ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O CAMINHO DA LUA



Foram o BPN, o BES e o Banif. São a Caixa e o Novo Banco. Quais se seguirão depois?
Todos, eu creio, porque a banca é, ela própria, a mais evidente expressão do capitalismo decrépito a cuja queda não conseguirá sobreviver.
A Banca é hoje um enorme depósito onde o dinheiro circula a tanta velocidade que consegue estar em vários lugares ao mesmo tempo!
A virtualidade concedeu-lhe o dom da ubiquidade, aquele que a física ainda não conseguiu demonstrar ser possível no mundo em que vivemos.
É por isso que, ao fazer das contas, ele se não encontra onde seria suposto estar porque, afinal, para estar em toda a parte como poderia estar ali?
É o milagre da mistura diabólica do plástico com as rapidíssimas técnicas de comunicação que desenvolvemos.
No final, este dom de estar sem estar, faz-me lembrar um enorme queijo gruyère só com buraco.
Talvez assim se entenda por que os juros do BCE são nulos e, até, mesmo, porque há dívidas públicas que cobram juros para se financiarem, enquanto outras pagam caro!
Tudo isto me parece um contra-senso, porventura aquele que, por não ter outra saída, continuadamente baralha e volta a dar, tentando manter escondidos, na manga, os trunfos que cada vez menos tem.
Não sei quanto tempo levará até que a queda se consume, o que acontecerá um dia, sem a menor dúvida, pois tal como sucedeu com a simplória Dona Branca e o sofisticado Madoff, também com o super poderoso Goldman Sachs acontecerá, mais cedo ou mais tarde. E o mundo da finança perderá o seu maestro.
De nada valerá, pois, por as culpas no frágil sistema bancário português, um peso pluma que não passa de uma “imparidade” menor nas imensas que os sistema global já não consegue disfarçar.
Esta é a verdadeira e preocupante questão de uma banca que vive de chupar tetas que, aos poucos, foram secando!
Pode ser a grande derrocada do castelo de areia que o capitalismo virtual construiu e, também, a única forma de os políticos entenderem que os velhos procedimentos já não servem, as velhas grandes ideias não passam, agora, de enormes disparates e que uma mudança profunda se impõe, a tempo de evitar os desmandos que se avizinham.
Todos os dias, os “sábios” falam do que, está mais do que provado, não percebem nada porque tudo continua na mesma ou pior ainda.
Senão, onde estão as soluções? 
Será este o caminho a prosseguir, no fim do qual apenas nos espera uma inóspita superfície lunar?



terça-feira, 19 de julho de 2016

EXCÊNTRICOS QUE O EUROMILHÕES NÃO FEZ



Esta notícia que acabo de ler já me não deixa atónito porque é igual a várias outras que, por aqui, livraram de apuros diversas personalidades que, seja por isto ou por aquilo, parecem estar acima da Lei, ao contrário do que se diz de ela ser igual para todos!
A notícia é (Expresso): “presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, Ricardo Lewandowski, determinou na segunda-feira à noite que as gravações de conversas telefónicas entre o ex-Presidente Lula da Silva e outros políticos, que foram captadas pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Lava Jato, serão analisadas nesta instância pelo juiz Teori Zavascki.
O relator dos processos da Lava Jato no Supremo será responsável por analisar a validade das escutas telefónicas a conversas de Lula com políticos que são do foro privilegiado e que, por isso, só podem ser investigados pelo Supremo. Na sua decisão, Lewandowski impôs sigilo a todas as escutas ao antecessor de Dilma Rousseff.”
E mais uma vez, porventura, factos que são verdadeiros e criminosos, os que as gravações revelam como factos indesmentíveis, podem ficar de fora do julgamento que se faça de quem os tenha praticado, apenas porque é alguém diferente dos demais.
Diferente? Ou será melhor recordar que “em terra de cegos quem tem olho é rei”?
Pois é, são os espertalhões que comem o povo cego!
Lembro-me do que por cá se passou, de verdades reveladas que, depois, já o não eram… ou se eram não podiam ser.
É assim a Justiça dos que fazem leis para que a Lei não seja, afinal,igual para todos.
E assim, ao contrário da sabedoria popular que, na sua lógica óbvia e na longa experiência de que é feita, afirma que “quem não rouba nem herda não passa da m….”, vemos por aí aparecer “excêntricos” que o euromilhões não fez…

