ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

XANANA GUSMÃO: “CHOCA-ME A SITUAÇÃO PORTUGUESA”!

Foi comandante dos que, nas montanhas de Timor Leste, resistiu à dominação dos indonésios a quem os americanos deram luz verde para ocupar aquela terra que a “revolução portuguesa”, durante muito tempo, abandonou à sua sorte. Depois foi dirigente político do novo país Timor Lorossai que, ao fim de muito tempo, conseguiu a desejada e merecida independência.
Agora, quando se propõe abandonar a política para, como diz, dar lugar aos mais jovens, Xanana esteve em Lisboa e manifestou o seu pesar pela situação em que encontrou Portugal, a qual, afirma, o choca profundamente.
Com o bom senso e a visão de Estado que os políticos portugueses não revelam, Xanana contesta a “disputa do papel de herói” entre os líderes políticos, quando "nestas ocasiões, temos que tentar todos juntos resolver porque quem sofre é o povo."
Não o irão ouvir os dirigentes políticos portugueses porque, em Portugal, fazer oposição é, necessariamente, dizer mal do que o governo faça, mesmo que, como também acontece, seja bem feito. Por isso é tão estúpido o diálogo político que tantas vezes escutamos, com razões sem sentido e claramente reveladoras da luta pelo poder permanentemente instalada.
O tipo de política que se faz em Portugal, faz-me lembrar as capelinhas em que cada qual se acolhe para defender os seus interesses e faz delas as trincheiras de onde parte para o assalto ao poder que tanto anseia.
Xanana também contesta esta “ordem mundial” que considera pouco humanista quando proporciona tanto para uns e tão pouco para outros. Considera, também, este sistema geral moribundo e falhado o sistema da União Europeia.

Sensibilizaram-me muito estas declarações de Xanana que parece ser capaz de ver, de longe, o que por aqui não vemos. Por isso, continuamos a desperdiçar a oportunidade de sucesso que o unir de esforços nos poderia garantir.


sábado, 8 de fevereiro de 2014

ALTERNÂNCIA OU ALTERNATIVA?

Nesta democracia, da qual as virtudes da alternância nunca bem compreendi, é a mentira que impera nas promessas, jamais cumpridas, dos programas eleitorais. Serve mais para satisfazer clientelas do que para fazer melhor, sobretudo neste tempo de poucas alternativas que, cada vez mais, nivela as ideologias pelo que a sensata gestão da escassez torne possível.
Mas a alternância persiste, mesmo nestes tempos que tornaram evidente a completa falência de todas as políticas conhecidas, e não impede os “conquistadores” de prometerem o que sabem não poder cumprir, de fazerem o que nunca poderão fazer, porque se levou o esbulho dos recursos naturais a níveis insustentáveis e se emporcalhou a Natureza a um ponto que ela já não suporta.
São múltiplas as evidências ao longo dos últimos decénios que desfizeram os sonhos do comunismo, puseram a nu, em consequências desastrosas, os excessos do socialismo e evidenciam as mentiras de um capitalismo egoísta e sem alma, no qual o bem comum não é, de todo, preocupação.
Aproximam-se eleições e, nas campanhas a que darão lugar, ouviremos as promessas que sempre ouvimos em discursos inflamados ou nas romarias periódicas dos políticos que, assim, fingem aproximar-se do povo que, esperando ser salvo, será enganado uma vez mais.

Empenhar-nos-emos em disputas que não têm os nossos reais interesses como razão de ser. Uns fá-lo-ão porque espreitam a sua vez de aproveitar as vantagens que o poder ou a sua proximidade lhes podem trazer, outros porque preferem a balbúrdia ou a truculência das disputas à reflexão esclarecedora da qual pode resultar a alternativa para transformar o mundo num lugar melhor para todos.


MENTALIDADES DE NOVOS RICOS!

