ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

PREOCUPAÇÃO OU ESPERANÇA?


O erro cometido por Costa nas apreciações que fez ao Orçamento de Estado apresentado pelo Governo e, no mínimo, preocupante.
A confusão feita por Costa para dizer que Portugal aproveita mal os fundos comunitários, indicando taxas muitos baixas de execução utilizando um quadro correspondente a outros valores, mostra uma impreparação que um futuro primeiro-ministro de Portugal não pode ter. Além disso, presta-se a uma propaganda maliciosa e desrespeitadora da capacidade de percepção dos portugueses que pretende que o escolham para funções para cujo desempenho mostra não ter os conhecimentos necessários, além de uma precipitação inaceitável a que a ânsia de conquistar o poder o levou.
Porventura habituado às baixas taxas de execução dos tempos em que foi ministro, não deve ter reparado nas mudanças que, depois disso, aconteceram e fazem de Portugal um dos países com mais elevadas taxas de aproveitamento de fundos de toda a União Europeia.
Convocar uma conferência de imprensa para demonstrar ignorância ou é um caso de loucura ou de provocação a um povo que sofre a dureza da recuperação da bancarrota em que o seu partido o deixou para confundir a sua capacidade de escolha e aconteça mais uma mudança que nada melhorará. Pelo contrário.
É pouco tranquilizador que alguém em quem muita gente deseja confiar o futuro do país se preste à ironia do membro de um governo que teria de ser bastante melhor se uma Oposição competente o enfrentasse e fique sem resposta quando dele se diz "e confrontado com essa confusão, limitou-se a dizer que acertou nos movimentos financeiros. É um pouco como alguém que confunde quilos com metros e confrontado com isso diz que acertou nos quilos ainda que estivesse a medir distâncias".
Mas pode acontecer que apareçam, para além de António Costa, mais candidatos ao governo do país e, assim, tenhamos mais hipóteses de escolha entre gente bem preparada, quem sabe se até o seu primo José Castelo Branco que, faz já algum tempo, me recordo de ter revelado a sua eventual disponibilidade para ingressar na política! E por que não talvez se disponham a fazer alguma coisa pelo país um ou outro daqueles que, até agora, se têm limitado a criticar o que o Governo faz.
Mas haja esperança, porque há muita gente competente escondida por aí…


SEMPRE A ETERNA DÚVIDA OU GATO ESCONDIDO COM RABO DE FORA?


Faz ainda poucos dias que, num daqueles programas sobre futebol em que participa o ex-árbitro Jorge Coroado, me dei conta de uma estória digna de ser contada e reflectida. Decerto por isso Coroado a incluiu no livro que escreveu e que outro dos participantes tinha na mão para comentar.
Um dia, no Estádio das Antas, João Pinto, o capitão do FCP, cometeu uma falta grosseira e muito dura sobre um adversário, pela qual foi admoestado com um simples cartão amarelo. O que, inevitavelmente, surpreendeu quase toda a gente para quem o vermelho directo era a sanção mais do que adequada.
Obviamente que houve gente para quem a atitude do árbitro foi digna de louvor.
Não entendeu Jorge Coroado que o fosse porque, dias mais tarde, quando se encontrou algures com esse colega, lhe fez um reparo sobre a brandura daquele amarelo em caso de tamanha violência. Obteve por resposta um seco “estás doido, eu ia expulsar, nas Antas, o capitão da equipa do porto?”
Não é fácil descortinar o que estará por detrás desta resposta tão peremptória, se um simples medo da reacção dos delicados adeptos portistas se outra coisa qualquer que, igualmente, era para ele motivo para não respeitar as leis das quais, como juiz, era seu dever cuidar.
Se a estória se ficasse por aqui, já seria digna de destaque ainda que todos estejamos muito habituados ao que com a arbitragem se passava, ou passa ainda sei lá, como umas certas gravações de conversas telefónicas, sem qualquer dúvida, revelaram, gerando uma situação de perdão deveras inacreditável.
O caso lembra-me, até, uma anedota antiga de alguém que decide alertar um amigo para o que se passava e só ele não via. Informou-o e levou-o a um local de onde podia ver a mulher e o seu “amigo” entrarem na unidade hoteleira e, até, entrarem no quarto onde, sempre em dias certos, tinham a sua orgia a dois.
Puseram-se à vontade e, depois, fecharam a janela!
Foi o bastante para o “enganado” se sentir na dúvida…
Mas a estória de Coroado vai mais longe ao informar que esse agora ex-árbitro tem funções de informador dos desempenhos dos árbitros, as quais todos sabemos como são controladas !!!
Não há dúvida que a corrupção no futebol português é como certos répteis que se refazem por mais amputados que sejam, a menos que, um dia, fiquem sem cabeça!


ORGULHO GAY?


Tim Cook que sucedeu ao célebre Steve Jobs no cargo de presidente-executivo da Apple, resolveu tornar pública a sua homossexualidade. Enfim, uma decisão que é apenas sua, esta de afirmar publicamente o que, no seu meio já era, com certeza, conhecido. Como sabido é, por certo, no meio em que me movo, o facto de eu não ser gay, do que não me orgulho nem deixo de me orgulhar por não haver qualquer mérito meu neste facto. Sou como sou e acabou-se já que me sinto bem assim, como deveria acontecer com qualquer um, seja hétero ou homossexual por vontade sua ou por obra do destino.
Por isso não entendo porque teria Tim Cook de afirmar “eu tenho orgulho de ser gay e considero ser gay um dos maiores dons que Deus me deu”, porque tal me não parece de alguém inteligente que, tal como ele, obviamente tem de ser. Afinal, o dom de ser gay que tanto agradece a Deus só acontece porque o seu pai o não era!
Confesso-me francamente desorientado nesta situação de euforia gay que não entendo, mesmo que, como Cook diz que espera, possa contribuir para que outros, tal como ele, se assumam gays também.
Não me parece que seja por acções individuais que o problema da discriminação que aconteça se resolve, mas por um processo educativo que esclareça a questão sobre a qual já por diversas vezes tenho pensado e que, ao longo de muitos anos, nem imaginava que existisse pois jamais nas minhas preocupações incluí aquilo que julgava ser do foro íntimo de cada um e nem pensei que pudesse ser motivo de orgulho ou de vergonha. Fosse para quem fosse. Outros tempos…
Nunca me foi fácil entender a homossexualidade, o que só pode ser uma insuficiência minha, mas nunca tal me inspirou qualquer sentimento discriminatório de quem fizesse da homossexualidade a sua opção ou fosse homossexual por condição, desde que nisso me não envolvesse nem, sequer, pela simples revelação de o ser. Simplesmente porque esperava dos outros a mesma discrição que eu guardava do que comigo acontecia na intimidade que, sem ânsias de publicidade, sempre foi a minha.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A DISCUSSÃO DO ORÇAMENTO DE ESTADO E AS CONVERSAS DE CAFÉ


