ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

RIDÍCULOS DO DESPORTO



A derrota em Moreira de Cónegos foi, por certo, um crime de lesa Benfica, apesar do modo limpo e até brilhante na segunda parte como os moreirenses venceram o jogo.
Mas por que razão o terá sido, apesar de um resultado que não deixa contestação e de não ser uma derrota, necessariamente, uma humilhação, porque acontece aos melhores? E ontem o Benfica nem foi o melhor! Foi, porventura, apenas a equipa que é, mas que a sorte ou seja lá o que for bafejam frequente e exageradamente, de um modo que não é próprio das vicissitudes do desporto.
Alguma coisa haverá que faz com que seja assim.
Talvez por isso são cada vez mais as pessoas que, por esse mundo fora, se manifestam pela necessidade de fazer o que for necessário para reencaminhar o futebol para o desporto que já foi e tantos interesses sórdidos desviaram do seu caminho.
O futebol movimenta multidões e milhões de euros em cada jogo e, por isto decerto, se tornou tão apetitoso que lhe deitaram ou querem deitar a mão todos os ambiciosos deste mundo.
Não escapa a ninguém a corrupção que o envolve e até bem se conhecem, em factos que a comunicação social relata, os que mais a promovem.
Dando de barato os exageros cometidos, muito ainda fica que nos levam a acreditar ter o futebol deixado de ser um jogo limpo que os erros dos árbitros podem nem o ser, de tal modos são escandalosos algumas vezes!
Por outro lado é bem evidente a resistência do “sistema” à limpeza que precisa e pela qual cada vez mais há quem clame.
Tudo me pareceu ficar ontem bem expresso na atitude do treinador do Benfica que decidiu recusar o cumprimento do treinador vitorioso, vociferando que “está tudo registado”, como quem diz espera pela volta e verás!
Era a altura certa para se conhecer o relatório sobre o desempenho do árbitro, para o comparar com a realidade, assim como a nota que lhe será dada por tão “desastroso” desempenho que fez o Benfica sair derrotado.
Engraçado o que relata um jornal desportivo, demonstrativo de um estado de espírito de arrogante a que uma falsa superioridade dá lugar “Na reta final do jogo, Francisco Geraldes impressionou as bancadas com uma finta que... não deixou Pizzi nada satisfeito. O médio do Benfica dirigiu-se de imediato ao adversário, que estava sentado no relvado, e repreendeu-o, acusando-o de falta de respeito”. Ridículo, não é?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O SALÁRIO MÍNIMO E LAVOISIER



Mas afinal o que decidiram na concertação social? Tirar de um bolso para meter no outro?
Nem mais nem menos, é isso mesmo que acontece seja qual for a contrapartida que o governo oferece aos empresários para que subam o salário mínimo.
No final, seja a contrapartida qual for, descida da TSU ou a redução do PEC, poderemos dizer, como Lavoisier no seu inspirado princípio que “nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”!
Tudo quanto se faça deste modo não passará de um faz de conta porque as empresas não criam, com a sua organização e com a sua productividade, os meios financeiros capazes de pagar salários decentes.
E continuamos neste domínio, como em tantas outros, como a pescadinha de rabo na boca. A productividade é baixa porque é mal recompensada e a recompensa não pode ser melhorada porque a productividade é baixa.
Tenho a experiência pessoal de que os nossos trabalhadores são tão capazes como os melhores.
Numa estadia na Holanda, onde me fui especializar em “docas secas”, visitei os estaleiros da NDSM e da Wilton Feyenord onde trabalhadores portugueses se treinavam para, depois, equipar a Lisnave onde acabou por ser construída a maior doca seca comercial do mundo.
Numa das visitas, não recordo qual, o meu cicerone afirmou-me que se encontravam ali, a ser treinados, 400 portugueses que, assim mo afirmou, eram excelentes trabalhadores e, por isso, alguns acabariam por ficar por lá.
Afinal o que se passa? Será dos ares ou da falta de capacidade dos nossos políticos e empresários que preferem os “joguinhos” ao trabalho duro?
O que, depois, aconteceu à Lisnave é outra conversa…

O QUE SEPARA A EUFORIA DO DESASTRE?



Realmente, cada vez mais me convenço de que “o calado é o melhor” porque evita dizer porcarias, pois, como um velho ditado diz, quem muito fala pouco acerta!
Ser comedido no que diz não é, de todo, um atributo de Trump que, ainda há tão pouco tempo conhecido nos “palcos” do mundo, já tem uma lista de “pensamentos” como nem o mais fecundo filósofo consegue ter e conta anedotas que nem os mais criativos humoristas são capazes de inventar.
- Que os Estados Unidos devem aumentar o seu potencial nuclear até o mundo ganhar bom senso! Saberá o senhor que depois de lançado o primeiro míssil já nada evitará a destruição do mundo, seja qual for o potencial nuclear da "sua Grande América?
- Que a tortura faz sentido para contrapor às atitudes terroristas, como degolas e outras que se não viam desde a Idade Média! Em que tortura estará Trump a pensar se os EU a vêm praticando há tanto tempo? Pior ainda?
- Que o aquecimento global é uma patranha da China para reduzir a productividade dos Estados Unidos, apesar das evidências, mostradas pela NASA, das mudanças profundas que tem causado na Terra ao longo das últimas dezenas de anos.
E muito mais poderia realçar de tanto que Trump tem dito.
Apesar da confusão enorme que tudo isto me faz, do horror que me causa, estou de acordo com quem disse que Trump tem a coragem de dizer o que muitos pensam mas não dizem. E é este o perigo que pode aproximar demasiado o ponteiro dos minutos do relógio do Apocalipse, da meia noite.
Há demasiados loucos no mundo.
É isso que que sentem, por certo, os milhões que, por todos os Estados Unidos e pelo mundo fora, se manifestam continuadamente contra esta figura burlesca que chegou à presidência dos estados Unidos.
Ainda continuará a haver quem pense que o ambiente da Sala Oval e o enfrentamento dos verdadeiros problemas porá algum bom senso naquela cabeça que se julga no direito de por o seu na cabeça dos outros, ou terá o mundo de enfrentar um louco convencido de que é sensato?
Não teremos de esperar muito tempo para o saber.
Entretanto a Sala Oval passou a ser a sala do "Show off" trumpesco onde noto a falta de um rolo de papel higiénico na secretária.

