ACORDO ORTOGRÁFICO

O autor dos textos deste jornal declara que NÃO aderiu ao Acordo Ortográfico e, por isso, continua a adoptar o anterior modo de escrever.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O INEVITÁVEL ABRANDAMENTO GLOBAL

Pela terceira vez, este ano, o “World Economic Outlook” (WEO) revê em baixa o crescimento da economia mundial, o que, sem qualquer dúvida, nos deve levar a pensar melhor nas alternativas a um caminho que, ano após ano, vai dando razão aos que não prevêem um grande futuro a um tipo de economia que apenas está saudável quando são elevados os níveis de consumo que, está provado, não é possível sustentar.
Não se trata, ao contrário do que muita gente possa julgar, da crise económica que afecta a Europa porque é o mundo inteiro o palco destas cenas tristes que resultam da mais do que provada incapacidade de dar a volta a uma realidade que os gurus da Economia, persistentemente, ignoram.
As tão louvadas economias emergentes, com elevadas taxas de crescimento, terão agora de contentar-se com crescimentos muito modestos, a Europa patina na estagnação e até a poderosa economia alemã recua.
Quem imaginaria, neste contexto de sobressaltos, no clima de protestos que vivemos e no conjunto das dificuldades que sentimos que em Portugal que se verificará um crescimento económico acima da média da União Europeia?
Segundo o FMI, o crescimento mundial em 2014 e 2015 continuará aquém dos níveis registados em anos anteriores, não conseguindo alcançar aqueles níveis elevados para os quais as fulgurantes economias emergentes pareciam querer guindá-lo.
Como exemplos pode citar-se o Brasil onde o esperado crescimento de 7% pouco ultrapassará 0% e a Alemanha que sofre os efeitos de um decréscimo sucessivo da sua produção industrial que, no passado Agosto, baixou 4%!
Como consequência, são negativas as reacções dos “mercados” e dos consumidores cuja confiança, conforme o indicador Sentix, caiu de -9,8 pontos em Setembro para -13,7 pontos em Outubro.
Depois de tantos anos que levamos de uma crise da qual parece não haver maneira de sair, é natural perguntar por que razão não se tentam outras soluções que não as tradicionais que, pelos vistos, não resultam, ou se admite, finalmente, ter de a economia trilhar outros caminhos por onde possa satisfazer as necessidades do mundo onde, como é visível também, a perturbação aumenta, podendo juntar aos problemas económicos e sociais já tão graves, os que uma convulsão global irá, com certeza, piorar.
Vive o mundo uma guerra, ou um conjunto de guerras, cujas consequências são difíceis de imaginar ao pormenor, mas da qual, tal como sempre acontece, todos sairão derrotados, ainda que mais uns do que outros.

DEDINIÇÕES:
WEO - pesquisa do FMI que inclui diversos indicadores económicos, da qual resultam previsões sobre a situação da economia mundial a curto e médio prazo.
SENTIX – é um indicador resultante de uma pesquisa mensal entre 1.600 analistas financeiros e investidores institucionais. Os participantes são questionados sobre sua opinião em relação à situação económica actual e suas expectativas para os próximos seis meses na zona do euro, Estados Unidos, Japão, Ásia excluindo o Japão, Europa Oriental e América Latina.


Sem comentários:

Enviar um comentário