ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

DIA DO NÃO FUMADOR


Depois de dezenas de anos a fumar, passei a ser um não fumador que se não cansa de recomendar aos que fumem que deixem de fumar!
À maneira do que a anedota conta daquele escocês que não fazia amor porque, dizia, “a posição é ridícula, o prazer é efémero e sai caro”, é fácil dar conta do ridículo que é andar pela rua pendurado num cigarro, ver uma boca que parece uma chaminé, como é desagradável um bafo que cheira a tabaco e não será preciso fazer muitas contas para verificar quão caro sai.
Mas o mais importante de tudo é, sem qualquer dúvida, o mau que é para a saúde a satisfação de um prazer efémero que é das maiores causas de morte em Portugal.
Como deixar de fumar? Pensando em tudo isto, no mal que a nós próprios fazemos e no ridículo que é depender de um vício caro e que nos obriga à figura ridícula de dele andar pendurado!
Fui ao médico que me receitou um medicamento que, fui avisado, não substituiria a força de vontade de que necessitaria para deixar de fumar. O que desagradou profundamente ao meu espírito de contradição.
Tomei religiosamente o medicamento, mas fumei sempre que me apetecia enquanto ia olhando para outros fumadores cuja figura me não agradava.
Um dia, pouco mais ou menos um mês depois, deixei de fumar a olhar para aquele cigarro que, sem qualquer razão válida de ser, estupidamente ia meter na boca.
Diria até que criei uma autêntica aversão a este vício mortal que, mesmo mais de dez anos depois, ainda me cria algum desconforto.


PATRIOTISMOS DE ALGIBEIRA


São tantas e tamanhas as trapaças que por aí acontecem, desde o BPN ao BES, aos Vistos Gold e outras ainda, que mais parecem uma maldição que os deuses do Olimpo lançaram sobre este país de uns tantos oportunistas e de muitos trouxas que bem justificam que se diga que “em terra de cegos quem tem um olho é rei”!
Nunca será demais reconhecer que pertenço ao grupo dos trouxas, dos que esperavam que, um dia, alguém retirasse a mordaça que impedia que mentes brilhantes se expressassem e partisse as amarras que tolhiam a criatividade de tantos génios que poderiam fazer de Portugal um exemplo para a Europa e para o mundo. Era o meu sonho de acabar com a opressão de um povo que só por muito esforço e trabalho podia sobreviver e progredir.
Tinha-me esquecido do que antes acontecera, da rebaldaria que este país de republicanos fora nas lutas constantes pelo poder que o colocaram pelas ruas da amargura. Porque não vivi esses tempos nem deles claramente me falava a História que me foram impingindo, não os avaliei devidamente nem deles pude deduzir o tamanho dos estragos que as castas sedentas de poder podem fazer na vida de todos nós.
A Revolução de Abril tirou mordaças, partiu amarras mas, com isso, pouco mais libertou, se alguma coisa mais, do que o oportunismo dos que mais cedo acordaram e apanharam todos os demais ainda a dormir o sono dos justos que o Estado Novo lhes induziu. Disso se aproveitaram para se fazerem senhores e acumularem riquezas, para se aclamarem os novos reis e ganharem poder mas que, afinal, o tempo acaba por mostrar o que, realmente, são, pois não conseguiram passar do que, exactamente, antes eram.
O que agora acontece não passará da versão moderna dos oportunismos e das ambições de outrora, mas desta vez sem os rasgos de idealismo que, então, um ou outro bem intencionado ainda revelava.
Vejo-o na sucessão de “operações” que não param de acontecer, desde “Alcochete” ao “apito dourado”, da “face oculta” ao “labirinto” e tantos outros onde a corrupção e os demais crimes que, habitualmente, a acompanham são a razão de ser maior de uma certa classe, até agora bem sucedida, que a revolução consentiu que ganhasse um estatuto de gente de bem que, afinal, não é.
Alguns começam a ser condenados. Apenas uns poucos ao pé dos muitos que as malhas de uma Justiça temerosa já deixou passar.
Veremos por quanto mais tempo ainda teremos a paciência ou a estupidez de esperar pelos milagres que nos prometem, antes de nos apercebermos de que será, mesmo e apenas, com muito esforço e trabalho que poderemos sobreviver e progredir.
Repete-se o drama e, com ele, a condenação de mais uma travessia do deserto, sem um bilha de água fresca que seja porque a que havia se partiu. E não há Santo António que a conserte!


