ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

DESCULPAS ESFARRAPADAS


Caiu mal em toda a gente sensata aquele discurso introdutório de Soares na Aula Magna, aliás cópia fiel do que vinha dizendo em sucessivas entrevistas com que jornais e televisões procuram encher espaço quando não encontram melhor forma de o fazer.
A Aula Magna é num espaço que foi criado para expressar o bom senso, a competência e o saber, mas transformou-se no magno auditório do disparate que a democracia mal entendida tornou livre também. Foi ali que se escutaram incitações à desobediência civil, se sugeriram violências que substituam os procedimentos da democracia consolidada, se declarou não se estar ali em defesa de nada e, até, se propôs a forma mais trauliteira de correr com o Governo, à paulada!
Não haveria como defender tais atitudes e as críticas negativas sucederam-se, enquanto envergonhados correligionários procuraram, no seu silêncio, alhear-se de tamanhos disparates.
E teriam de surgir as desculpas, a começar pelo próprio Soares que afirma apenas ter querido chamar a atenção para o que poderia suceder!
Mais um ou outro tentou defender a mesma indefensável tese porque do discurso não ficaram quaisquer dúvidas quanto aos intuitos de Soares. E é mau quando tem de se explicar melhor o que se quis dizer, porque fica tudo muito parecido com aquelas anedotas que se contam a propósito do Bocage. Sei lá eu porque!
A verdade é que se seguiram atitudes nunca antes vistas e atentatórias da dignidade de uma democracia autêntica que a atitude de Soares claramente ofendeu.
Hoje, Portugal é um país onde, à conta não sei de quais razões, pois Soares não as justifica alguma vez, tudo se pode fazer. Ficou claro que a polícia pode tomar a Assembleia da República e os “trabalhadores” os ministérios e, deste modo, tornarem-se no “governo” deste país que corre o risco de ficar desgovernado!


terça-feira, 26 de novembro de 2013

QUANDO CHEIRA A BORRASCA!


Compreendo que Cavaco Silva não dissolva a AR e, com ela, demita o Governo, porque assumiria a responsabilidade pessoal de tudo o que, posteriormente, se passasse. E não espero que seja coisa boa. Mas já me é difícil entender que Passos Coelho insista em manter-se nas funções em que, pelos vistos, muitos, não sei se a maioria, o não querem, pois não me parece que este clima de agitação passe enquanto houver o entendimento de que há quem faça melhor, mesmo sem dizer como. Será uma questão de fé!
E até poderá haver. Quem sabe? Dou o benefício da dúvida mesmo quando entendo que as consequências podem ser muito dolorosas porque querer o impossível nunca foi bem sucedido. 
Mesmo assim, creio que quanto mais depressa as dúvidas forem dissipadas, melhor! A situação a que se chegou começa a ser insustentável e não permite, de todo, governar o país.
Parece-me, até, pelo que vejo e oiço, quando se festeja já a queda do Governo em atitudes nunca antes observadas, como o assalto às escadas da AR pelos que antes já haviam impedido que o fossem, quando acontece a ocupação de ministérios, o que dizem poder repetir-se quantas vezes os trabalhadores quiserem porque os ministérios são do povo, quando correr o Governo à Paulada é uma hipótese que se coloca, enfim, quando o clima fica carregado como nos momentos que antecedem as grandes borrascas, que a queda do Governo está próximo do inevitável porque não me parece possível governar em condições assim. Mesmo que o Tribunal Constitucional nada reprove deste contestado orçamento.
Apenas não acredito que a solução permita alcançar o que muitos esperam e, em vez disso, se repetirão as queixas do costume, que as coisas estão bem piores do que esperavam, que as culpas são dos que deixaram as coisas neste estado e, por isso, não é possível fazer melhor!
E lá ficarão mais umas quantas promessas eleitorais por cumprir.
Será isto o que vai acontecer? Talvez sim, talvez não.
Seja como for, este deverá ser mais um dia que ficará marcado por enormes custos derivados dos acréscimos que os juros da nossa dívida, quase por certo, vão sofrer.

