ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

terça-feira, 24 de maio de 2016

QUEM TUDO QUER…



Não é a primeira vez que os estivadores do porto de Lisboa criam sérios problemas à economia portuguesa. Esta foi mais uma e bem violenta que mantem o porto inactivo por mais de um mês. São muitos milhões de prejuízo para os agentes portuários e para a economia do país.
Ainda por cima e segundo se noticia, a greve mantém-se depois de resolvida a reivindicação que estava na sua origem! Depois de satisfeita esta, os estivadores querem mais, o que deixa pensar que satisfeita outra, outras quereriam depois.
É velha e bem conhecida a regra “se encontrares mole, carrega”.
Não me parece que seja assim que se resolvem problemas, nem creio que corresponda a qualquer princípio democrático proceder desta maneira que coloca interesses de uns poucos centos de pessoas acima do interesse de todos nós que, neste momento delicado, é recuperar a economia do país e não prejudica-la abusivamente.
Naturalmente e depois dos elevados prejuízos acumulados, a reacção chegou e surpreendeu os que julgavam ser os senhores do porto.
Um despedimento colectivo foi a solução inevitável perante a passividade de um governo que não quis intervir para não criar problemas nos frágeis acordos parlamentares conseguidos e onde os sindicatos dominam, tentando repor a ditadura do proletariado que a História já arquivou.
Falam, depois, os grevistas em ataques à democracia que colocam em causa o próprio Estado de Direito. E para que servirá um Estado de Direito se outro Estado não houver que o sustente?
E que Estado de Direito será aquele que não concede a qualquer trabalhador o direito de não fazer greve se assim o entender e é, depois, chamado de “fura-greves”?
Qual é, de facto, o conceito de liberdade?
Quem sabe se deste modo os problemas do Porto de Lisboa se resolverão de vez, se pode ser recuperada a zona ribeirinha de Lisboa, se alivia o trânsito pesado nestas zonas da cidade e, de novo, Lisboa vai poder voltar a dar o braço ao seu namorado de sempre, o Tejo?
Há outros portos de carga e bem melhores, neste país.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

MADUREZAS



Não compreendo bem como um povo inteiro se deixa escravizar por um tonto inspirado por passarinhos que esvoaçam à sua volta para lhe trazer as directivas do defunto Chavez que o inspira e, através dele, continua a ser o eterno dono da República Bolivariana da Venezuela que criou para ser sua.
Diz a comunicação social que “Sete bebés morrem por dia na Venezuela, um país onde o desabastecimento de medicamentos é comparável à situação de algumas regiões da África Subsaariana. Os hospitais parecem saídos de um campo de batalha, a escassez e a inflação galopante já deixaram 70% da população na pobreza. Falta água, luz, alimentação. Falta respeito pelos direitos humanos, alertam as organizações internacionais: o regime intimida, censura, julga críticos e opositores – e a população já não confia no sistema de Justiça, que diz estar completamente à mercê do Governo. O país de Maduro está por um fio, que poderá romper-se a qualquer momento”.
Mas não cai enquanto a pilhagem dos que, dizem que a seu mando, pilham casas, desalojam os moradores, apoderam-se dos seus parcos bens, em nome de um suposto combate à delinquência encontrar o que pilhar, houver cínicos que lhe batam palmas enquanto tiverem que comer quando para os demais não existem alimentos, nem sequer medicamentos nem condições para tratar doentes.
Uma triste situação real perante a qual, mesmo assim, Maduro afirma que, talvez com excepção de Cuba, não existirá, no mundo, melhor sistema de saúde do que o da Venezuela!
Estarão entre os cínicos que ainda lhe batem palmas os que o calcarão um dia aos pés e, quando já tudo estiver destruído, então aparecerão como os salvadores da pátria.
Já não se vive num país assim. Sobreviver é já uma benesse que a cada vez menos vai protegendo nesta Venezuela onde “morrem mais pessoas por dia do que na Coreia do Norte. Mais pessoas morreram na nos últimos 16 anos do que em 50 anos de conflito contra as FARC na Colômbia”.
Mas estando a Venezuela de Maduro na lista negra dos países que não respeitam os direitos humanos, o que faz a ONU que deveria protege-los? Como de costume, pouco ou nada e neste caso, que me conste, nem a chamada ajuda humanitária que mais aproveita aos senhores da guerra do que aos infelizes contra quem a fazem.
Casos assim deveriam ser considerados “crimes públicos internacionais” onde a intervenção do ONU seria um direito para devolver ao povo a liberdade sequestrada.
Mas o mundo já fez tanta burrada que quase me custa dizer que deve intervir ali depois de, em outros lados, ter substituído ditadores por guerrilheiros, ordem musculada por terrorismo selvagem e terem deixado à sua sorte tantos que talvez preferissem a suas tristes vidas ao direito a morrer numa valeta a cada instante que passa.

domingo, 22 de maio de 2016

AFINAL, QUE LÍNGUA FALAMOS NÓS?



