ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

terça-feira, 30 de junho de 2015

SORTEIO OU NOMEAÇÕES NAS ARBITRAGENS?


Ontem, por fim, os clubes profissionais de futebol decidiram que desejam acabar com as nomeações dos árbitros e regressar ao sorteio como, desde há muito, o Sporting propõe.
Numa reunião que se dividiu por duas sessões, o resultado final da votação que foi de 28 votos a favor do sorteio contra 16 dos que o não queriam, não deixa dúvidas quanto ao desejo de acabar com as nomeações que a tantas polémicas têm dado aso, sobretudo pelos erros clamorosos ocorridos em jogos nos quais beneficiar uma das equipas pareceu ser o objectivo.
Curiosamente, pouco antes de conhecidos os resultados, ainda alguém afirmava na rádio que as nomeações se iriam manter, com uma certeza porventura igual àquela que teria o representante do Benfica que abandonou a reunião quando se apercebeu de que resultado da votação não seria o que desejava.
Mas enfim, até posso entender o desespero de alguém que vê fugir as vantagens que as nomeações lhe poderiam trazer! Ou votaria a favor delas por que?
Mas que um árbitro, para quem a tarefa é, simplesmente arbitrar segundo as leis do jogo sejam os contendores quais forem, se manifeste contra o sorteio, é coisa que já não dá bem para entender sem ter de considerar outros interesses quaisquer!
Então quais seriam as vantagens das nomeações quando o último jogo oficial da época, a Taça de Portugal, mostrou não ser a qualidade o critério que as orienta?  Ou será que esse critério se traduz na nomeação de um árbitro que desceu de “divisão” para o jogo mais decisivo da temporada?
Mas dizem os derrotados “atenção”, porque esta é uma escolha que ainda carece da ratificação da Federação Portuguesa de Futebol!
Esperarão eles que a FPF cometa a enormidade de contrariar o que os clubes, em grande maioria, decidiram?
Também era o que faltava para que o gato escondido não fique apenas com o rabo de fora…



segunda-feira, 29 de junho de 2015

OUTRAS “POLÍTICAS”, AS MESMAS "PROMESSAS"


Há outras políticas para além daquelas das quais mais se fala. E, em todas elas, o poder se alcança e conserva com “promessas” que, por via de regra, se não cumprem. Daí o valor da “alternância” sistemática da qual, decerto por incapacidade minha, ainda não consegui reconhecer o mérito.
No desporto também é assim. Mas há excepções!
Enquanto mais uma de muitas promessas eleitorais da actual Direcção do Sporting Clube de Portugal se cumpria, a do esclarecimento do seu passado recente, a AG histórica dos sportinguistas que ontem teve lugar tomou conhecimento, através de um vídeo com a duração de quase 20 minutos, de uma outra AG “histórica”, em 1994, na qual José Roquete prometeu, com o seu “projecto”, tirar o Sporting do estado “calamitoso” em que se encontrava – 600 mil euros de responsabilidades financeiras e um património valioso – para o transformar no maior clube de Portugal, da Europa, do mundo!!!
Foi Godinho Lopes quem, detalhadamente e com muitos números que previam "proveitos" estrondosos, explicou os pormenores de tal projecto grandioso que tornaria o Sporting arquimilionário mas que, afinal, tal como a realidade encontrada em 2013 o demonstrou, precisamente no final do mandato em que Godinho foi Presidente, o arruinou completamente!
Não se dignaram os senhores de outrora dar a sua participação directa no esclarecimento do que, pelo Sporting, haviam feito. Nem creio que de outro modo o venham a fazer porque, como é seu hábito, farão dos insultos a que já nos habituaram e a comunicação social pressurosamente acolhe, as suas razões, porque outras não possuem para justificar os clamorosos erros que cometeram e uma auditoria de gestão deixou, sem margem para dúvidas, bem claros.
Só não sei quem, para além dos comentadores deslumbrados por outras cores e da Comunicação Social comprometida nesta campanha dura e impiedosa contra o Sporting e, muito particularmente, contra o seu Presidente, lhes irá dar ouvidos, demonstrado que ficou ser a ruína do Clube a sua grande e realizada promessa.
Não sei o que dirão os outros apaniguados que se permitiram falar do que não sabiam, criticar aquilo de que não tinham conhecimento e, até, com o despudor e a leviandade própria dos que se julgam senhores da verdade e intocáveis, por em causa o próprio Sporting em tudo aquilo que, independentemente de paixões clubistas, todos têm de reconhecer que tem sido o seu valor social, a sua influência na sociedade portuguesa, a boa imagem que de Portugal tem dado no mundo e lhe merece a condição de ser reconhecido, sem qualquer favor, como Instituição de Utilidade Pública!


sábado, 27 de junho de 2015

E PILATOS LAVOU AS MÃOS …


Cristãos e não cristãos conhecem bem o episódio da condenação de Cristo, da qual Pilatos lavou as suas mãos pedindo ao povo que, entre ele e o ladrão Barrabás, tomasse a decisão sobre quem enviar para a morte.
Assim se propõe fazer Tsipras com a decisão de aceitar ou não as condições que lhe impõem para poder ter a ajuda financeira de que a Grécia urgentemente necessita.
Mas para além desta semelhança com a fraca personalidade do Governador romano da Judeia há mais de 2.000 anos, há uma questão maior que é a de se propor repetir, num referendo, a pergunta que fizera na campanha eleitoral que lhe deu uma vitória clara e fez de si Primeiro-Ministro do seu país.
Em função do mandato que lhe foi conferido, a resposta às propostas das “instituições”, às quais se recusa chamar Troika, só poderia ser NÃO pois, de outro modo, trairia os seus eleitores a quem prometeu o fim da austeridade.
Se nisso o apoiaram com uma maioria que não deixou dúvidas, que significará, de facto, o referendo que vai fazer?
O referendo que fizer só pode significar o falhanço completo do que prometeu e, por isso e independentemente do resultado que tiver, novas eleições serão a verdadeira resposta à atitude que quer tomar.
De facto, se a resposta for para aceitar, Tsipras deve renunciar ao seu cargo porque tal significará ter de gerir conforme uma política que não é a sua. Se a resposta for o “não” que a lógica faria esperar, Tsipras deverá renunciar também pela incapacidade que revelou para decidir em conformidade com o mandato que recebeu.
Seria assim se a lógica na política não fosse uma batata que antes de apodrecer grela...


