ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A DESCENTRALIAZÃO



Depois do malfadado referendo sobre a Regionalização, uma verdadeira tragédia que, para além dos disparates que foram ditos e das perguntas tolas que foram colocadas e para as quais nunca encontrei maneira de, em consciência, responder, já não falando da divisão do território que era proposta, a descentralização é agora a novidade do PS que substitui a regionalização de que a Constituição fala e para qual até impunha um prazo!
Bem sei que, no início, era o PSD o campeão da Regionalização, na qual encontrava as mais variadas vantagens que hoje repudia. Encontros, congressos, publicações são a prova de uma intensa actividade que fazia crer a regionalização como vantajosa e inevitável.
O Referendo não passou com o argumento de que teria um custo excessivo e inútil, dinheiro com o qual se poderiam, bem melhor, baixar os impostos. Foi o brilhante argumento de Portas.
Lembram aquela descida brutal de impostos que se seguiu? Nem eu! Nem aquela Regionalização se fez, felizmente, nem os impostos baixaram. Mas como em terra de cegos quem tenha um olho é rei…
A ignorância sobre as vantagens e os custos da regionalização era total ou assim parecia ser, talvez porque assim conviesse a um poder central míope ou egoísta. Escolham.
Desde então passou tanto tempo que julguei que a regionalização fosse já preceito para sempre esquecido. Mas a Descentralização aparece como que para a substituir, para o que serão feitas umas regras para a sua aplicação.
Mas descentralização e regionalização não são a mesma coisa seja qual for o regulamento que tenha.
Na descentralização nada mais acontece do que a transferência da execução de certas tarefas do poder central para as autarquias locais, sem qualquer capacidade de iniciativa nem de adaptação significativa às condições locais. O poder central decide e as autarquias executam!
O mais importante nas regiões como autarquias intermédias é que o espaço nacional é organizado segundo parâmetros físicos, sociológicos, económicos e financeiros, com dimensão que lhes permita equivalências e economia de escala que permitam a melhor forma de valorização e aproveitamento dos seus recursos como, também, a minimização dos meios necessários para realização das tarefas necessárias.
Em suma, a regionalização seria, a um tempo, uma organização administrativa e de planeamento territorial, aquele de que Portugal necessita para travar os desequilíbrios que, a cada dia que passa, maiores, lá vão empobrecendo e desertificando o país.

domingo, 28 de maio de 2017

A MENTIRA JÁ VEM DE LONGE MAS TEM PERNA CURTA… HOJE ATÉ TEM UMA CARTILHA!



Há coisas que se não entendem facilmente. E no que diz respeito ao futebol não são algumas, são muitas, tantas que não faria sentido falar de todas elas, nem sequer mais do daquela que me sugere (para não dizer até que me informa) uma cópia do Jornal do Benfica (não, não me refiro à Bola que nasceu para celebrar o Benfica em continua a ser).
Porque esta mentira das datas já é velha, o Jornal do Benfica resolve, um dia, esclarecer como nasceu esse clube que nasceu da fusão de outros dois, numa crónica ou num editorial a que foi dado o nome “dos primórdios ao “verdadeiro” Benfica”, o qual termina assim “E, como atrás se disse, a 13 de Setembro de 1908, feita a fusão, a colectividade apresentava outro nome: Sport Lisboa e Benfica, que, com o número total de 222 sócios haveria de pôr ponto final às tão numerosas metamorfoses de rótulo.
Era finalmente o Benfica!
Afinal, o Sport LIsboa e Benfica nasceu quando? Pelo que leio aqui foi em 1908.
Aliás, vejam este delicioso texto que encontrei para contrapor àquela ,estafada e sem nexo, história da fundação do Benfica numa Farmácia do bairro…
“… Sportinguista aficionado (Cosme Damião) tentou por tudo tentar que o Benfica fosse mais parecido com o Sporting, sem nunca o conseguir.
No entanto no dia 27 de Agosto de 1911 jogou pelo Sporting Clube de Portugal, cumprindo o seu sonho. (seria melhor dizer época 1910/11)
Anos mais tarde, nos anos 40, surgiu um livro que ainda hoje tentam usar como prova de que não era o Sporting, era apenas uma seleção de Lisboa mas que usava o equipamento do Sporting. Claro que sem provas nem sentido. Ao contrário da foto que é bem clara.
É como a história dele ser o fundador do Benfica, mas na tal acta de fundação faltar o nome dele. E claro, os benfiquistas sempre a tentar reescrever a história dizem que até foi ele que fez a acta, mas que por humildade não a assinou. Algo lógico. Tão lógico como esta acta referir a Farmácia Franco, com F, quando só depois de 1910 se ter começado a escrever Farmácia dessa forma…”
Afinal fundou o Benfica em 1904, jogou no clube do seu coração, o Sporting, em 1911 e, por humildade(????!!!!), não assinou a acta da fundação que teve lugar na tal farmácia que, pela data da acta se escrevia pharmácia e não farmácia como dela consta!
Depois aquele artigo do Jornal do Benfica para tirar teimas que cita 1908...
Que raio, vejam lá se esclarecem as coisas, talvez com uma desculpa daquela que o Janela facilmente arranja, mesmo que se veja logo o disparate que é...