O PARQUE DAS LAMENTAÇÕES



Das duas uma, ou, como dizem os comunistas e os bloquistas, o Governo anda a roubar-nos ou não há mesmo meios financeiros para aguentar a boa vida que levávamos e nada haverá a fazer senão viver de um modo mais austero.
Mas quem, habituado a um certo nível de vida que lhe apareceu como que caído do céu e sobre o qual nunca parou para pensar de onde viria o dinheiro, se resigna, agora, aos cortes que estão a ser feitos? A quem já vestiu seda, o algodão faz comichão… Pois faz!
É uma mudança muito profunda na vida de todos nós ou, pelo menos, para a maioria de nós, mas não me parece que haja como evitá-lo. Endireitar a vidinha e, depois, tentar melhorá-la, parece-me o melhor que poderemos fazer.
Gerir um país que não dispõe dos meios financeiros bastantes para se manter, não deve ser coisa fácil, Não é fácil, com certeza!
Mas também não posso deixar de entender que fácil não seja a coisa para quem vê defraudadas as expectativas que outros políticos mais optimistas lhes criaram, aqueles que, diziam, carregavam o país às costas e recusavam o discurso da tanga. Aqueles que, orgulhosamente, proclamaram a "coragem, de aumentar a dívida, talvez porque já pensavam que “as dívidas não são para pagar”, aqueles que nos levaram à necessidade de um resgate financeiro que tantos problemas, agora, nos causa.
Eles andam pior aí com as mesmas teorias de que não vivemos melhor porque o governo não quer e, por isso, reclamam o seu direito a governar para, por certo, fazerem aquilo cujo resultado já sabemos qual seja.
Tudo isto para mim é claro e preocupante. Mas que não tenhamos, no Governo, pessoas com clarividência bastante para fazer um pouco menos mal do que têm feito, é o que me preocupa ainda mais! Não tenho quaisquer dúvidas da necessidade de reestruturar o país de modo a viver com o que tenha e com o que produza. Mas gostava de o ver feito de outro modo que fosse capaz de envolver todos no mesmo propósito de "ser capaz" como o fez a Irlanda.
Em vez disso, nasceu em Portugal, brotando como cogumelos, uma classe de gente que sabe tudo, para quem tudo são erros e em tudo vêem razões para dizer mal, para apresentar alternativas que nunca alguém testará! Mas porque não se propõem eles a governar? Talvez porque governar é complicado...
Que maldição caiu sobre Portugal que levou todos os estúpidos foram para políticos e os inteligentes para comentadores? Mas que pouca sorte!
Fazem uma barulheira estridente, dizem-se, desdizem-se, metem no bolso o dinheiro que a Comunicação Social lhes paga e vão à procura de mais umas quantas coisas para criticar! Seja política ou desporto, arte, festivais de música pimba, seja o que for. É a profissão da crise!
Lêem os jornais, ouvem outros programas de televisão, e, quando chega a sua hora, de tudo o que leram e ouviram tiram umas ideias que debitam como suas e, assim, vão contribuindo para a bagunça que se gera neste país por onde deve ter passado uma onda de loucura.
E todos reclamam, de preferência junto à Assembleia da República que se transformou no Pátio das Lamentações, onde cada um acha mal a parte da austeridade que lhe cabe porque é capaz de apresentar mil razões para  demonstrar que a não merece. 
E as manifestações não têm interrupção. De onde virá o dinheiro que tanta inutilidade custa? Como poderá um sector de transportes estar de greve mais dias do que os que trabalha? E os milagres sucedem-se.
Ou são sempre os mesmos que o Arménio consegue arregimentar, porque não acredito que a seita do Soares convença alguém, ou estaremos, mesmo, à beira de graves incidentes que nos vão impor uma austeridade ainda muito maior! E todo aquele espaço em frente da AR não chegará para a bagunça que se vai instalar.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

