ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

domingo, 10 de agosto de 2014

GREVE DA TAP: METER FOICE EM SEARA ALHEIA?

Eu escutei, sem preconceitos, o representante dos pilotos que, exaustivamente, procurou explicar a razão por que fizeram uma greve que provocou prejuízos materiais, directos e imediatos, de elevado valor, além de outros que provocou a terceiros e dos reflexos que, no futuro, poderá ter quanto à confiança nos serviços que a empresa presta.
Francamente, esta greve pareceu-me mais um “meter a foice em seara alheia” do que a defesa de direitos porque, pelos vistos, nada teve a ver com questões laborais mas, como os próprios dizem, é uma manifestação contra decisões da administração da empresa, opções de negócios e de investimentos que fez.
Eu gostava de pensar que está certo proceder assim com a total e completa discrição que a Constituição concede, a de os trabalhadores poderem fazer greve no momento e pelas razões que entenderem. Mas não estou!
Uma greve sempre acarreta prejuízos, muitas vezes excessivos e também irreparáveis pelo que, sobretudo quando haja problemas económico-financeiros graves como agora existem, deveria ser uma atitude muito cautelosa e apenas posta em prática quando outras iniciativas, sobretudo negociais, não obtiverem resultados. Mais do que isso, tal como existe um tribunal que avalia e decide questões dúbias de constitucionalidade, igualmente deveria existir algo que avaliasse as justificações das greves, antes das quais promoveria os possíveis entendimentos que as evitassem.
Pelo que tenho visto e penso que toda a gente também, desde há muito tempo a greve tem sido mais uma arma política do que a protecção dos direitos dos que trabalham por conta de outrem que deveria ser.
Raramente me dou conta de uma greve numa empresa onde questões que confrontem patrões e trabalhadores obriguem a atitudes de força que sempre prejudicam alguém. As greves em Portugal passaram a ser uma “arte” manipulada por forças a quem tais atitudes convêm o que, nitidamente, perverte a justiça de um acto cívico que passa a extravasar os seus naturais objectivos.
Tudo tem regras menos as greves que as não têm, a não ser a obrigatoriedade de um pré-aviso. Parece-me pouco para tantos prejuízos que causam e tão poucas vantagens que alcançam. 


sábado, 9 de agosto de 2014

UMA CARTA FORA DO BARALHO

"Não podem ser os mais vulneráveis a pagar os erros dos administradores e dos accionistas. Isso é que é inaceitável. Então agora os administradores cometeram erros e são os trabalhadores que vão pagar, que vão ser os responsáveis?"
Isto foi o que se ouviu de António José Seguro, candidato a futuro Primeiro-Ministro deste país, a propósito do desastre do BES que, como responsável político, não foi capaz de prever e cuja complexidade reduz a um dichote próprio de um sindicalista menor.
Aliás, os políticos, ao contrário do que deveria acontecer, nunca prevêem nada. Nem sequer as consequências de muitos dos actos que praticam. Bem ao contrário, são sempre surpreendidos pelo que acontece sobre o que dizem, depois, umas larachas politicamente oportunas mas sem qualquer réstia de pudor ou de bom senso! Como é o caso.
O desastre do BES aconteceu e Seguro até deveria conhecer, como político que pretende ser, as teias em que se emaranhou o jogo de ambições interesseiras que o originou. Aliás, um passado não muito distante mostrou, como o presente continua a mostrar, como os políticos oportunistas e excessivamente ambiciosos percorrem a rota de sucesso que para o comum mortal seria um caminho de brasas em que queimaria os pés e destruiria a vida.
Haverá sempre um "mexilhão" que a onda leva para que os outros sobrevivam, até que, um dia, seja a sua vez.
Quando a muita gente já cheirava mal o que se passava, quando rumores já se ouviam por tanta coisa que acontecia, fossem carreiras bem sucedidas ou créditos excessivamente generosos que permitiam fantasias a que a realidade agora põe fim, faz algum sentido que haja políticos surpreendidos ainda mais do que eu estou que, naturalmente, não tinha como saber o que se passava?
Nem me passa pela cabeça que Seguro fosse algum dos beneficiados nos jogos de poder que o dinheiro à solta comanda. Mas é, com certeza, um dos que, nesta terra de oportunistas, por aí andam a brincar aos políticos e a ver os comboios passar sem imaginar quem vai lá dentro. Uma carta fora do baralho, por certo.
Aliás, bastará reparar no que os senhores do jogo lhe preparam na insólita atitude de contestação que as regras democráticas não prevêem.
Analisei e voltei a analisar a frase pomposa que, emocionado,  se viu Seguro gritar em mais uma batalha da desesperada guerra que trava para manter o poder que lhe desejam caçar, envolvido por uma pequena multidão que o aplaudia, mas nunca consegui, nem na mais generosa interpretação, ver nela mais do que o chorrilho de disparates que é.
Quando muito, fico a tentar adivinhar como seria que Seguro resolveria um problema que a política, da qual tanto deseja ser figura de proa, criou e pelo qual alguns trabalhadores vão ter de sofrer desagradáveis consequências para que outros possam evitá-las.
Mais importante me pareceria que se apurassem, para além das responsabilidades de quem cometeu os actos que provocaram este terramoto, aqueles que os permitiram e, mais do que isso, os que com eles lucraram.
Mas isso é coisa que não vai acontecer porque a máfia não consente!




sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A JUSTIÇA A MEIA HASTE

Acabo de ouvir que a Caixa Geral de Aposentações (CGA) foi condenada pela recusa de aposentação a uma professora da Escola de Cacia que, com uma doença em fase terminal, foi obrigada a continuar a dar aulas para garantir o seu salário!
É de bradar aos céus o que foi feito a esta docente que não resistiu muito tempo ao sofrimento que a violência imposta lhe causou.
Condenada a CGA, passa sem castigo quem, de modo desumano, tomou a decisão grosseira e imbecil, o que não pode ser aceite num país onde a Justiça pretende ser respeitada!
Mais um caso em que a Justiça se fica por uma decisão que pode apaziguar os ânimos mais exaltados por tais atitudes, mas com a qual não cumpre o seu dever de fazer plena justiça. O que, bem vistas as coisas, parece ser um velho hábito entre nós e até talvez seja o que poderá acontecer nos casos do BPN e do BES que tanta gente "importante" envolvem.
Recordo-me da notícia da recusa da aposentação da professora que foi obrigada a sacrifícios desumanos, tal como de outras que revelam a falta de sensibilidade que bem diferente é daquela que, conforme ontem denunciou Marinho Pinto, é a que paga salários excessivos, "pornográficos" até como alguns já lhe chamam, seja no quase inútil parlamento Europeu seja na despesista AR, em ministérios e outros organismos, em condições que afrontam os milhões que, pela austeridade que a estes não afecta, mal têm o bastante para viver.
Porque será a vida madrasta para tantos e um paraíso para alguns?
Estes são os políticos nos quais votamos quando há eleições!



OS FAMOSOS ERROS DOS EXAMES DOS PROFESSORES

Depois de tanta celeuma a que os exames de avaliação dos professores deram lugar acabou nos erros de português a discussão sobre a razão ou não de ser desta prova que a FENPROF tanto combateu, chamando-a de "um “capítulo da impante história de um ministro obcecado”, “famigerada, inútil e inaceitável”, para além de a considerar “uma obstinação vingativa contra quem (ela) se opôs.
Que foram erros relacionados com o “acordo ortográfico” a que muitos professores não estariam ainda habituados ou que até se oporiam ao que foi ilegalmente posto em vigor, foi a explicação imediata dos que, numa manifestação de força na qual, por certo, acabariam por perder, acabaram por prejudicar os professores que aceitaram a avaliação como medida certa para elevar a qualidade do ensino secundário em Portugal.
Desculpa mal engendrada e precipitada porque, afinal, não passaram de 10% dos erros cometidos os que se relacionam com o tal Acordo que eu também não adopto.
Segundo a entidade que os avaliou, num texto de 250 a 350 palavras que os “professores” teriam de escrever, os restantes erros foram, em 62,8% dos textos, um ou mais erros ortográficos, em 66,6%, um ou mais erros de pontuação e, em 52,9%, um ou mais erros de sintaxe, incluindo a aplicação incorrecta do plural e a utilização incorrecta de formas e de conjugações verbais.
Não me parecem erros de menosprezar em quem terá a responsabilidade de participar na formação científica e literária da juventude de um país.
Os exames servem para isto mesmo, para avaliar quem tem ou não capacidade e competência para as tarefas às quais se propõe. Uns têm e outros não. O que me parece natural.
E como acontece nos exames, houve quem chumbou, quem teve classificações medianas e, naturalmente, os que tiveram excelentes classificações.



