ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

TRUMP E O RENASCER DO KLAN



Trump foi, é e continuará a ser a personalidade mais controversa e imprevisível do mundo pois o seu pensamento, tal como os cataventos, muda constantemente. Primeiro diz o que pensa, depois o que não pensa e vai ajustando o que diz ao que lhe parece que deve dizer, na tentativa de desfazer a bronca que gerou, mas, ao contrário de o conseguir, cada vez mais a realça.
Independentemente da falta, constantemente revelada, de cultura política e da falta de conhecimentos que um presidente não pode deixar de ter, o homem ainda não compreendeu a coisa simples que é a diferença entre governar uma empresa que é sua e um enorme país que é de mais de trezentos milhões de americanos!
Já começo a sentir dó do homem que, depois de tanto tempo já, continua a não acertar uma, fazendo, tal como por aqui costumamos dizer, constante “figura de urso”.
Compreendo os problemas que o homem coloca ao partido que o elegeu, o Republicano, que por mais que gostasse de correr com ele, porventura imediatamente, o não pode fazer sem acautelar o seu futuro que Trump pôs em causa.
Depois de muitas trapalhadas na Casa Branca onde, com excepção dele e dos seus familiares, ninguém parece aguentar-se por muito tempo, colocou a cereja no topo do bolo com os seus comentários sobre o confronto entre manifestantes de extrema direita e a enorme maioria que se opõe às sua ideias racistas e xenófobas.
À crítica de muitas personalidades, incluindo ex-presidentes, junta-se o agradecimento de um ex-dirigente do Ku KLux Klan!
Não sei em que “camisa de onze varas” os Estados Unidos estão metidos com esta máquina impressionante de vomitar disparates, mas que o mundo ficou inseguro com tudo isto, disso não restam dúvidas.

NO CRESCIMENTO ECONÓMICO, O AUTOMÓVEL É REI



Em crónica anterior, chamei a atenção para o crescimento do PIB que, no último trimestre, se elevou a 2,8% e cuja causa, disse então e conforme o Governo fez saber, foi o aumento do consumo interno, já que as exportações até registaram um decréscimo.
Leio hoje, numa notícia de jornal que, desde o começo deste ano, os portugueses já pediram, mais de três mil milhões de euros em créditos ao consumo, sendo que quatro em cada dez euros se destinaram ao financiamento de automóveis, o que corresponde a quase mil e trezentos milhões de euros!
Estes números que pesam bastante na avaliação do crescimento do PIB, não passam, portanto, de mero efeito do crescimento do consumo em que quase metade foi de automóveis.
Não me parece que, deste modo, se possa falar de uma economia saudável, com crescimento sustentado. Direi, até, que sendo o acréscimo do consumo superior ao dos rendimentos médios, suportado por encargos assumidos a prazo mais ou menos longo, dos quais um futuro incerto nem sequer garante a satisfação, ele será mais um motivo de preocupação do que razão para festejar quando, como tantas vezes já tenho dito, o reequilíbrio natural impõe um decréscimo drástico do consumo, sobretudo o supérfluo.
Os tempos exigem cautelas a que a euforia do Governo não convida, como seria razoável que fizesse, tendo em vista os sérios problemas que enfrentamos em todo o mundo em consequência do excesso de consumo.
Em vez disso, o apelo ao consumo foi a nota dominante, pois só ele poderia dar a ilusão de uma economia crescente e estável.
Aliás, o automóvel sempre foi a melhor fonte de receita do Estado, com duplicação de impostos na sua venda, com os impostos que sobrecarregam excessivamente os custos dos combustíveis, os impostos arrecadados nos custos de manutenção e, finalmente, os elevados valores de multas que são aplicadas ao longo do ano.
Não sei a quanto equivalerá tudo isto, mas não será pouca coisa nas receitas do Estado.
Será por isso que, em Portugal, os carros e os combustíveis são tão caros? Mas não é por isso que são menos comprados, substituídos e usados.

 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

FOGOS-POSTOS



Já não haverá dúvidas de que muitos dos incêndios que estão a destruir o país têm origem criminosa, porventura organizada com um propósito claro de fazer os fogos aparecerem em locais estratégicos, seja no seu início seja em reacendimentos em incêndios já extintos.
Conforme as notícias informam, são já mais de 60 as pessoas detidas por suspeitas de fogo-posto, alguns até talvez reincidentes, como aconteceu já diversas vezes.
São já mais de 160.000 os hectares ardidos, atingem já valores muito elevados os bens destruídos, são centenas as famílias a quem o fogo roubou tudo o que tinham e contam-se por muitas dezenas as vidas perdidas.
Quando, em meados de Agosto a situação é esta, o que poderemos esperar até que as condições atmosféricas a possam melhorar?
Não sei, ninguém pode saber, que condições climatéricas nos esperam nos meses mais próximos, pois não é seguro, como quase o era em tempos passados, que o período húmido do ciclo hidrológico se inície em princípios de Setembro, como era habitual acontecer.
Isto significa que o período dos fogos florestais poderá prolongar-se ainda por várias semanas, o que colocará 2017, definitivamente, como o ano negro dos incêndios florestais.
No ano que passou, quando a situação vivida já foi muito grave, quase juras nos fizeram de que tal não voltaria a acontecer. Contudo, NADA foi feito para a cumprir e o resultado é todo este drama que vivemos de não haver intervalos entre as dezenas de incêndios que grassam por todo o centro do país ao mesmo tempo e que, desde o início se contam já por mais de um milhar.
Quando esta fase terminar e as notícias dos incêndios, tal como eles, se extinguirem, haverá outras coisas para pensar, eleições para disputar, poder para agarrar, políticas financeiras para manobrar e haverá, também, dezenas de pirómanos para castigar, porventura com aquelas penas curtas que o “bom comportamento” mais encurta e deixa livres para, de novo, praticar o seu “desporto” favorito.
Entretanto, os danos ficam com quem os sofreu!