Ontem dei-me conta de mais dois aspectos desta questão já cansativa dos quadros do surrealista Miró que o BPN coleccionou e o governo de Sócrates nacionalizou.
A propósito, nunca entendi por que o governo de então foi tão pressuroso na nacionalização de um banco integrado num “esquema criminoso” ainda hoje mal desfiado, em vez de procurar outras soluções para garantia dos depósitos “normais” que por lá também havia, evitando pagar as contas dos que praticaram crimes que todos nós, os eternos pagantes, agora temos de suportar. Esta parece-me, até, a principal questão que deveria preocupar a Senhora Procuradora Geral da República até a ver completamente esclarecida e, também, severamente punidos os criminosos, porque a venda dos quadros de Miró não apoquenta, nem um bocadinho, a mim e a milhões de portugueses que fazem parte desta República por cujos reais interesses S Exa tem de zelar.
Mas fiquei a saber que a agora tão contestada venda dos quadros de Miró, pela qual se pedem as demissões sei lá de quem ou até do governo inteiro, já havia sido decidida naquele governo de Sócrates que nacionalizou o BPN, do que a maioria já perdeu a memória, bem como das culpas que, agora, descarrega em quem tenta corrigir o mal que já estava feito!
Também não me causa grande admiração que seja assim porque é natural “descarregar” em quem esteja mais á mão. Foi sempre assim que os fracos e os oportunistas fizeram.
Mas para além disto, deixou-me de boca aberta a pergunta, quase cândida (!), que um jornalista fez ao seu entrevistado que tentava explicar-lhe a questão dos já malfadados quadros cuja base de licitação no leilão em que seriam vendidos era, segundo se diz, de 75 milhões de euros, pouco mais ou menos… A pergunta foi: “mas estamos, financeiramente, assim tão mal que tenhamos necessidade desse dinheiro”?
Esse jornalista que, talvez antes desta cena pacóvia dos quadros de Miró, nem teria ouvido falar muito deste “artista” catalão, ainda menos, por certo, ouviu falar das preciosidades artísticas que, por esse nosso território, se degradam a cada dia que passa por falta de uns tostões para as recuperar. Arte portuguesa que faz parte da nossa cultura e deixamos que se perca por falta de dinheiro, enquanto andamos tão preocupados com a venda de uns quadros que à cultura portuguesa nada dizem.
Mentalidades de novos ricos!


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A “DEMOCRACIA A SÉRIO”, SEGUNDO SOARES

Se alguém, desesperado pelos problemas que esta “economia do usa e deita fora” lhe trás, afirmar que “o que é preciso é haver democracia a sério, não destruírem o Estado-Saúde e não fazerem isto que estão a fazer às pessoas, que estão todas a morrer à fome e desesperadas”, eu relevo os exageros do que diz ou a pouca compreensão que revela do momento que vivemos e de como superar o desconforto que nos dá. Mas se for um ex-Primeiro Ministro e ex-Presidente da República quem o proclama, eu só posso ficar estarrecido e muito preocupado pelo modo como pessoas que, alguma vez, julgámos serem as mais competentes para governar este país, resolvem situações dramáticas, complexas e ainda não completamente esclarecidas, com “soluções” verborrágicas como as que se revelam em tal afirmação.
O que será democracia a sério? Aquela em que todos somos livres de fazer ou de dizer os disparates que quisermos e fazer política com a insensatez que tivermos? Se for, não sei do que reclama Soares. Quanto ao resto, fica-me a ideia, transmitida por alguém que já deteve o poder, que depende do arbítrio de quem governa que cada um de nós viva melhor ou pior, disponha ou não de melhor assistência social, bem como de outros valores que, cria eu, se alcançam com a iniciativa, o trabalho e a perseverança de todos que um Governo legítimo saiba promover e gerir.
Sabendo todos nós, como sabemos, não ter o país condições e meios que permitam a abastança de que todos gostaríamos de usufruir e, por isso, ser obrigado a um empenhamento maior na gestão dos seus recursos e a uma contenção criteriosa dos seus gastos, não nos podemos surpreender com as dificuldades resultantes dos avultados desperdícios que gestões descuidadas ou, até mesmo, danosas provocaram e se não remedeiam do modo superficial como Mário Soares sugere na demagógica afirmação com que, persistentemente, defende o regresso do “seu socialismo” incontinente nos gastos e improfícuo nos resultados que alcança.
Quanto a mim, democracia a sério seria aquela que o PS revela não praticar quando, como publicamente afirmou a Ministra da Justiça, a uma consulta formal sobre um projecto nacional, a reforma judiciária, responde que “não é, o maior partido da oposição, assessor ou consultor do governo”!

