ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

terça-feira, 30 de junho de 2015

SORTEIO OU NOMEAÇÕES NAS ARBITRAGENS?


Ontem, por fim, os clubes profissionais de futebol decidiram que desejam acabar com as nomeações dos árbitros e regressar ao sorteio como, desde há muito, o Sporting propõe.
Numa reunião que se dividiu por duas sessões, o resultado final da votação que foi de 28 votos a favor do sorteio contra 16 dos que o não queriam, não deixa dúvidas quanto ao desejo de acabar com as nomeações que a tantas polémicas têm dado aso, sobretudo pelos erros clamorosos ocorridos em jogos nos quais beneficiar uma das equipas pareceu ser o objectivo.
Curiosamente, pouco antes de conhecidos os resultados, ainda alguém afirmava na rádio que as nomeações se iriam manter, com uma certeza porventura igual àquela que teria o representante do Benfica que abandonou a reunião quando se apercebeu de que resultado da votação não seria o que desejava.
Mas enfim, até posso entender o desespero de alguém que vê fugir as vantagens que as nomeações lhe poderiam trazer! Ou votaria a favor delas por que?
Mas que um árbitro, para quem a tarefa é, simplesmente arbitrar segundo as leis do jogo sejam os contendores quais forem, se manifeste contra o sorteio, é coisa que já não dá bem para entender sem ter de considerar outros interesses quaisquer!
Então quais seriam as vantagens das nomeações quando o último jogo oficial da época, a Taça de Portugal, mostrou não ser a qualidade o critério que as orienta?  Ou será que esse critério se traduz na nomeação de um árbitro que desceu de “divisão” para o jogo mais decisivo da temporada?
Mas dizem os derrotados “atenção”, porque esta é uma escolha que ainda carece da ratificação da Federação Portuguesa de Futebol!
Esperarão eles que a FPF cometa a enormidade de contrariar o que os clubes, em grande maioria, decidiram?
Também era o que faltava para que o gato escondido não fique apenas com o rabo de fora…



segunda-feira, 29 de junho de 2015

OUTRAS “POLÍTICAS”, AS MESMAS "PROMESSAS"


Há outras políticas para além daquelas das quais mais se fala. E, em todas elas, o poder se alcança e conserva com “promessas” que, por via de regra, se não cumprem. Daí o valor da “alternância” sistemática da qual, decerto por incapacidade minha, ainda não consegui reconhecer o mérito.
No desporto também é assim. Mas há excepções!
Enquanto mais uma de muitas promessas eleitorais da actual Direcção do Sporting Clube de Portugal se cumpria, a do esclarecimento do seu passado recente, a AG histórica dos sportinguistas que ontem teve lugar tomou conhecimento, através de um vídeo com a duração de quase 20 minutos, de uma outra AG “histórica”, em 1994, na qual José Roquete prometeu, com o seu “projecto”, tirar o Sporting do estado “calamitoso” em que se encontrava – 600 mil euros de responsabilidades financeiras e um património valioso – para o transformar no maior clube de Portugal, da Europa, do mundo!!!
Foi Godinho Lopes quem, detalhadamente e com muitos números que previam "proveitos" estrondosos, explicou os pormenores de tal projecto grandioso que tornaria o Sporting arquimilionário mas que, afinal, tal como a realidade encontrada em 2013 o demonstrou, precisamente no final do mandato em que Godinho foi Presidente, o arruinou completamente!
Não se dignaram os senhores de outrora dar a sua participação directa no esclarecimento do que, pelo Sporting, haviam feito. Nem creio que de outro modo o venham a fazer porque, como é seu hábito, farão dos insultos a que já nos habituaram e a comunicação social pressurosamente acolhe, as suas razões, porque outras não possuem para justificar os clamorosos erros que cometeram e uma auditoria de gestão deixou, sem margem para dúvidas, bem claros.
Só não sei quem, para além dos comentadores deslumbrados por outras cores e da Comunicação Social comprometida nesta campanha dura e impiedosa contra o Sporting e, muito particularmente, contra o seu Presidente, lhes irá dar ouvidos, demonstrado que ficou ser a ruína do Clube a sua grande e realizada promessa.
Não sei o que dirão os outros apaniguados que se permitiram falar do que não sabiam, criticar aquilo de que não tinham conhecimento e, até, com o despudor e a leviandade própria dos que se julgam senhores da verdade e intocáveis, por em causa o próprio Sporting em tudo aquilo que, independentemente de paixões clubistas, todos têm de reconhecer que tem sido o seu valor social, a sua influência na sociedade portuguesa, a boa imagem que de Portugal tem dado no mundo e lhe merece a condição de ser reconhecido, sem qualquer favor, como Instituição de Utilidade Pública!