ENTRE PORTUGAL E A IRLANDA


A Irlanda começa a ver-se livre do ferrete da Troika e começamos agora a saber, mais em pormenor, o segredo do seu sucesso.
Como é natural, as dores dos outros não nos doem a nós que, por isso, quando reclamamos, apenas pensamos nas nossas. E fartamo-nos de reclamar, num coro de prantos que parece ser regido por todos os idiotas deste país que ainda não se aperceberam dos males que em cima lhes iriam cair se, porventura, conseguissem os seus intentos. Ou, então, percebem muito bem e querem construir um novo reino a partir de um novo caos!
Numa entrevista que ouvi a um político irlandês, fiquei a saber que, logo no início, todas as forças políticas irlandesas, numa acto de clara defesa dos interesses da Irlanda, resolveram colaborar para que o problema criado e que levou a um pedido de resgate, fosse solucionado rapidamente. E, verdade seja dita, ninguém deu conta de, naquela ilha, acontecerem as coisas bizarras que acontecem por aqui, os desencontros que aqui sucedem e, muito menos ainda, a onda de greves que tomou de assalto este país, onde as do sector dos transportes, um dos que mais pode afectar a economia em geral e a vida das pessoas, contesta mais do que trabalha! Até quando? Será esta uma atitude normal ou a forma de um concerto de várias forças para alcançar um objectivo? Não acredito que esta atitude seja possível sem ajudas concertadas entre diversas forças.
A atitude da Polícia nas escadarias da Assembleia da República é um sinal inequívoco de que facilmente as instituições deste país podem ser derrubadas, um sinal simples que deram as forças que as devem defender. Pior indicador do que este eu não consigo conceber porque são as próprias forças de segurança que ameçam.
Algo de muito preocupante se passa e acredito que continuará a passar-se, enquanto o desconforto que uma situação de resgate sempre causa for presa fácil da verborreia demagógica de oportunistas que dele se servem para provocar uma alteração social semelhante à de uma revolução que lhes colocará o poder nas mãos. Depois logo se verá mas, como sempre acontece nestas circunstâncias, depois de tudo escaqueirado e o país em circunstâncias lamentáveis!
O desentendimento entre o PS e o Governo, traduz-se num confronto em que o bom senso simplesmente desapareceu e as lutas intestinas no PS e no PSD que não passam despercebidas a ninguém, Este não é, de todo, o clima adequado à recuperação, mas antes, um penhor quase certo de mais problemas que todos nós teremos de suportar.
às propostas do Governo contrapõem, o PCP e o BE nada mais do que contestação corriqueira e o PS a recusa de um trabalho conjunto ou propostas que o não são.
Alastra a onda de descontentamento, real e surreal, alimentada pelos que se decidiram a por o país a ferro e fogo, perante a quase passividade de um Governo que mal se ouve e se deixa enredar nas malhas da confusão lançada por uns e por outros, sendo difícil acreditar que possa resistir muito mais aos ataques sérios que lhe são lançados.
Enfim, uma certeza realça da comparação que, neste momento, não podemos deixar de fazer entre a Irlanda e Portugal.
Enquanto, na Irlanda, sair do resgate foi um desígnio nacional que todos assumiram, com consciência, em Portugal a frágil situação financeira não passou de uma oportunidade de confronto entre as várias forças para quem deter o poder é mais importante do que o país.

domingo, 24 de novembro de 2013

FUMAR É UM DIREITO?


Muito tenho lido ultimamente sobre esta questão do tabagismo, uma dependência execrável e ridícula de que fui vítima durante muitos anos.
Agora, depois de já passados bastantes anos sem fumar, por vezes dou comigo a aperceber-me, pela figura que outros fazem, de como era ridículo andar pendurado de um cigarro, ficar nervoso por não ter o cigarro que  tinha necessidade de fumar naquele momento ou por não ter algo para o acender.
Mas a recordação mais dramática que tenho vem de há muitos anos, no aeroporto de Hong-Kong. Quando esperava, depois do check in, poder fumar, sossegadamente, o meu cigarro, reparei que era proibido fumar no aeroporto! Havia, lá bem no fundo, um “buraquinho” onde os viciados se juntavam para acalmar o vício. Um vidro os separava de quem passava. Fiquei com a sensação de que alguns que ali ficavam a admirar os patetas que se drogavam, se riam ou sentiam dó do disparate que fazíamos. Senti-me exposto numa gaiola, mas continuei a fumar. Infelizmente. Mas quem sabe se não começou aí o processo que me levou a deixar esta dependência?
Li algures que, apenas em Portugal morrem, por ano, dez mil pessoas em consequência dos malefícios do tabaco. Uma quantidade estúpida de gente que decide viver menos ou morrer em nome de um vício ridículo!
E porque o fumo no ar afecta, necessariamente, quem esteja por perto, provocando-lhe possíveis graves danos, acho muito bem que a proibição de fumar, em certas circunstâncias, seja levada muito a sério e que, cada vez mais, os fumadores tenham de se isolar para cometer esse acto louco de sem matar aos poucos.
Mais um aspecto me apetece realçar. Não esse do cadastro que se diz querem fazer dos fumadores ou de alguns fumadores. Mas que o facto de ser escravo de um vício, tabaco, droga ou outros, a que muitos chamam doença social, deveria ser uma informação do cartão de cidadão, para ser tido em consideração nos Serviços de Saúde para regular os custos dos serviços que lhe sejam prestados, tal como deveriam ser levados em conta outros actos de que possam resultar custos que, no final, todos pagamos!
Cada um deve ser responsável pelo mal que a si próprio faça de modo consciente, pois do que faça aos outros será a Justiça a decidir, pelo que as consequências legais deveriam ser mais severas. Os causadores de acidentes pessoais, rodoviários, etc…
O Serviço Nacional de Saúde existe para cuidar da saúde social e não dessas “doenças sociais” que qualquer democracia pode considerar um direito, mas que agride os direitos dos demais. Será que a democracia se não importa com estes?
É absolutamente necessário que a consciência das más acções seja bem nítida e bem definida e que as consequências de tais actos sejam avaliadas quanto à responsabilidade de quem os pratica.
Como a responsabilidade consciente se encaixa nesta cultura estranha de “direitos sem limite” que não têm em conta os direitos dos outros, eu não sei. Por isso não sei como resolver tal questão. Mas que é um problema, é!