O PERIGO DE O MURO CHEGAR



Como na anterior reflexão já tinha transcrito, ““Golpeiem as cabeças deles com pedras, matem-nos com facas, atropelem-nos com os vossos carros, empurrem-nos de lugares elevados, asfixiem-nos ou envenenem-nos, a todos os descrentes…”, é a mensagem do Daesh aos seus “fiéis” em todo o mundo.
E é assim que os seus “radicalizados”, os mais antigos ou de fresca data, procedem e continuarão a proceder cada vez mais intensamente e por toda a parte, fazendo de nossas vidas um inferno enquanto pensam trocar a porcaria das suas vidas pela redenção gloriosa que lhes é prometida.
Afinal, parece um bom negócio!
O Daesh já não é uma organização, tornou-se numa simples ideia de destruição que, num mundo como este em que vivemos, com milhões e milhões de frustrados pela vida idiota que levamos, aquela que os nossos políticos e a nossa estupidez insistem que levemos, milhares e milhares de seguidores encontrará para realizar os actos nojentos e demoníacos que vão fazendo mortes e espalhando a dor.
Mas não creio que tal possa continuar por muito tempo mais sem uma reacção feroz e descontrolada que nem quero imaginar os efeitos que terá.
Os atentados em Nice e agora na Alemanha correspondem, exactamente, àquelas instruções simples de levar a morte, seja de qual modo for, aos “infiéis” e, assim, deixou de se saber de onde vem o perigo, nem como se pode evitar, porque não será necessária qualquer preparação para um simples acto de loucura!
Este modo de proceder inutiliza a função policial, tornando-a numa verdadeira caça aos gambuzinos.
E, como é natural, cada acto de loucura que acontece e tem o sucesso maior ou menos que sempre terá, instiga muitos mais a serem os mártires gloriosos dos cínicos que os enviam para a morte, a eles e às suas vítimas.
Tão longe se deixou ir tudo isto que, agora, apenas reacções drásticas e maciças poderão conter este “vírus” que se espalhou já por todo o Ocidente.
E o “muro”, seja o muro o que for, tornar-se-á a solução quando se verificar que é a única eficaz porque aquelas de palavreado muito bonito mas que se tornaram banais, essas ninguém as executa!
Entretanto, o vírus continua a alastrar perante a “bondade” dos que tal permitem quando a confundem com laxismo.

