ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A ÁGUA, UM BEM ESSENCIAL CADA VEZ MAIS ESCASSO



Numa entrevista ao “Notícias ao Minuto”, o presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento falou da importância de levar em séria conta os efeitos das alterações climáticas que nos obrigarão a adaptações significativas no nosso modo de viver.
Para além do aquecimento global que já não há como ignorar e, muito menos, afirmar ser uma invenção dos chineses para prejudicar a economia americana (Donald Trump), o “tempo” apresenta outras alterações também, tanto na intensidade como na frequência da generalidade dos fenómenos meteorológicos.
A seca profunda que vivemos, a qual resulta de épocas secas sucessivamente mais intensas como tem ocorrido ao longo dos últimos anos, é causa de grandes preocupações pois, a continuar assim, irá obrigar-nos a um modo de vida completamente diferente daquele a que estávamos habituados, obrigando-nos, por vezes, a geri-la quase gota a gota.
Haverá épocas de cheias intensas, assim como as grandes secas se tornarão mais frequentes, obrigando-nos a lidar com a água de um modo diferente
A água, tão indispensável à vida que sem ela a vida nem existe, obrigar-nos-á, muitas vezes a utilizá-la de um modo bem diferente, fazendo poupanças a que não estamos habituados. Por isso é bom que nos habituemos a olhá-la como um bem essencial muito escasso.
O “ciclo natural da água” sofrerá modificações profundas, sendo a variação da quantidade de água contida no reservatório terrestre (solo, linhas de água e lagos), a que maiores problemas nos causará, em consequência das variações profundas que sofrerá.
Por isso, as transferências de água entre períodos húmidos e secos terão de ser cada vez mais cuidadas e garantidas, assim como as infraestruturas que evitem cheias excessivas em áreas urbanas terão de ser repensadas a adaptadas à novas condições de vida em que não será a troca de carro, a compra do último modelo de telemóvel e outras inutilidades, a moda nem a cozinha estrelada pela Michelin o que mais nos preocupará.
A sobrevivência passará a ser a nossa preocupação dominante.
Mas, ao contrário do que diz o presidente do CNAD, apenas passará a ser um luxo sem sentido usar nos autoclismos a mesma água que temos nas nossas torneiras, quando a falta de água nos obrigar a não tomar banho, assim como nos impeça outras utilizações que nos proporcionam o conforto que poderemos vir a perder.
A poupança de água não se fará no tratamento a que a submetemos para que o seu consumo seja seguro, mas sim evitando os excessos com que nos habituámos a utlizá-la.
Mas muito melhor e menos penoso seria abdicarmos do que tem feito acelerar o aquecimento global, este consumismo excessivo a que nos habitámos porque a "economia do milionários egoístas" nos deslumbra com a vida faustosa que levam.



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

A CASSETE ESTÁ DE VOLTA



O discurso do deputado João Oliveira, do PCP, no debate da moção de censura ao Governo apresentada pelo CDS, mostrou claramente por que o Partido Comunista não mudou nada desde Álvaro Cunhal, não acompanhando os tempos que alteraram as condições de vida e as circunstâncias em que vivemos.
Foi um discurso típico e moldado pelos jamais alterados lugares comuns aos quais, um dia, alguém chamou cassete.
Desaproveitou, completamente, a oportunidade de discutir assuntos da maior importância para proteger o povo que diz defender, ignorando as desgraças cujo sofrimento por muito tempo vai ser sentido, mas não perdeu a oportunidade de atacar a “direita”, persistindo numa divisão política que, dia a dia, as circunstâncias menos justificam.
Os problemas, cada vez mais graves, que a vida nos coloca, exigem atitudes concretas de solução que as ideologias perdem de vista nas aleivosias que praticam quando ignoram a realidade ou, pior do que isso, a tentam disfarçar com promessas de um futuro melhor, mas que jamais permite aliviar o aperto do cinto senão emagrecendo.
As circunstâncias mostram, cada vez mais claramente, os males que o crescimento económico sem sentido mas que sempre tanto almejamos, entre as quais as tragédias que acabamos de viver, são fruto de ganâncias que restringem a capacidade de ver como caminhamos para um precipício profundo.
Perante um país pintado do negro em que se desfez a vida de tanta gente, que se tornou o deserto onde nem miragens conseguem disfarçar o nada em que tanto trabalho se tornou, o PCP enche a boca com o povo e com o que em seu nome reclama, mas ignora o sofrimento que sente.
Por isso votou contra a moção que tinha por objectivo condenar o Governo pelas catástrofes que não soube evitar, fizeram o país mais pobre, por mais baixo que seja o défice que se apregoe.
A morte de mais de 100 pessoas cujos corpos o fogo consumiu, perdas de muitas centenas de milhões de euros em bens que o fogo consumiu, o sofrimento de muitos milhares de pessoas que perderam entes queridos ou perderam tudo o que ao longo da vida conseguiram juntar, tudo isto não bastou para que fosse julgada oportuna uma censura a quem, por incúria, não evitou que tudo isto acontecesse.
O debate mostrou que a cassete está de volta e se tornou o modelo oficial da geringonça quendo tem de falar sem dizer nada.

