ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sábado, 28 de dezembro de 2013

A DEMOCRACIA E O LIXO


Em questões de justiça é frequente ouvir falar em proporcionalidade. Porém, penso que o mesmo tipo de critério se deve usar em muitas outras circunstâncias como, por exemplo, nesta greve do lixo que tantos problemas graves, de higiene e de saúde, está a causar na cidade de Lisboa.
As greves são legítimas para defesa dos direitos dos trabalhadores, obviamente, e devem continuar a ser. Mas tal não significa que também nelas não deva haver uma proporcionalidade razoável entre os direitos que defendem e os danos que causam!
Num processo de reorganização que o município está a levar a efeito, os serviços de limpeza passarão a ser coordenados pelas freguesias, o que me parece fazer todo o sentido por se tratar de um serviço de proximidade. Porém, como é hábito neste país, qualquer mudança, seja ela qual for, é contestada, o que não é, de todo, um sinal da capacidade de compreensão e de bom senso.
E eu pergunto-me por qual razão deverá a discordância dos “trabalhadores” ser causa de incómodos e de perigos para tanta gente, se das alterações a fazer nenhuma perda de direitos resultar? Apenas porque a Constituição diz que os trabalhadores têm direito á greve seja pelos motivos que forem, quando e nas circunstâncias que entenderem?
Parece-me uma atitude retrógrada, própria de gente incapaz de entender os verdadeiros problemas que as atitudes provocam.
Mas é democrático e a democracia não se pode melhorar porque É ASSIM! Indefinidamente… Por isso, não se contesta nem se altera!

A DEMOCRACIA E O LIXO


Em questões de justiça é frequente ouvir falar em proporcionalidade. Porém, penso que o mesmo tipo de critério se deve usar em muitas outras circunstâncias como, por exemplo, nesta greve do lixo que tantos problemas graves, de higiene e de saúde, está a causar na cidade de Lisboa.
As greves são legítimas para defesa dos direitos dos trabalhadores, obviamente, e devem continuar a ser. Mas tal não significa que também nelas não deva haver uma proporcionalidade razoável entre os direitos que defendem e os danos que causam!
Num processo de reorganização que o município está a levar a efeito, os serviços de limpeza passarão a ser coordenados pelas freguesias, o que me parece fazer todo o sentido por se tratar de um serviço de proximidade. Porém, como é hábito neste país, qualquer mudança, seja ela qual for, é contestada, o que não é, de todo, um sinal da capacidade de compreensão e de bom senso.
E eu pergunto-me por qual razão deverá a discordância dos “trabalhadores” ser causa de incómodos e de perigos para tanta gente, se das alterações a fazer nenhuma perda de direitos resultar? Apenas porque a Constituição diz que os trabalhadores têm direito á greve seja pelos motivos que forem, quando e nas circunstâncias que entenderem?
Parece-me uma atitude retrógrada, própria de gente incapaz de entender os verdadeiros problemas que as atitudes provocam.
Mas é democrático e a democracia não se pode melhorar porque É ASSIM! Indefinidamente… Por isso, não se contesta nem se altera!

ONDE ESTÁ O LIMITE? É POSSÍVEL VOLTAR ATRÁS?