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O DENOMINADOR COMUM



(fotografia tirada no Sul do Sudão e que ganhou um Prémio Pulitzer - o corvo espera a morte da criança para dela se alimentar)

No já longo tempo que por aqui ando e das muitas mudanças a que, por isso, assisti, é inevitável encontrar um denominador comum a todas elas o qual é, nem mais nem menos, o tipo de vida que decidimos viver.
Naturalmente, porque é ele que dita as nossas atitudes que jamais vi serem e cada vez vejo que são menos, aquelas que a Humanidade deveria ter no mundo finito, pobre e pouco estável que temos para viver.
Talvez por isso me lembro daquele sábio ditado que diz que “casa onde não há pão” todos ralham mas ninguém tem razão”.
Pode parecer despropositado invocar tal dito quando o crescimento económico, o consumo crescente é a realidade que os políticos constantemente perseguem e procuram tornar evidente em estatísticas que resultam de ensaios em amostras cada vez menores e, por isso, menos significativas da realidade, além de muito distorcidas também.
Quando estudei, “cálculos de probabilidades” não ia além disso mesmo, de probabilidades que resultavam do tratamento das estatísticas disponíveis e que nada mais são do que registos de valores que depois se tratam consoante a resposta que se deseja. Por sua vez, as estatísticas não passam de valores casuísticos que, supostamente, têm as características da realidade global da qual foram colhidas.
Como sempre ensinei aos meus alunos, NÃO SE DEVE CONFUNDIR A REALIDADE COM O QUE SE FAZ COM ELA! E hoje fazem-se coisas bem diferentes de outros tempos.
Qualquer conjunto de dados é uma estatística e um punhado de qualquer coisa é tomada por uma amostra representativa do todo a que pertence, mas onde há coisas tão diferentes daquelas que a amostra contém.
Vêm depois as relações que se estabelecem e, finalmente, a interpretação que se lhes dá.
Porque a realidade do mundo não é aquela que nós, por aqui, conhecemos , não é, portanto, do que apenas por aí se passe que se devem colher as estatísticas com as quais se pretenda uma visão alargada do futuro que o que se passa por todo o mundo influenciará. Então, que sentido fará falar dos sucessos da Europa ou da América do Norte se esquecermos realidades como tantas que há em África, na América latina ou no Sudoeste asiático?
É mais de metade do mundo que não entra nas nossas contas, que não incluímos nas nossas “amostras”, mais de metade do mundo que espoliamos do que lhes pertence e cujos bens exaurimos até que não sobeje nada.
Depois, qual será o nosso futuro? Em que estatísticas nos basearemos?
Que acontecerá a Wall Street quando da pilhagem que o Homem faz dos recursos naturais nada mais haja que o sustente e, por isso, implodirá e, com ele, toda esta forma de viver que, de tão preocupada com o crescimento, se esquece, cada vez mais, do “desenvolvimento” que nos faria viver melhor.
Há um mundo inteiro para desenvolver, em vez de um mundo inteiro para pilhar até à exaustão da própria vida.
Mas não parece ser esse o entendimento que se tem da realidade que cada vez mais se aproxima de ser a de lutar pelo que, cada vez menos, da pilhagem vai ficando! 
Esta será a casa que não tem pão!