 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

COSTA, O HOMEM QUE A CHUVA NÃO MOLHA



Jamais me passou pela cabeça que pudesse acontecer, mas aconteceu. Um governo completamente desnorteado e sem saber o que fazer, perante a maior tragédia relativa a incêndios florestais no nosso país é apanhado de surpresa (!!!) e não sabe o para onde se virar. 
Pior do que isso, deixa que aconteça de novo! E a razão para o segundo drama é a suprema estupidez: a época dos incêndios tinha acabado e, por isso, foram reduzidos os meios de prevenção e de combate!!!
Talvez a culpa seja apenas de São Pedro que não mandou chover quando devia… Pois claro!
Inacreditável, mas verdadeiro e profundamente trágico, mostra um governo completamente desapegado da realidade e, pior do que isso, longe dos cuidados que deveria ter para com o povo que se propôs governar, mas em relação a cuja segurança mostrou uma frieza a rondar a indiferença.
Afinal, as chamas não mataram mais do que gente vulgar cujo nome nunca veio nos jornais nem destruiu os bens de gente conhecida.
Os malditos incêndios parecem ter um gosto especial pelo Zé Povinho que vive lá para o Interior cada vez mais deserto e abandonado.
Deslumbrado pelos “números trabalhados”, os quais, perante uma Europa que com montes de dinheiro nos tem comprado a alma, lhe granjeiam elogios, tudo o mais que faz é porque a “geringonça” o vai exigindo em troca do seu indispensável apoio na AR, a isso o obrigam os protestos dos funcionários públicos cujas greves poderiam causar profundas mossas ou os interesses eleitoralistas que jamais se podem perder de vista.
Desta vez foi, também, a pressão do Presidente da República, pela cabeça de quem talvez tenha passado a ideia de dissolver a AR, o que levou um governo assustado a aceitar pacificamente, como se de um caderno de encargos se tratasse, um relatório técnico-científico sobre o qual, deste modo, declina a responsabilidade de decisões que deveriam ser da sua exclusiva competência, pois não me parece que nele se encontre algo que não fosse já sabido e muitas, muitas vezes reclamado.
Ai é assim? Deixa lá ver que eu faço!
Abro uma excepção para o que diz respeito à origem dos incêndios, a propósito do que não entendi se se trata de uma hipótese possível e, por isso, admitida como tal ou se de uma conclusão “científica” que não vejo como a ela se tenha chegado.
As desobrigas cheiram-me a mentiras e aquele pedido de desculpas do Primeiro Ministro, depois de muito instado para o fazer, disso não terá passado.
Mas quem foi de férias foi a ministra que talvez nos pudesse esclarecer de muita coisa acerca do seu pedido de demissão em Junho e sobre as razões da aceitação que, então, não teve, porque não era, decerto, oportuno conceder-lhe uma demissão que, sem explicações daria origem a especulações desagradáveis. Mas isso talvez nunca viremos a saber. Nem nos interessa porque é mais fácil brincar com as férias de senhora!
Mas de uma coisa sei, Costa nunca deixaria que fossem criadas condições para que as culpas pudessem ser-lhe atribuídas!