OS MEUS RESPEITOS, MINHA SENHORA


Sou um óbvio crítico de Mário Soares cujas crónicas domingueiras me parecem prova das incapacidades que a velhice sempre trás e das quais um ex-presidente da República deveria ser preservado.
A idade não perdoa e cada um tem o seu tempo. Disso estou seguro porque também terei o meu. Basta ter vida para que tal aconteça.
Mas, por certo, tem Mário Soares méritos que o guindaram à suprema magistratura do país, quer com isso se concorde ou não.
Mas não é a vida de Mário Soares que hoje me preocupa mas a de sua mulher, Maria Barroso, a quem uma queda criou uma situação de enorme gravidade, dizem que, mesmo, irreversível.
Não seriam incompatibilidades de pensamento ou de ideologias que me fariam negar a Mário Soares a solidariedade que todos merecem em horas de grande dor, como será a que sente com o infortúnio de sua mulher.
Daqui desejo o melhor a uma senhora que merece o meu respeito e, se possível, o restabelecimento da sua saúde.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

QUANDO SE ZANGAM AS COMADRES


Mal vai quando tento entender certas coisas para as quais não encontro explicações que me deixem satisfeito nem tranquilo.
Tento entender algumas atitudes de “notáveis criaturas” quando deixam os “poleiros” de onde exibiam o bel-canto que, sobretudo aos próprios, deslumbrava. Não tanto aos outros, por certo, que os criticavam e tinham a presunção de cantar melhor do que eles.
São muitas as dissonâncias que causam, as birras que fazem, as mágoas que carpem e até, por vezes, parecerão estranhos os novos caminhos que trilham que um “pentecostes” serôdio lhes terá revelado como os que os levariam à glória.
E tudo quanto defendiam agora atacam com as ideias que passaram a ser as suas e nos “convertidos” alcançam uma força em que dificilmente se não crê, até que um dia se esbatem, recolhidos num qualquer lugar confortável onde pouco convém dar nas vistas.
É a “verdade” que os guia, o sentido do dever que os move, o bem do povo e do país que lhes pedem o sacrifício que fazem ao dizer mal do que já foram.
Nem vale a pena falar dos que perdem eleições e das vantagens que vencê-las sempre trás, porque me lembro mais agora dos que dentro dos seus próprios partidos perdem privilégios ou neles não conseguem a dominância que gostariam de ter. Sim, porque para além, sobretudo para além, das disputas eleitorais entre partidos, nas quais todos acabam a participar para fazer entrega do poder que nunca tiveram, outras há bem mais duras dentro dos próprios partidos onde ferozmente se disputam lugares ao sol, situações dominantes, lugares de chefia, lugares em listas e tantas coisas em que até tirar olhos parece ser atitude que se aceita.
Por isso os partidos são mais unidos e afinados na oposição e fora dos períodos que antecedem eleições, quando todos se unem para assaltar o “castelo” que desejam retomar. Depois, a guerra é outra.
De resto e por exemplo, têm ouvido algum comentador do PS que critique o seu partido?
E se fizer a mesma pergunta relativamente ao PSD? Por exemplo também. Obviamente...


quinta-feira, 25 de junho de 2015

UM DÓ LI TÁ… ACORDO SIM, ACORDO NÃO


É cada vez mais difícil imaginar um acordo entre Tsipras e os credores da Grécia aos quais, nas suas promessas eleitorais, garantiu não ceder às exigências.
Numa atitude que pretende conjugar as vantagens do isolacionismo com os benefícios da solidariedade internacional, os políticos do Syrisa esperariam um espírito de tábua rasa que esquecesse o seu passado e lhes estendesse a mão sem as contrapartidas que, como é natural, as ajudas sempre exigem.
De resto, como explicar, aos que o elegeram pela promessa de acabar com a austeridade, que é mais austeridade ainda o preço dos apoios financeiros de que, urgentemente, a Grécia necessita?
Como o explicar quando nem o seu próprio partido o não entende e não aceita, ameaçando inviabilizar tal solução no Parlamento?
Entendem-se, por isso, os avanços e recuos nas negociações que ora parecem estar quase fechadas ora parecem distantes de qualquer solução que evite a bancarrota que se aproxima a passos largos.
Mas, por maiores que sejam as razões que a solidariedade invoque em favor de um auxílio que um mínimo de humanidade reconhece como indispensável e urgente, não vejo como, sem mudar radicalmente as regras existentes e, mesmo até, esta economia predadora que muitos egoísmos mantêm, a Grécia poderá ser ajudada.
Encontre-se ou não um modo que permita à Grécia receber o dinheiro de que necessita, todos temos a quase certeza de não passar de um expediente que, em breve, mostrará as suas fraquezas e de cuja falência resultarão problemas ainda maiores, como é próprio das soluções que o não são. 
Será que o mundo não entende que não é mais possível continuar a fechar os olhos aos problemas que se acumulam até inviabilizarem qualquer solução porque todo o processo tem o seu ponto de não retorno?