A discussão do Orçamento de Estado na Assembleia da República fez-me lembrar aquelas conversas de café quando, sem motivos de grande conversa, se fala do tempo.
“Isto é que está um tempo!”
“ Já nem sabemos às quantas andamos”.
“Coitado do S Pedro, está velhote e desnorteia-se”…
Enfim, conversas de chacha que mais não fazem do que preencher o tempo com vulgares lugares comuns que apenas alimentam uma conversa que não é!
De facto, há conversas que não dizem nada do muito que há para dizer sobre aquilo de que se fala.
Na AR insiste-se no apelo a uma Constituição que, quando foi feita, não teve em consideração, porque nem podia ter, as circunstâncias que hoje obrigam a tomar decisões que, por ser assim, se podem considerar inconstitucionais. Ou talvez não…
A Oposição insiste nos discursos da desgraça, invoca o empobrecimento que a austeridade provoca, recordam os bons tempos dos gastos sem contenção, invoca direitos cujos custos ninguém assegura nesta situação de exiguidade de meios que é própria de uma crise a que ninguém parece ser capaz de por um fim.
E à semelhança do que se faz quando se fala deste tempo que já ninguém entende, em vez de procurar para tal uma explicação, arranja-se um qualquer S Pedro, velho e desgastado, que já não sabe o que faz e, assim, se torna o responsável por todas as desgraças que nos acontecem. Só pode ser o Governo. Nunca quem provocou a tempestade. Certamente!
Anseia-se pelo regresso aos bons velhos tempos de uma abastança desgastada, desdobram-se os protestos em apelos que apenas farão mudar aqueles a quem chamar “ladrões” porque o “empobrecimento” inevitavelmente continuará enquanto, em vez de pensar em soluções, se reclamam os proveitos que delas possam provir sem o trabalho duro de as realizar.
Está escolhido o que uma maioria espera que lhe devolva os direitos que julgam serem seus por natureza, sem necessidade de qualquer esforço para os garantir. Estão criadas as condições de uma desilusão maior do que as demais porque mais pobres ainda ficaremos se nos dermos à leviandade de, como de outras vezes, gastar aquilo que, de todo, já não temos.
Mas uma coisa inédita aconteceu e, por isso a realço para memória futura.
O Primeiro Ministro fez a declaração mais estranha que alguma vez se ouviu em tempos de dura competição política. Apesar da imposição do Tribunal Constitucional para que sejam repostos os salários da Função Pública em 2016, Passos Coelho fez a incrível “promessa eleitoral” de tudo fazer para que não seja assim, por entender não comportarem as finanças portuguesas mais do que uma reposição ao ritmo de 20% anuais. 
Aposto que Costa garantirá exactamente o contrário!


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, CRIANÇAS ABUSADAS E A “CIÊNCIA DA JUSTIÇA”


Quando, em menos de 1 ano, 28 mulheres, vítimas de violência doméstica, acabam por ser mortas depois de longo tempo de sofrimento que agressores anteriormente identificados lhes infringem é, com toda a certeza, mais do que tempo para que esta questão seja encarada de um modo mais determinado, de um modo que lhes tivesse garantido, de facto, a protecção a que tinham todo o direito.
Pelo seu procedimento inadequado, é o Estado conivente com estes assassínios cobardes quase todos mais do que esperados pelas situações de violência que já eram vividas, muitas delas até objecto de queixas prévias que as próprias vítimas apresentaram ainda que, por se tratar de um crime público não fossem, sequer, necessárias.
Nada há que, em meu juízo, justifique procedimentos burocratizados que protelam intervenções protectoras quando haja segurança de pessoas e vidas em risco iminente como a infeliz experiência de tantos casos permite, facilmente, identificar.
Mas vai o tempo passando, gasto nas verbosidades inúteis de teorias estéreis que adiam as soluções óbvias que tais casos devem ter.
Escutei ontem mais um jurista falar dos confrontos de direitos que sempre se colocam em casos desta natureza, para defender a privacidade a que os pedófilos têm direito e, por isso, impedem a sua exposição que evitaria muitos dos futuros crimes que, diariamente, acontecem. Não o ouvi falar dos direitos que se perdem pela prática de actos nojentos e criminosos como o são a violência doméstica e o abuso sexual de crianças!
Falou mesmo, de “pedofilia pura” que distinguiu do “simples abuso sexual” a que muitas crianças são sujeitas por indivíduos que não considera propriamente pedófilos! Como se tivesse alguma relevância a classificação do abusador perante os danos causados na criança abusada.
Obviamente, não vou meter-me na discussão de questões de direito para além de dizer que esta “ciência da justiça” me parece ter evoluído, em muitos casos, de modo bem diferente daquele que é o sentimento daqueles em nome dos quais a justiça é feita. E muitas vezes me pergunto porque deve ser essa “ciência” desenvolvida por iluminados a classificar os actos que se praticam em vez de serem os sentimentos expressos pela Sociedade a influenciar essa “ciência” que só tem razão de existir para a defender.
Este caso da “ciência da justiça” parece-me ser mais um daqueles que cristalizou no tempo sem se aperceber das mudanças que ao longo do tempo aconteceram e ela deveria contemplar para introduzir os aperfeiçoamentos que reclamam.
É que, neste caso, nem se coloca a velha questão do que apareceu primeiro se o ovo se a galinha, por que a Justiça só existe porque existe Sociedade.
Se a Sociedade reclama procedimentos mais eficazes, mais céleres e seguros, tanto em defesa das vítimas de violência doméstica como das crianças abusadas, compete à “ciência da justiça” adaptar-se à vontade em nome qual ela existe.
Em prol da defesa de direitos naturais de seres humanos NÃO SE CALE! EXIJA QUE SEJAM DEFENDIDOS.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

