ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

PARADOXOS DA “ALDEIA GLOBAL”


Num mundo onde as fronteiras fazem cada vez menos sentido porque nenhum dos grandes problemas da Humanidade as respeita, os políticos continuam a fingir que as dominam e os economistas julgam ser macroeconomia a que ignora o meio mundo onde, em vez de viver, se vegeta.
Mas os grandes problemas que a Humanidade enfrenta não se podem confinar, sejam os ambientais, os sociais, os radicalistas ou a crise financeira que, qual epidemia, alastram a todo o mundo, porque eles atravessam todas as fronteiras, sejam elas quais sejam.
É por isso que me confunde a ideia de acreditar no pensamento político redutor que crê poder resolver os problemas do país à revelia dos problemas do mundo.
O chavão “bolsos cheios em vez de cofres cheios” é o paradoxo maior na ideia de reanimar o Estado Social que se não sustenta com cofres vazios, porque é um requisito liberal que no socialismo não se encaixa.
Por isso, o programa socialista de António Costa que um liberal imaginou e coordenou não é mais do que isso, a ilusão de podermos gastar sem preocupações quando a contenção e a solidariedade são as atitudes certas para ultrapassar a austeridade que a exiguidade de dimensão mundial impõe.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

UM PLANETA CADA VEZ MENOS AZUL


Há alguns dias tive a oportunidade de conversar um pouco com um economista, também jornalista bem conhecido pelos seus programas sobre economia num canal de TV, que me pareceu bastante céptico àcerca de “estas coisas das alterações climáticas” que, pensava, não passariam de aproveitamentos que alguns fariam de fenómenos naturais, com propósitos interesseiros, citando um nome ou outro entre os que mais se têm notabilizado no combate ao que, com origem na actividade humana, dizem ter influência no “aquecimento global”. 
Não me surpreendeu muito esta posição comum a quase todos os economistas em cujas teorias a escassez permanente e os efeitos nefastos e insalubres do crescimento económico contínuo não encaixam.
É visível, na vasta literatura sobre este assunto, uma conversa de surdos entre “cientistas” que desvalorizam factos e circunstâncias e outros que eles dizem serem pagos para os empolar. É evidente o aproveitamento que é feito de uma realidade cuja influência perigosa na vida da Humanidade que, por interesses diversos, se desvaloriza ou se sobrevaloriza.
Mas a realidade deixa poucas dúvidas quando, cientificamente, se comprova um aquecimento global que facilmente se relaciona com o aumento da concentração dos gases de estufa na atmosfera, dos quais conhecemos bem as origens.
Mas é natural que, em certos casos, se enfatizem excessivamente certos aspectos negativos, porventura para chamar a atenção para um problema grave que é, sem dúvida, a alteração ambiental que o aquecimento global provoca e pode atingir níveis dificilmente suportáveis pelo Ser Humano.
Porque o assunto é muito sério e é urgente considerá-lo nos planos que fizermos para o futuro, é fundamental não confundir a realidade com os aproveitamentos egoístas que dela se façam.


SALVEM O MUNDO!


Recordo-me daquela história bíblica em que um pai moribundo chamou para junto de si os seus filhos, aos quais pediu que lhe trouxessem um molho de vides. Pediu a cada um deles que partisse um ramo e todos foram capazes de o partir. Depois perguntou qual seria capaz de partir o molho inteiro. E nenhum teve força bastante para o fazer! Foi esta a lição que um pai, preocupado com os filhos que deixava neste mundo, entendeu ser a melhor para mostrar como a UNIÃO FAZ A FORÇA!
Mas também me lembro da história real, assaz recente, de quando, nos Estados unidos da América, competia ao Exército, à Marinha e à Força Aérea, à vez, fazerem as suas tentativas de lançamento de foguetões espaciais, no que falhavam uma após outra, enquanto a União Soviética lançava no Espaço o seu Sputnik que as todos espantou!
Depois, decidiu o governo americano juntar todos e criar a NASA que, antes de mais ninguém, conseguiu o feito inacreditável de colocar o Homem na Lua e, assim, dar aquele "pequeno passo para o Homem mas enorme para a Humanidade".
E agora que, finalmente, tantos já sentem grandes preocupações pelo que se passa no mundo em que vivemos e onde tantos factos e indícios nos fazem temer os problemas sérios que o futuro nos pode trazer, a par de outros que, no seu egoísmo não dão ou fingem não dar conta do que possa acontecer, cada qual se agarra à sua causa, aquela que, porventura, mais o sensibiliza ou, por qualquer razão, resolveu adoptar.
Mas neste mundo cada vez mais hipócrita onde “ser Charlie” trás mais proveitos do que “ser humano”, não se salvam as baleias, as árvores, os ursos polares ou seja o que for de per si.
Apenas a vontade de todos pode salvar a Humanidade, respeitando a casa única que Ela tem para viver, poderá surtir o efeito de evitar a extinção que, por culpa de todos nós, parece aproximar-se a passos que a nossa indiferença apressa.