quarta-feira, 24 de junho de 2015

TRAPALHADAS


Eu não sei bem o que certas pessoas pensam do dinheiro, se cai do céu se da árvore das patacas.
Nem sequer entendo o que pensarão do seu valor quando reclamam mais dinheiro para viver melhor.
Talvez nunca tenham reparado que quanto mais dinheiro circula menos valor ele tem…
Por estas confusões são responsáveis certos ”políticos” que ou não sabem ou desejam lançar a confusão que lhes possa granjear simpatia e mais votos que aumentam os subsídios estatais aos partidos onde fazem a sua “carreira” de “servidores do povo” que, afinal, enganam.
Depois, chamam-se mentirosos uns aos outros, cada um se julgando o milagreiro que merecemos para nos aliviar as dores do inferno em que vivemos.
Por vezes, lembro-me dos tempos simples dos encontros com amigos, conversas de café, passeios com namoradas, dos filmes no S Jorge, dos concertos no jardim e de outros tantos prazeres simples que alegravam a vida que vivia tal como Jesus Cristo, sem me preocupar com a “economia”.
Hoje, em vez disso, vivo com o stress que esta vida acelerada impõe, com os impostos e as taxas que tenho de pagar, com as declarações que tenho de fazer, com as dezenas de cartões com que tenho de lidar, fujo das de telenovelas que a televisão, às dúzias, impinge em cada dia, enjoo-me com tanta culinária, fico zonzo com o rodopiar de tantos exímios bailarinos que fazem vibrar o Cifrão, detesto as piadas rascas dos humoristas que temos, e cada vez fico mais longe dos amigos com quem trocava ideias, me ria e me divertia, porque ninguém tem tempo para ninguém.
E cada vez que tento reaproximar-me dos que há bastante tempo já não vejo… melhor fora que os não tivesse procurado porque já partiram.
Perdi o tempo de conviver com quem gostava. Resta-me este tempo de “gramar” quem me chateia. Oiço os inteligentes que ganham a vida a debitar a ciência inútil que criaram, a de prever o que nunca acontece, a de criticar os que fazem sem terem de demonstrar que seriam capazes de fazer melhor.
E não posso esquecer-me dos políticos que me prometem as delícias de uma vida melhor mas depois me cortam na pensão para a qual descontei 50 anos!


terça-feira, 23 de junho de 2015

ENQUANTO O PAU VAI NO AR…


Como, aos poucos, se foi tornando expectável, o acordo com a Grécia parece ser possível depois de muitas cedências e, mesmo até, a ultrapassagem de diversas “linhas vermelhas” que eram muito claras no compromisso eleitoral do Syrisa que lhe deu a vitória e permitiu formar governo.
Pelo que se noticia sobre as últimas propostas do governo grego, as que os seus credores poderão, porventura, aprovar, não vejo diferenças significativas para o que foram as imposições feitas pela Troika a Portugal aquando do resgate financeiro que Sócrates acabou por ter de pedir, depois dos excessivos gastos que fez.
Questões semânticas são agora os “sucessos” de Tsipras reclama chamando “instituições” aos componentes da Troika e, depois de muitas recusas, diz estar agora a “bola” do lado dos credores! O que não parece agradar a muitos dos seus camaradas de partido que o acusam pelas concessões que fez e até admitem poder o Parlamento grego recusá-las.
Todos sabem, Grécia incluída, que não é esta a solução para coisa nenhuma, mais não passando de uma ilusão que em muito pouco tempo será desfeita, de um varrer de lixo para debaixo do tapete, de mais um faz-de-conta que reabrirá todas as questões dentro de poucos meses.
Mas como diz o povo, “enquanto o pau vai no ar, folgam as costas” que, depois, serão de novo agredidas por problemas que, em vez de ficarem menores, se agravam, com consequências graves para todos nós.
Por mais que Catarina Martins, naquele seu inexpressivo modo de falar, diga que a Grécia resistiu à austeridade, inventando um número de 8.000 milhões de euros que poupou, a verdade não é essa e também não vejo como poderá Costa tirar partido deste total fracasso do Syrisa para promover a bondade de ideias parecidas que tem.
A verdade, porém, é que um problema de todos nós se mantém, sem verdadeiras soluções à vista para o resolver...


A LIÇÃO DA TAP


O Jornal De Negócios dá conta de como a greve dos pilotos degradou a imagem da TAP, falando mesmo de “estrago valente”.
Isto significa que os prejuízos directos contabilizados, apesar de enormes, não passarão de apenas uma parte dos que a greve efectivamente causará pois, no futuro próximo, a perda de clientes a que a degradação da imagem dá lugar, provocará muitos mais.
Talvez fosse, até, esse o propósito da greve que, a ninguém passou despercebido, pretendeu evitar a venda de parte da companhia apesar de, com isso, impedirem também o financiamento urgente de que a TAP necessita para se manter.
Um problema ao nível do ambiente de trabalho influenciou directamente a percepção sobre o produto e o serviço”. E quanto à greve de 10 feita pelos pilotos, “afectou a força e o valor financeiro da marca”, degradou a sua “reputação, pois os colaboradores são dos principais embaixadores da sua construção”.
E, com isto, não posso deixar de recordar as consequências de outras greves passadas em grandes empresas que, em consequência dos seus efeitos, acabaram por desaparecer, assim provocando milhares de desempregados. Penso em como foi desmantelada a Lisnave, além de outras, e em como, também, os trabalhadores de algumas evitaram o mesmo destino que lhes garantiria o desemprego, aceitando a realidade, negociando e compatibilizando os seus interesses com os dos seus empregadores.
E não dá para não pensar sobre a razão pela qual as privatizações são tão indesejadas pelos trabalhadores, por que os sindicatos tanto insistem nas greves em vez de aceitarem a razoabilidade de negociações.
As empresas dão prejuízos que comprometem o seu futuro mas, mesmo assim, os trabalhadores opõem-se às privatizações ou a gestões privadas que as rentabilizem por temerem os despedimentos a que possam dar lugar! Será que os evitam se os prejuízos continuarem a acumular-se?
Terá sido por isso que dois terços da TAP foram vendidos por um valor inferior ao de um jogador de futebol?
Bem vista a sua situação financeira, até parece que o estado deveria ter pago a alguém que o livrasse de tamanhos prejuízos que a desvalorização resultante de uma greve inútil mais agravou!


