ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

POR ONDE ANDAM AS VERDADES?



O princípio da acção e da reacção, também conhecido pela terceira lei de Newton, não é um conceito simplesmente físico que se aplica ao mundo das forças que se geram no deslocamento de corpos, que fazem subir foguetões, aviões ultrapassar a barreira de som.
Na verdade, podemos verifica-lo nas nossas próprias atitudes, quando reagimos ao que sentimos, seja uma alegria, uma dor ou um desaforo!
Em cada caso temos a nossa inércia própria, a paciência ou a indiferença que as acções nos causam, até não ser mais possível evitar reagir.
É assim com tudo na vida e, se assim é, é-o na política também.
E a reacção teria de acontecer, está a acontecer com uma força que talvez venha a dominar o mundo até o mundo perceber de que, também não é por ali o caminho, porque o caminho se faz quando as forças se conjugam, não quando se opõem ou dispersam.
A globalização que faria a Terra de todos como, de facto, deveria ser, acabou por ser o grande lago onde cada um pesca o mais que pode, mesmo que alguns não pesquem nada e morram de fome! E se afogados, preferirão alguns.
Tornou-se a força que cavou fossos profundos entre os Homens, apesar de, como todos gostam de dizê-lo, nascerem todos iguais, com os mesmos direitos. Mas por onde anda esta verdade?
E não são as artimanhas que nos levam a crer que tudo pode melhorar, como pretendem demonstrar-nos com números e estatísticas que apenas tentam disfarçar a verdade, ou, como também alguém o faz, dizendo que a exiguidade, apesar de cada vez maior e mais evidente, não passa de uma cabala montada por outros para nos prejudicar.
E, assim, a América é de Trump, como a Rússia já era de Putin, a Turquia se tornou de Erdogan, a China é do partido Comunista Chinês  e aquela ilha que a Mancha separa do Continente Europeu continua a ser dos ingleses que subjugam galeses, escoceses e irlandeses. Como a França pode vir a ser da Marine, também.
E novo ciclo vai começar, com os fartos a decidir pelo coração e os cínicos interesseiros a tentar manter as muralhas do castelo que construíram e estão prestes a ruir.
É agora, também, a era dos muros que Israel, a Hungria, Trump e outros vão construindo e querem reforçar. Assim como há, ou houve, muros que, mesmo derrubados, persistem na saudade dos que pretendem, de novo, construí-los.
Poderei ficar admirado se estivermos fartos de políticos que nos enganam, de poderosos que nos espoliam, de ignorantes interesseiros que nos governam e, por isso, se façam escolhas desesperadas das quais se espera que mudem aquilo que a inteligência não foi capaz de mudar?
Mas as escolhas não se fazem em desespero. Fazem-se em consciência. E essa, por onde anda?
Será preciso um desastre para a encontrarmos?

sábado, 22 de abril de 2017

OUTRA VEZ A REGIONALIZAÇÃO. MAS QUAL?



Quem, porventura, siga este meu “jornal”, no qual tenho registado, ao longo de vários anos já, as reacções que me provocam certos acontecimentos, as críticas que me merecem algumas atitudes e onde expresso os meus desagrados e preocupações por tanta estupidez que acontece no mundo, sabe que sou a favor da regionalização como forma para administrar o país, promovendo a participação de todos e evitando as distorções e desequilíbrios que a governação que até hoje tem acontecido, tem provocado.
A regionalização é um assunto de que se fala há muito tempo e de que me lembro de ter participado em estudos e encontros diversos que a discutiram, analisaram os seus prós e contras mas, sobretudo, realçaram os benefícios que traria a um país como Portugal que, embora territorialmente tão pequeno, tem características tão diversas, com as quais ninguém parece saber lidar muito bem.
Os políticos portugueses têm medo de largar o naco, não vá o poder fugir-lhes...
Mas, como pelo fruto se conhece a árvore, não pode haver outra certeza senão a de que, do modo como este país tem sido administrado, não resultam grandes frutos. Está à vista de todos que a árvore está apodrecida.
Um “interior” empobrecido e em constante desertificação é a prova do que digo.
O referendo que, já lá vão não sei quantos anos, foi feito é, definitivamente, a prova mais evidente de se não querer ou não saber como regionalizar, tirando da regionalização os proveitos que pode dar.
Atrevo-me a dizer que é o desconhecimento mais parolo do que seja a regionalização.
Nunca consegui esquecer o disparate que foi o referendo feito, desde a proposta de regionalização apresentada até ao modo como foi discutida. Foi ridículo demais, tanto que não consegui, sequer, entender as perguntas que me faziam e não acredito que não tenha sido propositada a confusão que geravam.
Agora o PCP levanta, de novo, a questão da regionalização para o qual propõe um calendário, com diálogos entre municípios e partidos.
E mais uma vez me parece que a montanha vai parir outro rato peludo e de rabo comprido. Talvez uma ratazana!
Deveria o PCP começar por definir o que é a regionalização que pretende que se faça, bem como os objectivos que com ela pretende alcançar, pois é por aqui que se começam os projectos bem pensados e avaliados que não sejam meras aventuras.
Se é o desenvolvimento do país que está em causa, o melhor aproveitamento dos recursos naturais que se pretende e é único modo de aumentar os que ficam disponíveis para satisfação das nossas necessidades, então haverá muito trabalho para fazer, muito para conhecer e analisar, o que se não faz nos tais diálogos que o PCP propõe, sem o qual tudo não passará de uma repartição de território que tal como aquela em províncias, distritos e concelhos, não passou do que se vê. Funcionam os Concelhos que se formaram nem sei como e são tão desequilibrados como o é o país que, deste modo, jamais sairá da cepa torta! O resto não serve para nada!
Mas já dei para este peditório. Está escrito algures por aí.
Agora, vou esperar pelo que aconteça, do que sairá destas cabecinhas iluminadas que, como é hábito, escondem interesses estranhos em propostas que parecem generosas.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