ALUCINAÇÕES


Não ver o que existe é cegueira ou distracção, mas ver o que não existe é, com certeza, alucinação!
Então, só pode ser isso o que aconteceu naquele jogo que, há pouco tempo, o Sporting disputou na Alemanha, no qual, mesmo diante dos seus olhos, um árbitro viu o que mais ninguém conseguiu ver, apesar das avançadas tecnologias que permitem a verificação ao pormenor.
Foi um mais do que evidente desrespeito ou, então, uma atitude que interesses obscuros possam ter ditado, o que o Clube português não poderia deixar de contestar, mesmo que quase certo do desfecho que, por decisão da UEFA, viria a acontecer porque, como um velho ditado diz “quem se não sente não é filho de boa gente”.
Quase posso ter a certeza de que tal coisa jamais aconteceria se, em vez do Sporting, fossem o Real Madrid, o Bayern, o Manchester ou quaisquer outros clubes de outros países, incluindo o próprio adversário do Sporting, do qual um director se permitiu brincar com o sucedido e com o presidente da UEFA, Platini, e com o seu “sistema” que, afinal, reconheceu que existe e muito agradece.
Não me surpreende o que acontece quando o próprio futebol português se desrespeita em atitudes que toma, por corrupções que não combate e muito menos condena, em conluios que pratica e em desmandos que consente no próprio “sistema” que montou.
É, no mínimo, estranho que mais ninguém, senão o mais directamente ofendido, tenha manifestado indignação por tamanha afronta que bem mostra como o que é português é olhado nos areópagos internacionais do futebol.
Fez o Sporting o que lhe competia, dignificando o futebol português com o combate que, contra tudo e contra todos, travou contra um clube que capitais russos fazem um dos mais ricos do mundo e manifestando a sua mais do que justa indignação pelos erros grosseiros de que foi vítima, praticados por árbitros russos também.
Até no futebol Portugal cuida mal dos seus interesses quando, sem revolta, consente que verdadeiras máfias o dominem e façam dele uma presa que nenhuma lei ou autoridade parece defender.


O TÚNEL DA MANCHA E O ISOLAMENTO DA EUROPA


Quando, há muitos anos já, fui convidado a visitar as obras de construção do túnel sob o Canal da Mancha, dizia-me um colega inglês que me acompanhou naquela visita, de um modo que quis fazer parecer brincalhão mas que eu creio não seria tanto assim: “finalmente, a Europa vai deixar de estar isolada”.
Não lhe achei tanta piada como a risada que dei faria crer, não porque me tenha sentido alvo de qualquer chacota, mas pela verdade que poderia haver no que ele dissera.
Passou muito tempo e, de novo, a separação parece à vista entre um Reino Unido que, muito recentemente, mostrou que assim deseja continuar e uma Europa onde as divisões continuam evidentes apesar de toda a “união” que finge querer criar.
Continuam a existir os mesmos desamores de sempre, aqueles que tantas guerras provocaram. Só ao longo da minha vida foram duas às quais se convencionou chamar “grandes guerras” pelos danos enormes que provocaram nos muitos países que nelas se envolveram.
São hoje outras as armas com as quais se luta, mas são quase as mesmas as guerras que se travam, com a França a julgar-se protegida por uma frágil “linha marginot”, a Alemanha a impor a força do seu autoritarismo e a Inglaterra a ser quem vai determinar para que lado vai pender o fiel de uma balança que não pára de balançar.
A Portugal impõem-se condições que não pode deixar de cumprir mas que outros, mais poderosos, julgam ter o direito de não respeitar, mesmo aquelas que, a todos, são impostas. E porque em vez de um défice de 2,5% que lhe foi imposto para o próximo ano, Portugal decidiu acrescentá-lo para 2,7%, logo as sinistras troikescas criaturas nos invadem para controlar o que se passa, sem cuidar de saber o que com outros acontece!
Por exemplo, é não cumprindo consecutivamente o défice máximo que a todos é imposto que a França tenta disfarçar os graves problemas que a afectam, deixando para outros mais submissos a austeridade que, inevitavelmente, terá de aceitar também, tal como outros terão de o fazer. Até a própria Alemanha é cada vez menos o papão que a todos punha em sentido!
E quem sabe se por uns “míseros” 2.100 milhões de euros com que a Inglaterra se recusa a contribuir para tapar buracos que outros cavaram, uma bagatela perante os números gigantescos de que nos habituámos a ouvir falar, não vai ser desfeito o que o Túnel da Mancha há tantos anos conseguiu: acabar com o “isolamento” da Europa.


GESTÃO SÉRIA OU “MIRACOLOGIA POLÍTICA”?


Estive a ler uma notícia sobre o Lloyds Bank, o colosso financeiro inglês que o português Horta e Costa dirige, e não pude deixar de pensar nas promessas de autênticos “milagres” que os políticos que querem alcançar ou conservar o poder nos fazem e nos quais nós, os eternos crentes na “miracologia política”, acreditamos mesmo depois de a realidade nos mostrar que jamais se conseguiu descobrir como fez Cristo o milagre da multiplicação dos pães.
Habituámo-nos a aceitar muitas coisas que pareciam impossíveis como maravilhas de que a inteligência humana é capaz e para as quais só o infinito seria o limite. Por elas a Humanidade alcançaria a felicidade que o crescimento económico continuado iria trazer com a multiplicação das inutilidades que nos impingia, ignorando, ao mesmo tempo, as básicas e humaníssimas necessidades que mais de metade dos seres humanos não consegue satisfazer.
Horta e Costa foi mais natural no que fez para retirar um grande banco do buraco negro em que caíra e no qual o Estado inglês já colocara enormes quantias, com isso evitando um descalabro tão estridente como o fora o que aconteceu com outros colossos, como o Lemans Brothers, por exemplo.
Em vez de tentar milagres, Horta e Costa preferiu fazer uma gestão séria e, depois de prescindir dos serviços de cerca de 40.000 funcionários e fechar 600 das 2.000 agências que o grupo tinha, propõe-se ainda, até 2017 e apesar de já ter feito o banco regressar aos lucros, fechar mais 150 agências e dispensar mais 9.000 funcionários! Ele sabe que não basta regressar aos lucros para garantir a sustentabilidade e que é indispensável reduzir os custos com os quais se alcançam para que se garantam os postos de trabalho dos que não foram dispensados.
Penso que é isto que a maioria de nós não quer entender porque prefere, ainda, a miragem do mundo de abundância que o nosso mundo não é e a vida de conforto que a nossa Natureza não consente ter.
As limitações são tão óbvias que apenas uma profunda ilusão as não consegue ver.
E é altura de recordar o que, numa breve discussão, um economista me respondeu quando lhe fiz notar as limitações de recursos que a Economia nunca considera nas suas teorias. E atirou-me à cara com a lei universal de Einstein que diz que a toda a matéria, seja ela do tipo que for, corresponde energia, bastando saber como a aproveitar.
Simplesmente se esqueceu, para além dos “pormenores” tecnológicos e ambientais que tal implica e constituem os limites do consumismo irreverente, de que seria autofágico o processo que à Economia permitira dispor dos meios de que necessita para se manter crescente.


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

MAIS UM PARA O CAMINHO OU RESPEITE A VIDA UTILIZANDO O AUTOMÓVEL COM MODERAÇÃO?


