ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

ONDE GUARDAR O DINHEIRO, NO BOLSO OU NO COFRE?


É óbvia a falta de jeito da ministra das finanças em certos discursos que faz. Mais ingenuidade, talvez, que alimenta especulações maldosas como a que o oportunismo pôs a circular no chavão “cofres cheios mas bolsos vazios”.
Foram os cofres cheios que a “revolução” encontrou, com base no que julgou poder gastar sofregamente. E gastou, até que, por uma primeira vez, da bancarrota se salvou com um resgate do FMI.
O “apertar o cinto” foi a palavra de ordem de Mário Soares, a austeridade de então que hoje os socialistas de hoje esquecem, a austeridade que obrigou a meter o socialismo na gaveta onde, parece, ficou esquecido.
Era o primeiro sinal da insustentabilidade de um socialismo que não reparte o que tem, como seria próprio da solidariedade que apregoa, mas gasta o que não consegue repor, na esperança de que “os ricos paguem a crise”!
Não leram bem o que Marx escreveu, com certeza. Não repararam no raciocínio distorcido que conduzia ao fosso cada vez maior com o qual a sociedade se repartiria entre patrões cada vez mais ricos e trabalhadores cada vez mais pobres, mas que a realidade mostra ser mais a diferença entre empresários que têm de arriscar cada vez mais e os “trabalhadores” a quem as “conquistas” garantem a segurança que é própria da condição de funcionários públicos e de que resultam estes resultados que nos deixam mais pobres e mais mal servidos.
Conforme o boletim trimestral da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, o Sector Empresarial do Estado chegou a Dezembro de 2014 com perdas de 1173 milhões de euros, valor praticamente duplo do que se diz ser necessário cortar nas pensões para equilibrar as contas da Segurança Social.
Opondo-se às privatizações que nos livrariam deste pesadelo, parece-me ser no "cofre do prejuízo" que muita gente julga preferível guardar o dinheiro!



sábado, 6 de junho de 2015

O TECTO DA DÍVIDA


Se é uma exigência da União Europeia, no grupo do euro a que pertencemos, que o défice tenha um limite, por que não haverá de a Constituição Portuguesa fixar, também, um que seja condizente?
Se a maioria o aceita como um objectivo essencial para a segurança da estabilidade futura, qual será a razão pela qual o PS o não aceita? Apenas posso encontrar uma que justifique tal atitude, a de o PS não o querer respeitar como, muito presumivelmente, o não respeitará com o programa de governo que apresentou, no qual a rubrica “árvore das patacas” é, ainda que dissimulada, dominante.
Enquanto A “socialista” Elisa Ferreira prenuncia a derrocada do euro por causa da austeridade, Obama reconhece a necessidade urgente de travar as consequências do aquecimento global que os excessos do crescimento económico provocam e o Painel Inter-Governamental para as Alterações Climáticas prevê sérias dificuldades para evitar o aumento de temperatura média que trará mais fome, provocará mais inundações e deixará muito mais gente sem-abrigo.
É isto que não entendo neste “socialismo” predador que não consegue realizar-se sem os gastos inúteis da sumptuosidade, dos direitos sem deveres e da corrupção sem culpados!
Quando será que entende que o passo não pode exceder, sem más consequências, aquilo que as pernas consentem?

Será uma nova fase de esbanjamento a que se irá viver se não for o povo a exigir uma governação cuidada que não faça inúteis os sacrifícios vividos para recuperar o país dos desmandos de um “socialismo” que o não é, aquele que, como disse Margareth Tatcher, apenas dura enquanto dura o dinheiro dos outros.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

DEVAGAR QUE TENHO PRESSA!


Muitas são as formas de dizer que fazer bem leva o seu tempo ou que a pressa provoca erros que, depois, temos de corrigir.
Que “as cadelas apressadas parem os cachorros cegos” e outras formas de o dizer ouvem-se por aí, mas nenhuma me soa tão bem nem me parece tão sábia como o velhíssimo adágio “devagar que tenho pressa” com que já os meus avós me chamavam a atenção para o tempo necessário para fazer bem as coisas, os mesmos que me ensinaram que “não é por muito madrugar que amanhece mais cedo”.
E foi o que transpareceu da apresentação que ontem ouvi das linhas gerais do programa com que a “Coligação” se apresentará nas próximas eleições que, pelo que a muita gente pareceu, chegaram a ter um indiscutível vencedor antecipado, alguém que, esperava-se, depressa nos reconduziria ao caminho da “abastança” que nos levou ao inferno.
Mas o tempo é o grande sábio, aquele que nos mostra a verdade que, sempre e a seu tempo, acaba por ver a luz do dia.
Como toda a gente já notou, não diferem significativamente os objectivos que as duas maiores forças políticas se propõem alcançar. Diferem um pouco em alguns dos caminhos escolhidos, mas diferem, sobretudo, nos tempos em que planeiam atingir as metas definidas.
É aqui que a questão se coloca, aquela lição que a vida a todos já deu, a de que fazer bem leva o seu tempo e nos diz que o bom caminhar se faz com o cuidado de não tropeçar, em vez dos saltos que, o passado mostrou também, provocam quedas que são sempre dolorosas.
É a diferença entre chegar ao destino abrindo caminho seguro na selva que atravessamos ou expor-se aos acidentes que a precipitação provoca, cair no buraco que se não viu, embater contra a barreira que não se pode evitar...