sábado, 16 de julho de 2016

O EXÉRCITO DA MORTE



“Golpeiem as cabeças deles com pedras, matem-nos com facas, atropelem-nos com os vossos carros, empurrem-nos de lugares elevados, asfixiem-nos ou envenenem-nos, a todos os descrentes, especialmente os suíços e os desprezíveis franceses.” Assim ditou, em setembro de 2014, Abu Mohamed Al-Adnani, porta-voz oficial do Daesh, poucos meses após o grupo se instalar no Iraque e na Síria. Dois anos depois, o autoproclamado Estado Islâmico está a perder território na região, mas a sua ideologia só parece ganhar força a nível global, mesmo entre árabes “não muito religiosos”, como Mohamed Lahouaiej Bouhlel (o carrasco de Nice) foi descrito nos media. (transcrição parcial de um texto publicado no Expresso).
É esta a mensagem de morte e de horror que se espalhou pelo mundo inteiro onde provoca a dor e o medo de um modo cada vez mais atroz.
É uma declaração de guerra que se propaga facilmente nas cabeças dos falhados que julgam encontrar razões para viver na morte para que os atiram, com promessas de um paraíso onde poderão satisfazer todos os seus devaneios, os que não conseguem satisfazer neste mundo onde fomos condenados a viver amassando o pão com o suor do rosto.
Imaginam um mundo diferente do daqueles que encontram na Fé um laço de união com outros seres humanos que, tal como eles, acreditam que algo de superior existe. Pretendem criar um mundo em que só alguns são os iluminados, os donos da verdade em nome da qual tudo controlam e condenam à morte os demais.
Fazem-no com desumanidade e cinismo, como se tal fosse a vontade do Deus Criador do qual se tornam carrascos em vez de mensageiros.
Não posso pensar que todos os muçulmanos são terroristas, desses que tanta morte têm espalhado entre os que a sua religião considera “infiéis” e, por isso, inimigos que, como alguns dizem, o Profeta mandou combater em jihads sangrentas.
Mas também não posso iludir-me quando os não vejo combater com toda a determinação e na primeira linha, os “irmãos desviados da verdadeira fé”, enquanto mantêm práticas discriminatórias impróprias do tempo em que vivemos.
E uma vez mais o daesh reclama os louros do assassinato medonho que um dos seus “iluminados” por si praticou, em Nice.
Quantos mais “iluminados” andam por aí, a quem se vai dando um crédito de direitos que a realidade depois vem demonstrar não fazer sentido?
O daesh está prestes a perder o território em que implantou o seu “califado”, mas ganha um território bem maior onde, sob os mais variados disfarces, desfere os ataques mortais que, depois, nós apenas lamentamos!
Mas sempre haverá que alimente as suas necessidades de dinheiro e de armas para atacarem o mundo! Quem o fará?

sexta-feira, 15 de julho de 2016

E O JUSTO PAGARÁ PELO PECADOR!



Segundo uma notícia da Reuters, o Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, na sua mensagem de condolências pelo hediondo atentado que aconteceu ontem em Nice e do qual muitas dezenas de vítimas resultaram, pede à França para não ceder às tentações da divisão e do ódio, continuando a ser o país da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, apesar de as feridas profundas que levam muito tempo a sarar!
Aqui parece-me oprtuno perguntar se já terão sarado as que outros atentados provocaram e se haverá tempo para sarar estas, antes que outros aconteçam.
Quando a Europa ainda não foi capaz de se entender sobre como proceder neste caso dos refugiados sírios que tão bem se prestam a “diluir” os carrascos das matanças que serão as missões que aqui os trazem, sobre o que fazer com as dezenas de milhar que fogem de uma guerra à qual já se deveria ter posto um fim, não compreendo este apelo de um alto responsável europeu a quem tem já todas as razões para sentir um desespero profundo e quase incontrolável por tudo aquilo de que tem sido vítima.
Não sei se Schulz pretende imitar Cristo quando pede para oferecermos a outra face quando nos ferem uma ou se entende que uma guerrilha como esta se pode vencer com paninhos quentes ou caçando, um a um, os guerrilheiros que se escondem no meio da própria multidão que atacam.
O atentado de ontem é bem a prova de que o terror pode sair do nada, nas condições mais absurdas e das formas mais estranhas.
Não me parece que a França e a própria Europa precisem de palavras destas, muito menos vindas de quem estas vieram, quando necessita de uma política clara para lidar com um problema difícil que já lhe causou muito mal e muito mais causará ainda.
O Parlamento Europeu deveria ter para dizer algo diferente do que disse o seu Presidente que, nas suas condolências institucionais, na sua retórica de político, não sente a dor nem o desespero dos milhares e milhares a quem o sucedido afecta de forma dura, cruel e definitiva.
Famílias destruídas, vidas acabadas de um modo tão cobarde, não podem compadecer-se com estas palavras sem sentido de quem está habituado a dizê-las por dizer ou porque caem bem, como é hábito dos políticos que, caladinhos, fariam melhor o seu trabalho!
A situação é grave e mais grave ficará, descambando na divisão odiosa que Schulz pede à França que não permita, se fizermos, simplesmente, o que ele pede.
E o justo pagará pelo pecador!