Gosto de testar as minhas ideias, o que penso das coisas e como avalio as circunstâncias e fico contente quando encontro alguém ilustre que, melhor do que eu, diz o que eu já tentara dizer, porém com menos jeito.
Quantas vezes me insurgi já contra este modo de falar que, agora, tanta gente adopta e torna a nossa língua num quase crioulo do inglês. E que sucesso alcancei? Nenhum!
Continuam uns “eruditos” em ciências ocultas a usar palavras estranhas em vez das portuguesas que tão bem ou melhor até, traduziriam o que querem dizer.
Continuamos a fazer o jeito de tentar entender os que jamais se dão ao trabalho de tentar falar o português. Uma falta de personalidade deprimente.
Os portugueses que vão para o Brasil depressa ganham o sotaque. Os brasileiros que vêm para Portugal jamais o perdem!
Continuam os incultos, os pseudo-cultos e até gente cujo modo de falar deveria ser um ensinamento, a usar inglesices e francesices em vez de palavras em que a língua portuguesa é muito rica.
Não se trata de utilizar palavras novas, nascidas da evolução tecnológica e para as quais o português não tem, ainda, alternativa, mas de simples atitudes pirosas de quem se quer dar ares de evoluído poliglota que diz “targets” em vez de “alvos” entre muitos outros termos cuja pronuncia certa mal conhecem, mas se tornaram o cartão de visita dos que gostam de exibir a sua “(in)cultura” num português macarrónico com o qual têm a esperança de se promover socialmente.
Como se todas estas desgraças não bastassem, fez-se um acordo que, com excepção dos idiotas do costume, ninguém cumpriu porque acordaram a tempo e viram o desastre que é.
Escreveu Guilerme Valente, licenciado em filosofia pela Universidade de Lisboa e pós-graduado em relações interculturais pela Universidade Aberta que “A negligência na língua e na escrita é princípio da decadência dum país”, no que lhe dou toda a razão e ainda mais quando afirma que “A escrita não é uma arbitrariedade. Tem uma lógica, uma história, uma função, valor e importância inestimáveis”.
Razão tinha Pessoa quando dizia que a sua língua era a sua pátria!
Que diria Pessoa se, agora, cá voltasse?

sábado, 21 de maio de 2016

A GUERRA DOS NADAS



Não se iludam os que pensam ser o capitalismo uma característica própria daquilo a que se chama a “direita” que a “esquerda” combate”, porque ele é, sem a menor dúvida, o que rege as atitudes de uns e de outros que apenas divergirão, em teoria, no que fazer com o dinheiro. Ou, bem vistas as coisas, talvez nem nisso porque, afinal, o capitalismo é a razão de ser das suas existências!
A maioria dos capitalistas já tiveram os seus tempos de protesto quando o não eram. Os que o não são, gostariam de sê-lo.
O capitalismo é, seguramente, o único regime no chamado “mundo civilizado” que delapida os recursos dos que não têm condições para ser capitalistas, deixando-os, pelo seu egoísmo e indiferença, na miséria de uma vida sem dignidade.
É assim que vivem vários milhares de milhões de seres humanos por esse mundo fora, aos quais jamais vi estender as preocupações que merecem os “pobres” que andam de carro, são utilizadores inveterados de sofisticados meios de comunicação, bebem muita cerveja, comem marisco, frequentam festivais mas, mesmo assim, querem sempre mais e não abdicam das conquistas que alcançaram nos jogos políticos que aprenderam a jogar.
Assim se extremam os campos que, mais cedo ou mais tarde se confrontarão nesta Terra onde princípios hipócritas dizem que todos nascem iguais mas onde, como diria Orwell, uns são mais iguais do que outros.
É por isso que eu penso que, mais do que disputar benesses, melhor seria evitar a dicotomia mais perigosa das até agora produzidas pelo egoísmo humano. Um mundo dividido entre “off shores” cheios de dinheiro e o resto do mundo degradado e onde pouco ou nada haverá para comprar com ele!