domingo, 21 de junho de 2015

A TRAGÉDIA GREGA


A menos os excessos que a afirmação contém, nomeadamente a de “achar bem” tamanha desgraça, posso aceitar que “a forma inteligente de olhar a Grécia é perceber que enquanto não mudarmos a actual abordagem política e económica (para uma outra qualquer) (estaremos a dizer que achamos bem) que, como refere o programa Solidarity4all grego, exista um país onde: 33% da população esteja sem acesso à segurança social e cuidados de saúde; haja um aumento de 40% na mortalidade infantil; cerca de 20% de crianças tenham deixado se ser vacinada; 290 mil crianças tenham ambos os pais desempregados; 17% da população seja incapaz de suprir as despesas de alimentação; 44% da população viva abaixo do limiar de pobreza; ocorra uma quebra de 30% dos rendimentos das famílias;  mais de 50% dos jovens estejam sem emprego; ocorram reduções de pensões na ordem dos 45%; a redução salarial seja em media de 38% e mais e mais.
Obviamente, ninguém decente pode achar bem uma coisa assim! Como se não pode achar bem que situações ainda muito piores existam em mais de metade do mundo que, nestas conjecturas, parece ficar esquecido. São vidas com que estas políticas se não preocupam.
Mas qual será a outra forma qualquer de abordar o problema grego?
- Perdoar, uma vez mais, dívidas sem que de tal advenham os resultados positivos que se esperavam?
- Fazer tábua rasa do passado e, simplesmente, sustentar o enorme défice orçamental que a Grécia não é capaz de evitar?
- Outra qualquer forma que não passe pelos inevitáveis sacrifícios que os gregos, como quaisquer outros em dificuldades, terão de fazer?
A situação da Grécia é deplorável e não será possível deixar de sentir solidariedade para com um povo nestas condições. Mas não acredito numa qualquer solução milagrosa nem, sequer, muito generosa da parte daqueles que têm como regra básica que “não há almoço de graça”.
Como não acredito num país com uma administração como a grega que, por isso, terá de ser corrigida.
Uma situação assim não se atinge de um dia para o outro porque é fruto de um modo demasiado permissivo de viver ao longo de muito tempo encobrindo as dívidas que acumulava. Não será, por isso, de um dia para o outro que a situação se alterará e não haverá solidariedade disponível que substitua o esforço que aos próprios gregos compete suportar.
Não me restam dúvidas quanto à necessidade de mudar a actual abordagem económica e política, mas não apenas para resolver a situação grega porque é a situação da Europa e do mundo inteiro que o exige.
A solução, se a quiserem adoptar, estará na sobriedade que substitua o consumismo, a qual, como diz o Papa Francisco I, não se opõe ao desenvolvimento mas que, perante os problemas do mundo, se tornou na condição para nele viver.


sábado, 20 de junho de 2015

A NOVA ALQUIMIA


A Grécia faz-me lembrar aquelas moças que vão à procura do emprego bom que lhes prometeram, acabam prisioneiras e não encontram maneira de saldara a dívida cada vez maior que têm para com quem as sequestra porque têm comida, precisam de vestir bem, etc etc. Por mais que trabalhem, sempre estarão em dívida.
Por isso entendo o que a Grécia deseja mas nunca conseguirá cumprindo as regras que aceitou para entrar no euro quando não tinha condições para entrar.
Não vejo que lhe reste outra alternativa senão fugir, tentar escapar ao cativeiro e passar a viver com o que tenha!
Mas será este um viver melhor?
Poderá até nem ser, mas é o modo de viver possível, sem gastar mais do que o que tem, seja o nível de vida qual for, apenas lhe restando, com trabalho, tentar melhorá-lo. Com a força do trabalho que o nível actual de civilização despreza. 
Não sei se isto é melhor ou pior do que os credores lhe propõem, mas é o modo de ser independente se independências ainda existem neste mundo globalizado que engole os menores e os mais fracos.
É o mundo que sempre tivemos que acabará, como sempre, dependente de quem tenha mais força, seja Alexandre o Grande, os mongóis, os conquistadores portugueses ou espanhois, os Estados Unidos, a Rússia, a China, a Índia ou lá quem for. Cada qual a seu tempo, porque dos fracos não reza a História.
E a Europa parece querer quedar-se no grupo dos mais fracos porque as manias das grandezas de alguns que, afinal não passam de pigmeus, não consente a união que a faria forte.
E como diz o saber de experiência feito, não se pode, ao mesmo tempo, ter sol na eira e chuva no nabal, pelo que a Europa terá de decidir-se por uma união de facto ou pela separação definitiva em que cada um procura o seu caminho.
Saída da Europa, a Grécia cairá nas mãos da Rússia que não terá para oferecer-lhe mais do que o povo russo tem. Um nível médio de vida inferior, porventura mais baixo do que aquele que a Grécia diz não aceitar.
A razão é simples. Não se pode fazer vida de rico sendo pobre, porque não há quem esteja disposto a pagar o excedente orçamental que permitirá, seja a quem for, ter o nível de vida que não pode ter.
É uma equação sem fórmula resolvente. É a esperança numa nova alquimia que nunca passará do que sempre a alquimia foi, uma esperança vã.
E isto será apenas o começo dos tormentos dos quais não há “engenharia financeira” que nos salve.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