“Na hora de agarrar o volante, muitos são os portugueses que não pensam nos riscos, no que diz respeito ao álcool e velocidade. Um estudo divulgado pela Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) concluiu que 26% dos condutores admite conduzir com uma taxa de álcool acima do permitido”.
Assim noticia o Jornal de Notícias uma situação de grande perigo potencial porque é causa de mais de 85% dos acidentes nas estradas portuguesas, o que me leva a crer que aquela percentagem de condutores que admitiram conduzir sob o efeito do álcool deve ser bem superior à declarada.
Bem sei que os automóveis, ainda que não indispensáveis à vida que apenas tornam mais apressada, são quase o núcleo central de uma economia que dificilmente sobreviveria sem eles. Por isso talvez se facilite um pouco a concessão da licença de condução a novos condutores para que as pesadas taxas sobre veículos e combustíveis possam ser cobradas.
Nota-se, aliás, a preocupação dos economistas quando a venda de veículos decai, porque é uma prova inequívoca de que a economia está a regredir e uma enorme parte dela se encontra a sentir os efeitos da redução.
É extraordinária a parte da economia que gira em torno dos veículos automóveis. Excessiva quanto a mim porque consome recursos que, se aplicados devidamente, tornariam mais feliz a nossa vida e, sobretudo, a vida de milhares de milhões de seres humanos que vivem na miséria.
Além de tudo isto, em Portugal, é enorme a sua contribuição para a infelicidade de milhares de famílias que, todos os anos, são afectadas pelos numerosíssimos acidentes nas estradas portuguesas.
Não defendo que se acabe com os automóveis e até tenho o meu que utilizo moderadamente como todos os deveriam fazer e, jamais, sob o efeito do álcool ou em condições inseguras para a condução.
Não basta não beber álcool para a condução ser segura porque, com certeza, na estrada nos vamos cruzar com outros que beberam demais!
Além disso, o uso intensivo das viaturas automóveis prejudica fortemente o ambiente, tanto na qualidade do ar como na disposição descuidada dos resíduos que produz, mesmo sem falar de outras causas anteriores à utilização.
Além de tudo isto, os governos sabem bem que a legislação sobre tráfego automóvel é permissiva demais. Sabem que o respeito pela vida exigiria que fossem tomadas medidas que a economia e tantos interesses instalados não consentem. Por isso... será melhor dizer

RESPEITE A VIDA E USE O AUTOMÓVEL COM MODERAÇÃO


domingo, 26 de outubro de 2014

MAQUIAVELISMO À PORTUGUESA


Tal como a grande maioria dos portugueses vivo preocupado com o futuro. Não tanto por mim como por aqueles que, por mim, por aqui vão andar muito mais tempo e também por aqueles a quem deveríamos ter preparado um futuro melhor mas só deixamos dívidas e problemas por resolver. Problemas que, no dia a dia, se vão agravando.
Pensamos que será com simples mudanças avulsas que as coisas se resolvem, com num maquiavelismo qualquer ou até anti-maquiavelismo porque Maquiavel arranjou um príncipe para o qual o principado se inventaria depois e nós, numa novidade própria do “desenrascanço” em que somos hábeis, inventámos um príncipe para um já existente principado, há anos em banho-maria.
Um príncipe que, naturalmente, não será para fazer o que quiser mas o que o principado lhe impuser! E isso facilmente podemos imaginar o que seja.
E o que faz o príncipe? O que, normalmente, os príncipes fazem. Tentam fundar os seus méritos nos possíveis deméritos de outros, nos que houver e nos que, convenientemente, forem inventados, porque para “ignorantes” basta assim.
É o que faz Costa, para muitos o grande salvador da Pátria, quando não fala dos seus planos, dos seus projectos, do seu programa e apenas critica, infelizmente sem qualidade, o que outros fizeram ou tentaram fazer.
Não será assim que se reconstruirá o país onde parece que tudo se faz de modo estranho, em joguinhos da macaca porque outros não sabem jogar.
E o povo pode ir nisso, e quase de certeza irá como de outras vezes foi, para se arrepender mais tarde.
E cada vez mais as coisas vão ficando piores!
Na figura eu gostaria de ver Costa a mostrar as suas ideias e não a mostrar possíveis erros dos outros.
Mas ideias, onde estão?
Ou será que há interesses demasiadamente impacientes que não aguentam esperar mais? 


UM “CITIUS” QUE NÃO FOI LONGE E UMA POSSÍVEL CONSPIRAÇÃO PARA QUE NÃO FOSSE


Apesar de manter todas as críticas que fiz ao modo de realizar esta reforma da Justiça que, tal como outras, vai dividindo Portugal em vários “mapas” em vez de um apenas que correspondesse a uma divisão administrativa adequada às características do país e aos seus objectivos globais, a Justiça dá-se, agora, conta de razões que, para além de todas as precipitações, terão contribuído para o “desastre” que se seguiu. “Chefias intermédias” poderão ter omitido informações importantes ou algo mais do que isso poderá ter boicotado a readaptação do “citius” e originado toda a bagunça que se seguiu.
O que nada me sossega em relação à incompetência revelada pelo ministério. Pelo contrário, mais me assusta que num país civilizado onde se criou uma situação anormal de disputa do poder, aconteçam coisas que parecem à medida de uma conspiração ou podem ser, apenas, a consequência de uns serviços onde a desorganização permite que coisas assim facilmente aconteçam.
Agora chora-se sobre o leite derramado e a Justiça vai ter de resolver dentro de si questões em relação às quais “os juízes exigem que a investigação a alegados crimes que terão estado na origem do colapso do Citius seja aberta com urgência e realizada com rapidez para que revele o quanto antes conclusões e eventuais responsáveis”.
Maria José Costeira, secretária-geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, afirma que “a situação é gravíssima. A suspeita de que ocorreram omissões ou boicote na plataforma tem de ser rapidamente esclarecida para evitar mais danos na credibilidade da justiça”.
Mas será apenas a credibilidade da Justiça que está em causa?
Eu leio todas estas notícias e fico siderado!
E quando conjugo o que nelas se diz com outras coisas que acontecem em relação a uma eventual transição de poder que tem tudo para ficar marcada por profundas irregularidades, por jogos de mentiras e meias verdades mas, também, pela falta de jeito de um governo que parece gostar de se auto-flagelar, fico preocupado com o futuro deste país.
Por tudo isto estou de acordo com a urgência a que os juízes  exigem na investigação dos alegados crimes que terão estado na origem do colapso do Citius, que seja aberta com urgência e realizada com rapidez para que, depressa, se possam conhecer os presumíveis responsáveis.
Parece-me grave a situação e, por isso, exigente de um completo e total esclarecimento dos interesses nela envolvidos.
E bem depressa e mesmo antes de outras questões que espertezas saloias agora levantam para mais depressa consumar o PGC (????).


