ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SER POLÍTICO CONTINUA A SER A ARTE DE FAZER PARECER QUE É, AQUILO QUE MAIS CONVÉM QUE FOSSE



Ainda que tudo pareça encaminhado no sentido de vir a ser reprovado o Programa de governo que Passos Coelho irá apresentar, começa a parecer-me viável a hipótese de o não ser, pois não vi apresentar e desenvolver, para além das famigeradas contas de somar alhos com bugalhos, outras razões que mostrem ser a “união de esquerda” a solução que o futuro de Portugal merece depois dos sacrifícios que lhe permitiram sair do buraco em que sufocava.
Nem vejo como o Presidente da república poderia ter tomado outra decisão que não a de pedir a Passos Coelho para formar governo, já que se tem tornado mais do que evidente não terem passado os acordos invocados pelos “revoltosos” de uma táctica de deita abaixo, para depois ver o que acontece.
Não vão os tempos a favor de veleidades de fazer de conta que baterá certo o que não pode bater, porque há coisas que não ligam, ideais que não se fundem, projectos que não condizem, pessoas cujos projectos pessoais perturbam a caminhada de todo um país que deseja lavar a cara das porcarias que fez.
Mas o que mais triste me deixa é a prova definitiva de não sermos nós, aqueles que, diz a Constituição, detêm o verdadeiro poder, os que o podem aplicar porque lho retiram totalmente em actos eleitorais que, depois, interpretam como melhor convém.
Ficámos prisioneiros da esperteza bacoca dos caçadores de poleiros para quem a nossa vontade não conta e, pior do que isso, nos desinformam ao ponto de nos confundirem com as mentiras que dizem porque ser político ainda continua a ser a arte de fazer parecer que é aquilo que mais convém que fosse.
Em nada diferem de Salazer que dizia que "em política, o que parece é"! Tiveram bom mestre, portanto.
Por isso os seus discursos não passam de poluição conspurcante que se impõe sanear, porque já não vem distante o dia em que a realidade acabará por se impor.
Seja lá como for porque, como é costume que seja, se não vai a bem...
Pois, mas não sou revolucionário. A ideia é bem outra.


domingo, 25 de outubro de 2015

O SÍNDROMA DA TORRE DE BABEL



Depois de ter ouvido de Catarina Martins que todas as divergências entre PS e BE estavam ultrapassadas, no que, naturalmente, acreditei tanto como ser possível ir à Lua numa prancha de surf, chego à conclusão de que, afinal e como já havia compreendido, nada mais existe do que um acordo para não aprovar o programa de governo de Passos Coelho e, em alternativa, aprovar o de António Costa, mesmo sem neste caberem, tal como no de Passos Coelho, os objectivos programáticos que são a razão de ser do BE e do PCP que, pelos vistos, se deseja aliar à mudança.
Deste modo se constitui a frágil maioria liderada (?) pelo grande derrotado das eleições, tão frágil quanto as divergências dentro do PS e nos confrontos insanáveis entre os dois bastiões da extrema esquerda portuguesa.
Assim, espera Costa assumir o poder que os portugueses lhe não confiaram e a “esquerda” alterar o padrão de governação em Portugal que passaria da tradicional alternância entre os dois maiores partidos, PSD e PS, para outra entre a “direita” e a “esquerda” como se estas designações ainda tivessem o significado que outrora já tiveram mas perderam quando a degradação ambiental e a escassez de recursos apontam um só caminho que é o da inteligência e da moderação para minimizar os efeitos de mau agouro que tanto erro praticado pela “economia” que todos praticam foi causando.
Porém, nasce esta “maioria” de esquerda com o síndroma da Torre de Babel cujo objectivo mal definido e inacessível, rapidamente pôs a nu as profundas divergências entre os seus mentores que, inevitavelmente, se afastaram sem que qualquer deles alcançasse o que era o seu "secreto" propósito de hegemonia.
No final do sonho desfeito, todo o esforço, vidas, material e tempo gastos num projecto sem sentido não passaram de perdas que não aproveitaram a ninguém, antes criaram sérios danos a toda a gente.


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

E AGORA, PAN?