LAUDATO SI, A ENCÍCLICA DO AMBIENTE


Depois de Obama que, há poucos dias, reconheceu a urgência de dar um fim às agressões ambientais que aceleram as alterações climáticas, é agora a palavra do Papa, numa Encíclica sem precedentes, a “Laudato si” (Louvado sejas), que aponta a actividade económica do Homem como a principal causa do aquecimento global, reconhecendo a razão dos estudiosos que há muito haviam revelado esta verdade, ao mesmo tempo que culpa os que, de modo capcioso, insensato e cínico, a encobriram e até contrariaram com encomendadas falsas verdades científicas.   
Para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) esta Encíclica será um apoio precioso ao seu esforço de esclarecimento de uma perigosa realidade que a Economia, que se alimenta dos excessos que os nossos vícios provocam, desesperadamente rejeita porque será o seu fim.
Denunciando o que chama “cultura do lixo”, o Papa afirma que  "a sobriedade não se opõe ao desenvolvimento, ela tornou-se sua condição".
A sobriedade será o que pode evitar a austeridade eterna, se não mesmo o fim de uma civilização que a estupidez está a condenar.
Não passo de mais um dos que, desde há muito, luta por uma mudança de mentalidades e de hábitos que, para além das guerras sangrentas que enlutaram e enlutam a Humanidade, são causa das profundas desigualdades que a dividem entre os que têm demais e os que nada têm mas sofrerão, também, as consequências dos devaneios com que se não regalaram.
Se não sinto qualquer satisfação pela razão que, afinal, sempre tive e cada vez mais vejo confirmada, vale-me a tranquilidade de espírito dos que, desde há muito, denunciam os problemas que nos trouxeram até esta crise de meios e de valores em que vivemos.

   

O QUE SERÁ QUE NOS ESPERA?


Há cerca de uma semana, uma sondagem aproximava já muito a Coligação PSD/CDS e António Costa (33,3% - 36,6%), o que, em função da margem de erro, constituía um empate técnico que anteriores sondagens não fariam prever, pois o PS parecia caminhar no sentido dos seus desígnios de maioria absoluta.
Agora, uma semana depois daquela outra sondagem, os resultados são ainda mais expressivos e colocam já a Coligação à frente de António Costa, ainda que por apenas um ponto.
Mantém-se o empate técnico, mas a tendência mostra um PS em recessão, o que me não espanta em face do seu discurso no qual um voluntarismo perigoso e demagógico o distingue daquele que o Governo faz, mais comedido e mais sensato, como recomenda a situação conturbada que a Europa e o Mundo vivem.
Diz assim a notícia de hoje: “Uma sondagem apresentada pelo Diário de Notícias revela que a coligação PSD/CDS está, pela primeira vez desde Março de 2013, à frente ao Partido Socialista. No entanto, a diferença percentual de apenas 1% é vista como um “empate técnico”, já que a margem de erro (3%) é superior à diferença entre os candidatos.
A sondagem foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica e mostra que, se as eleições legislativas fossem hoje, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas iriam obter 38% dos votos, enquanto António Costa se ficaria pelos 37%.
O último barómetro realizado para este órgão de comunicação colocava os socialistas perto da fasquia da maioria absoluta, ou seja com 45% das intenções de votos, tendo recuado oito pontos percentuais desde então”.
Pesem, embora, todas as críticas que este Governo me possa merecer, e tem merecido, continua a parecer-me a escolha acertada que permitirá sobreviver com menos dificuldades no meio da tempestade que se aproxima.
Muito mais será necessário fazer, mas as tarefas mais importantes não serão de um só governo porque terão de envolver o mundo inteiro onde a degradação ambiental não pode continuar até ao ponto de nos matar, não pode a Europa ser o “campo de refugiados” de uma África em ruínas, o Médio Oriente não poderá transformar-se numa orgia de guerra que os desorientados deste mundo procuram e a fome tem de deixar de ser o flagelo desumano de metade da Humanidade.
Mas por que será que nunca vi a solidariedade dos “trabalhadores”, dos “Syrisas” ou dos “pintos” deste mundo preocuparem-se com esta gente que, a cada instante, morre de fome e de sede?
Será a “cegueira” a que o egoísmo conduz que irá tornar o futuro do Mundo num inferno?