terça-feira, 2 de junho de 2015

ENTRE AUTO-ESTRADAS E CARREIROS DE CABRAS


Há dezenas de anos que a estrada N338 que liga os Piornos a Manteigas e se desenvolve ao longo da encosta leste do Vale Glaciar do Zêzere, se encontra em degradação continuada por falta de cuidados de manutenção e de adaptação das suas características às necessidades de tráfego que a beleza natural do maior vale glaciar da Europa certamente promoveria.
Desde há dezenas de anos que uma estrada desgastante e perigosa deixa Manteigas de fora dos circuitos turísticos principais da Serra da Estrela, privando-a do que seria a sua principal fonte de rendimento, o turismo, para além de outras amputações descaradas que uma frouxa administração local tem consentido ou, até quem sabe, interesses pessoais alguma vez encorajaram.
Propõe-se, agora, a EP “requalificar” uns 12 tortuosos quilómetros de estrada com uma repavimentação betuminosa, a reparação de alguns muros danificados e a limpeza de drenagens inferiores, com um plano de trabalhos com a duração de 4 meses!
É certo que não consentem as finanças nacionais devaneios em gastos inúteis, nem as circunstâncias e o bom senso justificariam ali mais do que a rectificação razoável do traçado e o alargamento da via de modo a torna-la facilmente acessível a certos tipos de viaturas que, agora, nela se não aventuram.
Mas o mesmo bom senso aconselharia a que se não malbaratasse um euro sequer numa mistificante obra de “requalificação” como a que a EP se propõe realizar e que em nada melhorará as deficientes condições de tráfego que manterão a “sede” do parque natural da Serra da Estrela em Seia e Manteigas fora do mapa!
É assim que a desertificação humana e económica do Interior de Portugal progride e o país empobrece no desperdício de muitos valores importantes que possui.
Mas diz o ditado que quem do seu não cuida o diabo o leva e não podem, por isso, os manteiguenses dizer-se vítimas do que, atempadamente, não cuidaram, deixando à sorte o que pudesse acontecer. E aconteceu!
Mesmo assim, é um caso imperdoável de medíocre capacidade de gestão, esta decisão de gastar dinheiro para não fazer o mínimo que as circunstâncias reclamam.


AFINAL... NEM TUDO O QUE PARECE É!


É natural que os que por preconceitos se não rejam, mas se decidam pela observação que façam das promessas eleitorais com que os candidatos ao poder pretendam captar o seu voto, iniciem o seu processo de observação que diversos factores irão influenciar. Alguns serão esclarecedores enquanto outros serão perturbadores como quase sempre o são os discursos de tantos que, em crónicas jornalísticas ou análises televisivas, mais não fazem do que esconder a sua incapacidade de fazer com a sua arte de arengar, exibindo dotes fantásticos de curandeiros em demonstrações de preocupação inútil como seria a de um médico para quem o mais importante fosse o calo no dedo mindinho de um doente em fase crítica.
Divide-se o problema em questões menores, como é natural e próprio das insuficiências de compreensão quando o caso não é simples. Mas esquece-se, depois, a síntese que perspective o resultado final de tantas soluções avulsas que se encontraram. É assim que se atamancam as coisas e se agudizam os problemas que, bem depressa, reclamarão novas e mais drásticas soluções.
É isto que me faz recordar, de novo, uma velha anedota que bem ilustra a questão.
Ao Joaquim, saiu-lhe a “sorte grande” e ficou rico. Logo a mulher lhe fez notar que teriam de passar a comportar-se como tal, pois os tempos de pé rapado já lá iam.
E nada como começar por cuidar do aspecto. E lá escolheu para o Joaquim o melhor alfaiate da cidade que lhe recomendou um tecido caríssimo e um modelo de fato que o faria parecer um doutor.
Tiradas as medidas, feitas as provas e bem pago o trabalho, feliz chega o Joaquim a casa para se mostrar à mulher que logo repara numa pequena ruga por cima do ombro esquerdo. Inaceitável!
E lá vai o Joaquim reclamar, pois não se tolera tal em serviço de tão alto preço.
Fez-lhe ver o mestre alfaiate que tal não era defeito. “Repare Sr Joaquim, como a ruga desaparece se baixar um pouco o ombro direito. Essa postura dar-lhe-á um ar de intelectual, como convém ao seu actual estatuto.
E lá vai o Joaquim mostrar à mulher como, afinal, as coisas são. O fato não tinha qualquer defeito. O corpo dele é que não era adequado ao nível que atingira!
Mas logo a mulher verificou que, em vez da ruga no ombro, outra aparecera nas costas. Tal ela não podia ignorar.
Mais uma ida ao alfaiate que logo arranjou uma explicação que se prendia com a sua especialização em vestir gente de alto nível, para quem não é o corpo que conta mas sim o modo como o fato cai.
Mais um jeito daqui, outro dali, até que se não enxerga a mais pequena ruga naquele maravilhoso fato.
Passeia-se o Joaquim por uma rua da cidade. Alguém reparou no seu belo fato e pensa: “há alfaiates muito bons. Um tipo todo empenado e o fato assenta-lhe como uma luva!”


