ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

PORTUGAL FOI LAUTA BODA…

Pelo que se vai sabendo, muita gente nesta terra se ia aproveitando da desorganização do Estado para meter dinheiro ao bolso! Desorganização foi o que escrevi, mas que talvez não seja o termo mais correcto...
A última notícia que li foi esta: “Todos os líderes parlamentares e representantes de partidos que tinham assento na Assembleia Regional da Madeira em 2006/2007 começam esta segunda-feira de manhã a ser julgados no Funchal por uso indevido das subvenções parlamentares. Mas poderão ser absolvidos por prescrição pelas responsabilidades financeiras de natureza reintegratória e sancionatória accionado pelo Ministério Público.”
Depois, fico a pensar no que terá acontecido nos outros anos! Que nada tenha acontecido é que não me sinto muito inclinado a acreditar.
Mas antes desta notícia outras apareceram, contando de muitos milhões que foram sonegados, desta ou daquela maneira, ao Serviço Nacional de Saúde e por outras formas de subtracção ou de proveitos que certos favores produziram.
À guisa de um célebre D. Jayme D’Aguillar, no tempo da dinastia Filipina, até poderemos dizer, a propósito de tantos esquemas de subtracção de dinheiro do sistema, que “Portugal é lauta boda, onde come a maralha toda”.
E não é raro o dia em que se sabe que mais dinheiro foi parar aos bolsos de alguém, naquele tempo de vacas gordas em que todos os espertos engordaram. Para além do muito que para sempre ficará por saber.
É pena que, na maioria dos casos, tudo não passe de nada no que respeita à justiça que se faça, pelas mais variadas razões. Por ser este ou por ser aquele, porque prescreveu, alguém se esqueceu de uma formalidade qualquer ou destruiu as escutas…
Para que recordar aqui as “personalidades” envolvidas em tais actos de “misericórdia”. Mas andam por aí, anafados, bem comidos, vivendo sem a austeridade que a maioria de nós sofre e escrevendo livros que os amigos e outros compram, não vá acontecer que um dia… Bem, nesta terra tudo pode acontecer e depois…
Enfim, para além de tantos disparates, um regabofe de primeira. E quem paga as favas somos nós!


domingo, 12 de janeiro de 2014

DO “CENTRO DO MUNDO” À MARGINALIZAÇÃO

Todos os que leiam o que por aqui escrevo, sabem que são frequentes os reparos que faço à governação de Passos Coelho. Mostrou pouca maturidade no exercício de um cargo que a exigia, não conseguiu a forma de discurso adequada às circunstâncias que exigiriam a mobilização de todo um povo nem mostrou a força capaz de enfrentar uma Troika que desconhecia e desconhece, ainda, a realidade portuguesa e lhe impôs receitas inadequadas.
Apenas lhe reconheço uma persistência pouco vulgar que, felizmente, tem evitado os males maiores que a sua desistência provocaria, pois disso resultaria a entrega do poder a quem nem saberia o que fazer com ele ou, então, persistiria nos erros que deram lugar à situação financeira que, em cerca de 5 anos, nos levou de uma dívida possível de gerir a uma dívida incomportável.
Por isso, sempre tenho reconhecido, a par das fraquezas de quem nos governa, a ainda mais fraca Oposição que temos. Refiro-me ao Partido Socialista que desenvolveu e pôs em prática as políticas mais enganosas, por serem as mais contrárias à forma certa de governar um país, em função das suas potencialidades e não de sonhos impossíveis de concretizar, persistindo nelas em propostas que nunca esclarece como concretizaria e têm a inconveniência de alimentar a esperança de poder voltar a um passado irrepetível.
Um Governo deve conhecer bem o país que governa, o que há muito não acontece em Portugal, porque os nossos “políticos de crescimento acelerado” não fizeram o percurso que dá a experiência que permite saber das coisas. Por isso, jamais se estabelece um programa de governo em conformidade com as nossas possibilidades, preferindo faze-lo em função de empréstimos que não consegue honrar sem grandes sacrifícios ou contando com a solidariedade externa que nos impõe o que nada nos interessa.
A entrada na Europa, uma decisão que a nossa localização geográfica quase tornou impossível de recusar, foi um drama para um Portugal que se deixou arrastar por políticas e por objectivos incompatíveis com a sua realidade, a qual não soube proteger do que lhe foi imposto nem das sugestões que lhe foram feitas e, levianamente, acolheu.
Portugal passou a ignorar-se a si próprio e afastou-se do mundo com o qual conviveu mais intimamente e onde deixou raízes profundas que deveria, a todo o custo, preservar.
Foi por manifesta incompetência dos nossos políticos que nos deixamos desaparecer no seio de uma Europa da qual não passamos de uma pequena região periférica, esquecendo o “centro do mundo” que já fomos.
Portugal envolveu-se num sarilho do qual terá muita dificuldade em se desembaraçar quando acreditou que a Europa lhe daria a dimensão que, na realidade, lhe retirou para a acrescentar a sua.
Hoje reconheço que pensava bem quando receava o modo desprevenido como nos envolvíamos numa “Europa” que crescia de modo incontrolado. Como acontece num monte de terra que se acumula sem compactação, acaba por reduzir a altura que se julgava haver alcançado ou, até, soterrando os sonhos levianos que acalentámos.
A “Europa” tem mostrado que não é nada de sólido. É, apenas, uma fatalidade!