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A PROPÓSITO DO DIA INTERNACIONAL PARA ERRADICAÇÃO DA POBREZA


Jamais pensei que a pobreza pudesse ser erradicada pela caridade, as irmãs gémeas que não podem existir uma sem a outra.
Já o sabiam há muito os orientais de outros tempos que num dito milenar recomendam que “se vires um homem com fome não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar”.
Mas este dia internacional para erradicação da pobreza não me parece mais do que o contrário do que pela pobreza se deveria fazer, o que é natural num mundo onde as maiores perplexidades existem numa realidade onde o cinismo impera e o egoísmo de alguns é o padecimento de muitos.
De nada valem palavras quando a própria realidade é pródiga em situações inexplicáveis, como se conclui de informação corrente.
Em Portugal, quarenta anos depois da instituição de um regime democrático que a Constituição desejou tendencialmente socialista, depois de uma revolução que punha fim à exploração proletária, aumentou o número de pobres que, para além disso, ganham agora menos do que ganhavam em 1974!
Angola, terra onde abundam petróleo e diamantes e onde, por isso, há centos de mega-milionários dispostos a comprar quase meio mundo, está na lista dos 10 países mais pobres!
Moçambique onde se descobriu que existem as maiores reservas de gás natural do mundo, quase encabeça a lista dos países onde a pobreza é maior!
E que dizer da China, da India ou do Bangladesh onde os pobres são explorados sem comiseração, expostos aos mais tenebrosos perigos e abandonados na sua débil condição física para que os “generosos” ocidentais possam comprar barato o que eles produzem à custa de muita dor?
Erradicar a pobreza? Mas qual pobreza?


NOTA: Segundo dados revelados pela Rede Europeia Anti-Pobreza, 18% dos portugueses são pobres. De acordo com esta organização, o número europeu que serve de referência para definir a pobreza equivale a um vencimento mínimo mensal de 406 euros.


PROBLEMAS DE NATALIDADE


Ontem, na Assembleia da República e quando se tratava de falar sobre o Orçamento de Estado acabado de apresentar pela Ministra das Finanças, soou-me a trágico-cómico o pedido da bancada do PSD para “tréguas” no combate partidário para que o país se livre do “abismo demográfico” para onde a baixíssima natalidade o atira. Como se este gravíssimo problema que distorce perigosamente a estrutura etária que inviabilizará, a curto prazo, a solidariedade de que o Estado Social necessita, se resolvesse num clima de pacifismo forçado, em vez de num ambiente de inteligência esclarecida!
As reacções ao pedido foram imediatas e, como seria de esperar, em discursos patéticos, a Oposição pôs no Governo as culpas do que se passa.
Decidi prestar mais cuidada atenção ao repentismo verboso de uma conhecida deputada de “os Verdes”. Contive a racionalidade, fiz tábua rasa da inteligência e deixei-me envolver pela emoção que o seu enérgico e comovente discurso inspirava. No final, apeteceu-me bater-lhe palmas como alguns naquele hemiciclo lhe bateram e como, por certo, o fizeram alguns dos que, como eu, a escutaram numa qualquer emissão de TV!
As críticas ao Governo que, em sua opinião, é o grande causador da baixa natalidade foram firmes, inflamadas, daquelas que não podem deixar dúvidas a quem as escutar. O desemprego, a elevada carga fiscal, os baixos salários e tudo mais que a inevitável contenção financeira implica são, para ela e para a generalidade da Oposição, as causas do problema em nome do qual o PSD pede tréguas, decerto para desviar atenções de mais um Orçamento troikista em que dizem ser evidentes as razões que o agudizam.
Que este pedido não passa de uma farsa é, pois, a conclusão para a qual Heloísa Apolónia não admite contradição.
Obviamente, não me deixaria ficar, para sempre, naquele estado de hibernação mental a que, por momentos, me prestei. Regressado à realidade, em vez de bater palmas senti uma vontade enorme de dizer-lhe para acordar também e, em vez dos discursos inflamados que tantos incautos iludem, prestar atenção à realidade de um fenómeno que é bem distinta daquela que ali pintou.
O decréscimo da natalidade não é, de todo, uma consequência dos três anos de austeridade que, para evitar males maiores, o Governo teve de assumir em troca de um resgate financeiro que leviandades sucessivas obrigaram a pedir. Vem já de longe, de hábitos egoístas que a economia consumista foi gerando, este fenómeno que, desde há muito, põe em risco o valor maior de um país que é o seu povo, os seus hábitos e, mesmo até, as suas virtudes.
Mas quando a memória é curta e são persistentes os interesses que tentam iludir a verdade, resta o recurso ao que, ao longo do tempo, ficou registado em estatísticas que os arrazoados oportunistas não podem perverter, as quais mostram que a natalidade decresceu mesmo quando quase não havia desemprego e todos pensávamos viver num país de abundante riqueza.
Desde o começo da década de sessenta do século passado que a taxa de natalidade decresce em Portugal atingindo, em 2012, o baixíssimo valor de 8,5 nascimentos por cada 1000 habitantes, o segundo mais baixo de toda a União Europeia.
Mas não é este um fenómeno português porque acontece assim em todo o mundo dito “civilizado”. Não passa de uma das várias graves doenças das quais a civilização enferma e põe em risco a própria Humanidade.

Depois de tudo isto apetece-me perguntar: são estes lunáticos que nos representam naquela Assembleia onde, pretensamente, os nossos problemas se resolvem?


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

QUAL É O CAMINHO DO FUTURO?