sábado, 15 de novembro de 2014

VAI O PROBLEMA DA LEGIONELLA DESEMBOCAR NO BECO DOS MISTÉRIOS E DA FANTASIA!


Depois de mais de 300 infectados e de, pelo menos, 7 mortos confirmados como vítimas da infecção pulmonar provocada por uma bactéria conhecida por “legionella”, é natural que se deseje saber qual foi a origem deste forte surto que aconteceu e, pela sua amplitude, ocupa já, na História do Mundo, um lugar de destaque.
Rapidamente o surto se tornou o quarto maior de todos os tempos em todo o mundo mas, passados poucos dias, passou para terceiro, havendo a esperança de que daí não passe, agora que parece reconhecida a sua causa.
As observações geográficas e as análises laboratoriais feitas levam a crer tratar-se de um foco de legionella situado nas torres de refrigeração da empresa Adubos de Portugal onde terão sido encontradas grandes concentrações da bactéria. Mas, segundo a administração da empresa, não é verdade que não tenham sido feitas inspecções depois de 2012. Foram e controladas por laboratórios acreditados e, quanto a legionella, deram negativos!!!
Pelo que li na comunicação social, a empresa emitiu um comunicado em que pode ler-se:
"1. A ADP Fertilizantes cumpre de forma rigorosa a lei e as recomendações decorrentes da sua licença ambiental.
2. Ao contrário do que diz a edição do Expresso de 15 de novembro de 2012 - "Adubos de Portugal sem inspeção à legionela de 2012 - a fábrica suspeita de contaminar mais de 300 pessoas não fazia testes há dois anos"-, desde 2012, respeitando as melhores técnicas disponíveis para este tipo de indústria, foram realizadas por laboratórios acreditados cinco análises de despistagem de legionela nas torres de arrefecimento da fábrica de Alverca e todas revelaram resultados negativos. 
3. As autoridades foram informadas dos valores apurados."
Mas, conforme consta em resultado das análises agora feitas, a legionella estava lá e, como os factos o comprovam, o surto que alguma causa fez acontecer e vitimou muita gente aconteceu realmente e numa zona geograficamente compatível com a dispersão que a partir daquelas torres aconteça.
Na Ciência, as questões não se resolvem com comunicados nem com as perplexidades que de controvérsias possam resultar. 
É estranho que inspecções tenham mostrado que não há focos de legionella em locais onde outras agora mostraram haver. Tal como a razão nos diz que um violento surto de infecções não acontece por coisa nenhuma!
Coisas inexplicáveis que se encaixam bem na definição de milagre…
Talvez por isso seja melhor começar a procurar alguém para santificar porque para condenar vai ser difícil, apesar de a sociedade ter o direito ao esclarecimento sobre o que se passou e os trabalhadores das indústrias com torres de refrigeração encerradas por precaução exigirem, através da federação de sindicatos que representam a indústria química, "medidas imediatas de protecção da saúde dos trabalhadores e das populações".