segunda-feira, 15 de junho de 2015

A SABEDORIA DO TEMPO: GUARDA QUE COMER…


A notícia chegaria mais cedo ou mais tarde porque não haveria como a evitar.
“ As yields das obrigações gregas no prazo de referência, a 10 anos, dispararam para 12,23% no mercado secundário da dívida pelas 10h30. Contudo, ainda estão abaixo do máximo do ano de 13,6% a 22 de abril, quando os investidores perceberam que não haveria lista de reformas na Grécia aprovada pelo Eurogrupo (órgão informal de reunião dos ministros das Finanças) no final desse mês. No prazo a 2 anos, as yields saltaram para 28,23% e a 5 anos estão acima de 18,5%. ….. O contágio grego junto dos restantes periféricos do euro regressou em força. As yields das Obrigações do Tesouro (OT) português a 10 anos subiram para 3,17%, um novo máximo do ano. No prazo a 5 anos subiram para 1,797% e a 2 anos dispararam 400% situando-se, agora, em 0,478%. Registam-se, também, subidas das yields no prazo a 10 anos para as obrigações  espanholas, italianas e irlandesas”.
Estamos a falar de juros da dívida, do que teremos de pagar pelo dinheiro que viermos a ter necessidade de pedir. E sempre temos, nós e os outros.
E a situação mais se complicará se, como se torna cada vez mais provável, a Grécia entrar em bancarrota!
Talvez agora os menos atentos comecem a compreender, se conseguirem, que tal como vale a pena estar prevenido com guarda-chuva quando o tempo ameaça tempestade, é prudente ter os “cofres cheios” quando é previsível que algo como o que se passa iria acontecer e nos obrigaria a um esforço adicional à austeridade que temos vivido. Seria mais austeridade ainda.
Foi a falta deste entendimento, a noção fantasmagórica de que as dívidas não são para pagar, o que nos lançou na maior crise financeira que Portugal viveu, o que significa que o governo de então não governou, porque governar também é prevenir as circunstâncias mais desfavoráveis que possam ocorrer.
É diferente de navegar à vista, ao sabor da demagogia que facilmente conquista o eleitorado e garante a continuação do poder.
Assim, sem ter os cofres vazios como os gastadores sempre têm, podemos dispor de dinheiro que nos custou barato mas que agora está a ficar mais caro.
Lá diz um velho ditado “guarda que comer, não guardes que fazer”.


domingo, 14 de junho de 2015

O ÚLTIMO QUE APAGUE A LUZ E FECHE A PORTA


Sem deixar de me solidarizar com a tragédia que o povo grego sofre, não posso ignorar a austeridade que a irresponsabilidade de um governo esbanjador nos impôs, a qual me leva a discordar de medidas que proporcionem à Grécia condições excepcionais que Portugal não teve e que, para além disso, não passariam de uma panaceia breve e inútil para o problema da insolvabilidade de um país onde o mercado paralelo é descaradamente visível e gasta mais do que o que produz.
E o povo sofre e sofrerá ainda mais porque sucessivos governos lhe fizeram crer que havia riqueza que não há e lhe consentiu as leviandades que praticou em vez da contenção que as circunstâncias recomendavam.
Aliás, não é este apenas um mal grego porque é mais uma epidemia que se espalha com uma rapidez crescente, com as dívidas públicas dos países, mesmo nas economias maiores, a crescerem constantemente.
Não imagino o que os políticos pensam quando fazem do regresso a um passado impossível a solução para esta crise que, parece que definitivamente, se instalou.
O problema que a Humanidade enfrenta é muito sério e carece da uma reflexão profunda que os interesses instalados persistentemente recusam e impedem numa atitude que só pode fazer lembrar aquele típico egoísmo “o último que apague a luz e feche a porta”.
O que esperará alguém de umas negociações que não atam nem desatam, de uns dirigentes europeus que ainda alimentam esperanças em soluções impossíveis e de um governo grego que, para não dar o braço a torcer, não se importa com as consequências que tal atitude possa ter.
Não seria já tempo de repararem, uns e outros, que tal como as bactérias se tornaram resistentes aos antibióticos também a crise resiste às medidas tradicionais para a superar e que novas soluções terão, por isso, de ser procuradas?
Mas, infelizmente, até os que são os maiores opositores do capitalismo não sabem pensar diferente dos “capitalistas”, nem têm soluções diferentes das que estes têm.
Parece que caímos num ciclo vicioso que alguma coisa que não sei o que seja um dia, decerto, cortará. Com as consequências que tiver.


sábado, 13 de junho de 2015

OS TROCADILHOS DE COSTA


Obviamente, a arte maior dos políticos é a de fazer crer que é, aquilo que lhes convém que seja. Tantas vezes já o disse que me custa repeti-lo. Mas há circunstâncias que exigem que o faça, o repita quantas vezes forem necessárias, sobretudo quando os raciocínios manhosos que envolvem são ofensivos até da inteligência mais discreta.
Diz o FMI, contrariando o Governo, que Portugal não cumprirá a meta do défice se não fizer cortes adicionais na despesa, o que significa que a austeridade que impôs ficou aquém da que as circunstâncias exigiriam.
Em primeiro lugar, esta afirmação do FMI não passa da previsão de um resultado para cuja avaliação o Governo possui, decerto, mais informação e, por isso, não existem razões poderosas que levem a tomá-la como uma indiscutível verdade.
Depois, a ser verdade, significará que austeridade que Costa considera excessiva teria sido, afinal, insuficiente.
Não consigo, por isso, entender a lógica que leva Costa a afirmar que “até os amigos do Governo confirmam (que falhou)” e, tendo falhado, há que mudar de política para se conseguirem os resultados desejados que, segundo o FMI, se conseguiriam com mais austeridade!
Fará algum sentido aceitar uma afirmação negando as premissas que a fundamentam? Não creio que faça porque tal seria um contra-senso.
Sem discutir as políticas que seriam ou não as melhores, ainda que não veja alternativa à austeridade razoável que a exiguidade real imponha, não posso deixar de condenar a truculência oportunista de quem se propõe governar o meu país e de me preocupar com o modo como, assim, vai influenciar a minha vida.
Se a solução de Costa é a do salto para frente como a que tanto elogiou ao Syrisa, será de temer que as consequências sejam as que para os gregos se antevêem e a curto prazo…