Já me referi ao PAN, ao que li no seu site de apresentação e até louvei as ideias que ali encontrei e que, finalmente, poderiam fazer algum eco na política que, levianamente, despreza a realidade do mundo que habitamos para apenas se preocupar com as fantasias que vivemos.
Quando, na sua declaração de princípios leio que o PAN deseja “contribuir para a transformação do mundo de acordo com os fundamentais valores éticos e ambientais, tornados ainda mais imperativos no século XXI, quando o desenvolvimento tecnológico da humanidade permite um impacto sem precedentes na biosfera planetária que compromete as gerações futuras e a sobrevivência das várias espécies, incluindo a humana, conforme é cientificamente reconhecido” e, mais adiante, continua “Por este motivo, e embora não se limite a essa questão, o PAN considera ser central e urgente, por motivos éticos e para o bem da própria humanidade, uma mutação profunda da sua relação com a natureza, o meio ambiente e os animais, privilegiando-se a harmonia ecológica, o desenvolvimento sustentado e a diminuição progressiva da exploração…” acreditei ter encontrado alguém que se dispusesse a transpor para a área da insensível política um debate profundo de ideias que contribuíssem para o tal “novo paradigma” que pode salvar a Humanidade dos problemas trágicos que a espreitam.
Mas quando, depois, vejo tão sérios e oportunos propósitos reduzidos a exigências tais como acabar com os canis de abate, acabar com as touradas e coisas francamente menores no ideário tão sabiamente expresso como sendo o seu, eu apenas posso concluir que até nas coisas sérias conseguimos ser bacocos e idiotas!


A ESCOLHA



Já esperava o chorrilho de disparates e de insultos que se seguiram à mais do que natural escolha de Cavaco Silva para indigitar Passos Coelho para formar governo, em conformidade com os resultados eleitorais.
Têm sido feitas as mais diversas leituras dos resultados eleitorais que, para alguns, são uma clara manifestação de que o povo português deseja que a esquerda governe, mas na qual o que mais parece evidente é a humilhante derrota de quem parecia ter tudo para ser o grande vencedor, depois de quatro anos de governação muito difícil após uma situação de pré-bancarrota que um resgate financeiro evitou.
Nem creio que pudesse ou devesse o Presidente da República proceder de outro modo numa situação em que lhe cabe toda a responsabilidade, deixando para a Assembleia da república o ónus de rejeitar ou não o Governo e o programa de governo que Passos Coelho vai apresentar.
A quem diga que é uma perda de tempo ser constituído um governo que a Assembleia da República, muito provavelmente, vai reprovar, eu responderei que é bom senso, assim como a quem diga que o Presidente da república agiu de modo faccioso eu contraponho que cumpriu o que a Constituição lhe permite, assumindo as responsabilidade que são as suas, deixando para os deputados que assumam as suas também.
Diferente é que seria uma escolha política pela qual seria o único responsável.
Depois disto e por mais que se escreva ou se diga, o processo está a seguir um caminho que a Assembleia da República encaminhará do modo como cada deputado se sentir mandatado pelo povo que representa e, assim, pela interpretação que faça do que seja o desejo dos seus eleitores que poderá não ser o mesmo do líder da seu partido.
Tratando-se do PS, calculo que muitos socialistas se sentirão fortemente incomodados com a derrota de Costa e se sentiriam vexados com a nomeação de um perdedor para Primeiro-Ministro de Portugal.
Creio que muitas dúvidas existirão ainda, que muitas discussões vão acontecer e que, no final, não será tão fácil assim de prever o que vai acontecer na AR onde me não surpreenderia que o programa de governo da Coligação fosse aprovado!
Depois não será, de todo, um governo com estabilidade garantida o que, finalmente, será empossado neste país de tudo ou nada, onde os políticos cuidam mais dos seus interesses do que dos de todos nós, e novas eleições acontecerão, mais cedo ou mais tarde, eleições que, por certo e depois de tudo o que se passou, revelarão a vontade de um povo que não terá bom futuro se julgar ser possível harmonizar políticas tão antagónicas como são as de um BE oportunista, de um PCP leninista e de um PS indefinido.