 


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

UM NIM MINISTERIAL



Em notícia que o Expresso publica, diz-se que “cada um à sua maneira, todos os deputados da comissão de Ambiente na Assembleia da República lembraram ao ministro João Matos Fernandes que o Governo tem um mandato claro do Parlamento para encetar todos os esforços para fechar a central nuclear espanhola de Almaraz, a 100 quilómetros de Portugal. O ministro do Ambiente continua a afirmar que "nada está decidido" quanto ao eventual prolongamento da vida da central, mas que se essa for a intenção do Governo de Madrid então "Portugal terá de ser ouvido no âmbito de uma avaliação de impactes ambientais transfronteiriços".
O que li levanta-me duas questões, ou o ministro não sabe do que está a falar ou não tem coragem para cumprir com as suas obrigações de tudo fazer para que a Central de Almaraz seja fechada, findo que seja, dentro de muito pouco tempo, o seu período de vida útil.
Daí o seu “nada está decidido” quando, quanto à central, a decisão apenas pode ser a de encerrar quando previsto na licença da sua construção e Portugal só pode estar de acordo com isto.
Mas o aterro de resíduos nucleares que, mais recentemente, levantou esta questão, não se destina aos resíduos dos mais três ou quatro anos de funcionamento da central de Almaraz mas sim ao de todas as centrais nucleares espanholas e continuará a ser utilizado mesmo que a central de Almaraz seja fechada e deverá ser esta a questão de base da discussão a ter com Espanha.
O atêrro dos resíduos nucleares é uma infraestrutura perigosa que ficará situada a poucas dezenas de quilómetros da fronteira portuguesa e da qual um acidente terá consequências muito sérias para Portugal, pois ali ficarão activos ao longo de milhares de anos.
A situação escolhida reduz as consequências para Espanha que um acidente possa causar e transfere-as para Portugal.
Será depois de a Espanha tomar decisões que nos afectem tão gravemente que iremos exigir ser ouvidos no âmbito da avaliação de impactes ambientais transfronteiriços?

MUNDO, O ANO ZERO?



Há já bastante tempo que a maioria de nós sente a necessidade de mudar este mundo onde problemas e mais problemas se acumulam, sem que os remédios aplicados pareçam surtir algum efeito.
Mas parece que chegou a hora de mudar mesmo com a nova presidência americana que inicia os seus trabalhos a desfazer, a mudar, a destruir.
Jamais me dei conta de tamanha publicidade acerca do que fez o presidente no seu primeiro dia de despacho. E já conheci muitos, desde Roosevelt.
Não parece haver nada que lhe escape, desde os cuidados de saúde que Obama criou para que os mais carentes, sem meios para pagar caros seguros de saúde, pudessem ser assistidos, ao desfazer da contenção na utilização do carvão e do petróleo, sem qualquer respeito pelo acordo que os EU assinaram em Paris e, sobretudo, pelas consequências que terá para todos nós como a Ciência se não cansa de avisar, às alterações do comércio mundial cujos acordos já começou a anular.
Já não falo daquele muro com qual Trump parece querer que, tal como a muralha da China seja visto do Espaço, mostrando aos alienígenas como a estupidez no mundo cresceu, mas que não acredito que venha a ser feito.
Mas o mundo vai mudar, de facto, porque é tamanha a ânsia de o fazer que as consequências vão ser sentidas a curto prazo, tal é a pressão que Trump põe nas coisas.
É pena que não sejam outros os propósitos de Trump, que não sejam aqueles de que o mundo necessita, não para tornar a América grande mas para evitar as catástrofes que, se nada para o evitar for feito, se aproximam.
Se fossem também não teria ganho as eleições, porque não satisfaria a incontida ambição humana, pela qual parece ser sina do Homem destruir-se, seja numa guerra armagedónica como a Bíblia prevê no fim dos tempos, seja pela destruição do Ambiente necessário à vida e que as suas decisões vão acelerar.
Não me posso esquecer de que, já depois da eleição de Trump, a Rússia afirmou, sem que se veja outra razão para o fazer, que possuía capacidade militar para enfrentar qualquer agressão que sofresse, que a China não põe de parte o uso de armas nucleares se Trump intervier no mar do sul da China como afirmou fazer e de que a Índia deu a conhecer os mísseis de longo alcance, oito mil quilómetros, com que as suas forças armadas estão equipadas.
Parece que as feras mostram os seus dentes afiados…