ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

E QUANDO O MAR BATE NA ROCHA…



Cada vez que dou conta das reclamações, e são muitas, de tanta gente a quem o BES burlou, levando-as a confiar-lhe o seu dinheiro, por vezes as economias de toda uma vida que agora não conseguem reaver, não posso deixar de sentir uma raiva surda por um Estado que devendo ser “pessoa de bem” o não é, pelo modo como se comporta perante “individualidades” que devem muitos milhões ao sistema (como, por exemplo, o tão falado caso de Luis Filipe Vieira e suas empresas) mas continuam vivendo como nababos e aqueles que, enganados, enfrentam agora grandes dificuldades, numa vida que mereciam viver de forma tranquila.
Corridos daqui para ali, como Cristo de Herodes para Pilatos, o Estado lava as suas mãos, descarta as suas responsabilidades e, como num passe de mágica de que nem David Coperfield seria capaz, milhões evaporam-se ou voam para os bolsos de alguém!
Quantos milionários gatunos andam por aí à solta, alguns que, até talvez, tenham sido condecorados pela arte com que a todos enganaram, continuando a ser grandes personalidades a quem outras não menores continuam a não negar a sua companhia, quem sabe se até a sua admiração, apesar das suspeitas de crimes que sobre eles pendem.
Não seria já tempo de resolver estes assuntos de um modo que compensasse os aldrabados e castigasse os aldrabões e, para além disso, nos aliviasse de termos de pagar, com o pouco que os impostos nos deixam, o que eles esconderam em paraísos fiscais e estoiraram em luxos e vida de gente fina a quem não passa pela cabeça que haja quem passe fome?

domingo, 11 de fevereiro de 2018

AJUSTAR OU NÃO A HORA?


No Parlamento Europeu, coloca-se a questão de acabar com a mudança da mudança da hora, o que os eurodeputados das Comissões Parlamentares dos Assuntos Jurídicos, dos Transportes e Turismo defendem perante o que dizem ser as provas científicas de que tem mais efeitos negativos do que vantagens, pois provoca stress e prejudica a vida dos cidadãos.
A situação que conheço mais parecida com a não mudança da hora é a da decisão, tomada durante o Governo de Cavaco Silva, de Portugal ter a mesma hora da Europa Central.
Recordo-me de uma viagem que, então, fiz até à Suécia onde, ao aterrar por volta das 15 horas, reparei que o Sol se punha!
Em Portugal, bem de madrugada, acordavam-se as crianças que iam, ainda estremunhadas, para a escola! Era estranho e duvido de que alguém tenha gostado da ideia ou que alguns benefícios ela tenha trazido, decerto a razão por que durou tão puco tempo.
Para alguns nem seria agradável ter de ir para a cama antes de o Sol se por...
Vejamos, agora, as tais consequências negativas que os eurodeputados invocam como mais negativas do que positivas, podem significar.
Todas as alterações têm, naturalmente, consequências e, neste caso, diz-se que positivas e negativas, o que, mais ou menos, equilibra as coisas.
Mas se duas mudanças por ano que não vão além de uma hora cada uma, ainda por cima ao Domingo, quando a leve alteração é fácil de atenuar, suscitam tantas preocupações nos ditos eurodeputados, pelas perturbações de hábitos e de sono que causa nas pessoas, sobretudo nas crianças mais pequenas e nos idosos, que dizer dos milhões que constantemente viajam daqui para ali, “saltando” fusos horários, por vezes numerosos?
A primeira vez que viajei para o Oriente, achei estranho que, pouco depois de ter almoçado no avião, chegado a terra fosse já hora de jantar! No regresso aconteceu o contrário.
Como propõem os ilustres deputados resolver esta questão porque se uma hora causa tão graves efeitos, que dizer quando o ajustamento é de várias horas? Será fácil. Acabam-se as viagens de avião de longo curso pelos danos que podem causar.
Ah, pois, as vacas não viajam e as galinhas não adiantam nem atrasam a hora de por o ovo se voarem …
Finalmente, não me recordo de qualquer perturbação que a mudança da hora me tenha causado em criança, nem me sinto perturbado com as mudanças que agora, depois de idoso, me possam afectar.
Parece que ensinar o valor dos números aos senhores eurodeputados seria uma boa ideia. Faria parte da formação que os políticos, de um modo geral, necessitam porque, para além das finanças e do assalto ao poder, parece pouco mais saberem!
Depois...não terão mais que fazer?


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O PECADO ORIGINAL



(A propósito de:

D. Manuel Clemente, Cardeal de Lisboa, defendeu o dever de a Igreja propor a vida em continência, isto é, sem relações sexuais, aos recasados cujos anteriores matrimónios não possam ser declarados nulos …)


Nasci numa família católica e fui educado nos seus princípios que, na medida em que as forças mo permitiam, cumpria, com o que sentia completa satisfação.
O tempo passou, cresci, o mundo mudou e da realidade fui tendo mais profundo conhecimento, ao mesmo tempo que o meu desejo de entender procurava explicações e respostas para as dúvidas que o que me fora ensinado começava a colocar-me.
A Fé não me respondia, pois apenas me dizia que é assim e pronto.
A história da Igreja realçou-me as fraquezas que também tem, próprias da sua natureza humana, tal como Deus a fez, mostrando-me como algumas das suas atitudes se não conformam com alguns dos princípios sagrados que proclama.
E foi assim que, sem por em causa a realidade superior que é Deus, uma realidade que os meus conhecimentos científicos, assim como a minha longa experiência de vida, de todo não contestam, fui construindo a minha realidade espiritual que reforçou muitos dos princípios que herdei, me faz duvidar de outros e, até, contestar alguns.
Deus deixou de ser o pai vingador que só tem duros castigos quando a fraqueza dos seres que criou não permite evitar maiores ou menores deslizes na vida em que o amor entre “irmãos” deve prevalecer e passou a ser o “amigo” que ampara e se aproxima para confortar nas horas de sofrimento, sem afastar, definitivamente, ninguém.
Entendi, finalmente, o paraíso perdido e a dor da vida que o pode reconquistar, sem necessidade de flagelações inúteis.
Por maior que seja o meu deslize, oiço o chamamento de Deus em vez do afastamento que alguns princípios da Igreja impõem.
Por tudo isto me sinto afrontado quando ilustres “Eminências”, decerto desconhecedores da vida que se dispuseram a não viver, pelo menos às claras, fazem propostas ou determinações sem sentido como o é a “abstinência sexual” nos casais recasados!
Refiro-me a casais que, depois de um equívoco qualquer, o amor acabou por unir e não querem estar afastados de Deus e, muito menos, esconder o seu desejo.
Este seria um outro assunto necessário de reflectir, no qual incluo o próprio celibato obrigatório dos padres que reforça a ideia de ser pecado a origem da própria vida!