O SARAMPO E A TEORIA DO CAOS…



O reaparecimento de sarampo em Portugal depois de quase 40 anos sem qualquer doente com esta maleita, é uma das consequências da globalização que abre mais amplos caminhos àquela teoria segundo a qual, se uma borboleta bater as asas em Pequim poderá desencadear, mais tarde, uma tempestade em Nova Iorque.
Já são raros os lugares do mundo aos quais todo o resto seja indiferente, que não tenha alguma influência no que se passa num outro lugar qualquer.
Nos meus tempos de criança, o sarampo era uma daquelas doenças que toda a gente apanhava, a qual, em conjunto com outras mais próprias dos nossos mais verdes anos, levou ao bem conhecido dito “sarampo, sarampelo, sete vezes te vem ao pelo”.
Todas as crianças acabavam por ter sarampo depois de ir para a escola onde o contágio era mais fácil.
Naquele tempo, poucas vacinas havia para além da que prevenia a varíola e a tuberculose, o bcg.
Duas doenças que Portugal erradicou mas que, infelizmente, regressaram reforçadas.
Na tuberculose, o perigo maior vem da resistência aos antibióticos criada pelas bactérias, resultante da sua utilização imoderada, uma dificuldade que está a ser muito difícil de ultrapassar.
Quanto às epidemias de sarampo que grassam por diversos países da Europa e a Portugal também já chegou, será, segundo a Direcção Geral de Saúde, muito pequena a percentagem da nossa população não protegida, tanto porque os mais velhos todos tiveram o sarampo como, dos outros, é muitíssimo elevada a percentagem dos que estão vacinados, mesmo não sendo a vacinação obrigatória. A ser assim, não será de esperar uma epidemia de sarampo com a dimensão das que, infelizmente, estão a acontecer em outros países.
Porque as consequências da doença podem ser graves, como o demonstra a morte já acontecida de uma adolescente não vacinada, a questão da obrigatoriedade da vacinação veio à ordem do dia, ao que há quem se oponha invocando direitos constitucionais que devem permitir que cada pai tome, em relação aos seus filhos, a atitude que julgar mais conveniente.
Ouvi, mesmo, um pai, manifestar-se abertamente contra a vacinação com receio do autismo que possa causar, ainda que tal não esteja cientificamente demonstrado que possa acontecer ou que não possa! Esta posição poderia levar-nos a uma discussão bem longa, tanto quanto à probabilidade que se não conhece como a qualidade científica da atitude que protegerá de uma desconhecida hipótese de um efeito colateral mas não de uma elevada probabilidade de sofrer a doença, da qual, em princípio, protege, evitando as consequências graves que pode ter.
Também um confronto entre direitos individuais, como o de tomar ou não a vacina, e os direitos de quem, num infantário, num internamento qualquer ou numa escola, por exemplo, ou de um recém nascido que ainda não pode ser vacinado e, por isso, pode ser contagiado pelos que se não vacinaram, tem de estar em discussão, não sendo, para mim, clara a hierarquização dos direitos em confronto, pela dificuldade, sempre grande de, num caso como este, se confrontarem o direito de alguém com os direitos dos demais.
Este é mais um caso, entre muitos que se colocarão, em que o confronto das liberdades e dos direitos terá de ser repensado à luz de factos  concretos perante os quais a vida nos vai colocando.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