NOTA:Uma notícia de hoje dá conta de que o Ministro Paulo de Macedo informou que a bactéria encontrada na principal torre de refrigeração suspeita coincide com a que provocou a doença nas pessoas afectadas.
O Director-Geral de Saúde, por sua vez, informou que o processo foi entregue na Procuradoria-Geral da República, pelo que se encontra em segredo de justiça que não consente que seja identificada a empresa considerada responsável pela origem do surto.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

“LUXEMBURGO LEAKS”


É bem conhecido aquele ditado “quem cabritos vende mas cabras não tem…”, o qual sempre me pareceu muito bem adequado ao Luxemburgo, um pequeno ducado com uma população de pouco mais de meio milhão de habitantes, uma superfície de cerca de 2.500 Km2 e sem recursos naturais de valor que justifiquem a riqueza que o faz o país com o rendimento per capita mais elevado do mundo.
O seu sector financeiro, muito forte, é um refúgio para muitas empresas de todo o mundo que ali fazem acordos fiscais secretos que lhes permitem poupar nos impostos nos respectivos países, como uma grande investigação jornalística recentemente apurou, o que faz do Luxemburgo, um país da União Europeia e da Zona Euro, um paraíso fiscal secreto que, por ser assim, não respeita as regras que todos os membros devem respeitar, com isso prejudicando os seus parceiros.
Serão mais de 300 as empresas que se aproveitam desses acordos, algumas das quais operam em Portugal, pelo que a Direcção de Serviços de Investigação da Fraude e de Ações Especiais tem sob investigação as empresas portuguesas com sucursais no Luxemburgo, as quais podem estar a beneficiar de tais acordos secretos e que possam estar a beneficiar do pagamento de taxas de impostos reduzidas, em alguns casos de apenas 1%.
Mas, na Europa, não será apenas o Luxemburgo que se presta a tais fugas que prejudicam as economias de outros países europeus, entre os quais Portugal.
Curiosamente, é um ex-primeiro ministro do Luxemburgo, aquele sobre o qual recaem as suspeitas dos acordos secretos que prejudicam as finanças de outros países europeus, o escolhido para suceder a Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia!


AS INCERTEZAS DO ORÇAMENTO


Falar no orçamento do Estado está na ordem do dia. Acerca dele se dizem as coisas mais díspares. Que é bom e que é mau, que é de execução impossível ou problemática e, para lá de tudo isto, que está contra todos, até o FMI, a Comissão Europeia, a OCDE e eu sei lá mais quem que têm outras ideias acerca do que venham a ser o crescimento económico, as receitas dos impostos, os custos da administração e outros parâmetros que são os que permitem fazer uma previsão do que possa acontecer. Porque um orçamento não é mais do que isso.
E pelo que leio nas redes sociais e na Comunicação Social e oiço nos comentários que se fazem seja onde for, todos têm as suas ideias, menos eu que nenhuma faço do que, brevemente, possa acontecer.
Creio que nunca um orçamento terá sido tão difícil de fazer como este que em quase tudo depende de coisas que aconteçam um pouco por todo o mundo e sobre as quais não temos qualquer controlo.
Aliás, temos controlo sobre o que ou a certeza de que?
Saberemos nós se na próxima semana se iniciará uma guerra violenta na Ucrânia que os tanques de Putin mais uma vez terão invadido?
Quantos mais escândalos financeiros ainda irão acontecer em Portugal ou por esse mundo fora?
Irá, por milagre, reanimar-se a economia europeia e a de outros países que nos compram o que produzimos?
Não me parece que, tal como as coisas estão, possamos ter a certeza seja do que for e, por isso, não sei como, nestas condições, será possível fazer previsões seguras. Melhor, a única certeza que tenho é que, mal o poder de compra melhora um pouco, aumentam em cerca de 30% as compras de automóveis novos e as importações depressa se tornam o triplo das importações. Esta é a maior certeza da economia de consumo.
Muitos realçam e criticam as rectificações que os últimos orçamentos têm sofrido, assacando ao Governo as responsabilidades de tal, por incompetência.
Eu penso que não é assim e fico a pensar qual será o comandante que, no meio de uma tempestade utiliza o “piloto automático” em vez de proceder, ele próprio, às manobras oportunas que as circunstâncias lhe façam ver serem necessárias, para manter a sua nave em segurança.
Há muito que me não dou conta de orçamentos que não precisem de ser ajustados, tal como este que vai ser aprovado, mais do que certamente, vai necessitar.
Então, por que andarão certos políticos a querer-nos fazer crer que não seria assim se fossem eles a faze-lo se irão, por certo, fazer o mesmo?
Ou será que nos querem deixar entregues à sorte que pode afundar o barco de vez?