sábado, 27 de junho de 2015

E PILATOS LAVOU AS MÃOS …


Cristãos e não cristãos conhecem bem o episódio da condenação de Cristo, da qual Pilatos lavou as suas mãos pedindo ao povo que, entre ele e o ladrão Barrabás, tomasse a decisão sobre quem enviar para a morte.
Assim se propõe fazer Tsipras com a decisão de aceitar ou não as condições que lhe impõem para poder ter a ajuda financeira de que a Grécia urgentemente necessita.
Mas para além desta semelhança com a fraca personalidade do Governador romano da Judeia há mais de 2.000 anos, há uma questão maior que é a de se propor repetir, num referendo, a pergunta que fizera na campanha eleitoral que lhe deu uma vitória clara e fez de si Primeiro-Ministro do seu país.
Em função do mandato que lhe foi conferido, a resposta às propostas das “instituições”, às quais se recusa chamar Troika, só poderia ser NÃO pois, de outro modo, trairia os seus eleitores a quem prometeu o fim da austeridade.
Se nisso o apoiaram com uma maioria que não deixou dúvidas, que significará, de facto, o referendo que vai fazer?
O referendo que fizer só pode significar o falhanço completo do que prometeu e, por isso e independentemente do resultado que tiver, novas eleições serão a verdadeira resposta à atitude que quer tomar.
De facto, se a resposta for para aceitar, Tsipras deve renunciar ao seu cargo porque tal significará ter de gerir conforme uma política que não é a sua. Se a resposta for o “não” que a lógica faria esperar, Tsipras deverá renunciar também pela incapacidade que revelou para decidir em conformidade com o mandato que recebeu.
Seria assim se a lógica na política não fosse uma batata que antes de apodrecer grela...


OS MEUS RESPEITOS, MINHA SENHORA


Sou um óbvio crítico de Mário Soares cujas crónicas domingueiras me parecem prova das incapacidades que a velhice sempre trás e das quais um ex-presidente da República deveria ser preservado.
A idade não perdoa e cada um tem o seu tempo. Disso estou seguro porque também terei o meu. Basta ter vida para que tal aconteça.
Mas, por certo, tem Mário Soares méritos que o guindaram à suprema magistratura do país, quer com isso se concorde ou não.
Mas não é a vida de Mário Soares que hoje me preocupa mas a de sua mulher, Maria Barroso, a quem uma queda criou uma situação de enorme gravidade, dizem que, mesmo, irreversível.
Não seriam incompatibilidades de pensamento ou de ideologias que me fariam negar a Mário Soares a solidariedade que todos merecem em horas de grande dor, como será a que sente com o infortúnio de sua mulher.
Daqui desejo o melhor a uma senhora que merece o meu respeito e, se possível, o restabelecimento da sua saúde.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

QUANDO SE ZANGAM AS COMADRES


Mal vai quando tento entender certas coisas para as quais não encontro explicações que me deixem satisfeito nem tranquilo.
Tento entender algumas atitudes de “notáveis criaturas” quando deixam os “poleiros” de onde exibiam o bel-canto que, sobretudo aos próprios, deslumbrava. Não tanto aos outros, por certo, que os criticavam e tinham a presunção de cantar melhor do que eles.
São muitas as dissonâncias que causam, as birras que fazem, as mágoas que carpem e até, por vezes, parecerão estranhos os novos caminhos que trilham que um “pentecostes” serôdio lhes terá revelado como os que os levariam à glória.
E tudo quanto defendiam agora atacam com as ideias que passaram a ser as suas e nos “convertidos” alcançam uma força em que dificilmente se não crê, até que um dia se esbatem, recolhidos num qualquer lugar confortável onde pouco convém dar nas vistas.
É a “verdade” que os guia, o sentido do dever que os move, o bem do povo e do país que lhes pedem o sacrifício que fazem ao dizer mal do que já foram.
Nem vale a pena falar dos que perdem eleições e das vantagens que vencê-las sempre trás, porque me lembro mais agora dos que dentro dos seus próprios partidos perdem privilégios ou neles não conseguem a dominância que gostariam de ter. Sim, porque para além, sobretudo para além, das disputas eleitorais entre partidos, nas quais todos acabam a participar para fazer entrega do poder que nunca tiveram, outras há bem mais duras dentro dos próprios partidos onde ferozmente se disputam lugares ao sol, situações dominantes, lugares de chefia, lugares em listas e tantas coisas em que até tirar olhos parece ser atitude que se aceita.
Por isso os partidos são mais unidos e afinados na oposição e fora dos períodos que antecedem eleições, quando todos se unem para assaltar o “castelo” que desejam retomar. Depois, a guerra é outra.
De resto e por exemplo, têm ouvido algum comentador do PS que critique o seu partido?
E se fizer a mesma pergunta relativamente ao PSD? Por exemplo também. Obviamente...