É, pois, uma democracia de competição a do PS, uma democracia em que uns fazem para, depois, outros desfazerem, num desperdício de tempo, de esforços e de recursos que, bem aproveitados numa cooperação frutuosa, por certo permitiriam os resultados que a sugestão de Soares jamais alcançará.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

SEMPRE A CARROÇA À FRENTE DOS BOIS…

É estranho o modo como certas coisas acontecem neste país de distraídos, coisas que se revelam por acaso sem que, antes, alguém dê por elas, mesmo aqueles a quem não deveriam passar despercebidas.
Ao fim de mais de 800 anos de nacionalidade, as obras para construção de uma barragem no Rio Coa fizeram descobrir umas pinturas rupestres nas quais, até então, ninguém havia reparado! Foi como se tivesse saído a sorte grande aos arqueólogos deste país que jamais as tinham olhado, apesar de bem à vista! E tudo começou a girar à volta dessas pinturas que passaram a comandar decisões importantes. As obras foram paradas e a Região pensou que seria o seu momento de progresso, porque romarias de interessados ali se deslocariam para ver tais maravilhas. Mas, afinal, o alvoroço não deu em nada, a antiguidade de tais pinturas foi posta em causa e não me consta que a Região tenha saído do marasmo em que se encontrava! Quem fala a gora das pinturas rupestres do Coa?
Um outro dia, quando decorriam as obras para abertura de uma estrada, alguém reparou numa marca que bem poderia ter sido ali deixada por uma pata de dinossauro! Outro acaso feliz que fez o Professor Galopim de Carvalho dar pulos de contente e pedir que dali se afastassem outras ideias que não fossem a sua total preservação. E outro remédio não houve senão alargar os cordões á bolsa para parar umas obras e faze-las de outro jeito.
Foi ali na zona Oeste onde, agora, se descobrem marcas desses enormes animais desparecidos há mais de sessenta milhões de anos, quase a cada passo que se dá, talvez por obra e graça de um primeiro acaso.
Outras histórias idênticas poderia contar de coisas que, neste país, parecem cair do céu, já que ninguém se antecipa a procura-las. 
Mas vou de caminho para a mais recente de todas, as pinturas de Miró, um pintor surrealista catalão que terminou a sua carreira simplificando sinais gráficos e cores até as reduzir a pontos e a preto e branco, descobertas após a nacionalização do BPN, atitude com que o governo de então salvou da ruína muitos oportunistas financeiros e passou para a responsabilidade do povo os custos de tamanha generosidade.
A entidade encarregada da liquidação dos bens de tal bomba financeira que encheu os bolsos de muitos enquanto ajudou a esvaziar os nossos, encontrou diversos objectos de arte, entre os quais umas dezenas de quadros de Miró que, dentro das suas competências, decidiu incluir na operação de recuperação financeira a que era de sua conta proceder.
E assim começa uma confusão estranha e pouco dignificante para o país, com um leilão muito badalado internacionalmente cancelado à última hora pela “batalha” legal que um bem, até aqui totalmente desconhecido, acaba por gerar, dando de Portugal, uma vez mais, a imagem de uma terra de loucos!
E parece que nada mais tem qualquer interesse senão mais este “desmando” de um Governo que outros, porventura já engendrados, mal podem esperar para lhe ocupar o lugar, enquanto os enormes e graves problemas deste país continuam por resolver.
Por mim, de bom grado trocaria esses Miró pelo restauro de tanto património por aí ao abandono e que, esse sim, faz parte da autêntica cultura portuguesa.

Quando será que, em Portugal, deixa de andar a carroça à frente dos bois e as coisas acontecem como é natural que aconteçam?


“A MINHA PÁTRIA É A LÍNGUA PORTUGUESA” (Fernando Pessoa)

