ACORDO ORTOGRÁFICO

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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

EXPOSIÇÃO 100 ANOS DE PRESIDENTES, O FASCISMO E A DEMOCRACIA

Leio no Expresso uma notícia que me dá conta de que “indignação do PCP, do BE e do PS pela inclusão dos três Presidentes da República do Estado Novo numa exposição patente na Assembleia da República não se verificou quando, em Junho e Julho, o assunto foi tratado na comissão parlamentar de Educação. Segundo o relato feito pelo presidente da comissão, Abel Batista (CDS), a proposta de exposição, feita pela Câmara Municipal de Barcelos, foi discutida a 25 de Junho, numa reunião que contou, de acordo com as respectivas actas, com a presença dos representantes do PCP e do BE, os dois partidos que agora mais se insurgem contra os bustos de António Óscar Carmona, Américo Tomás e Craveiro Lopes”.
Nunca entenderei a razão pela qual se pretende branquear a História que, com fases melhores ou piores, é a realidade que já está escrita ou, mais cedo ou mais tarde, será escrita com a verdade das coisas.
Como seria fazer uma exposição sobre 100 anos de presidentes ignorando alguns deles? Como seria escrever uma História que ignorasse um qualquer período do seu tempo?
Na Assembleia da República, onde uma polémica sobre esta questão se gerou, é opinião do BCP, expressa pelo seu líder parlamentar, que "a defesa da democracia não é compatível com o branqueamento do fascismo e dos seus responsáveis políticos".
O português é, de facto, uma língua muito matreira que pode causar alguma confusão em espíritos desprevenidos ou menos informados, o que acontece relativamente a um qualquer “branqueamento” que, obviamente, seria a exclusão dos ditos presidentes e não a sua presença na exposição histórica a que pertencem.
Será que o fascismo ou seja o que for se combate pela omissão ou com a ignorância? Não é, porque não é com medos que se vencem batalhas ou se impõe a razão!
Mas talvez o PCP julgue que seja porque, por certo, não terá qualquer interesse em que se recordem os tempos ferozes da ditadura do proletariado que continua a defender.
Mas a História é implacável porque, mesmo que alguma vez seja adulterada, um dia virá em que será corrigida. Não adianta lutar contra ela nem ter a veleidade de razões que só a História acabará por avaliar. E não creio que a História venha a ser muito gentil para com quem, por ínvias razões ou com medo das razões que outros possam ter, pretende rasgar páginas que, queiram ou não, já foram ou serão escritas. 


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