A IGNORÂNCIA LEVA À DESTRUIÇÃO



Tantas vezes pensei que os jornalistas se deveriam preocupar mais com as coisas boas que acontecem, fazerem delas, mais do que das desgraças, a principal razão de ser das notícias que publicam, das investigações que fazem.
Mas, vistas bem as coisas, talvez não conseguissem material para preencher o papel de um pequeno jornal, quanto mais de tantos que se publicam, porventura quase sem utilidade.
Na realidade, depois de lido o jornal, seja ele qual for, pouco tempo nos ficará na memória grande coisa do que lemos e poucos serão os temas que se nos revelam de interesse.
Mas lemo-lo pelo gosto mórbido que as desgraças despertam.
Falo da chamada comunicação social generalista que pouco difere das conversas de comadres ou das conversas de café que mais não fazem do que dizer mal de qualquer coisa ou de alguém ou apenas servem para preencher os momentos de ócio, esquecer as horas de trabalho duro ao longo do dia.
Mas apesar de ser assim, do interesse menor que cada vez mais revela, a comunicação social, escrita ou falada (na televisão, obviamente) cresceu e continua a crescer sem que veja nela o interesse social que deveria ter porque jamais se ocupa das questões mais importantes que os novos problemas colocam à Humanidade e cada vez mais se iludem quanto às razões que os geram.
Bastará atentarmos no modo breve e revelador de ignorância com que, por vezes, se referem aos novos conhecimentos científicos sobre a realidade em que vivemos aos quais mal dedicam atenção, se é que os compreendem ou lhes interessam.
E para que a cereja ficasse bem destacada no topo do bolo, a maior potência e economia mundial é agora comandada por alguém para quem a Ciência, porventura a China também, é a mãe de todos os males, estando a salvação na continuação dos erros praticados. Sinal de como a política é ignorante também, uma ignorância que se ignora e, por isso, é tão perigosa.
Cada vez mais se cuida da carne que brevemente apodrecerá, em vez de cuidar das coisas do que será eterno.
A cada dia que passa, o Homem mais se reduz ao homenzinho passageiro desta nave já arrombada na qual viajamos pelo Tempo.
E de pouco valerá explicar mais a quem esteja decidido a não compreender ou, sequer, ouvir.

terça-feira, 18 de abril de 2017

TRUMP, O TEMPO E OUTRAS COISAS



Parece tudo estar incerto. Como o tempo que tão depressa parece ser Verão como, depois, mostra saudades do Inverno.
O tempo da regularidade passou e tornou-se impossível aquela atitude normal de, a certa altura do ano, empacotar e arrumar cuidadosamente a roupa quente porque, agora, é de roupa fresca que preciso. Ou o contrário.
Depois do dia de Verão que ontem vivemos e me fez sentir bem a jantar na esplanada, hoje acordei que fortes e ruidosos golpes de vento que pareciam querer arrancar-me a janela do quarto e a temperatura deu uma queda daquelas.
Em vez de um sol radioso vejo um dia acinzentado que me faz prever que mais escuro vai ficar.
E dizem os especialistas do tempo que a temperatura vai cair ainda mais, para, depois, voltar a subir. E, depois, sei lá eu ou sabem lá eles o que passará pela cabeça dos chineses que, diz Trump, criam estas manobras de diversão para acreditarmos nas alterações climáticas que prejudicam a economia americana.
Os disparates que ouvimos serão para rir ou para chorar?
Mas será melhor não me meter nestas discussões dos homens do poder, que até podem ser uns ignorantes mas são eles que mandam… Em quê?
Serão? Também não sei.
E, por isso, não sei o que vai acontecer, se a América repetirá os bombardeamentos com pré-aviso na Síria, se vai reduzir a cisco a Coreia do Norte, ou se Trump, ao contrário de tudo o que se pensa, não será o génio de que o mundo precisava para o meter na ordem, sem necessidade de reforçar o arsenal nuclear!
Aliás, nem sei para que, se já existem a “mãe e o pai de todas as bombas”, se os russos tem um super foguetão capaz de destruir um país inteiro de uma só vez e Kim Jong-Un diz ser capaz de enfrentar qualquer força, por mais forte, que o ataque.
Se uma pequena bomba nuclear fez o que fez em Hiroshima, o que farão estes brinquedos ao mundo inteiro?
Melhor é combinar que, depois do “jogo”, quem ficar conta a história.
Por isso já quase desisti de pensar nestas coisas, limitando-me a viver o dia a dia nesta parte final da longa vida que já levo, durante a qual vi acontecer as coisas mais estranhas e inesperadas, num planeta cuja população mais do que triplicou!
A verdade é que este já não é o mundo em que nasci, ainda que seja o mesmo planeta onde despertei para a vida e onde, decerto, esta acabará. Não sei é como...
E divirto-me a ouvir os oráculos que esta vida fez aparecer aos milhares, ou milhões até, cada qual com as suas previsões de futuro. E eu fico sem saber qual deles acontecerá, porque não sei aquelas coisas estranhas que eles dominam na perfeição e lhes permitem aqueles discursos cabalísticos, ainda que, depois, nada aconteça como previram. Para o que logo encontram uma explicação. Obviamente!
Então… que o digam o Trump, o Maduro, o Kim Jong-Un, o Putin ou Xi Jinping, sei lá, se, por acaso, o sabem dizer.
Mas não sabem, com certeza, e é isso o que mais me preocupa.