Pelo que me tenho dado conta, são cada vez mais os que acabaram por entender o erro enorme que foi a precipitação do governo português ao fazer entrar em vigor, na Administração Pública e no sistema de ensino, um Acordo Ortográfico muito e seriamente contestado, cujo período de transição ainda nem acabou. Fê-lo sem que qualquer dos demais países signatários o tenha feito, nos quais, aliás, muitas dúvidas e contestações se levantam, tal como acontece entre nós.
A antecipação precipitada que corresponde a quatro anos e nove meses para a Administração Pública e a cinco anos para o sistema de ensino, relativamente ao prazo estabelecido para transição, poderá corresponder a custos inúteis e a custos ainda maiores de alteração do erro cometido, para além da enorme confusão gerada, se, como esperamos, o acordo vier a ser revogado ou, pelo menos, ajustado numa nova proposta que mereça a aceitação que este não mereceu.
A atitude incompreensível e precipitada do Governo deu a ideia errada de ser obrigatório o uso do AO, pelo que, nesta altura, em Portugal existem duas ortografias que dão aso à ridícula situação de que cada escolher a que prefere ou entenda dever usar!
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO) foi assinado em 1990, por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal e S Tomé e Príncipe, mas não foi ractificado por todos os países, o que impediu a sua entrada em vigor.
Foi já em 2004, depois da sua independência que Timor Leste aderiu, ao que já era o segundo Protocolo Modificativo do Acordo assinado, além da Galiza, como observadora.
A natureza do acordo celebrado desde sempre gerou fortes e fundadas oposições de linguistas, filólogos, professores, escritores, jornalistas e, de um modo geral, de todos aqueles que preferem o português bem escrito àquele que razões escusas possam ditar, porventura políticas até (!) ou outras, qual delas a mais ridícula, como ouvi algumas pessoas defender.
Conceituados especialistas e muito mais gente preocupada com o que considera ser um atropelo sem nome à Língua Portuguesa, mantêm as suas críticas, apontando defeitos diversos, ambiguidades, inutilidades, decisões sem sentido, razões técnicas e jurídicas às quais acrescentam, mesmo, questões de inconstitucionalidade.
Uma “Petição para desvinculação de Portugal ao Acordo Ortográfico” fez voltar a questão à Assembleia da República onde fora aprovado em 2008, sendo agendada a sua discussão para Dezembro de 2013, a qual foi, contudo, adiada em consequência da apresentação de um “projecto de resolução”, nos termos da Lei do Direito de Petição.
Será, porventura, nos primeiros meses de 2014 que a discussão acontecerá, tendo os partidos representados na AR já dado conta de intensões diversas que vão desde a revogação simples ao estudo de um novo acordo.
Apraz-me aqui realçar o trabalho incansável de tanta gente que tem lutado para evitar que um disparate sem nome perdure, em particular e por exemplo, os trabalhos e as intervenções dos docentes de Direito, Drs Ivo Miguel Cardoso e Rui Miguel Duarte, a quem agradeço em nome dos leitores deste “jornal de gaveta”.
Espero que, na Assembleia da República, com bom senso e, num raro momento de total clarividência de que não tem mostrado ser capaz em diversas situações do mais elevado interesse nacional, sejam tomadas as decisões adequadas à resolução de um problema grave, inutilmente criado.



domingo, 2 de fevereiro de 2014

UM FRACASSO CHAMADO SÓCRATES

Por vezes não consigo deixar de ouvir Sócrates naquelas arengas que faz na TV pública cujos custos todos ajudamos a pagar, onde lhe dão a oportunidade de, semanalmente, tentar limpar-se das porcarias que fez nos seus governos, sobre as quais não restam quaisquer dúvidas.  Raramente Sócrates tem algo mais para dizer do que arranjar explicações ou desculpas para aquilo de que, com toda a justiça, o acusam, sobretudo a gestão despesista que fez e a série de casos obscuros que gerou, assim como tentar reabilitar o decadente socialismo que de socialismo, afinal, já nem a aparência tem.
Aliás, diz-nos uma visão geral do que se passa na Europa, onde os partidos socialistas não estão a passar um bom momento, porque cada vez menos gente lhes reconhece as virtudes que dizem ter, que é outro o tipo de gestão de que uma sociedade mais justa e equilibrada tem necessidade.
Hoje, Sócrates falou da despesa que foi a compra dos submarinos e das vezes que, ao longo dos seus governos, ouviu Paulo Portas exigir mais despesa, como se uma coisa ou a outra pudessem constituir razão para o aumento enorme de dívida pública que provocou, em consequência de despesas das quais tanto se gabou!
A nossa dívida pública estava, no início dos seus governos, em cerca de 60% do PIB, por isso ao nível do que se considera razoável e, por isso, não criava problemas de crédito nos mercados, o que passou a acontecer desde quando o excesso dos seus gastos a fez ultrapassar os 100%.

Ainda não entendi, pois, o interesse da direcção da RTP em prolongar o fracasso que a realidade já mostrou serem os comentários de José Sócrates, incluindo os decréscimos das audiências que, com ele, esperavam aumentar.