DO MAU, O MENOS


Utilizando um expressão que se tornou vulgar, um chavão que, como tantos outros, não significa coisa alguma, é altura de dizer que as sondagens “valem o que valem” e não é facilmente que se tiram conclusões dos valores que apresentam.
Por exemplo, na última sondagem, cujos resultados estão na figura ao lado, nota-se, como sempre, a diferença abissal entre os partidos ditos do “arco da governação”, os quais recolhem mais de dois terços das intenções de voto, e os demais.
Concluir que, apesar da grande proximidade, os portugueses ainda confiam mais no programa do PS, é uma conclusão arrojada demais, não apenas pelo grau de fiabilidade próprio deste tipo de análises como pela ausência de um factor decerto muito importante à distância de alguns meses do acto eleitoral, aquele que quantifique os indecisos que, por certo, muitos ainda haverá. Se os não houvesse, seriam preconceitos e não decisões baseadas na informação o que ditaria quem nos irá governar.
Não me parece, pois, ser possível retirar desta sondagem outras conclusões diferentes das que, mesmo sem ela, todos já saberíamos: que as eleições promoverão, ou não, a alternância do costume, que o PCP e seus satélites são o que são e mais nada, que o BE se afunda e que há pintos que não vão sair da casca. Tudo isto nos cerca de 50% dos cidadãos eleitores que se decidam a votar.
Nada vai além, afinal, da monotonia do costume, sem programas que interiorizem os grandes problemas actuais da Humanidade que não são os de uma economia que esgaça por todas as costuras dos remendos que constantemente lhe fazem, mas sim as consequências dos erros cometidos para a sustentar e que, ano após ano, se constituem problemas cuja resolução se torna mais difícil ou impossível.
Depois de quarenta anos, ainda não foi desta que uma sondagem recolheu a minha opinião. Também a não daria porque a não tenho ainda.
Apenas tomarei uma decisão na hora própria de o fazer, o acto de votar, porque, mais uma vez, poucas dúvidas me restam de que me decidirei pelo “do mau, o menos”! 


quinta-feira, 11 de junho de 2015

O EURO, A GRÉCIA, MERKEL E OUTRAS MAZELAS DA EUROPA


Desde há muito tempo que a Grécia é o problema maior do “euro”. Talvez logo a seguir ao próprio “euro” que não me parece ter sido pensado da melhor forma, ou da própria União Europeia que me parece nascida mais de um conjunto de interesses egoístas do que de uma vontade real para constituir um espaço que se tornasse homogéneo e orientado para autênticos interesses comuns.
É por isso que os remendos se sucedem nesta “união” feita à pressa, que fez crescer o número de membros e, com isso, os problemas a um ritmo muito superior à sua capacidade ou à vontade de os resolver.
Assim a Europa chegou ao ponto de nem saber muito bem o que é, se está a fortalecer-se se a destruir-se ou, até, se sobreviverá à confusão criada por saídas que podem estar iminentes.
Como foi possível, depois de tantos anos, o que aconteceu e acontece na Europa onde, parece-me, tudo está em causa e é evidente não ser a unidade e a criação de um espaço único o que se procura, onde são os maiores poderes que prevalecem e continua a não ter uma política externa comum?
Por exemplo, no Luxemburgo onde a população de origem não luxemburguesa é já metade da população total e tem tendência a crescer, os nacionais negaram-lhes o direito de participar na vida política do país onde os europeus continuam, assim, tão estrangeiros como quaisquer outros.
A Europa tem um Presidente luxemburguês que reconheceu que, enquanto Primeiro-Ministro do Luxemburgo prejudicou a União e a Grécia pretende que a Europa assuma os custos dos excessos que ao longo de muitas dezenas de anos cometeu, começando pela mentira das contas que apresentou quando se propôs aderir ao euro!
Não me parece que haja maneira de corrigir as distorções nem de esclarecer os equívocos sobre os quais a União Europeia se constituiu, o que não se fará com boas vontades nem cedências mas com princípios e com regras claras que todos devem respeitar e cumprir.
Para culminar, pergunto-me quem manda nesta estranha Europa, quem decide o que fazer, se o Presidente da União se a Senhora Merkel que, para disfarçar, leva o lacaio Hollande pela mão quando assume as decisões que lhe convêm?
Só me pode parecer que, a continuar assim, os problemas da Europa se não resolvem mas se complicam, quem sabe se até serem impossíveis de resolver.


terça-feira, 9 de junho de 2015

CESTEIRO QUE FAZ UM CESTO…


Não posso considerar como sério um político que diz “ reduzi em 40% a dívida da Câmara Municipal de Lisboa ao longo destes oito anos. Eles aumentaram 18%".
Eles são o governo que teve e tem de arcar com um serviço de dívida brutal que um governo socialista lhe legou, com alguns empréstimos a juros acima de 7% e não teve, ainda, oito anos para a reduzir!
Deste modo, o tamanho da dívida acumulada, pelo brutal "serviço de dívida" que lhe corresponde, apenas poderia fazer com que continuasse a subir até que, pelo esforço de todos um povo voltasse a baixar de novo. Como já está a baixar!
Para além de uma questão de escala entre Lisboa e todo o país onde também entra Lisboa, há a própria natureza da dívida, dois aspectos que tornam impróprias as afirmações de Costa.
Como comparar a dívida de uma autarquia com o despautério de dívida criada pelo último governo PS? Nem a brincar tal deveria dizer Costa que, assim e de novo, mostra a sua falta de preparação para assumir as responsabilidades a que se propõe e, mais do que isso, revela a única estratégia possível, a demagogia, ao seu alcance para a recuperação de poder de um partido a ficar sufocado pela sua falta. A não ser assim, deve sentir-se um iluminado a falar para parvos!
Dizer que aprendeu com os erros do passado, o que significa reconhece-los, não se coaduna com as propostas de mais erros no que se propõe fazer, os quais destruirão o melhor do esforço que todos fizemos nesta aventura de libertação de dependências financeiras exteriores em que caímos, como é hábito acontecer quando os socialistas governam.
É por isso que tenho de me recordar daquela máxima que o saber de experiência feito mais do que tem confirmado: “cesteiro que faz um cesto faz um cento, se lhe derem verga e tempo”.