Diz um bem conhecido e palavroso socialista, em artigo que hoje publica no Público, que “a via austeritária começa a ser fortemente questionada nos mais diversos areópagos políticos e económicos”. Por isso afirma que novos ventos sopram na Europa.
Diz ele que se levantam cada vez mais vozes que clamam pelo investimento em vez da austeridade para tirar a Europa da crise em que se encontra.
Confrange-me a curta visão destes políticos que nada conseguem ver para além dos seus interesses imediatos, neste caso a retoma do poder, sem reflectir sobre as consequências do que dizem.
É tempo de recordar como Sócrates se queixava de como o deixavam sozinho a puxar pelo país, no que se sentiu o herói que teve a coragem de aumentar a dívida que, em seu parecer também, não é para pagar porque basta geri-la.
É tempo de perguntar como investir mais sem, outra vez, aumentar uma dívida que, pela “inércia” do volume excessivo que atingiu, ainda não parou de crescer.
É hora de perguntar como irá o aumento do consumo interno promover a economia se, pelo acréscimo das importações que promove, mais desequilibrará a balança de pagamentos que o acréscimo das esforçadas exportações já não consegue equilibrar.
É o momento certo para que alguém explique como se fará o milagre da multiplicação dos pães que o princípio da conservação da matéria, de Lavoisier, não contempla.
Há, ainda, muitas questões pertinentes para as quais o voluntarismo socialista, tal como a miragem dos que vêem no crescimento económico sem limites a solução da crise em vez da causa que a gerou, não tem resposta.
Estamos longe de considerar, na “função da sobrevivência” que nos deveria permanentemente preocupar, todos os parâmetros que a influenciam, deixando aos Deus dará, as consequências do que o egoísmo político não quer ver.
Por isso vivemos esta ilusão de abastança que a austeridade apenas tem refreado sem conseguir desfazer.
É certo que é necessário controlar os desequilíbrios que a simples austeridade não reduz. Talvez, até, pelo contrário, os amplie pela suposição imbecil de ser um erro controlar o descontrolo.
Porém, deixar que o descontrolo tome, de novo, conta da economia, poderá ser o canto do cisne de uma civilização que parece ter tomado o gosto à autoflagelação a que se entrega.


O ORÇAMENTO


Mais uma peça que veio juntar-se aos milhares que já se prestavam a desancar no Governo nesta hora de tudo fazer para o mandar embora, pela senda de uma tramóia maquiavélica que até já escolheu o seu “príncipe”.
Dentre tantas críticas que já vi serem feitas ao orçamento, fixei especialmente uma que diz que “não estamos a governar, estamos a gerir a situação”, talvez porque, ao invés da intenção com que foi feita, é a mais sensata por ser aquela que pode evitar erros maiores quando a incerteza do que se passa por esse mundo fora se tornou o principal factor a considerar, quando as premissas habituais perdem força perante outras, bem diferentes, que a realidade guindou à ribalta deste drama em que a previsão do futuro se tornou.
São as doenças de uma civilização que, em vez de para elas procurar a cura, persiste no uso de paliativos que nada mais podem fazer do que prolongar-lhe a agonia que, a cada ano que passa, se torna mais insuportável.
Afinal, onde estão os sucessos dos que, apesar da governação que fazem, vêem as suas economias regredir? Onde estão as economias fulgurantes que iriam mudar o centro do mundo mas que, afinal, pararam de crescer? Quais são as reformas a fazer para que se possa voltar a ter mão numa economia que teima em seguir um caminho que os mais louvados economistas não desejam e a mais elaborada “ciência económica” não consegue controlar? Onde fica aquela parte do mundo onde as consequências da crise se não sentem senão onde a civilização não assentou?
Parece-me ser a hora de os críticos começarem a ser claros, deixarem o comodismo da vacuidade sobre a qual assentam as suas críticas e, em vez disso, passarem a dizer exactamente como fariam se fossem eles a governar, em vez de, como sempre o fizeram, apenas forçarem as mudanças dos “artistas” que, está mais do que provado, nunca melhoram esta “peça” de muito má qualidade mas na qual todos os oportunistas esperam ansiosamente participar.
Quais são, exactamente, as reformas boas a promover, os processos infalíveis a adoptar e os cortes definitivos a fazer para as coisas ficarem a seu gosto?
Que falar é fácil mas é difícil fazer, é uma máxima que a realidade torna cada vez mais evidente nos argumentos dos que se dizem e desdizem na ânsia incontida de dizer mal, nas razões dos que se permitem recriminar sem, alguma vez, terem dado provas de serem capazes de fazer mais do que não estar de acordo com o que outros façam, nas críticas às reformas que, digam o que disserem, nunca desejam porque lhes estragam a monotonia que rentabiliza as artes que aprimoraram.
Neste país onde a arte do maldizer se esmera e ganha força, tornando cada vez mais desconfortável a responsabilidade de fazer, tudo correrá de mal a pior enquanto a esperteza saloia de dar palpites impedir a inteligência de pensar para, depois, tentar fazer melhor.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

TODO O BURRO COME PALHA…


Nas “notícias ao minuto” li esta afirmação atribuída a um professor de economia do ISEG: O economista Carlos Farinha Rodrigues responsabilizou o actual governo pelo agravamento da pobreza em Portugal e alertou que mesmo havendo uma mudança de políticas, o país vai demorar "muitos anos" até conseguir reparar os danos causados.
Habituado que fui a aprender com professores, não podia deixar de ler o mais que ele havia dito, esperando encontrar as explicações que justificassem esta afirmação tão intensamente dramática.
Mas não encontrei! Não vi mais do que o vulgar “lixo” desinformativo que os que se põem em bicos de pés atiram para o ar para dar nas vistas, com a irresponsabilidade de quem fala por falar.
Para além de uma frases sobre “a forte contenção orçamental”, o “descurar a coesão social estamos a pôr em causa, não só a situação dos pobres, mas também a qualidade da nossa democracia e da nossa vida em comum", "as políticas deste governo agravaram claramente a situação, em termos de pobreza" e outras que o levam a firmar que "vai demorar muitos anos até reparar os danos que ocorreram durante estes três ou quatro anos", nada encontrei que fundamentasse afirmações que, pensava eu, um professor universitário não deveria fazer sem as justificar.
Descreveu a realidade como lhe pareceu bem fazer, mas para ela não encontrou outra explicação senão os danos causados por um governo que, ele não o diz, teve de reparar os que outro causara ao ponto de deixar o país na bancarrota!
Também fui professor e jamais me atreveria a fazer afirmações como estas sem devidamente as justificar. E nessa condição aprendi, também, que jamais se encontram, nas razões de curto prazo, as que, de facto, justificam a situação que queremos analisar.
Por isso o professor Farinha nem, sequer, justifica a razão pela qual começa, a contenção orçamental, inevitavelmente imposta pela situação de falência financeira que erros clamorosos de outro governo causaram. Como se a contenção orçamental fosse o princípio de tudo, o pecado original que jamais se deveria cometer!
Tudo o mais são consequências de uma situação de graves carências que não deixavam grandes alternativas nos procedimentos a adoptar, ainda que o pudessem ter sido de um modo mais adequado a uma situação em que o regresso ao passado de gastos levianos para dinamizar a economia está, pelas mais variadas razões que o professor deve desconhecer, fora de questão.
Esperava, obviamente, aprender com um professor como sempre ao longo da minha vida aprendi. Mas fiquei sem saber que erros este governo cometeu e, menos ainda, como serão corrigidos ao longo do muito tempo que diz que a tarefa vai levar, para além de nem sequer me atrever a pedir-lhe que me diga como deveria ter feito o governo para os evitar.
Fui, esperançado, ler o que esperava fosse uma lição mas deparei-me como um discurso próprio para quem, sem reclamar, come toda a palha que lhe deitem.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A PROPÓSITO DO “STREAP TEASE” DE MARINHO