sábado, 25 de abril de 2015

41 ANOS DEPOIS


Apanhou-me a meio da minha vida a “revolução” que hoje, pouco mais do que como uma desobriga, se comemora.
Não vejo o entusiasmo que a tanta gente fez acreditar nos méritos infalíveis da liberdade sem limites, esmoreceu a inspiração das cantigas de intervenção que, a uns, limpavam a consciência dos tempos que viveram e, a outros, mantinha aceso o espírito que aguentava a revolução. Calaram-se os discursos inflamados que prometiam o céu para todos e, depois de todo este tempo, não vejo mais do que um país já por três vezes resgatado e a viver, ainda, a austeridade que os excessos praticados lhe impuseram, com mais de metade do seu escasso solo abandonado, entregue à sorte de uma intensa desertificação que despreza recursos que outrora foram o ganha pão de muita gente.
Vejo um país lutar contra o fantasma da incerteza que coloca na alternância democrática a esperança de uma melhoria que apenas da mudança de hábitos, de atitudes e de leis pode resultar, se conformados com a evolução de uma realidade que as ambições políticas geradas se recusam a reconhecer.
Continua a ser exaltado um acontecimento sem avaliar as consequências das decisões que, em nome dele, foram tomadas, como se sacrilégio fosse reconhecer os erros cometidos e uma “inquisição” houvesse que não permite adaptar as decisões tomadas às circunstâncias que o tempo inexoravelmente faz diferentes.
Gostava de sentir o mesmo entusiasmo de então, pois tal significaria haver razões para festejar o que a “revolução” não foi capaz de gerar, a cultura democrática da qual, infelizmente, estamos ainda distantes. 


sexta-feira, 24 de abril de 2015

NUNCA DÁ BOM RESULTADO QUANDO SE DEIXA A ESTUPIDEZ VOAR...


Há cerca de quarenta anos, quando a Junta de Salvação Nacional “governava” este país, não eram raras as divergências que aconteciam nas suas reuniões pois dificilmente se chegava a acordo sobre algumas matérias bastante delicadas. As visões mais românticas, aquelas mais ditadas pelo coração do que pela razão, seriam as dominantes e, se deixadas “voar”, nem sempre o resultado seria um final feliz.
Um dia, numa dessas reuniões, dois desavindos estariam prestes a atingir um plano de confronto em que até já se falaria em utilização de meios militares.
Foi então que o incontornável Almirante Pinheiro de Azevedo interveio e propôs que se fizesse um ponto de situação, com o que todos concordaram. E o velho Almirante perguntou, a um e a outro dos desavindos “olha lá, assim em 24 horas quantas G3 tu conseguirias ter do teu lado?”.
Ambos responderam e o Almirante deu a “vitória” ao que disse conseguir arranjar mais!
Uma boa gargalhada se seguiu a esta intervenção que a todos mostrou o ridículo da coisa e tudo, depois, correu bem e os problemas puderam ser analisados com a cabeça apenas.
Ficou demonstrado que tudo resulta melhor quando se não deixa a estupidez voar.
Eu acho esta maneira excelente para resolver conflitos em vez de andar por aí a fazer mal às pessoas, a estragar-lhes a vida, seja em guerras que matam e estropiam tantos inocentes seja em greves que tramam a vida e causam problemas sérios a tanta gente.
Por exemplo, no caso da TAP em que me parece que o sindicato pôs o piloto automático programado para o desastre (o que parece querer tornar-se moda), ao mesmo tempo que se diz que são cada vez mais os pilotos que discordam da greve e se propõem trabalhar, seria de fazer, também, o ponto da situação.
O sindicato diz que a greve terá uma adesão de 90% que é, francamente, mais do que os 50% que se diz dela já se terem desvinculado.
Acho que devia passar à História que ganhou o sindicato e a TAP seguiria o seu curso normal, voando normalmente e sem causar problemas a ninguém. Simplesmente!
Porque quanto a participação no capital social da empresa em caso de privatização e outras coisas mais, estamos conversados, não há nada para ninguém. Como pode não haver se a brincadeira continuar e a TAP ficar vazia de vez!




