ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

MODAS DE LINGUAGEM JORNALÍSTICA



Em vez de simples e normal que um português bem falado pode tornar muito agradável, a linguagem na comunicação social, desde há tempos que passou a ser mal cuidada e de modas.
Agora está na berra o “arrasar” e não serei exagerado se disser que numa olhada atenta sobre o que se escreve em cada dia, o “arrasar”, um verbo que dá para quase tudo o que é extremado, aparece dezenas de vezes.
Em títulos bombásticos está sempre presente. Este é arrasado por aquele que outro arrasou também…
Perdeu-se a serenidade de que a razão precisa para se manifestar e construir, substituída por radicalismos obtusos e destrutivos que parecem ser moda por todo o lado no mundo.
O tempo tornou-se escasso e é preciso correr para não ser ultrapassado no que se faz, no que se diz, no que se escreve, porque o “bolo” é cada vez menor para tantos que o querem comer.
Em vez da independência que deveria ser ponto de honra do jornalista, é preciso escolher o lado em que se está das muitas barricadas que as lutas de interesses vão levantando. 
E se o vento muda, há mudar depressa também.
E assim se sucedem as informações que desinformam, se arrasa a língua a que Pessoa chamou a sua pátria, se defende ou ataca quase tudo e o seu contrário também.
A comunicação social tornou-se como as comadres que se encontram para a conversa do costume. Têm de falar e se não há de que, arrasa-se. O que? Interessará isso para alguma coisa?
Mas já houve outras modas como a do recorrente, dos targets, das vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas e outras que foram passando. Por isso não passam de modas.
Por que não volta aquele jornalismo comedido, sensato e bem informado que, por sê-lo, nos informava e nos dava gosto ler?

A GRANDE CONFUSÃO E A CAIXA DE PANDORA



Por detrás dos insultos mútuos entre Trump e Kim Jong-un, ridículos e bem demonstrativos da qualidade dos poderes a que o nosso mundo está entregue, esconde-se o problema gravíssimo da luta pela hegemonia na Terra, uma tara que deve ter começado nos primeiros tempos da Humanidade quando Caim matou Abel.
Continuou com muitos outros como Gengis Can, os imperadores chineses, os imperadores romanos, os reis do Egipto, Alexandre o Grande, Hitler, Estaline e sei lá quem mais e teve na “guerra-fria” que se seguiu à Segunda Guerra Mundial uma situação que bem poderia ter provocado o caos maior depois da extinção dos dinossauros.
Hoje serão três os que disputam o estatuto de maior, os Estados Unidos, a Rússia e a China que criou o “menino traquina” que agora lhe baralha as contas e pode levar a disputa pelos caminhos tortuosos de uma guerra em larga escala e com efeitos desastrosos.
Não creio que passe de uma basófia desmedida a garantia de Kim de afundar a América se Trump continuar com as ameaças que faz ou a declaração do embaixador da Coreia do Norte na ONU, mas quais afirmou ter-se tornado inevitável atacar a América depois das ofensas de Trump ao “grande líder” pelos nomes que lhe chamou, tal como não creio que Trump decida erradicar a Coreia do Norte do mapa como tantas vezes já afirmou.
São actos demasiado radicais para que até o pouco bom senso que ainda resta no mundo as consinta.
Mas as ideias estão no ar e os interesses de russos e chineses continuam atentos, nunca se sabendo o que poderão fazer nesta guerra de pavões.
Mas não me parece, também, que esta cavalgada de ameaças e de insultos possa eternizar-se sem que algo aconteça, nem creio que possa haver diplomacia que evite o caminho da violência, tal como aconteceu em 1939 na Europa.
Há uma caixa de Pandora prestes a abrir-se de novo e, desta vez, é muito difícil saber o que sairá depois de todos os males que dela já saíram e a esperança, desde sempre nela aprisionada, poderá ter-se transformado no desespero que leva à desgraça.

domingo, 24 de setembro de 2017

QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO. MAS CAÇA!



A propósito do que escrevi sobre o desparecimento de material dos paióis de Tancos do que a Associação de oficias culpa o desinvestimento na defesa, lembrei-me de uma das muitas histórias de que foi feita a minha vida.
Já lá vai muito tempo e não teria eu mais dos que uns 25 ou 26 anos. Cumpria o meu serviço militar no Regimento de Transmissões, no Largo de Sapadores à Graça, depois de ter concluído o curso de oficiais milicianos.
Era, então, um “aspirante” a quem o destino determinou que entrasse na escala dos “Oficias de Dia”, aqueles que, depois do “toque de ordem” e na ausência do Comandante, ficam responsáveis pelo quartel.
Naquele dia e depois do acto em que todos os militares de serviço me fizeram a sua apresentação, o que me obrigou a manejar a espada umas largas dezenas de vezes, tudo parecia ir correr normalmente e sem dramas.
E mais um dia se passou nas tarefas do costume que, dadas as minhas condições de miliciano, procurava que decorressem sem problema algum.
Mas no final do dia e já naquela hora em que se procura algum descanso pois o oficial de dia não é de ferro, chegou o telefonema inesperado que, depois de alguns desentendimentos desagradáveis quanto à minha condição de responsável pelo quartel por ser meliciano, me mandava colocar o quartel de prevenção porque, diziam-me, havia a possibilidade de ser assaltado.
Porque ou por quem, não me disseram.
A notícia não podia ser melhor nem mais oportuna e logo foi comigo que aconteceu!
Como nem na minha pistola tinha balas, chamei o Sargento da Guarda com quem analisei a situação.
Teríamos com que defender o quartel durante dois ou três minutos, depois do que nem fisgas tínhamos para disparar as pequenas pedras que pudéssemos recolher no chão da “parada”.
Uns telefonemas urgentes e consegui que o oficial responsável pelas munições pusesse à minha disposição 5.000 balas tracejantes que, por estarem já fora do prazo, tinha armazenadas para abater à carga.
Reforcei as sentinelas, dei-lhes algumas instruções especiais e fiquei à espera do momento em que as tais balas fora de prazo pudessem ou não rebentar mas que, por serem tracejantes, acontecesse o que acontecesse, sempre fariam um belo arraial.
Passei a noite a fazer rondas, a manter acordados sentinelas sonolentos, até que amanheceu e o quartel se começou a encher de gente.
Foi um alívio para mim que, finalmente, pude saber a razão de tanta azáfama. O Comandante Henrique Galvão tinha assaltado, em alto mar, o Santa Maria!
E lá pude ir descansar com a consciência tranquila de que não teria sido fácil tomarem o “meu” quartel. Mesmo sem balas…