Como prometera, Marinho e Pinto deu a conhecer, em pormenor, o que lhe vêm pagando na actividade de deputado europeu para que foi eleito. Assim mostra, em pormenor, a “obscenidade” dos valores que recebem esses “representantes não sei de quem” que por ali andam sem fazer coisa que preste, nada que mude esta Europa que, vistas bem as coisas e ao fim de tantos anos, continua a ser a manta de retalhos que sempre foi.
O que Marinho e Pinto revela que lhe pagam, 40.000 euros em três meses, corresponde ao valor do salário mensal, a subsídios diários pela presença em plenário, a reuniões ou delegações, a subsídios de distância e a valores atribuídos para despesas gerais.
Em Portugal, os mais qualificados que trabalham por conta de outrem, ganham, num ano, pouco mais de metade do que os deputados europeus ganham em três meses, do que resulta a absurda razão de 1 para 8.
Mas não é isso que parece ser o que preocupa Marinho e Pinto que acha miserável o que, em Portugal, se paga aos membros dos órgãos de soberania.
Por exemplo, um deputado em regime de exclusividade, seja qual for a sua formação de base ou a competência que possua para desempenho do lugar, ganha 3.515,36 euros mensais, menos 325,88 euros os que se decidam pela não exclusividade que, sem dúvida, muito mais lhes renderá do que o salário de exclusividade lhes garante. Uma muito pequena esta diferença que, logicamente, deve corresponder à diferença de produtividade entre os que exclusivamente se dedicam às funções parlamentares e os outros. Nem quero pensar na conclusão que tal consente…
Mas, para além da remuneração indicada, os deputados têm regalias diversas que constituem um acréscimo significativo ao seu salário real e os torna privilegiados perante o cidadão comum que representam e cuja sobrevivência é bem mais trabalhosa do que marcar presença e debitar o que, tantas vezes, não passa de uma cassete desgastada, de repisados discursos pouco qualificados e, por vezes, reveladores de grande ignorância.
É óbvio que há gente que vive num mundo diferente daquele onde a maioria tem salários muito baixos ou nem sequer os tem e vivem, por isso, em condições das quais os privilegiados deste país não fazem uma pálida ideia. É a imensa maioria da qual também a maioria criou o hábito de se contentar com as migalhas que caem da mesa onde, os “mal pagos” de Marinho, se banqueteiam.
Em Portugal, o salário mínimo de 505 euros não passa de cerca de 61% da média dos países europeus onde foi estabelecido e não vai além de 26% do valor máximo. É, mesmo, o mais baixo de todos.
É muita, é demais, a gente que ganha o salário mínimo em Portugal onde Marinho e Pinto prefere preocupar-se com o “pouco” que ganham aqueles por culpa de quem ele é tão baixo!
Fico apreensivo quando vejo multidões que endeusam, aplaudem e guindam ao poder os que, inevitavelmente, acabarão por explorá-las, porque não posso deixar de pensar nos absurdos pelos quais sempre haverá exploradores e explorados!


sábado, 11 de outubro de 2014

SERÁ O FIM DOS MILAGREIROS?

O Ministro da Economia, Pires de Lima, afirma, a propósito do descalabro da Portugal Telecom que “a evolução da PT é o exemplo acabado e chocante de destruição de valor numa grande empresa nacional, que perdeu mais de 85% daquilo que era, como consequência da gestão de ter sido capturada por interesses próprios e interesses particulares de um accionista e ter sido extraordinariamente submissa a interferências políticas completamente irracionais do ponto de vista económico".
A PT foi alvo apetecido e utilizado por certos “gurus da gestão” para fazerem negociatas apenas benéficas para alguns mas que deslumbraram legiões de incautos que, perante o que parecia um “enorme sucesso de gestão”, nelas arriscaram o seu dinheiro que, como era inevitável, acabou engolido pelo buraco negro que os truques de uma ganância sem limites criaram.  
Depois de outros esquemas fraudulentos que, montados por autênticas máfias das quais os contribuintes foram vítimas muito maltratadas e arruinaram muita gente que, de boa fé, lhes confiou as suas poupanças, fica difícil acreditar como o gigantesco caso BES/PT passou despercebido a quem competia supervisar, de modo prudente, os comportamentos das instituições financeiras.
Desde os primeiros anos deste século que acontecem, por esse mundo fora, coisas que jamais esperaríamos que acontecessem, como falências de empresas, de bancos e de instituições cuja dimensão os fazia crer invulneráveis, factos com os quais parece nada termos aprendido, apesar de serem indícios claros de irregularidades num sistema financeiro que mascarava as suas fraudes em operações aliciantes mas cada vez mais complexas e incompreensíveis, os tais produtos tóxicos como, depois, ficaram conhecidos.
Era o maravilhoso mundo das finanças que tanto dinheiro suado sugou aos que não resistiram ao deslumbramento de dinheiro fácil. Porque haverá, sempre, trouxas para os espertalhões depenarem.
Tive, durante a minha vida profissional, responsabilidades de gestão de projectos de enorme dimensão mas, por muito que me esforçasse e pelo mais que fizesse, sempre me senti superado por certas mentes brilhantes que, como nos passes de magia, do nada criavam quase tudo! Por isso, sempre aceitei a vulgaridade do ser humano que sou, daqueles que por mais que se esforcem, jamais conseguem ir além do que com muito esforço e dedicação conseguem fazer, muito aquém dos milagres dos deuses do Olimpo que, por eles são, com pompa e circunstância, distinguidos com a ordem disto ou daquilo, no dia dos heróis nacionais.
Heróis que, afinal, não eram e aos quais tantos enganados têm o direito de exigir que prestem contas. Tanto a eles como aos políticos com os quais se conluiaram em procedimentos condenáveis.
É urgente sanear uma sociedade corrompida pela ambição, bem como o é recuperar o bom senso daqueles para quem a solução é o regresso aos tempos da ilusão de riquezas inexistentes, em cujos logros se deixaram cair.
Não voltarão esses tempos e o futuro vai ser muito duro, trabalhoso, mas pode, mesmo assim, ser um futuro feliz!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A PROPÓSITO DO DISCURSO DO PRESIDENTE... SÓ MUDAM AS MOSCAS!