Apesar dos desacordos que revelo quanto ao modo como o fazem, obviamente que tenho todo o respeito pelos que tentam encontrar soluções para a crise que vivemos. Apenas não concebo que se procure a solução sem um olhar mais alargado às circunstâncias que são, por via de regra, os pressupostos desta ciência económica que, talvez por isso, não consegue livrar-se dos problemas que cria e foi amontoando nesta montanha enorme que parece não ser capaz de ultrapassar.
Recorrem, quase sempre, os economistas aos “ensinamentos” de outras crises para encontrar as soluções com que esperam ultrapassar mais esta. É uma atitude normal esta de tentar aprender com os erros do passado, de procurar nas soluções antes adoptadas alguns méritos que as tornem adequadas na crise que vivemos.
Mas não me parece que tal princípio valha nesta economia que sempre tratou sintomas sem nunca curar a doença que é a de querer ser maior do que a casa em que vive, mais poderosa do que o ambiente que lhe  permite viver e julga poder sempre dispor dos meios e dos recursos necessários para o crescimento contínuo de que, por natureza, não consegue abdicar.
Este tipo de economia que adoptámos tem como pressuposto que jamais lhe faltarão os meios e as condições para que cresça continuadamente o consumo, do que resulta que aumentem constantemente os desperdícios que se transformam no lixo que cada vez mais nos envolve em situações de poluição já dramáticas, se reduzam excessivamente os recursos naturais necessários que se aproximam da exaustão, se desenvolvam, sobretudo no domínio alimentar, técnicas perigosas para a saúde humana e para a sustentabilidade das culturas, ao mesmo tempo que se introduzem, no Ambiente Natural, alterações cada vez mais profundas que o tornam menos adequado à vida humana.
A economia actua sem ter em conta a própria Humanidade que dela deveria usufruir porque, para além da grande parte que deixa de fora, lhe cria problemas cada vez mais difíceis de resolver, por alguns já considerados incompatíveis com a sua sobrevivência.
Por isso a Ciência alerta, desde há dezenas de anos, para as consequências de uma economia sem controlo que tudo arrasa à sua passagem como uma onda de gafanhotos gigantesca, bem como para as consequências dos hábitos humanos que o super consumo altera sem conseguir que se reduza o batalhão dos enjeitados destas manobras que vão destruindo o mundo sem lhes permitir participar do “gozo” dos supostos benefícios que proporcionam.
E assim caímos nas contradições que ninguém parece entender nem ultrapassar, as quais confrontam a austeridade inevitável pelas circunstâncias com a indesejável diminuição de crescimento que provoca e põe em causa a economia.
No fundo parece ser esta a batalha que se trava na resolução de um conflito para o qual não vejo saída airosa, jamais se colocando a hipótese de mudar de vida, como é de bom senso que se faça quando se trilham caminhos errados.
Leio que dois investigadores, Ken Rogoff e Carmen Reinhart, num artigo esta semana publicado pelo FMI, que os governantes responsáveis pela austeridade ignoram o que ensina a história de crises anteriores.
Mais uma achega à posição de Cristhine Lagarde, a directora do FMI, que, volta e meia, se refere à austeridade como a causa do não crescimento de que a economia necessita para sair da crise, mas que nunca é posta em prática!
Descoberto o mal, porque lhe não encontram a cura?
Esta reflexão já vai longa. Veremos este aspecto depois.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

UM RECADO PARA A ESQUERDA OU PARA TODA A GENTE?


