chamo, com muita mágoa o digo, a prova dos problemas sérios que se aproximam.