sábado, 11 de janeiro de 2014

QUANDO UM PIRILAMPO PARECE O SOL



Desde que esta crise começou, quantas vezes e a quantos “entendidos” se ouviu dizer que a luz já se via lá no fundo, num túnel que, como todos vemos, ainda não chegou ao fim?
Perante a ansiedade que a “crise” cria, qualquer pirilampo parece o sol que nos aqueceria, de novo, a vida. Mas o túnel é longo, mais do que gostaríamos que fosse, difícil de ultrapassar, impondo uma austeridade muito dura de suportar e um caminho difícil de encontrar. E por este túnel nos manteremos, preocupados e incomodados, sofredores até, enquanto não aceitarmos a inevitabilidade do equilíbrio que o anterior modo de viver não permite.
É evidente a dificuldade em aceitar os recuos a que os desequilíbrios que provocámos obrigam, pelas consequências que de tal resultarão, como o regresso a uma vida mais trabalhosa sem privilégios que não sejam, apenas, os que o nosso esforço nos conceda.
Mas não haverá cura para além da contenção a que a escassez de recursos obriga, nem será possível uma situação sustentável sem retomar, no seu consumo, a velocidade da sua renovação natural que há muito excedemos quer nas reservas de recursos naturais que utilizamos quer nas condições ambientais que degradámos excessivamente.
Por isso falharam as soluções que até os mais reputados especialistas propuseram e agrava-se a situação que a insistência em soluções baseadas no sobreconsumo origina, porque vão no sentido contrário daquele que deveremos escolher para sair das dificuldades que teimam em não acabar.
Por isso discordo com Durão Barroso quando diz que a crise está ultrapassada e dou razão às dúvidas de Mário Draghi que vê, ainda, muitas fragilidades neste percurso duro que fazemos.
Por cá, para além de uns indicadores levemente favoráveis que o notável esforço de alguns originou, continuam os protestos que apenas os equívocos provocados pelos políticos podem justificar, porque não será o povo, com certeza, quem escolherá a via do trabalho e da solidariedade quando os políticos lhe prometem  o regresso à "boa vida" que o destempero gerou e os privilégios que ninguém explica como conseguirá conceder.
Seria a hora de um esforço conjunto para entender e explicar qual o caminho que devemos seguir. Mas parece mais entusiasmante rapar o fundo do tacho, o que melhor se consegue alcançando o poder.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A PROPÓSITO DAS ALTERAÇÕES AO CÓDIGO DA ESTRADA: O QUE É UM BAIRRO RESIDENCIAL?