quinta-feira, 23 de abril de 2015

UM DESABAFO


É uma verdade inegável que nunca fui um apreciador das qualidades de Mário Soares, agora ou fosse quando fosse. Mesmo quando participei naquela manifestação na Alameda D Afonso Henriques, em tempos que faziam perigar o futuro da “liberdade” do nosso país, com perigo de substituição de uma ditadura por outra mais dura ainda!
Mas não vem, agora, ao caso ir por aqui.
Tantas vezes critiquei e critico certas atitudes que Mário Soares toma, sobretudo agora que, notoriamente diminuído, diz e escreve coisas de bradar aos céus, teorias e certezas que parecem tiradas de papeis guardados numa arca velha onde traças deles se alimentam.
Por uma condição inelutável do Ser Humano, há um tempo para sair da cena em que fomos influentes, para abandonar as lutas que até dirigimos e é a temperança a atitude que nos defende das incapacidades que, com o tempo, sempre acabam por chegar.
Quando tal não acontece, são inevitáveis factos que não podem deixar de prender a minha atenção, como a de tanta gente. E nem todos reagem do mesmo modo. É uma questão de sensibilidade e de valoração quanto à sua importância na nossa vida em comum, tão comum como nunca antes fora, pois jamais a Humanidade esteve tão unida no destino que as circunstâncias lhe destinam.
Digo assim porque já me não parece o Homem capaz de controlar o monstro feroz que criou, esta civilização que ainda se não deu conta de que, na sua ânsia de crescimento económico contínuo, está a destruir o Ambiente que sustenta a sua vida.
Quanto a Soares, apesar do desagrado que a maioria das suas crónicas domingueiras me causa, nunca foi nem será minha intenção agredi-lo na sua dignidade de Ser Humano, contribuir para uma exposição que me incomoda pela demência que já revela e à qual o tempo acaba por não poupar alguém a quem a vida permita chegar tão longe.
Por isso repudio os excessos que algo que eu publiquei possa ter causado, como aponto o dedo aos que lhe facultam as condições para se expor e aos familiares que não o resguardam de certos ridículos a que se presta, porque não evitam o seu aproveitamento vil, seja pelos jornais, pelas rádios ou pelas televisões, porque Soares, goste-se ou não dele, tem direito a um recato digno. Como qualquer de nós.
Mas se continuar a dizer o que diz… não poderei calar a minha indignação nem deixar de tentar minorar os efeitos que possa causar em tantas cabecinhas tontas que, com isso, os certos demagogos ávidos de poder querem manipular.
Faz-se este aproveitamento dos ditadores quando já não servem para mais do que ser um símbolo, debotado e roto que, sem piedade e a bem do regime, se manipula. 
Soares não é um ditador. Será, apenas, um "democrata à sua maneira". Por isso, não lhe façam isto!


quarta-feira, 22 de abril de 2015

DIA DA TERRA. UM TOQUE A REBATE


Criado em 1970 pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, o Dia da Terra tem como objectivo criar uma consciência alargada dos problemas graves que este Planeta enfrenta em consequência do modo de vida que a nossa civilização predadora instituiu, desta economia que tem de ser esbanjadora para sobreviver.
Inicialmente eram os problemas da poluição e das agressões á biodiversidade os que mais preocupavam.
Desde então, diversas outras acrescentaram o rol das nossas preocupações que os nossos economistas teimam em não ver, como se os recursos naturais fossem infinitos e a capacidade de regeneração ambiental quase instantânea. São o acréscimo das radiações UV que atingem a Terra, os resíduos plásticos, os resíduos tóxicos, a exaustão de recursos, as alterações climáticas e outros.
Este ano o tema de reflexão é o Aquecimento Global cujas consequências serão, certamente, mais sérias do que imaginamos se o aumento da temperatura média ultrapassar os 2ºc a 3ºC que provocarão problemas muito graves.
Para além de derretimentos intensos de geleiras e da neve que cobre as altas montanhas, a continuação do aquecimento intensificará a desertificação, provocará graves problemas na agricultura, causará epidemias, obrigará a migrações maciças, para além de mil e um desastres ambientais difíceis ou impossíveis de controlar.
Apesar das múltiplas cimeiras e protocolos, nada parece evoluir como as circunstâncias recomendariam e, por isso, a possibilidade de sérios desastres é cada vez maior.
É certo que há quem se sirva desta realidade para lhe dar formas ainda mais alarmistas das quais procura tirar proveitos. Mas não devemos confundir a realidade com o mau aproveitamento que dela se faça.
Importante é ter consciência de que a Terra é a nossa única casa e que todos temos de nos comprometer no esforço para a manter saudável e em condições de nela podermos viver.