Todas elas contêm visões diferentes para as soluções a adoptar, dentre as quais eu não saberia escolher apenas uma como aquela que o seria. Mas penso que a sua discussão empenhada e serena poderia mostrar o modo de viver na paz e relativa felicidade que hoje não encontramos em parte alguma e causa os extremismos que, aos poucos, nos vão destruindo.
É hora de por de lado os “chavões” e pensar, deixar de escutar os vendedores da banha da cobra e procurar as curas de que tantas chagas feitas ao mundo necessitam para se curar.
Daniel Cohen é um professor de economia da Universidade de Paris, cujos trabalhos lhe valeram distinções e prémios em todo o mundo.
É de um dos seus últimos livros que vos proponho ler, “A prosperidade do vício”.
Para as suas análises sobre o Homem na Sociedade, Cohen jamais deixa de fora aspectos e saberes de que outros nem raramente se lembram como a Sociologia, a Filosofia, a História e outros.
Sobre o livro que agora estou a ler, diz-se na sinopse, “…se, depois das tragédias vividas pelo ocidente e o veneno e o vício escondidos que corrompem a Europa se espalharem pelo mundo inteiro em globalização, conseguirá o Planeta evitar um novo suicídio colectivo, desta vez ecológico?
Como a presente crise financeira brutalmente lembrou, uma incerteza de ordem sistémica paira sobre o capitalismo. Saberemos para onde nos leva, para onde nos arrasta o mundo?
São estas as questões que condicionarão o século XXI e que são analisadas com concisão e notável sobriedade por Daniel Cohen neste livro importante que dá um retrato fiel da História da Humanidade e das incertezas que pairam sobre o seu destino”.
Guerra à demagogia! Vamos pensar, reflectir, para salvar a Humanidade ameaçada.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

“REINVENTAR A PROSPERIDADE”



Tudo o que tenho escrito revela que não sou dos que depositam maiores esperanças na qualidade do futuro próximo quando, como todos podemos observar, ele continua a ser preparado como se fosse passado, como se nada mudasse neste mundo em que vivemos, como se os problemas fossem os mesmos de outrora e se resolvessem com as mesmas soluções.
Intranquiliza-me o modo como aqueles a quem confiamos a nossa esperança descuidam o futuro, não prevenindo os problemas que podem resultar das alterações que, num Planeta vivo e tal como já o sentimos, necessariamente acontecem.
Por mais que as alterações na Natureza que a actividade económica humana acelera se manifestem preocupantes, não passam de meras palavras de circunstância e de intenções muito contidas as atitudes que, nas decisões políticas, as consideram como condicionantes das soluções a adoptar para preparar o futuro.
Julgar que podemos continuar na via da ilusão de ser infinita a capacidade de suporte da Terra em que vivemos, pode ser a causa de uma autêntica tragédia que a Natureza nos pode impor.
Mas, seja mais cedo ou mais tarde, por nossa iniciativa ou por imposição das circunstâncias, as mudanças terão de acontecer.
Eu creio, como tantas vezes já escrevi, que apenas uma contenção que harmonize ritmos de desenvolvimento e ciclos naturais poderá impedir o descalabro que a persistência em soluções levianas pode causar. Mas acredito, ainda, na inteligência humana capaz de evitá-lo.
No anúncio de um livro a sair brevemente e cujo título é o deste texto, fica claro que as soluções não são fáceis e exigem determinação: “Alguns dos maiores desafios em relação ao bem-estar humano são a desigualdade de rendimentos, a manutenção da pobreza global e da degradação ambiental.
Estes problemas têm solução, em teoria. Na prática, porém, são muito difíceis de resolver.
A maioria das soluções propostas não são aceites pela maioria das pessoas porque requerem sacrifícios que o futuro pode não justificar.
Este projecto oferece uma abordagem completamente diferente e explica como é possível reduzir o desemprego, a pobreza, as desigualdades e o ritmo das alterações climáticas e manter o crescimento económico – se o desejarmos”.
Mas seja qual for o autêntico “milagre” que possa, ainda, acontecer, um caminho longo e duro terá de ser percorrido antes de recomeçar uma nova vida, o que exige vontade de mudar e aceitar a “austeridade” que, sem qualquer dúvida, vai exigir.
Aliás, não imagino solução que, depois da situação a que chegámos, nos possa reencaminhar numa nova via de bem-estar sem sacrifícios duros.