quinta-feira, 25 de junho de 2015

UM DÓ LI TÁ… ACORDO SIM, ACORDO NÃO


É cada vez mais difícil imaginar um acordo entre Tsipras e os credores da Grécia aos quais, nas suas promessas eleitorais, garantiu não ceder às exigências.
Numa atitude que pretende conjugar as vantagens do isolacionismo com os benefícios da solidariedade internacional, os políticos do Syrisa esperariam um espírito de tábua rasa que esquecesse o seu passado e lhes estendesse a mão sem as contrapartidas que, como é natural, as ajudas sempre exigem.
De resto, como explicar, aos que o elegeram pela promessa de acabar com a austeridade, que é mais austeridade ainda o preço dos apoios financeiros de que, urgentemente, a Grécia necessita?
Como o explicar quando nem o seu próprio partido o não entende e não aceita, ameaçando inviabilizar tal solução no Parlamento?
Entendem-se, por isso, os avanços e recuos nas negociações que ora parecem estar quase fechadas ora parecem distantes de qualquer solução que evite a bancarrota que se aproxima a passos largos.
Mas, por maiores que sejam as razões que a solidariedade invoque em favor de um auxílio que um mínimo de humanidade reconhece como indispensável e urgente, não vejo como, sem mudar radicalmente as regras existentes e, mesmo até, esta economia predadora que muitos egoísmos mantêm, a Grécia poderá ser ajudada.
Encontre-se ou não um modo que permita à Grécia receber o dinheiro de que necessita, todos temos a quase certeza de não passar de um expediente que, em breve, mostrará as suas fraquezas e de cuja falência resultarão problemas ainda maiores, como é próprio das soluções que o não são. 
Será que o mundo não entende que não é mais possível continuar a fechar os olhos aos problemas que se acumulam até inviabilizarem qualquer solução porque todo o processo tem o seu ponto de não retorno?



quarta-feira, 24 de junho de 2015

TRAPALHADAS


Eu não sei bem o que certas pessoas pensam do dinheiro, se cai do céu se da árvore das patacas.
Nem sequer entendo o que pensarão do seu valor quando reclamam mais dinheiro para viver melhor.
Talvez nunca tenham reparado que quanto mais dinheiro circula menos valor ele tem…
Por estas confusões são responsáveis certos ”políticos” que ou não sabem ou desejam lançar a confusão que lhes possa granjear simpatia e mais votos que aumentam os subsídios estatais aos partidos onde fazem a sua “carreira” de “servidores do povo” que, afinal, enganam.
Depois, chamam-se mentirosos uns aos outros, cada um se julgando o milagreiro que merecemos para nos aliviar as dores do inferno em que vivemos.
Por vezes, lembro-me dos tempos simples dos encontros com amigos, conversas de café, passeios com namoradas, dos filmes no S Jorge, dos concertos no jardim e de outros tantos prazeres simples que alegravam a vida que vivia tal como Jesus Cristo, sem me preocupar com a “economia”.
Hoje, em vez disso, vivo com o stress que esta vida acelerada impõe, com os impostos e as taxas que tenho de pagar, com as declarações que tenho de fazer, com as dezenas de cartões com que tenho de lidar, fujo das de telenovelas que a televisão, às dúzias, impinge em cada dia, enjoo-me com tanta culinária, fico zonzo com o rodopiar de tantos exímios bailarinos que fazem vibrar o Cifrão, detesto as piadas rascas dos humoristas que temos, e cada vez fico mais longe dos amigos com quem trocava ideias, me ria e me divertia, porque ninguém tem tempo para ninguém.
E cada vez que tento reaproximar-me dos que há bastante tempo já não vejo… melhor fora que os não tivesse procurado porque já partiram.
Perdi o tempo de conviver com quem gostava. Resta-me este tempo de “gramar” quem me chateia. Oiço os inteligentes que ganham a vida a debitar a ciência inútil que criaram, a de prever o que nunca acontece, a de criticar os que fazem sem terem de demonstrar que seriam capazes de fazer melhor.
E não posso esquecer-me dos políticos que me prometem as delícias de uma vida melhor mas depois me cortam na pensão para a qual descontei 50 anos!