Não tenho a menor dúvida de que as leis devem ser correntemente ajustadas às circunstâncias que, naturalmente, se alteram ao longo do tempo. Por isso o chamado “código da estrada” ser um dos que, periodicamente, deve ser ajustado.
E mais uma vez o foi, mas de um modo que me parece, em alguns casos, pouco razoável.
Estou a pensar naquela decisão de limitar a velocidade máxima a 20 km/hora nos “bairros residenciais”.
Em primeiro lugar pela ridícula velocidade de cruzeiro estabelecida que, por ser assim, muito pouca gente, se alguém, respeitará.
Eu sei que não pode um regulamento impor o bem senso que apenas as diversas circunstâncias e cada momento podem ditar a propósito da velocidade adequada à segurança dos peões e, mesmo, de quem conduz. Mas sem bom o bom senso que uma credenciação mais cuidada na permissão de conduzir criaria, não haverá regulamento que consiga evitar os perigos que os excessos causam. Mas isso é uma outra estória que vai em sentido contrário à necessidade “económica” de haver cada vez mais viaturas a serem vendidas e a circular e aplicar cada vez mais multas.
Depois, a questão de saber o que, no critério do legislador, é um “bairro residencial”, o que, sem ser devidamente esclarecido, se prestará às mais patéticas veleidades dos que “controlam” o trânsito.
Nunca me pareceu e uma vez mais me não parece que as alterações ao “código da estrada” prestem mais atenção ao bom senso do que às condições de repressão arbitrária a que podem dar lugar porque, infelizmente, nem todos cumprem, do modo como deveriam, as funções que lhe competem.
E, por fim, pergunto porque não um “código de peões” que ponha cobro ao modo displicente como os peões se comportam, especialmente nas “passadeiras para peões” que muitos utilizam sem os cuidados mínimos que se deve ter na coabitação entre viaturas e peões.
A prioridade nas “passadeiras” é, como a lei diz, uma prioridade e não um direito absoluto que permite entrar nelas precipitadamente, sem olhar e sem prestar qualquer atenção ao trânsito, como o parecem julgar os que assim procedem, utilizando as passadeiras como se fossem um passeio. Mas não são!
É a velha miopia que faz olhar apenas para um lado. Se um condutor deitar um papel para o chão é multado. Se um peão o fizer… ninguém vê. Se um condutor usar o telemóvel, é sancionado, se um peão atravessar na “passadeira” pendurado no telemóvel, sem prestar atenção ao trânsito… ninguém vê.
Coisas de legisladores…


EUSÉBIO E O PANTEÃO NACIONAL


A celeuma levantada acerca da trasladação de Eusébio para o Panteão Nacional, não me passa ao lado e deixa-me preocupado quanto aos critérios de escolha de quem ali deve ter lugar.
Já alguns dos que lá estão podem ser alvos de críticas da escolha que lá os colocou e Eusébio, se la for colocado, poderá vir a ser um desses casos também.
É por isso que estas decisões não devem ser precipitadas, sendo conveniente um período de amadurecimento da ideia, para que, sem precipitações, se decida. Proceder de outro modo será desqualificar o próprio Panteão, vulgarizando-o ou tornando-o refém de paixões, de critérios de momento e não de uma reflexão histórica.
Não conheço os critérios que fazem de alguém um “símbolo de Portugal” que mereça a distinção máxima de ter lugar no Panteão Nacional, nem me parece que existam, pelo que, antes de mais, deveriam ser definidos.
Contudo, é natural toda esta algazarra à volta de Eusébio que foi, sem qualquer dúvida, um excepcional jogador de futebol e, por essa razão, um ídolo muito popular, tal como são naturais todos os elogios póstumos que muitos lhe fazem de modo que o tornam alguém com características humanas pouco comuns o que, como é costume acontecer, dá crédito ao dito de que “todos são os melhores depois de mortos”!
Por tudo isto me parece oportuna a definição dos critérios de eleição, pelo que me parece precipitada a decisão da Assembleia da República quanto a uma trasladação que deveria ser mais ponderada.
Muita gente tem conhecimento de grandes portugueses que honraram o nome de Portugal pelo seu saber, por contributos extraordinários nas artes e nas ciências de todo o mundo, gente da primeira linha do valor mundial, mas que ninguém aponta como dignos de emparceirar com outros a quem a popularidade tornou famosos.
Será, então e apenas, um critério populista aquele que sustenta as escolhas de quem deve estar no Panteão Nacional?
Parece-me de menos!

sábado, 4 de janeiro de 2014

O ETERNO PROBLEMA DE JULGAR


Sei bem quanto custa julgar porque muitas vezes tive de faze-lo, Deus sabe com quantas dúvidas, sem a certeza de o fazer bem feito. Mas eram os “ossos” do meu ofício e nada me pode livrar de ter de o fazer.
Já não será o mesmo quando por vontade própria se julga e, ainda por cima, de um modo relativo, apontando os melhores e os piores, um julgamento a que apenas quem se julgue o melhor de todos se permitirá. E isto tem um nome…
Oiço-o há muitos anos e não me restam dúvidas das certezas absolutas que Vasco Pulido Valente coloca naquilo que diz, de tal modo que se permitiu, agora, listar os melhores e os piores de 2013, colocando nestes últimos o Papa Francisco a quem ele chama um jesuíta convertido ao franciscanismo que compara com o populismo que nunca foi bem sucedido! E este Papa que, à vista de todos nós, tanta coisa já alterou, tantos espíritos já tocou, tantos interesses já denunciou, é, por ele, acusado de “ainda não ter mudado coisa nenhuma”.
Não me restam dúvidas de que Vasco sabe bem o que significa populismo, uma doutrina ou uma atitude que se liga à expressão da vida e dos sentimentos dos meios populares, o que vai bem com as suas funções de Chefe de uma Igreja à qual deve inspirar, pelos seus actos e pelo seu exemplo, os comportamentos que são próprios do tal “tanto amor” que Vasco diz não saber no que vai dar com as homilias de que a esquerda tanto gosta e Mário Soares também! Uma dúvida que está bem para quem o surreal valha mais do que a realidade, para quem o prolixo seja preferível à simplicidade que denota a verdade das coisas.
Pode a confusão de certos espíritos juntar no mesmo “saco” o “populismo” de Francisco, o esquerdismo que se julga o lado bom da política e, mesmo até, a casmurrice revolucionária de Soares, mas não deixa de ser a confusão  pretensiosa dos que julgam saber muito, tanto que se permitem julgar os outros.