Há anos que escrevo a maior parte do que Vital Moreira, ex-PCP e hoje PS, diz neste pequeno mas elucidativo texto do qual realço a conclusão “…Nada voltará a ser como antes; o eldorado orçamental de antes da crise acabou, definitivamente. A austeridade -- no sentido de gestão austera das finanças públicas -- veio para ficar."
Vital Moreira é um intelectual sério, ainda que, talvez por isso, politicamente pouco hábil.
Ainda há pouco este “constitucionalista” achou desproporcionada a decisão do Tribunal Constitucional que considerou desproporcionada ao reprovar a convergência de pensões, tal como de outras vezes, também, já o criticou.
Vital Moreira parece-me saber ler os sinais dos tempos, entender que o tempo passa e, com ele, se alteram as circunstâncias, ao contrario de muitos economistas e políticos que se inspiram num passado irrepetível para as soluções de uma “crise” sem semelhança alguma com outras que tenham acontecido.
Por tudo isto há todo um futuro que está para ser definido mas que jamais será igual ao passado.
Deixo-lhes para apreciação o texto de Vital Moreira que merece ser lido com atenção e reflectido:
"Três "minas" alimentaram durante décadas o excesso de despesa pública em relação às receitas ordinárias do Estado, a saber: os fundos europeus, a receita das privatizações e o endividamento público. Se somarmos essas receitas extraordinárias ao longo do último quarto de século, chegaremos a somas astronómicas, uma cornucópia que financiou os enormes progressos do País em infraestruturas, em serviços públicos (educação e saúde) e em prestações sociais (mas não só...).
Doravante, porém, só a primeira permanecerá, mesmo assim com tendência par a redução, dada a diminuição das receitas da União e o alargamento a novos países. Quanto às privatizações, já não há muitas empresas públicas rentáveis para privatizar (CGD, ADP e pouco mais). E quanto ao endividamento, o cumprimento do Pacto orçamental da UE quanto ao défice orçamental e a necessidade de redução da dívida pública não vão permitir endividamento líquido adicional durante muitos anos, pelo contrário.
A partir de agora, o Estado vai portanto ter de viver essencialmente com os seus próprios recursos (ou seja, impostos, contribuições e taxas). Mas o próprio crescimento destes está limitado pelo débil crescimento económico. O principal desafio político para a esquerda vai ser a sustentabilidade financeira do Estado social, incluindo o sistema de pensões.
Quem julga que, passada a crise, tudo vai ser como antes dela quanto ao financiamento do Estado e da despesa pública -- engana-se e engana os outros. Nada voltará a ser como antes; o eldorado orçamental de antes da crise acabou, definitivamente. A austeridade -- no sentido de gestão austera das finanças públicas -- veio para ficar."
Há que saber ler nas entrelinhas de um texto que nos pode sugerir muito mais do que aquilo que diz.

AS DÚVIDAS DE PASSOS COELHO


Conheci-o bastante novo e pareceu-me inteligente. Depois, não tive conhecimento de qualquer achaque que dele fizesse burro ou incapaz de pensar, o que nada tem a ver com outras características que tem e eu menos aprecio.
Por isso entendo as suas dúvidas mesmo perante sinais de retoma que a outros faria saltar de alegria e apregoar ter vencido a crise.
Como recordo o ministro da economia de Sócrates, aquele que por um gesto de dedos que enfeitam a cabeça teve de se afastar quando já via luzinhas ao fundo do túnel. Assim como recordo o próprio Sócrates a “puxar sozinho” o país para a desgraça das consequências de actos de gestão incompetentes que culminaram no célebre “como puderam fazer isto ao país?”.
Pois concordo com as preocupações de Passos Coelho quando diz nada ser certo ainda e que continuam a perfilar-se perigos no horizonte que nos podem surpreender.
Obviamente, esses perigos existem numa Europa desorganizada e não solidária, numa Alemanha que apenas tem por intensão defender os seus interesses nesta Europa quase em ruínas.
Mas também vejo que por outros lados os sinais não são melhores, as preocupações não diminuem e nem o futuro está certo. Vejo falhar as perspectivas que pareciam mais firmes, enfraquecer as "economias" que pareciam mais pujantes, apenas porque a economia global está cercada de problemas e dificuldades que cada vez mais se tornam intransponíveis, mas os economistas não querem reconhecer que assim é!
Infelizmente, não dependerá só de nós o nosso futuro e a resolução dos nossos problemas. Essa é a grande questão, porque os problemas se tornaram não apenas deste ou daquele país para serem da Humanidade.
Assim, um problema que o bom senso e a inteligência levantaram a tempo de poder ser corrigido, em vez disso agravou-se e empurra o mundo para um beco sem saída, para problemas graves cada vez mais próximos.
Apesar disso, não vejo qual seja o país disposto a dar o primeiro passo na direcção correcta do que se deve fazer para minorar os efeitos de tantos males que esta economia ultra consumista de inutilidades já causou e continua a causar.
Alguém inteligente tem de sentir estas coisas, mesmo que as não entenda.
De facto, mesmo com alguns sinais que poderiam fazer-nos sonhar com melhores tempos, melhor seria preparar tempos melhores com novos valores que os Goldman Sachs deste mundo não apreciam.
A ver vamos, dizem os “cegos”!