Li algures que o expectante Rui Rio havia sido pressionado por diversas personalidades para fazer no PSD um assalto ao poder como António Costa fez no PS.
Já ouvira falar, até, num possível conluio entre ambos para poderem formar o tal Bloco Central que poderia governar o país, ou talvez não, como já antes, sem sucesso, fora tentado.
É grande a insatisfação de todos nós. É esta uma verdade indisfarçável. Mas não me parece que seja apenas mudando pessoas que a questão se resolve, porque sem uma visão mais clara das coisas e sem o entendimento mais correcto da realidade permanecerão os problemas que apenas novas ideias e diferentes procedimentos conseguirão resolver.
Se, das “primárias” do PS, não resultaram novas ideias, ficando-se pela troca de personalidades o que aconteceu, não será de esperar que seja desse modo que se mudarão no PSD ou em outro qualquer partido as idiossincrasias instaladas que, como parece inevitável, irão migrar para os novos partidos formados em torno de personalidades que apenas dizem querer combater a corrupção e outros procedimentos condenáveis nos quais, nem que tenha sido apenas por omissão, também participaram, porque os nossos males vão, infelizmente, muito para além disso.
Não acredito, de todo, que destas “revoluções partidárias ” possa resultar mais do que o apressar da confusão já instalada na política portuguesa, porventura até a “implosão” dos partidos políticos que o Presidente da República diz temer.
A realidade que observamos não permite contradizer o Presidente quando afirma que “é cada vez maior a repulsa dos cidadãos mais qualificados pelo exercício de funções públicas (…..), desempenho de cargos políticos (…….) ao exercício de funções nas diversas áreas da Administração Pública”. Estará, como do que disse o Presidente se deduz também, o país entregue a uma classe que fez da política uma profissão sem méritos e sem qualificações, que tem desprestigiado com a demagogia e o populismo que afastam os quadros profissionais mais qualificados do exercício de funções públicas.
E lá volta a questão de não ser apenas mudando pessoas que se altera o caminho que trilhamos e, com ele, o ponto onde chegamos, porque é preciso seguir por outro caminho que, tudo o mostra, esta classe política não conhece ou lhe não convém! 


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

LISTAS PÚBLICAS DE PEDÓFILOS? OBVIAMENTE!

Podem os juízes reclamar a inconstitucionalidade da identificação dos pedófilos ou seja quem for dizer o que quiser contra uma medida que pode evitar que muitas crianças sofram os horrores das agressões de gente tão nojenta, pelas quais ficarão marcadas por toda a vida.
Então, por que respeitar o anonimato que encobre criminosos compulsivos como já sobejamente está provado, em prejuízo da segurança dos menores indefesos que eles sistematicamente atacam?
Não é a primeira vez que reflicto sobre estes crimes que sempre considerei mais graves do que o próprio homicídio porque obriga a suportar a vida a quem está emocionalmente morto. E o que é uma vida sem emoções?
Os pedófilos, mesmo numa sociedade que se habituou aos procedimentos mais estranhos e aceita já diversas perversões a princípios que séculos e séculos de convivência social estabeleceram, terão de ser considerados como um caso aparte pelo desvio sexual monstruoso em mentes doentias que colocam em risco muito grave as nossas crianças.
Se o poder é do povo, pois que se pergunte ao povo como quer castigar estes nojos sociais que os juízes parecem defender em nome de um direito constitucional que não deve ser reconhecido aos abortos sociais que os pedófilos são.
Concordo em absoluto com a ministra da Justiça quando diz que “O stresse causado a uma criança que é abusada é superior ao stresse causado em situação de guerra extrema. Os distúrbios prolongam-se por toda a sua vida, desde distúrbios de saúde, como, por exemplo, um maior índice de diabetes até distúrbios afectivos e emocionais e até tendências para a depressão e álcool”, daí a necessidade absoluta de, de tal, a proteger.
Nem imagino do que seria capaz se algum desses desviados fizesse mal a qualquer uma das minhas crianças. Decerto, o mesmo pensarão tantos outros que, como eu, sentem o enorme perigo e o nojo de tão sujos procedimentos.
Por tudo isto, sou a favor da listagem pública dos que, sem dúvida, sejam pedófilos. Sejam eles quem forem.
Importante é igualmente a informação que permita aos pais protegerem as suas crianças dos ataques dos predadores sexuais.
Aqui deixo um link que pode ser útil
http://pt.wikihow.com/Identificar-um-Ped%C3%B3filo


A SUSPEITA DA RAZÃO DA MAIORIA

Não sou, de todo, candidato a coisa nenhuma. Também não estou à espera de “tachos” que algum vencedor me possa oferecer, pelo que, dos que disputam o poder, apenas me interessa a competência que revelarem para governar este país onde nasci e onde vivo com a minha família por cujo futuro, infelizmente, estou cada vez mais preocupado.
Tenho mil e uma razões para me preocupar assim pois, de tantas coisas que já vi neste regime pelo qual tanto suspirei em tempos que já lá vão e durante os quais também não recebi quaisquer benesses, apenas retiro a certeza de voluntarismos que umas vezes me parecem ingénuos e outras oportunistas, mas que, sejam eles o que forem, me tem roubado o sossego de uma vida tranquila para me fazer viver a intranquilidade de disputas feitas de promessas ocas, das quais o resultado é sempre o apertar de um cinto que já tem furos até à fivela!
Participo como posso nesta democracia que nasceu torta e cumpro os meus deveres de cidadão que se informa e se tenta esclarecer mas que, passadas as ilusões dos primeiros anos da mudança, vota mais pela negativa do que pela esperança de que passe a ser melhor.
Estamos às portas de nova mudança, tudo o faz crer. Será mais uma que me preocupa, tanto pelo desfaz que sempre acontece como pela desilusão que muitos em breve irão sentir por coisas que já os não deviam espantar. Porque, afinal, tem sido sempre assim.
Talvez porque se diga que “a esperança é a última a morrer”, mais uma vez os “romeiros” se preparam para uma festa que pouco vai durar e da qual, por fim, apenas o cansaço sobrará.
A vitória de Costa numas eleições inéditas em Portugal, mesmo sem envolverem mais do que 3% dos eleitores portugueses, foi o estoiro que promoveu a euforia que, sem quaisquer razões que se vejam, leva o povinho a mostrar uma disposição inequívoca para lhe dar a vitória nas próximas eleições legislativas, mesmo que se esteja a refazer o grupo que, desde o 25 de Abril, mais contribuiu para as desgraças que vivemos, pelas leviandades praticadas e pelas trapaças consentidas.
Não creio, pois, poder sentir, ainda desta vez, qualquer esperança de poder morrer tranquilo pelo futuro que fique assegurado para os que amo e por cá continuarão.
Infelizmente, a política continua a ser feita das leviandades próprias das euforias que criam os barulhos e as luzes das festas que iludem o povo que, estonteado, se não liberta das grilhetas dos que dele apenas querem o seu voto, nesta suspeita, em eleições repetida, de que a maioria tem razão.