CENAS TRISTES

Dei-me ao cuidado de ouvir o que iria ser dito naquela audição da Ministra das Finanças na Comissão de Inquérito da AR sobre a solução dada ao caso BES pois, perante os riscos que, com certeza, a solução encontrada pode comportar, propostas para a melhorar seriam, por certo, da maior valia.
Da Extrema Esquerda não vieram outras senão as propostas do costume, aquelas que fazem o Estado dono e senhor de tudo e, segundo dizem, garantem emprego e justiça social para toda a gente. Mas não vale a pena perder tempo a comentar soluções que a História já julgou depois de experiências concretas que provaram não passarem de um equívoco com consequências trágicas.
Restaria a expectativa da solução que o PS, partido que requereu a audição da Ministra das Finanças, iria apresentar e que, depois de tudo quanto já fora dito, teria, com certeza, todas as condições para ser uma solução bem ponderada e, por isso, digna de ser considerada.
Mas foi ainda o velho lugar-comum “a montanha pariu um rato” a ideia que melhor corresponde ao que se passou, o que, afinal, está conforme com um passado de muitas críticas sem quaisquer propostas que, verdadeiramente, o fossem, não passando esta audição de mais do que uma daquelas perdas de tempo que saem caras a todos nós, além de ser mais uma manifestação gritante da incapacidade política que não consegue tirar este país do atoleiro em que ainda resvala.
Não seria de esperar do PCP e do BE mais do que aquilo que são, ideias que pudessem ir além daquelas de que são capazes, mas não é possível admitir a um partido como o PS estas manifestações de puro exibicionismo parlamentar e de oportunismo político porque é seu dever participar, como Oposição séria que deve ser, nas soluções que a frágil e perigosa situação do país reclama.
Em vez disso, o partido que teria por dever mostrar a força que tenha para com ela participar na recuperação do país, enfraquece-se em duras lutas intestinas que em nada nos irão ajudar.
Não ser apresentada, afinal, qualquer proposta de solução bem estruturada como alternativa ou complemento àquela que critica, dá bem conta da baralhada política da qual este país terá de se livrar muito rapidamente se quiser solucionar os seus problemas.
A Maria Luis bastou manter-se serena, como tem sido seu hábito, para sair desta audição sem arranhões.
Mas será isto que se deve esperar do trabalho destes deputados e desta Assembleia da República que nos custa tanto dinheiro? Por qual razão, então, não deverá fazer ela parte da reestruturação de que Portugal carece?


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O DESEMPREGO ESTATÍSTICO

Ontem, em mais uma daquelas “antenas abertas” que já não escutava há muito tempo, surgiu como tema a debater o desemprego.
Como seria natural, lá apareceu um “especialista” que sabe de tudo sobre a matéria” e, obviamente, catadupas de telefonemas de desempregados, cujo desespero compreendo e lamento, desbobinando frases feitas e aduzindo as razões que as vozes da “oposição política” já institucionalizou, mas que não passam do engodo mentiroso com que lhes fazem crer ter o problema um remédio fácil que, quando poder, lhe darão.
Durante todo o tempo o problema do desemprego foi reduzido a alguns aspectos estatísticos mal amanhados, com todos os perigos que a estatística representa quando deste modo tratada. Ela pode conduzir e tem conduzido aos maiores equívocos porque a estatística não é uma ciência. Não passa de uma ferramenta de avaliação que, como qualquer outra, quando mal aplicada conduz a erros clamorosos ou, simplesmente, a coisa nenhuma.
Quanto ao fenómeno social gravíssimo que o desemprego é, às suas razões de ser e ao modo de resolver esta terrível questão humana, nada de importante foi dito. Eu já sabia que dificilmente iria ouvir, nestes programas de baixa qualidade, alguma coisa que fizesse luz sobre este tormento social que o capitalismo criou. Mas, apesar disso, têm o mérito de revelar o nível de percepção das grandes questões do nosso tempo que, mais uma vez, se revelou demasiadamente baixo para a esperança de ver surgir uma solução.
De algum modo, a solução vai aparecendo aos poucos nas iniciativas dos que já entenderam ser a iniciativa própria, tal como no passado já o fora, a forma de ter, em vez de continuar à espera do que outros possam dar.
O socialismo mal entendido é mesmo isto mesmo, amaldiçoar o capitalismo para o qual não propõe alternativa e ficar á espera que outros resolvam os problemas que a cada um compete resolver! Por isso os seus mentores prometem o que nunca darão, o que até sabem que nunca poderão dar, tornando-se na origem do grande equívoco que, de tragédia em tragédia, nos conduzirá ao inferno.
Como tudo, como a própria vida até, o capitalismo teve o seu começo e terá, inevitavelmente, o seu fim cuja proximidade diversos sintomas revelam. Entre outros, o desemprego é um deles.
Porque a tecnologia e a racionalização do trabalho dispensam cada vez mais a intervenção humana, o funcionalismo público não consegue continuar a ser o asilo dourado dos desempregados que o capitalismo moderno vai fazendo, a formação superior vai deixando para cada vez menos pessoas as tarefas que outros não consideram dignas do seu nível de preparação ou porque se procura a mão de obra mais barata onde quer que ela se encontre, em mercados de trabalho confinados rareiam as oportunidades e, por isso, sobejam os desempregados que a actividade económica dispensou.
É por isso que as migrações de trabalhadores se tornaram normais nesta economia global onde cada um procura a sua oportunidade onde julga poder encontra-la.
Mas esquecem os "doutores do desemprego estatístico", por certo de um modo deliberado, que o desemprego é um problema que se expande nos países capitalistas, enquanto continua a ser a normalidade na grande maioria daqueles onde a simples sobrevivência é, só por si, muito difícil. Não dizem que muitos dos nossos emigrantes “altamente qualificados” apenas encontram, lá fora, oportunidades em tarefas menores que aqui jamais aceitariam executar, nem chamam a atenção para os milhares de postos de trabalho que, em Portugal, não têm candidatos, em tarefas porventura socialmente menores mas que terão mesmo de ser executadas, apenas preenchidos por imigrantes de outros países onde os problemas de desemprego superam os nossos.
Enfim, mais um programa em que a apresentadora me pareceu ufana do seu “sucesso” mas que nada mais fez do que confundir a cada vez que ouvia as reclamações duras dos seus ouvintes.