MEMÓRIAS DA CRISE QUE VAI CONTINUAR


Diz a Bíblia que Deus criou o Homem e o colocou no Paraíso onde vivia sem problemas, podendo dispor de tudo quanto desejasse. Mas havia uma excepção, uma árvore, a do conhecimento, cujo fruto nunca deveria ser comido. Ao que Eva não resistiu, convencida pela venenosa serpente que lhe terá dito querer Deus, com isso, que ninguém soubesse tanto como ele! Desafio maior a que Eva não resistiu e incitou Adão a faze-lo também, do que se arrependeu mas já sem tempo para o evitar.
O castigo foi viverem num mundo onde comeriam “o pão amassado com o suor do rosto”.
Muita verdade estará contida nas fantasias com que os nossos longínquos antepassados explicavam aquilo que o seu conhecimento não alcançava. Muito do que se passa parece ser a tradução real do que textos muito antigos, na sua ingenuidade, pareciam dizer, até a expulsão do Paraíso que bem pode ser esta crise sem fim que vivemos e nos obrigará, tudo o indica, a transformar profundamente o modo como vivemos.
É uma mudança que, quase sem dela darmos conta, está em curso e poucas ou nenhumas novidades nos trará esta política que continua a não fazer da realidade das coisas o seu meio de actuação nem procura nela as explicações para as preocupações que os múltiplos problemas que enfrenta lhe trazem. Pelo contrário, fixa a sua atenção na pseudo-realidade que criou e insiste gerir o seu mundo irreal segundo as leis que, para ele, inventou.
Há tanto tempo que é assim que se esqueceu completamente do mundo real, aquele onde as coisas importantes para a Humanidade acontecem porque, embora persistindo em viver num mundo de fantasia, jamais o Homem deixará de ser um Ser da Natureza, em vez do senhor que dela julgou ser.
Basta reparar nas “novidades requentadas” que são as grandes notícias do dia a dia, nas quais sempre se fala da mesma coisa por mais que se tente alterar-lhe o aspecto, nos problemas que se tenta resolver mas sempre defrontam as mesmas dificuldades inultrapassáveis sempre que se pensa ter encontrado uma solução, na crise que deixou de ser um período de correcção dos problemas económico-financeiros que se vão acumulando entre longos períodos de sucesso, para se tornar num longo período de problemas que breves momentos de ilusória esperança não conseguem fazer acabar.
Sucederam-se as propostas e os falhanços dos sábios que procuraram e julgaram encontrar, em situações do passado, semelhanças que os inspirassem para resolver os problemas do presente que, infelizmente, extravasaram o âmbito do domínio em que estão habituados a mover-se e no qual as suas teorias têm relativa validade. E até os Prémios Nobel da Economia continuam a ser atribuídos a trabalhos que não ultrapassam os limites de uma fantasia que a realidade já ultrapassou, continuando a ignorar a fronteira com o mundo em que se insere, aquele do qual provêm os recursos escassos que têm alimentado a fogueira em que, excessivamente e segundo as suas teorias da abundância em que persistem, os queimaram.
Não é, pois, de um problema de teoria que se trata, mas de uma questão de meio e de condições em que se aplica.
Está esta “economia de sucesso” que, arduamente, tentamos recuperar, rodeada por problemas que, levianamente, criou e lhe cortam as vias para um novo fôlego de expansão de que necessitaria para se continuar. Refiro-me às questões, numerosas e insuperáveis a curto prazo que tornam o nosso ambiente cada vez mais hostil ao modo de vida que adoptámos. E, mesmo assim, não acabamos com os erros que os provocam…
Seria bom que as levássemos em conta e perdêssemos, de vez, a petulância do quem se julga permanentemente dominador, para assumir, em vez dela, a humildade de admitir a insignificância que somos perante um poder maior, o da natureza que nos rege e não regemos. Só então poderemos viver em harmonia com ela.