segunda-feira, 1 de junho de 2015

UMA PRECE A SANTA RITA


Para os que acreditam na intermediação Divina, há santinhos aos quais se pode recorrer em todas as aflições!
Lembramo-nos de Santa Bárbara quando faz trovões, de S Pedro quando não chove ou chove demais, a Santa Luzia pedimos que nos conserve a visão, a S. Cristóvão que nos guarde nas viagens, a S Judas Tadeu ou a Sta Rita de Cássia dirigimos as nossas derradeiras preces quando as causas parecem perdidas…
Já os socialistas, para fazer a omelete, preferem contar com o ovo que a galinha ainda não pôs ou com sapatos de quem um dia será defunto para poderem andar calçados.
Uma vez mais mostram ser assim quando não é a autêntica solidariedade a razão de ser do socialismo que defendem, mas sim o aproveitamento, num programa de cariz liberal, das regras do capitalismo que condenam e a “crise” completamente desacreditou!
Os comunistas acreditam nos fantasmas que por aí vagueiam, quais almas penadas, no mundo devastado e mafioso que a sua prática gerou.
Mesmo materialistas, os bloquistas também não desdenham de milagres e depositam toda a sua esperança nos que S Syrisa possa fazer para que paguemos as dívidas sem prazo, sem os juros que os capitalistas teimam em exigir e, por que não, até nem as pagar!
Pelo PEV fala o PC.
O Pinto ainda não saiu da casca opaca do palavreado denso que não chega a dizer nada e a “maioria”, depois da inevitável austeridade a que as circunstâncias e um mundo cão nos obrigaram, parece não encontrar um caminho claro, uma solução global socialmente aceitável para um futuro que seja menos incerto.
Juntando a tudo isto um povo que voga ao sabor das marés, é, sem dúvida a Santa Rita, a santa dos impossíveis, que devo dirigir as minhas preces.

sábado, 30 de maio de 2015

OS ENGANADOS DO BES


De manifestação em manifestação, em romarias de queixas profundas mais do que justificadas para quem se sente espoliado das poupanças de toda uma vida por uma mentira pela qual alguém é, inevitavelmente, responsável, os “enganados do BES” desesperam por uma solução que, é para mim evidente, a Justiça Portuguesa lhes deve, com a brevidade que situações desesperadas exigem.
Procurar e punir duramente os responsáveis que me não parece serem assim tão difíceis de encontrar, deveria ser, também, prioridade de quem definiu a solução da qual saiu o Novo Banco que não deve ser o proveito que a ruína de outros produziu.
Da informação geral não transparece que alguma solução esteja a ser decidida neste caso que a informação disponível permite configurar como burla, atitude que tudo condena e não pode, por isso, passar sem castigo.
Não podem os “donos disto tudo” e os “arquitectos” do esquema enganoso pelo qual tanta gente foi lesada, sair sem custos pesados da tragédia que provocaram e é para mim um caso de solidariedade social que todos exijamos que sejam condenados.
Pode não ser possível distinguir entre os que foram ou não intencionalmente enganados, mas foram, com toda a certeza, enganados os clientes individuais que mais não desejavam do que ter o seu dinheiro protegido.
Uma solução terá de existir e condenações pesadas também.