A propósito: porque será que todos os “intelectuais socialistas” agora usam barba e bigode à Marx? Convenientemente aparados, claro está! 


terça-feira, 5 de agosto de 2014

QUANDO OS PROFESSORES SÃO EXAMINADOS

Tentei  ser um bom professor enquanto o fui. Por isso, ao longo dos muitos anos, aprendi que ser professor não é fácil porque, para além do domínio das matérias que tem de leccionar, ao professor são exigidas outras capacidades que vão muito para além disso.
Ser professor é uma profissão exigente de capacidades que, como é natural,  nem todos possuem. Por isso, ser bom professor não está ao alcance de qualquer licenciado, mesmo até dos melhores, pelo que ser professor não é uma alternativa a outra qualquer ocupação para os conhecimentos científicos que possuam. É, por isso, necessário que entre os disponíveis sejam escolhidos os mais aptos para formar os futuros profissionais que não são, necessariamente, altamente qualificados como agora é costume dizer-se, quando concluíram o seu curso superior! Devem estar, pela formação que receberam, bem preparados para o virem a ser.,
Não fui professor do nível de ensino em que este problema dos “exames dos professores” tem sido causa de uma enorme contestação dirigida por alguém que, ao que me dizem, talvez nem no exame de conhecimentos científicos já passasse, tão longo é já o seu afastamento da profissão. Mas ser professor tem um denominador comum, seja o nível de ensino qual for, e que é, para além de ensinar as matérias, despertar nos alunos as capacidades de compreensão e de criatividade que farão deles candidatos a profissionais competentes em vez de depósitos de conhecimentos mal alinhavados.
É por isto que o argumento de o Estado por em causa uma formação que já reconheceu, para dizer que o exame de admissão à profissão, digamos assim, não faz sentido, não passa de um argumento falacioso que cai bem nos oportunistas. Ensinar é mais do que debitar matéria, o que qualquer livro tranquilamente faria.
Então por que será que, havendo livros, existem professores? Para fazerem testes e exames? Seria muito pouco!
Aos professores compete fazer o que ainda não encontrei qualquer livro capaz de fazer: ensinar a pensar e a utilizar com inteligência os conhecimentos que adquiriram.
É por isso que aqueles exames tão criticados pelos patrões da FENPROF, exames que avaliam as capacidades de compreensão e de interpretação em vez dos conhecimentos científicos que já foram objecto de avaliação nas escolas em que receberam formação, são os que, realmente, podem testar a capacidade de alguém para ensinar.
Os resultados dos exames que, recentemente, tiveram lugar, dão uma medida pouco abonatória da capacidade média dos nossos professores do ensino secundário.
Divulgados nesta segunda-feira, revelam que cerca de 15% não possuem aptidões para ensinar, não indo a média das classificações dos aprovados, numa escala de 1 a 100, além de um pouco meritório 63,3%!
Cada qual que tire as suas conclusões!