A SAGA DOS MILHÕES E A PULSEIRA ELECTRÓNICA


Será que de país de bananas, como tantas vezes se diz ser e onde, em regra, a culpa morre solteira, Portugal se tornou num país dominado pelo despotismo idiota que faz de “inocentes” as suas pobres presas?
Depois de seis meses que se seguiram a outros mais de investigação sobra a origem da fortuna que Sócrates gasta mas, como afirma, não possui, ainda é possível ao ex-Primeiro Ministro de Portugal escrever a carta em que, antecipando-se à decisão do Juiz, diz opor-se ao uso da pulseira electrónica? Nela, Sócrates afirma que “A minha prisão constituiu uma enorme e cruel injustiça. Seis meses sem acusação. Seis meses sem acesso aos autos. Seis meses de um furiosa campanha mediática de denegrimento e de difamação, permitida, se não dirigida, pelo Ministério Público. Seis meses de imputações falsas, absurdas e, pior – infundamentadas, o que significa que o Ministério Público não as poderia nem deveria fazer, por não estarem sustentadas nem em indícios, nem em factos, nem em provas. Seis meses, enfim, de arbítrio e de abuso.”
Se a isto juntarmos o que temos ouvido dos seus advogados e, sobretudo, dessa insuperável e mítica figura que é Mário Soares, ficaremos com todo o direito à dúvida de saber quem são os loucos neste país, se os que no Ministério Público e na PJ pretendem fazer o seu trabalho sem que a liberdade de Sócrates perturbe a obtenção de provas para o acusar, se o seu cortejo de advogados, visitantes e admiradores que juram a pés juntos que as provas não existem e clamam por uma inocência que já poucos crêem que exista.
Já não falo nos sucessivos programas em que decorre o julgamento público desta figura controversa da política nacional, engenheiro em nome individual e muito provável futuro Prémio Nobel da Economia pela afirmação de não serem as dívidas para pagar, no qual as provas são já tantas que dá para pensar que o limite de 25 anos de prisão será bem curto para delas se redimir.
A verdade, porém, é que as dívidas se pagam e eu tenho contribuído bem para isso. Apenas Tsipras pensa assim também e, porventura, Costa que tanto o elogiou!
Mas é natural que Sócrates se diga inocente. Todos, na sua situação, assim se dizem.
Mas, perante o que se passa entre uma Instituição à qual cabe zelar, no domínio da Justiça, pelos valores da Nação, o Ministério Público, e o ex-mais alto Magistrado do país, Mário Soares, apetece perguntar qual estará senil!
De advogados irritadiços nem falo porque lhes compete este papel de fazer parecer o que convém ao seu constituinte e cada um faz à sua maneira, com mais ou menos sobriedade.
Tão longa e, por enquanto, tão mal contada como as telenovelas que as televisões, por dia, passam às dúzias, esta estória já chateia!
Já não irei a tempo de me aproveitar de tal arte, mas, mesmo assim, gostava de não morrer sem saber como se pode dispor de fortunas de muitos milhões com o ordenado de Primeiro-Ministro ou, mais até do que isso, onde se arranjam amigos tão generosos que os disponibilizam sem pedir nada em troca...


segunda-feira, 8 de junho de 2015

ONDE GUARDAR O DINHEIRO, NO BOLSO OU NO COFRE?


É óbvia a falta de jeito da ministra das finanças em certos discursos que faz. Mais ingenuidade, talvez, que alimenta especulações maldosas como a que o oportunismo pôs a circular no chavão “cofres cheios mas bolsos vazios”.
Foram os cofres cheios que a “revolução” encontrou, com base no que julgou poder gastar sofregamente. E gastou, até que, por uma primeira vez, da bancarrota se salvou com um resgate do FMI.
O “apertar o cinto” foi a palavra de ordem de Mário Soares, a austeridade de então que hoje os socialistas de hoje esquecem, a austeridade que obrigou a meter o socialismo na gaveta onde, parece, ficou esquecido.
Era o primeiro sinal da insustentabilidade de um socialismo que não reparte o que tem, como seria próprio da solidariedade que apregoa, mas gasta o que não consegue repor, na esperança de que “os ricos paguem a crise”!
Não leram bem o que Marx escreveu, com certeza. Não repararam no raciocínio distorcido que conduzia ao fosso cada vez maior com o qual a sociedade se repartiria entre patrões cada vez mais ricos e trabalhadores cada vez mais pobres, mas que a realidade mostra ser mais a diferença entre empresários que têm de arriscar cada vez mais e os “trabalhadores” a quem as “conquistas” garantem a segurança que é própria da condição de funcionários públicos e de que resultam estes resultados que nos deixam mais pobres e mais mal servidos.
Conforme o boletim trimestral da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, o Sector Empresarial do Estado chegou a Dezembro de 2014 com perdas de 1173 milhões de euros, valor praticamente duplo do que se diz ser necessário cortar nas pensões para equilibrar as contas da Segurança Social.
Opondo-se às privatizações que nos livrariam deste pesadelo, parece-me ser no "cofre do prejuízo" que muita gente julga preferível guardar o dinheiro!