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A BOA NOVA!


 “O presidente da Câmara de Lisboa e futuro líder do PS, António Costa, não definiu uma data para a reposição dos salários dos funcionários públicos. Apesar de ter manifestado já por mais de uma vez essa intenção, na entrevista concedida esta quarta-feira à RTP, António Costa apenas disse que, caso venha a liderar o próximo Governo, o fará “tão cedo quanto possível””.
Uma notícia que hoje li, tal como muitos leram. Para mim, esta declaração só tem de novo o atraso de um entendimento que Costa revelou ter sobre a decisão do Tribunal Constitucional pela qual a reposição deveria ser feita em 2016. Para além disso, nada tem de novo perante o que o Governo diz o Governo nos seus propósitos para anos futuros.
Para muitos, as declarações de Costa serão o grito da esperança que parecia já perdida, por isso a determinação numa mudança que todos esperam providencial. Que eu também gostaria que fosse, mas que não acredito que seja.
Não vejo, pois, na promessa de António Costa mais do que o eleitoralismo leve a dizer, tal como não vejo que possa ser curto o tempo para que Costa ou o Governo possam devolver os cortes feitos, parecendo-me mais prudente, em face do longo prazo que nem sei quão longo será, não insistir em fantasias que a realidade, de todo, não suporta.
Perante esta “boa nova” que António Costa nos trás, continuo sem encontrar mais nada que me diga que seja de esperar ver consertada a “bilha”, tal como outro António, também de Lisboa um dia fez.


MAIS UM GRANDE PASSO PARA A HUMANIDADE


Depois de, ao longo de 10 anos, percorrer 500 milhões de quilómetros ao longo de uma trajectória que deu 3 voltas ao Sol, a sonda Rosetta lançou a módulo Phillae sobre a cabeça do cometa Tchouri onde, depois de alguns estremeções parece ter-se estabilizado.
As fixações previstas para a ligar ao cometa não funcionaram e, por isso, o módulo está simplesmente poisado, graças a uma pequeníssima força de gravidade que transforma os seus cerca de 100 kg em Terra em apenas cerca de 3 gramas. Espera-se que assim se possa manter e cumprir a tarefa de fornecer informação que permita avançar no conhecimento de como se formou a Terra.
O cometa foi descoberto em Setembro de 1961 pelos astrólogos Tchourioumov-Guérassimenko, tem uma forma oblonga cuja maior dimensão pouco ultrapassa 4 quilómetros e uma massa volúmica de 400Kg/m3 o que é menos de metade da massa volúmica da água.
Tem uma trajectória muito extensa, tendo-se verificado que seria impossível a sua observação antes de 1840 em consequência da distância excessiva a que, antes, se encontrava.
A Agência Espacial Europeia já divulgou as primeiras fotografias enviadas pelo módulo a partir do cometa, como pode ser visto em http://www.esa.int/ESA.
Se o primeiro passo na Lua foi, para Armstrong, "um pequeno passo para o Homem mas um passo gigantesco para a Humanidade", este foi um passo ainda maior, ainda que muito pequeno perante a imensidão do Universo do qual continuamos ainda a conhecer quase nada.
A ida do Homem à Lua aconteceu em 1969, oito anos depois de descoberto o cometa onde agora, 45 anos depois, aterrou o módulo Phillae.
É lenta, muito lenta, a conquista do Espaço no qual, apesar de todos os êxitos já conseguidos, ainda não percorremos mais do que uma pequeníssima distância.

Nota: A Agência Espacial Europeia é uma organização intergovernamental para exploração do espaço, da qual fazem parte Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Polónia, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suiça.
 A base de lançamento de foguetes da Agência é o Centro Espacial de Kourou na Guiana Francesa.